{"id":214423,"date":"2019-08-28T00:30:58","date_gmt":"2019-08-28T03:30:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=214423"},"modified":"2019-08-28T07:34:42","modified_gmt":"2019-08-28T10:34:42","slug":"livreiros-tentam-se-ajustar-aos-novos-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/livreiros-tentam-se-ajustar-aos-novos-tempos\/","title":{"rendered":"Livreiros tentam se ajustar aos novos tempos"},"content":{"rendered":"<p>\u201cLivraria Sustent\u00e1vel\u201d \u00e9 o tema central da 29\u00aa Conven\u00e7\u00e3o Nacional de Livrarias, promovida a partir desta quarta (28) no Rio de Janeiro pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Livrarias (ANL), a dois dias da abertura da 19\u00aa Bienal Internacional do Livro. Segundo o presidente da ANL, Bernardo Gurbanov, livraria sustent\u00e1vel significa adaptar o neg\u00f3cio livreiro aos novos tempos e \u00e0s exig\u00eancias de mudan\u00e7a dos h\u00e1bitos de consumo, al\u00e9m de utilizar novas tecnologias a favor da sustenta\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio. A conven\u00e7\u00e3o tem o apoio da Associa\u00e7\u00e3o Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Apesar da crise econ\u00f4mica, que levou algumas redes de livrarias a entrar em recupera\u00e7\u00e3o judicial e colocou em xeque todo o sistema, Gurbanov disse que o setor j\u00e1 est\u00e1 dando sinais de recupera\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o. \u201cPodemos dizer que estamos no ecossistema do livro, no qual a altera\u00e7\u00e3o de uma das partes altera o todo\u201d. O presidente da ANL est\u00e1 trabalhando em toda a cadeia produtiva para conseguir um modelo de neg\u00f3cio ajustado aos novos tempos.<\/p>\n<p><strong>Centro cultural<\/strong><br \/>\nUm dos sinais da recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 que livrarias pararam de fechar, afirmou Gurbanov. Est\u00e3o aparecendo novas lojas e isso tem a ver com a percep\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios e empreendedores e das novas gera\u00e7\u00f5es de que crise significa oportunidade. \u201cTanto se falou na crise que est\u00e3o vindo \u00e0 tona novos empreendimentos que enfrentam um desafio, \u00e9 claro, mas t\u00eam consci\u00eancia bastante clara de que esse neg\u00f3cio precisa ser, antes da livraria, um centro cultural. Um lugar que proponha desafios para a comunidade e que, a partir dessas propostas, come\u00e7e a atrair o p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 dentro dessa perspectiva que est\u00e3o surgindo novos projetos. Est\u00e1 havendo tamb\u00e9m o fortalecimento das redes de livrarias, que t\u00eam ocupado o espa\u00e7o que era das outras redes em recupera\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos no in\u00edcio de um caminho virtuoso\u201d.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio da ANL mostrou a exist\u00eancia no Brasil de 3.481 livrarias em 2012. Esse n\u00famero caiu para 3.095, em 2014. No ano passado, a estimativa foi de queda de 20% no n\u00famero de estabelecimentos em funcionamento no pa\u00eds, resultando em 2.600 livrarias. Bernardo Gurbanov disse que \u201ca rigor, esse n\u00famero deixou de cair. \u00c9 uma queda muito grande, mas n\u00f3s n\u00e3o podemos esquecer que isso tem a ver com a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. N\u00f3s estamos, de 2014 at\u00e9 agora, com uma economia que est\u00e1 respirando por aparelhos, o Produto Interno Bruto (PIB) reflete isso. E o neg\u00f3cio livreiro n\u00e3o poderia estar \u00e0 margem dessa situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Equil\u00edbrio<\/strong><br \/>\nOs dados dispon\u00edveis hoje indicam que a economia e o neg\u00f3cio do livro est\u00e3o nos mesmos n\u00edveis de 2006. \u201c\u00c9 uma t\u00edmida recupera\u00e7\u00e3o; nenhuma euforia nos espera. O setor e os empres\u00e1rios t\u00eam que ter os p\u00e9s bem fincados na terra. O nosso neg\u00f3cio tem que conquistar um dif\u00edcil equil\u00edbrio entre o campo cultural e o administrativo e a press\u00e3o de custos continua sendo muito intensa, o que levou, em parte, \u00e0 dificuldade das grandes livrarias\u201d, disse o presidente da ANL.