{"id":215810,"date":"2019-09-15T00:24:34","date_gmt":"2019-09-15T03:24:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=215810"},"modified":"2019-09-15T09:27:33","modified_gmt":"2019-09-15T12:27:33","slug":"pesquisa-detalha-distribuicao-dos-subtipos-do-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisa-detalha-distribuicao-dos-subtipos-do-hiv\/","title":{"rendered":"Pesquisa detalha distribui\u00e7\u00e3o dos subtipos do HIV"},"content":{"rendered":"<p>Entender como atuam os subtipos do v\u00edrus da Aids, o HIV, entre os brasileiros \u00e9 um dos objetivos de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) e da Universidade do Minho (UMinho), em Portugal. A primeira etapa do projeto confirmou dados da literatura cient\u00edfica que apontam uma concentra\u00e7\u00e3o do subtipo C na Regi\u00e3o Sul do pa\u00eds, enquanto o tipo B \u00e9 mais disseminado nas demais regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O professor Bernardino Geraldo Alves Souto, do Departamento de Medicina (DMed) da UFSCar, que desenvolve a pesquisa no p\u00f3s-doutorado, explica que a hip\u00f3tese para essa distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica \u00e9 que o subtipo C tem afinidades por determinadas c\u00e9lulas do corpo humano que s\u00e3o diferentes daquelas observadas no subtipo B.<\/p>\n<p>\u201cTem locais que, do ponto de visto sociocomportamental, a maior parte das infec\u00e7\u00f5es por HIV \u00e9 transmitida por via anal, provavelmente nessas \u00e1reas prevalece o subtipo B. Aquelas em que a transmiss\u00e3o \u00e9 mais por via vaginal prevalece o subtipo C. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, mas um conjunto de eventos socioculturais e comportamentais, que relacionados com caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas do v\u00edrus, determina certa afinidade do v\u00edrus por determinadas c\u00e9lulas humanas\u201d, explicou Souto.<\/p>\n<p>Existem dois tipos de HIV, 1 e 2. O mais prevalente no Brasil \u00e9 o tipo 1, o qual tem nove subtipos. \u201cS\u00e3o pequenas varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que existem dentro da mesma esp\u00e9cie viral que faz com que eles possam ter pequenas caracter\u00edsticas que diferenciem um do outro\u201d, aponta o pesquisador. Os subtipos B e C respondem por cerca de 80% dos casos no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Transmiss\u00e3o<\/strong><br \/>\nSouto disse que todos os subtipos do HIV s\u00e3o transmitidos do mesmo jeito \u2013 rela\u00e7\u00f5es sexuais sem preservativo, compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas, aleitamento materno, gravidez e parto. Entre essas vias, no entanto, algumas transmitem mais facilmente um subtipo do que outro. Isso se deve a caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas de base gen\u00e9tica que s\u00e3o particulares a cada subtipo, ainda pouco esclarecidas.<\/p>\n<p>O pesquisador aponta que o detalhamento desses dados permite, por exemplo, identificar preval\u00eancias de subtipos do HIV e definir melhor as pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o e tratamento. \u201cExiste uma pol\u00edtica nacional de controle do HIV, de excelente qualidade, n\u00e3o h\u00e1 o que se discutir, mas quando a gente descobre que existem quest\u00f5es regionais que s\u00e3o espec\u00edficas, pode ser que a gente tenha que pegar esses protocolos nacionais, que s\u00e3o padronizados, e fazer algumas adapta\u00e7\u00f5es e otimizar as abordagens preventivas e terap\u00eauticas\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Pesquisa<\/strong><br \/>\nO estudo prop\u00f5e estabelecer a epidemiologia, a filogenia e a filogeografia dos subtipos do HIV que circulam no Brasil. A epidemiologia avaliou como o v\u00edrus se distribui no territ\u00f3rio nacional, se afeta mais homens, mulheres, pessoas com maior ou menor grau de escolaridade, como os indiv\u00edduos contra\u00edram o HIV, entre outros aspectos. A filogenia estudou as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas do HIV de milhares de pessoas para entender os ancestrais desses v\u00edrus e suas origens, quando chegaram ao Brasil e qual a rela\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que h\u00e1 entre os diversos subtipos do HIV que est\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A filogeografia busca entender de que lugar do mundo vieram os subtipos do v\u00edrus que circulam no Brasil, como eles circulam por aqui e para qual lugar do mundo os v\u00edrus \u201cnacionais\u201d est\u00e3o indo. \u201cA gente j\u00e1 tem informa\u00e7\u00f5es a respeito da origem do v\u00edrus do subtipo C, que \u00e9 africano e se instalou no Sul do pa\u00eds e est\u00e1 tendo dificuldade de circular fora da Regi\u00e3o Sul. Essa \u00e9 uma vers\u00e3o preliminar dos nossos achados, estamos aprofundando isso para ter compreens\u00e3o melhor\u201d, disse Souto.<\/p>\n<p><strong>Dados<\/strong><br \/>\nDe acordo com o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o HIV (Unaids), em 2019, h\u00e1 37,9 milh\u00f5es de pessoas infectadas com o v\u00edrus no mundo, dos quais 23,3 milh\u00f5es t\u00eam acesso \u00e0 terapia antirretroviral. Do total de infectados no mundo, 36,2 milh\u00f5es s\u00e3o adultos e 1,7 milh\u00e3o s\u00e3o crian\u00e7as e jovens com menos de 15 anos.<\/p>\n<p>No Brasil, o \u00faltimo Boletim Epidemiol\u00f3gico da Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, divulgado em 2018, mostra que, entre 2007 e 2018, foram notificados, pelo Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), 247.795 casos de Aids (68,6% em homens e 31,4% em mulheres).<\/p>\n<p>O Brasil teve uma m\u00e9dia de 40 mil novos casos da doen\u00e7a nos \u00faltimos cinco anos, com maior concentra\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es Sudeste e Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entender como atuam os subtipos do v\u00edrus da Aids, o HIV, entre os brasileiros \u00e9 um dos objetivos de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) e da Universidade do Minho (UMinho), em Portugal. 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