{"id":216253,"date":"2019-09-21T09:00:14","date_gmt":"2019-09-21T12:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=216253"},"modified":"2019-09-21T10:18:35","modified_gmt":"2019-09-21T13:18:35","slug":"inferno-astral-deixa-aliados-de-bolsonaro-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/inferno-astral-deixa-aliados-de-bolsonaro-mal\/","title":{"rendered":"Inferno astral deixa aliados de Bolsonaro mal"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Parabenizo (Benjamin) Netanyahu pela grande vit\u00f3ria e pela renova\u00e7\u00e3o de seu mandato como primeiro-ministro de Israel. Bibi \u00e9 um grande l\u00edder e seguiremos trabalhando juntos pela prosperidade e pela paz dos nossos povos, com base em nossos valores e convic\u00e7\u00f5es profundas&#8221;, escreveu no Twitter, em 11 de abril, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, o partido de Netanyahu, Likud, havia sido o mais votado nas elei\u00e7\u00f5es gerais de Israel, fazendo do premi\u00ea o mais longevo da hist\u00f3ria do pa\u00eds &#8211; ele j\u00e1 acumula dez anos no cargo. Bolsonaro havia acabado de fazer uma visita de Estado a Israel, onde fora recebido com honrarias por Netanyahu.<\/p>\n<p>Os dois firmaram acordos de coopera\u00e7\u00e3o, e Bolsonaro acompanhou o premi\u00ea em uma ida ao Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es \u2014 algo raro na pol\u00edtica externa, uma vez que l\u00edderes que visitam Israel costumam ir ao local sozinhos, para que o epis\u00f3dio n\u00e3o seja interpretado como um endosso \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o israelense de uma \u00e1rea de Jerusal\u00e9m que tamb\u00e9m \u00e9 pleiteada pelos palestinos.<\/p>\n<p>Bolsonaro tamb\u00e9m concluiu a visita com o &#8220;compromisso&#8221;, em suas pr\u00f3prias palavras, de mudar a embaixada brasileira para Jerusal\u00e9m, medida que tamb\u00e9m causaria atritos na comunidade internacional. Por enquanto, por\u00e9m, anunciou apenas um escrit\u00f3rio comercial na cidade sagrada.<\/p>\n<p>O problema de todos esses acenos a Netanyahu \u00e9 que, desde ent\u00e3o, o premi\u00ea israelense sofreu importantes percal\u00e7os que podem tir\u00e1-lo do poder, complicando seu futuro, uma vez que ele \u00e9 alvo de acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o (as quais nega).<\/p>\n<p>Naquele m\u00eas de abril, ele n\u00e3o conseguiu formar uma coaliz\u00e3o de governo e convocou elei\u00e7\u00f5es gerais, que foram realizadas na \u00faltima ter\u00e7a-feira (17\/9). O resultado do pleito \u00e9 que Netanyahu saiu enfraquecido: os resultados finais ainda n\u00e3o foram divulgados, mas com 95% das urnas apuradas at\u00e9 sexta feira (20), o principal advers\u00e1rio do premi\u00ea, o partido Azul e Branco (centro-esquerda), lidera as apura\u00e7\u00f5es e deve ficar com estimadas 33 cadeiras das 120 do Parlamento israelense \u2014 provavelmente duas cadeiras a mais do que o Likud.<\/p>\n<p>Netanyahu admitiu na quinta-feira que teria dificuldades em formar uma coaliz\u00e3o de direita e, segundo a ag\u00eancia AFP, chamou Benny Gantz, l\u00edder do Azul e Branco, para um governo de unidade. Gantz respondeu que, nas atuais circunst\u00e2ncias, ele pr\u00f3prio, e n\u00e3o Netanyahu, \u00e9 quem deveria ser premi\u00ea.