{"id":213675,"date":"2019-08-19T08:38:22","date_gmt":"2019-08-19T11:38:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=213675"},"modified":"2019-08-19T08:39:36","modified_gmt":"2019-08-19T11:39:36","slug":"sistema-de-cotas-pode-estar-com-os-dias-contados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sistema-de-cotas-pode-estar-com-os-dias-contados\/","title":{"rendered":"Sistema de cotas pode estar com os dias contados"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds do empurra. Se n\u00e3o h\u00e1 qualidade no ensino infantil, empurra. Se inexistem escolas decentes ao ensino fundamental, empurra. Se o ensino m\u00e9dio n\u00e3o presta, empurra. Al\u00e9m dos per\u00edodos educacionais previstos na Lei 9.394\/96, s\u00e3o contempladas a educa\u00e7\u00e3o superior, a de jovens e adultos, a profissional ou t\u00e9cnica, a especial e a moderninha educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia. Mas nada disso \u00e9 relevante.<\/p>\n<p>O mais grave e que est\u00e1 sendo discutido na Esplanada dos Minist\u00e9rios agora, ainda de forma reservada, \u00e9 o sistema de cotas nas universidades. Para muitos, uma excresc\u00eancia inaugurada pela Universidade de Bras\u00edlia &#8211; UnB no in\u00edcio dos anos 2000, pelo falecido reitor Lauro Morhy, um guajar\u00e1-mirense, nascido em Rond\u00f4nia, brilhante qu\u00edmico membro da New York Academy of Sciences.<\/p>\n<p>Por um acaso este escriba estava no campus da UnB, trabalhando a convite da diretoria, no dia exato em que Lauro Morhy determinou prioridade para lan\u00e7ar o sistema de cotas no vestibular, h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas. Um sistema restrito, s\u00f3 para negros. Ele desejava ser pioneiro tamb\u00e9m nessa qu\u00edmica racial. Pura vaidade, acredito, respeitando a sua aus\u00eancia. Imediatamente minha rea\u00e7\u00e3o foi dizer que aquilo representava um erro hist\u00f3rico, segregativo, irrespons\u00e1vel. N\u00e3o tive voz. O tempo veio para esclarecer o equ\u00edvoco tupiniquim, burro, falido.<\/p>\n<p>A incompet\u00eancia do Estado n\u00e3o pode ser resolvida por doses homeop\u00e1ticas indiretas, por meio de leis de conveni\u00eancia duvidosa, demagogas, que escondem a base do problema. Existe o sistema de cotas tamb\u00e9m nos EUA, mas l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nada democr\u00e1tica a entrada em universidades renomadas como Yale, Harvard, Stanford ou Columbia. No Brasil o vestibular \u00e9 a senha para qualquer um que passar na prova. Passou, entrou. Os estadunidenses, ao contr\u00e1rio, escolhem seus alunos individualmente, mesmo que passem nas provas, sejam brancos, negros, \u00edndios, amarelos, exilados.<\/p>\n<p>Os alunos, al\u00e9m de excelente desempenho pret\u00e9rito nas escolas de base, depois de aprovados em concursos, s\u00e3o entrevistados individualmente e escolhidos um a um. Podem ser recusados pelas institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o d\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o a ningu\u00e9m. Recusam o candidato, seja feio ou bonito, e tocam o dane-se.<\/p>\n<p>Nosso vestibular \u00e9 muito mais democr\u00e1tico. Permite o acesso ao diploma universit\u00e1rio de qualquer mortal, ainda que tenha nascido em Guajar\u00e1-Mirim, como Lauro Morhy, o reitor cotista. Qual contribui\u00e7\u00e3o o sistema de cotas produz \u00e0 sociedade? Mais desigualdade. N\u00e3o s\u00f3 racial, mas social. O m\u00e9todo de empurrar diplomas superiores aos mais desprovidos de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica &#8211; al\u00e9m de inaptid\u00e3o intelectual &#8211; apenas para divulgar estat\u00edsticas midi\u00e1ticas, cria um submundo acad\u00eamico de incompetentes.<\/p>\n<p>A Ordem dos Advogados do Brasil \u2013 OAB, principal entidade do universo jur\u00eddico, \u00e9 a primeira prova de que nossas universidades n\u00e3o prestam. Depois de formados, os advogados s\u00e3o submetidos a um exame compuls\u00f3rio, no m\u00ednimo inconstitucional. Melhor seria submet\u00ea-los a um exame da l\u00edngua portuguesa \u2013 cadeira que deveria ser obrigat\u00f3ria nos cursos de Direito e Jornalismo \u2013 que \u00e9 a ferramenta de trabalho da profiss\u00e3o: saber ler e escrever. Provavelmente 90% dos rec\u00e9m-formados seriam reprovados. Mas sobre isso ningu\u00e9m diz nada. Que mal faz conviver com ju\u00edzes incultos e jornalistas analfabetos? Importante s\u00e3o as estat\u00edsticas de que o Brasil avan\u00e7ou academicamente. Melhor empurrar. Fazer de conta que negros, \u00edndios e pobres agora poder\u00e3o ser advogados, engenheiros, cientistas.<\/p>\n<p>A realidade, entretanto, n\u00e3o muda. \u00c9 comum o papai presentear o filhinho com um carro zero, caso ele seja aprovado para uma federal. \u00c9 muito mais barato pagar a presta\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel novinho do que uma faculdade particular. A federal \u00e9 de gra\u00e7a. Paga por n\u00f3s. A segrega\u00e7\u00e3o social continua e com ela a racial. Ningu\u00e9m discute a base da educa\u00e7\u00e3o. O Brasil n\u00e3o precisa de diplomas, mas de igualdade de oportunidades. N\u00e3o ser\u00e1 esse m\u00e9todo pernicioso de cria\u00e7\u00e3o de subclasses de gente, consideradas inferiores pelas cotas inventadas por seres superiores, que vai resolver o problema nacional.<\/p>\n<p>O que falta \u00e9 nivelar uma ampla oferta de oportunidades. O talento pode estar incubado em mans\u00f5es, taperas, aldeias, favelas. Talento n\u00e3o tem ra\u00e7a, endere\u00e7o ou origem determinada. Melhor seria um sistema de cotas de compet\u00eancia e honestidade para acesso aos cargos p\u00fablicos de ministro do Supremo, deputado e senador. A sociedade, que paga seus sal\u00e1rios, certamente reprovaria a maioria. Infelizmente n\u00e3o estamos nos EUA. Quem pode, \u00e9 melhor empurrar seus filhos pra l\u00e1. E que trumpem-se os soci\u00f3logos vermelhos de plant\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds do empurra. Se n\u00e3o h\u00e1 qualidade no ensino infantil, empurra. Se inexistem escolas decentes ao ensino fundamental, empurra. Se o ensino m\u00e9dio n\u00e3o presta, empurra. 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