{"id":216324,"date":"2019-09-22T21:20:19","date_gmt":"2019-09-23T00:20:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=216324"},"modified":"2019-09-22T21:19:52","modified_gmt":"2019-09-23T00:19:52","slug":"cientistas-alertam-para-risco-de-pandemias-multiplas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cientistas-alertam-para-risco-de-pandemias-multiplas\/","title":{"rendered":"Cientistas alertam para risco de pandemias m\u00faltiplas"},"content":{"rendered":"<p>Estudo que aponta para o risco de pandemias globais de doen\u00e7as graves como Ebola, Influenza e a S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SARS) ser\u00e1 apresentado na Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), nesta ter\u00e7a-feira (22).<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio A World At Risk (Um mundo em risco) \u00e9 o primeiro documento anual elaborado pelo \u00f3rg\u00e3o independente Global Preparedness Monitoring Board &#8211; GPMB (Conselho de Monitoramento da Prepara\u00e7\u00e3o Global). O \u00f3rg\u00e3o foi lan\u00e7ado em maio de 2018, pelo Banco Mundial e pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), e \u00e9 formado por 15 membros, entre l\u00edderes pol\u00edticos, chefes de ag\u00eancias e especialistas de v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, quest\u00f5es como conflitos prolongados, estados fr\u00e1geis e migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas favorecem a r\u00e1pida circula\u00e7\u00e3o de v\u00edrus letais em todo o mundo, bem como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a crescente urbaniza\u00e7\u00e3o e a falta de \u00e1gua tratada e de saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p>De acordo com a co-presidente do GPMB, Gro Harlem Brundtland, os l\u00edderes mundiais t\u00eam respondido \u00e0s emerg\u00eancias em sa\u00fade com ciclos de p\u00e2nico e neglig\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es urgentes<\/strong><br \/>\n\u201cEst\u00e1 mais do que na hora de trabalhar em a\u00e7\u00f5es urgentes e continuadas. Isso deve incluir aumento do financiamento em n\u00edveis locais, nacionais e internacionais para evitar a propaga\u00e7\u00e3o de surtos. Tamb\u00e9m exige que os l\u00edderes tomem medidas proativas para fortalecer os mecanismos de coordena\u00e7\u00e3o e de prepara\u00e7\u00e3o entre os governos e a sociedade para responder rapidamente a uma emerg\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o documento, se o mundo enfrentasse um surto como a pandemia de Influenza de 1918, o v\u00edrus poderia se espalhar globalmente em 36 horas e o n\u00famero de v\u00edtimas fatais poderia chegar a 80 milh\u00f5es de pessoas. Conhecida como Gripe Espanhola, estima-se que a pandemia de 1918 infectou 500 milh\u00f5es de pessoas, um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial na \u00e9poca, com 50 milh\u00f5es de mortes, o equivalente a cerca de 3% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio alerta que uma pandemia nessas propor\u00e7\u00f5es na atualidade pode destruir 5% da economia global, al\u00e9m de colapsar muitos sistemas nacionais de sa\u00fade, atingindo as comunidades mais pobres. De acordo com o levantamento, entre 2011 e 2018 a OMS acompanhou 1.483 eventos epid\u00eamicos em 172 pa\u00edses, de doen\u00e7as como Ebola, Zika, SARS e febre amarela. No Brasil, foram detectadas no per\u00edodo epidemias de febre amarela, mal\u00e1ria e Zika.<\/p>\n<p>O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que os surtos mais graves de doen\u00e7as como Ebola, c\u00f3lera e sarampo geralmente ocorrem nos locais que possuem os sistemas de sa\u00fade mais fracos.<\/p>\n<p>\u201cComo l\u00edderes de na\u00e7\u00f5es, comunidades e ag\u00eancias internacionais, devemos assumir a responsabilidade pela prepara\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancias e prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s li\u00e7\u00f5es que esses surtos est\u00e3o nos ensinando. Temos que tomar medidas preventivas antes que eles aconte\u00e7am.\u201d<\/p>\n<p>O texto destaca que algumas provid\u00eancias foram tomadas ap\u00f3s o surto de Ebola de 2014 na \u00c1frica Ocidental, que infectou 28,6 mil pessoas e fez 11,3 mil v\u00edtimas fatais, principalmente em Serra Leoa, Guin\u00e9 e Lib\u00e9ria. Segundo o relat\u00f3rio, o custo econ\u00f4mico e social da epidemia na regi\u00e3o foi de 53 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>A OMS decretou o fim do surto em janeiro de 2016, por\u00e9m, um novo foi detectado em agosto de 2018 na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e j\u00e1 registrou 2,6 mil casos, com 1,8 mil mortes, segundo dados da OMS.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio A World At Risk diz que, em julho de 2019, 59 pa\u00edses desenvolveram um Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para Seguran\u00e7a da Sa\u00fade, mas, at\u00e9 o momento, nenhum deles foi totalmente financiado.