{"id":21629,"date":"2014-09-06T17:50:06","date_gmt":"2014-09-06T20:50:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=21629"},"modified":"2014-09-06T21:53:16","modified_gmt":"2014-09-07T00:53:16","slug":"hortas-comunitarias-ganham-mais-espaco-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/hortas-comunitarias-ganham-mais-espaco-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Hortas comunit\u00e1rias ganham mais espa\u00e7o no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>Desenvolvimento socioecon\u00f4mico, seguran\u00e7a alimentar, aumento da capacidade de infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no solo, conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e diminui\u00e7\u00e3o do efeito estufa e da polui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o alguns dos benef\u00edcios da pequena horta comunit\u00e1ria no Morro da Formiga, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Sem placa ou aviso, o port\u00e3ozinho de madeira na subida do morro passa desapercebido para quem n\u00e3o \u00e9 da comunidade. Mas o entra e sai de moradores mostra que a popularidade da horta dispensa propagandas. A moradora M\u00e1rcia Cristina Alves dos Santos passa pela horta tr\u00eas vezes por semana pela manh\u00e3, para comprar verduras. \u201cCompro couve, alface e o almeir\u00e3o. \u00c9 bem mais fresquinho do que no supermercado. N\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o\u201d, comenta a diarista.<\/p>\n<p>O coordenador da horta, Orlando de Almeida Ribeiro, 66 anos, conhecido pela comunidade como Portugu\u00eas mostra orgulhoso a alface crespa, couve, o almeir\u00e3o, aipim, mam\u00e3o, cheiro-verde e a abobrinha. \u201cTudo sem agrot\u00f3xico\u201d, garante. \u201cCobramos pouquinho, o molho da alface custa R$1, por exemplo. O que mais fazemos aqui \u00e9 a doa\u00e7\u00e3o\u201d, conta o coordenador que trabalha na horta h\u00e1 seis anos. \u201cAcho que doamos para 20 fam\u00edlias, al\u00e9m da escola e creche que temos na comunidade\u201d.<\/p>\n<p>Existem 30 hortas com este perfil espalhadas pela cidade, fruto do projeto Hortas Cariocas, criado h\u00e1 seis anos pela prefeitura, com o objetivo de incentivar a pr\u00e1tica da agricultura urbana e oferecer g\u00eaneros aliment\u00edcios de qualidade a custo acess\u00edvel, sobretudo nas comunidades pobres.<\/p>\n<blockquote><p>O projeto determina que metade da produ\u00e7\u00e3o dos alimentos seja obrigatoriamente doada para as escolas do bairro e \u00e0s fam\u00edlias com maior vulnerabilidade social, indicadas pela Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores. A outra parte pode ser comercializada pelas equipes e o lucro \u00e9 dividido entre os benefici\u00e1rios.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para o idealizador e gestor do projeto, Julio C\u00e9sar Barros, da Secretaria de Meio Ambiente, nesses oito anos de trabalho \u00e9 poss\u00edvel afirmar que as hortas t\u00eam reduzido os \u00edndices de ocupa\u00e7\u00e3o irregular de terrenos ociosos, elevando os n\u00edveis de inclus\u00e3o social, al\u00e9m de propiciar\u00a0 aos moradores da comunidade alimenta\u00e7\u00e3o livre de transg\u00eanicos e agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>\u201cO projeto vem ganhando corpo. Este trabalho \u00e9 uma parceria entre o poder p\u00fablico e a comunidade. O resultado tem sido positivo,uma vez que o benefici\u00e1rio \u00e9 a comunidade. Hortas Cariocas est\u00e1 deselitizando o consumo de alimento org\u00e2nico e contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de seguran\u00e7a alimentar da cidade \u201d, disse o agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o dos moradores costuma indicar pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, como ex-presidi\u00e1rios e indiv\u00edduos que tenham envolvimento com o tr\u00e1fico de drogas. \u201cTem muitos idosos, aposentados\u00a0\u00a0 e pessoas cuja sa\u00fade melhorou depois que come\u00e7aram a trabalhar na horta, \u201d, comentou.