<\/p>\n<p><strong>It\u00e1lia e Argentina<\/strong><br \/>\nA poss\u00edvel troca de comando em Israel \u00e9 uma entre outras dificuldades enfrentadas hoje por l\u00edderes internacionais de quem Bolsonaro se aproximou &#8211; na It\u00e1lia, na Argentina e nos EUA.<\/p>\n<p>Um desses aliados \u00e9 o italiano Matteo Salvini, ex-vice-premi\u00ea que agradeceu publicamente o presidente brasileiro a extradi\u00e7\u00e3o de Cesare Battisti e teceu elogios a Eduardo Bolsonaro por sua indica\u00e7\u00e3o \u00e0 embaixada brasileira em Washington (ainda n\u00e3o oficializada).<\/p>\n<p>Salvini, que ainda conta com grande popularidade na It\u00e1lia, tinha pretens\u00f5es de se tornar premi\u00ea quando rompeu, em agosto, com a coaliz\u00e3o que governava o pa\u00eds na \u00e9poca.<\/p>\n<p>No entanto, um acordo firmado em 28 de agosto entre dois partidos italianos &#8211; o populista e anti-establishment Movimento Cinco Estrelas e o Partido Democr\u00e1tico, de centro-esquerda &#8211; manteve o premi\u00ea Giuseppe Conte no poder e frustrou, ao menos por enquanto, as pretens\u00f5es de Salvini.<\/p>\n<p>Na Argentina, o presidente Mauricio Macri se prepara para uma dura elei\u00e7\u00e3o presidencial em 27 de outubro.<\/p>\n<p>Seu advers\u00e1rio, Alberto Fern\u00e1ndez, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, venceu com vantagem contundente as elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias de 11 de agosto: ficou 15 pontos percentuais \u00e0 frente de Macri.<\/p>\n<p>As pesquisas de opini\u00e3o mais recentes publicadas na imprensa argentina apontam que parece pouco prov\u00e1vel que Macri consiga reverter esse resultado.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca das prim\u00e1rias, o governo brasileiro fez duras cr\u00edticas a Fern\u00e1ndez. O chanceler Ernesto Ara\u00fajo afirmou que o candidato \u00e9 como uma &#8220;boneca russa&#8221;: &#8220;H\u00e1 o Alberto Fern\u00e1ndez, voc\u00ea abre e l\u00e1 est\u00e1 Cristina Kirchner, voc\u00ea abre l\u00e1 e est\u00e1 o Lula, e depois (Hugo) Ch\u00e1vez&#8221;, afirmou ao jornal argentino Clar\u00edn o chefe do Itamaraty. &#8220;N\u00e3o temos ilus\u00e3o de que esse kirchnerismo 2.0 seja diferente do kirchnerismo 1.0.&#8221;<\/p>\n<p>Bolsonaro, por sua vez, pediu a empres\u00e1rios brasileiros reunidos em um congresso do a\u00e7o que &#8220;colaborassem&#8221; com Macri. &#8220;N\u00e3o estamos apoiando o Macri, s\u00f3 queremos que aquela velha esquerda n\u00e3o volte ao poder&#8221;, afirmou o presidente em 21 de agosto, segundo a Folha de S. Paulo. &#8220;E se o caminho for apoiar Macri, que seja o apoio ao Macri.&#8221;<\/p>\n<p>No ano que vem, ser\u00e1 a vez de outro aliado de Bolsonaro enfrentar as urnas: Donald Trump vai disputar com um democrata ainda indefinido sua perman\u00eancia na Presid\u00eancia dos EUA. O caminho para isso n\u00e3o vai ser necessariamente f\u00e1cil, diante de recentes acusa\u00e7\u00f5es publicadas pelo jornal The Washington Post.<\/p>\n<p>Segundo um informante ouvido pelo jornal, um oficial de intelig\u00eancia descobriu que Trump &#8220;pediu que a Ucr\u00e2nia investigasse Joe Biden (principal pr\u00e9-candidato democrata \u00e0 Presid\u00eancia) e seu filho (que \u00e9 do conselho de uma empresa de g\u00e1s ucraniana) em troca de ajuda militar americana&#8221;.<\/p>\n<p>Trump chamou a not\u00edcia de &#8220;rid\u00edcula&#8221; e afirmou que suas conversas com l\u00edderes estrangeiros s\u00e3o sempre &#8220;totalmente apropriadas&#8221;.