{"id":217488,"date":"2019-10-08T16:43:01","date_gmt":"2019-10-08T19:43:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=217488"},"modified":"2019-10-08T16:43:01","modified_gmt":"2019-10-08T19:43:01","slug":"nosso-cerebro-e-programado-para-se-distrair","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nosso-cerebro-e-programado-para-se-distrair\/","title":{"rendered":"Nosso c\u00e9rebro \u00e9 programado para se distrair"},"content":{"rendered":"<p>Ano passado pedi de Natal para minha esposa um fone de ouvido. Daqueles grandes, com um bot\u00e3o extra para reduzir o ru\u00eddo ambiente. Desde ent\u00e3o o desafio de me concentrar para ler um texto ou escrever um artigo ficou um pouco mais f\u00e1cil. A m\u00fasica at\u00e9 pode me distrair um pouco, mas n\u00e3o tanto quanto a multiplicidade de est\u00edmulos que concorrem por minha aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, inspirado pelos postulados de um dos pioneiros da psicologia, William James, o modelo usado para compreender a aten\u00e7\u00e3o era o de uma lanterna: como se n\u00f3s estiv\u00e9ssemos num quarto escuro e a aten\u00e7\u00e3o lan\u00e7asse luz sobre aquilo em que quer\u00edamos nos focar. Mas esse modelo tinha uma brecha: se nossos sentidos est\u00e3o abertos o tempo todo aos est\u00edmulos n\u00f3s n\u00e3o estar\u00edamos num quarto escuro, mas num quarto excessivamente iluminado. O desafio da aten\u00e7\u00e3o seria o de reduzir o brilho de todos os outros est\u00edmulos para ressaltar o que nos interessasse.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos as pesquisas t\u00eam conseguido demonstrar que isso de fato acontece. Com novas tecnologias que conseguem inibir o funcionamento de regi\u00f5es espec\u00edficas do c\u00e9rebro, os cientistas descobriram que o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal escolhe no que prestar aten\u00e7\u00e3o, e transmite tal informa\u00e7\u00e3o para regi\u00f5es mais profundas do c\u00e9rebro, como os g\u00e2nglios da base, que ent\u00e3o fecham as barreiras para os est\u00edmulos concorrentes. E tal filtragem pode acontecer dentro de uma mesma modalidade sensorial: se voc\u00ea consegue conversar numa festa cheia de gente \u00e9 porque o c\u00e9rebro separa informa\u00e7\u00e3o e ru\u00eddo de fundo automaticamente, por exemplo.<\/p>\n<p>Se tal mecanismo fosse cont\u00ednuo, contudo, n\u00f3s correr\u00edamos o risco de manter o foco exageradamente em algo, deixando de receber informa\u00e7\u00f5es importantes para sobreviv\u00eancia. O que faz o c\u00e9rebro? Algumas vezes por segundo ele abaixa a guarda, diminui a barreira para est\u00edmulos concorrentes, permitindo o monitoramento do ambiente. O que embora possa ter sido importante para nossa sobreviv\u00eancia, hoje torna-se um ponto fraco para a concentra\u00e7\u00e3o, continuamente amea\u00e7ada pela distra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso os fones de ouvido me ajudam. Se todas as vezes que meu c\u00e9rebro afrouxar o la\u00e7o meu entorno estiver cheio de coisas para serem ouvidas, interpretadas e analisadas, aumentam as chances de eu perder o foco. J\u00e1 se n\u00e3o houver nada interessante ocorrendo a minha volta, maior a probabilidade de rapidamente voltar a me concentrar. N\u00e3o \u00e9 por acaso uma dica valiosa para manter a concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzir os est\u00edmulos externos. Desligar alertas de celular. Desligar o pr\u00f3prio celular. Fechar abas extras do navegador. N\u00e3o ser avisado quando chegar e-mail. Pedir para n\u00e3o ser interrompido.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico caminho, mas \u00e9 talvez a mais importante. Por isso, se cruzar comigo com fone de ouvido e eu n\u00e3o te cumprimentar n\u00e3o estranhe. N\u00e3o \u00e9 pessoal. S\u00f3 estou tentando me concentrar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ano passado pedi de Natal para minha esposa um fone de ouvido. Daqueles grandes, com um bot\u00e3o extra para reduzir o ru\u00eddo ambiente. Desde ent\u00e3o o desafio de me concentrar para ler um texto ou escrever um artigo ficou um pouco mais f\u00e1cil. 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