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\nNo Brasil, ap\u00f3s a pandemia de influenza de 2009, o governo lan\u00e7ou, em 2010, a Estrat\u00e9gia Nacional de Vacina\u00e7\u00e3o Contra o V\u00edrus da Influenza Pand\u00eamica (H1N1). Na \u00e9poca, chamada de gripe su\u00edna, a pandemia de 2009 matou 18,5 mil pessoas no mundo todo. Por\u00e9m, um estudo publicado pela revista m\u00e9dica The Lancet Infectious Diseases aponta que o n\u00famero de mortes pode estar entre 151,7 mil e 575,4 mil entre os anos de 2009 e 2010.<\/p>\n<p>O Brasil registrou 50.482 casos em 2009, com 2.060 mortes por influenza A\/H1N1, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Ap\u00f3s o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o, em 2010 foram 973 casos da doen\u00e7a e 113 mortes. Em 2011, os n\u00fameros ca\u00edram para 181 casos e 21 mortes.<\/p>\n<p>O diretor da Divis\u00e3o de Ensaios Cl\u00ednicos e Farmacovigil\u00e2ncia do Instituto Butantan, Alexander Precioso, destaca a import\u00e2ncia da estrat\u00e9gia brasileira de imuniza\u00e7\u00e3o para controlar os surtos de doen\u00e7as infectocontagiosas transmitidas por v\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cO Instituto Butantan foi identificado como um produtor de vacinas de influenza estrat\u00e9gico e recebe apoio t\u00e9cnico e financeiro para produzir lotes de vacinas de determinadas cepas de v\u00edrus influenza que teriam o potencial de causar pandemia. Ocorreu no passado com o v\u00edrus Influenza H5N1, depois com o H1N1 e finalizamos este ano o estudo cl\u00ednico de outro v\u00edrus influenza potencialmente pand\u00eamico que \u00e9 o H7N9\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Precioso, o v\u00edrus H7N9 ainda n\u00e3o se disseminou de forma alarmante entre seres humanos, tendo ocorrido predominantemente entre animais. Por\u00e9m, o monitoramento internacional da OMS identificou o H7N9 como tendo potencial para desenvolver um comportamento de r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o levando a uma potencial pandemia.<\/p>\n<p>O diretor reitera que a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o emergencial para ajudar a conter surtos, mas deve ser coordenada com outras medidas importantes para evitar uma epidemia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter a capacidade de produzir vacinas, mas \u00e9 ter todo um contexto de pol\u00edticas de sa\u00fade que v\u00e3o abordar as diversas \u00e1reas que possam contribuir para o controle de uma determinada pandemia. Exemplos: disponibilidade de ter a vacina, acesso aos servi\u00e7os que podem imunizar, condi\u00e7\u00f5es mais gerais que a popula\u00e7\u00e3o se encontra. \u00c9 muito mais f\u00e1cil voc\u00ea controlar uma pandemia em uma sociedade onde quest\u00f5es de saneamento e nutri\u00e7\u00e3o s\u00e3o adequados do que em regi\u00f5es prec\u00e1rias.\u201d<\/p>\n<p>Atualmente, o Brasil tem enfrentado o aumento de casos de sarampo e de dengue.<\/p>\n<p><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nO relat\u00f3rio A World At Risk traz sete recomenda\u00e7\u00f5es urgentes para os l\u00edderes mundiais se prepararem para enfrentar emerg\u00eancias em sa\u00fade. A primeira \u00e9 se \u201ccomprometer com a preven\u00e7\u00e3o, implementando integralmente o Regulamento Sanit\u00e1rio Internacional e aumentando o investimento em preven\u00e7\u00e3o como parte integrante da seguran\u00e7a nacional e internacional.\u201d<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 o compromisso pol\u00edtico de pa\u00edses e de organiza\u00e7\u00f5es intergovernamentais regionais para cumprir o financiamento para preven\u00e7\u00e3o e monitorar o progresso nas reuni\u00f5es anuais. O relat\u00f3rio indica que todos os pa\u00edses construam \u201csistemas resistentes de preven\u00e7\u00e3o\u201d, com coordenadores de alto n\u00edvel e prioridade para o envolvimento da comunidade.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses, doadores e institui\u00e7\u00f5es multilaterais \u201cdevem se preparar para o pior cen\u00e1rio de uma pandemia de v\u00edrus respirat\u00f3rio em r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o\u201d, promovendo pesquisas e o desenvolvimento de novas vacinas e medicamentos, com compartilhamento r\u00e1pido de informa\u00e7\u00f5es. As organiza\u00e7\u00f5es internacionais de financiamento devem integrar o tema a seus planejamentos e sistemas de incentivos, assim como os financiadores de assist\u00eancia ao desenvolvimento de pa\u00edses mais pobres e vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio recomenda que a ONU fortale\u00e7a a preven\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o da resposta a epidemias internacionalmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo que aponta para o risco de pandemias globais de doen\u00e7as graves como Ebola, Influenza e a S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SARS) ser\u00e1 apresentado na Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), nesta ter\u00e7a-feira (22). 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