<\/p>\n<p>Admitiu, por\u00e9m, que h\u00e1 um fortalecimento do setor que tem outra caracter\u00edstica e outra forma de administrar o neg\u00f3cio. Um exemplo s\u00e3o as pequenas livrarias que, muitas vezes, s\u00e3o abertas por profissionais rec\u00e9m-formados que resolvem se reunir por uma expectativa de grandes neg\u00f3cios. Gurbanov lembrou que nenhuma das grandes redes nasceu rede. \u201cTodas come\u00e7aram com uma pequena livraria\u201d. Recomendou, por\u00e9m, que os empres\u00e1rios do setor se mantenham atentos \u00e0s mudan\u00e7as, \u00e0 din\u00e2mica da economia e aos valores sociais que est\u00e3o em discuss\u00e3o, a partir dos quais \u201cpodem ser propostas atividades que tenham o sentido de constru\u00e7\u00e3o de identidade para setores da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mediadores da leitura<\/strong><br \/>\nDe acordo com o presidente da ANL, o livreiro desempenha tamb\u00e9m um papel de curador, na medida em que seleciona livros e prop\u00f5e atividades, buscando pessoas que se identifiquem com aquele projeto. Ele lembrou que \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m discutir o conceito de que livraria e livreiro s\u00e3o mediadores da leitura, com o objetivo de ampliar o n\u00famero de leitores brasileiros.<\/p>\n<p>Para ser um consultor ou orientador liter\u00e1rio, o livreiro tem que se capacitar para esse trabalho, propondo novos desafios de leitura. \u201cA somat\u00f3ria desse trabalho vai contribuir para a forma\u00e7\u00e3o de leitores. Claro que n\u00e3o vai mudar o quadro geral do pa\u00eds, de \u00edndice baixo de leitura, o que \u00e9 muito grave\u201d. Ampliar o \u00edndice de leitura \u00e9 tarefa do Poder P\u00fablico, destacou Gurbanov, acrescentando que o livreiro e o editor podem tamb\u00e9m contribuir para a melhoria do desempenho nacional.<\/p>\n<p><strong>Programa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA 29\u00aa Conven\u00e7\u00e3o Nacional de Livrarias tem participa\u00e7\u00f5es importantes. Entre elas est\u00e3o a de Roger Chartier, historiador, pesquisador, ensa\u00edsta especializado em hist\u00f3ria da cultura, com destaque para a hist\u00f3ria do livro e da leitura, e a do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, que far\u00e1 uma an\u00e1lise do cen\u00e1rio econ\u00f4mico atual e futuro.<\/p>\n<p>O presidente executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Redes de Farm\u00e1cia e Drogarias (Abrafarma), Sergio Mena Barreto, abordar\u00e1 o desenvolvimento das farm\u00e1cias e livrarias no Brasil. Da mesma forma que as farm\u00e1cias reinventaram seu neg\u00f3cio, as livrarias podem reinventar o seu.<\/p>\n<p>O presidente da ANL, Bernardo Gurbanov, lembrou que a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) recomenda aos pa\u00edses ter uma livraria a cada 10 mil habitantes. Isso daria, no caso do Brasil, algo em torno de 20 mil livrarias. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) faz o mesmo c\u00e1lculo e recomenda que haja uma farm\u00e1cia para cada 10 mil habitantes. No Brasil, entretanto, s\u00e3o mais de 90 mil farm\u00e1cias. \u201cAlgo est\u00e1 acontecendo que n\u00f3s temos de avaliar mais profundamente\u201d. Gurbanov argumentou que o neg\u00f3cio da sa\u00fade vai de vento em popa, enquanto o neg\u00f3cio da leitura est\u00e1 ficando para tr\u00e1s. Por isso, afirmou que \u201cum pa\u00eds sem rem\u00e9dios n\u00e3o tem sa\u00fade, mas um pa\u00eds sem livrarias n\u00e3o tem rem\u00e9dio\u201d.<\/p>\n<p>A conven\u00e7\u00e3o debater\u00e1 ainda quest\u00f5es pontuais, como a consigna\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o entre editores e o varejo, o livro de papel e as livrarias no mundo digital e o impacto social das livrarias, entre outros temas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cLivraria Sustent\u00e1vel\u201d \u00e9 o tema central da 29\u00aa Conven\u00e7\u00e3o Nacional de Livrarias, promovida a partir desta quarta (28) no Rio de Janeiro pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Livrarias (ANL), a dois dias da abertura da 19\u00aa Bienal Internacional do Livro. 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