<\/p>\n<p>No Complexo de Manguinhos, zona norte, a horta p\u00fablica \u00e9 considerada a maior da Am\u00e9rica Latina, com cerca de 1 quil\u00f4metro de di\u00e2metro emprega dezenas de pessoas. O local ocupa um terreno baldio, antes frequentado por usu\u00e1rios de crack e dep\u00f3sito de lixo.<\/p>\n<p>A maior ambi\u00e7\u00e3o do projeto \u00e9 promover no m\u00e9dio prazo a emancipa\u00e7\u00e3o da horta, quando os hortel\u00e3os atingem um n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o, cujo lucro \u00e9 maior vendendo a produ\u00e7\u00e3o do que recebendo a bolsa da prefeitura, mesmo tendo que doar metade do que \u00e9 produzido. Cada funcion\u00e1rio ganha hoje R$360 e o coordenador, respons\u00e1vel pelas atividades na horta e fun\u00e7\u00f5es administrativas, como compra de sementes e ferramentas, entre outras fun\u00e7\u00f5es recebe R$480.<\/p>\n<p>Um conv\u00eanio com a Secretaria Estadual de Agricultura deve incrementar\u00a0 o projeto, com recursos humanos para capacitar novos interessados em trabalhar nas hortas, com introdu\u00e7\u00e3o de novas tecnologias e empreendedorismo. Julio ressalta que a mobiliza\u00e7\u00e3o e envolvimento dos moradores das comunidades desde o in\u00edcio do processo de implementa\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para o sucesso do projeto.<\/p>\n<p>Das 40 hortas j\u00e1 criadas pelo projeto, oito foram paralisadas pela equipe gestora. Os resultados esperados na produ\u00e7\u00e3o de alimentos e conserva\u00e7\u00e3o da horta n\u00e3o foram alcan\u00e7ados. O monitoramento \u00e9 feito por meio da anota\u00e7\u00e3o dos alimentos vendidos e doados.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m tem conv\u00eanio com a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o e utiliza espa\u00e7os livres de escolas municipais para criar pequenas hortas. A parceria permite que o coordenador Orlando vai \u00e0s creches e escolas da comunidade do Morro da Formiga para ensinar \u00e0s crian\u00e7as a plantar e conhecer os diferentes tipos de hortali\u00e7as. \u201cNas escolas levo as mudinhas para as crian\u00e7as. V\u00e1rios moradores j\u00e1 fazem hortinhas nas casas. Eu forne\u00e7o as sementes e os oriento\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Outra parceria feita com a concession\u00e1ria de energia el\u00e9trica Ligh tem possibilitado a cria\u00e7\u00e3o de hortas sob Linhas de Transmiss\u00e3o de Energia, como \u00e9 o caso da horta da Formiga. A Companhia de Lixo Urbano tamb\u00e9m contribui em algumas hortas com composto org\u00e2nico.<\/p>\n<p>Est\u00e3o previstas mais cinco hortas na cidade at\u00e9 o fim do ano, adianta\u00a0 Julio. &#8220;Nossa meta \u00e9 cinco, mas cheguemos as sete hortas, vamos ver. O momento atual tem sido bom para o projeto. Mas o ideal seria que as hortas comunit\u00e1rias fossem inclu\u00eddas no planejamento urbano e na pol\u00edtica municipal,\u00a0 pois trata-se de uma pr\u00e1tica multifuncional que promove a sustentabilidade econ\u00f4mica, social e ecol\u00f3gica&#8221;.<\/p>\n<p>Julio lamenta que o agricultor urbano no munic\u00edpio encontra barreiras para a manuten\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, devido a falta de pol\u00edticas de financiamento da agricultura familiar, j\u00e1 que o plano diretor municipal afirma a cidade do\u00a0 Rio de Janeiro n\u00e3o possui \u00e1reas agr\u00edcolas. As dificuldades de comercializa\u00e7\u00e3o e venda em pequena e m\u00e9dia escala s\u00e3o alguns dos empecilhos.<\/p>\n<p><strong>Fl\u00e1via Villela, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desenvolvimento socioecon\u00f4mico, seguran\u00e7a alimentar, aumento da capacidade de infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no solo, conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e diminui\u00e7\u00e3o do efeito estufa e da polui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o alguns dos benef\u00edcios da pequena horta comunit\u00e1ria no Morro da Formiga, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. 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