<\/p>\n<p>A democrata Nancy Pelosi, presidente da C\u00e2mara dos Representantes, afirmou por sua vez que &#8220;se o presidente tiver feito o que foi alegado, est\u00e1 entrando em um perigoso campo minado com s\u00e9rias repercuss\u00f5es para seu governo e nossa democracia&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica personalista?<\/strong><br \/>\nNem todos os governantes de quem Bolsonaro tem se aproximado enfrentam reveses. O nacionalista Viktor Orban se mant\u00e9m forte na Hungria, h\u00e1 quase dez anos no poder; o presidente brasileiro tamb\u00e9m manteve conversas consideradas frut\u00edferas com o chileno Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era e o esquerdista boliviano Evo Morales.<\/p>\n<p>Mas os percal\u00e7os das lideran\u00e7as em Israel, It\u00e1lia e potencialmente Argentina evidenciam um risco na diplomacia brasileira atual, segundo especialistas consultados pela BBC News Brasil: o de uma pol\u00edtica externa aparentemente mais personalista.<\/p>\n<p>&#8220;(Essa pol\u00edtica) tem riscos claros&#8221;, avalia Guilherme Casar\u00f5es, professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na FGV-SP, destacando que pode haver dificuldade de di\u00e1logo se esses governos forem assumidos por l\u00edderes at\u00e9 agora na oposi\u00e7\u00e3o. &#8220;Reveses eleitorais (dos aliados do governo brasileiro) podem afastar esses pa\u00edses.&#8221;<\/p>\n<p>Casar\u00f5es analisa que a estrat\u00e9gia de governo &#8220;tem a ver com a narrativa de combate ao globalismo, uma for\u00e7a meio intang\u00edvel ligada ao que chamam de &#8216;marxismo cultural&#8217;, e a aproxima\u00e7\u00e3o de uma onda de lideran\u00e7a nacionalista unida pela percep\u00e7\u00e3o de resgatar um trip\u00e9 de valores&#8221; familiares, nacionalistas e religiosos.<\/p>\n<p>&#8220;Esse combate ao globalismo \u00e9 de l\u00edderes, e n\u00e3o propriamente de Estados&#8221;, prossegue o professor da FGV-SP.<\/p>\n<p>&#8220;No caso de Mauricio Macri, por\u00e9m, me parece mais (uma aproxima\u00e7\u00e3o) pela agenda liberal econ\u00f4mica de ambos. Mas o governo tentou jogar o peso brasileiro no resultado da elei\u00e7\u00e3o argentina, algo que \u00e9 visto com muita retic\u00eancia na pr\u00e1tica diplom\u00e1tica. Temos um com\u00e9rcio significativo com a Argentina e (quest\u00f5es de) integra\u00e7\u00e3o regional. Se somos influentes l\u00e1, o contr\u00e1rio tamb\u00e9m vale para (o peso) deles aqui.&#8221;<\/p>\n<p>Para Elaini da Silva, professora do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da PUC-SP, mais do que uma pol\u00edtica externa personalista, trata-se de uma aparente tentativa do governo brasileiro de agradar a pr\u00f3pria base eleitoral conservadora e religiosa &#8211; por exemplo com a aproxima\u00e7\u00e3o de Israel.<\/p>\n<p>&#8220;Com Salvini e Netanyahu, n\u00e3o me parece ser um v\u00ednculo pessoal, mas sim a tomada de decis\u00f5es para alinhar o Brasil a parceiros n\u00e3o por um projeto de pa\u00eds, mas de bases eleitorais&#8221;, opina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Parabenizo (Benjamin) Netanyahu pela grande vit\u00f3ria e pela renova\u00e7\u00e3o de seu mandato como primeiro-ministro de Israel. 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