{"id":217683,"date":"2019-10-11T11:45:35","date_gmt":"2019-10-11T14:45:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=217683"},"modified":"2019-10-11T11:45:35","modified_gmt":"2019-10-11T14:45:35","slug":"passo-a-passo-para-uso-da-maconha-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/passo-a-passo-para-uso-da-maconha-na-saude\/","title":{"rendered":"Passo a passo para uso da maconha na sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>O uso medicinal da maconha \u00e9 um tema que, vez ou outra, volta a ser discutido por governantes, m\u00e9dicos, ind\u00fastrias e pacientes. Rem\u00e9dios \u00e0 base de canabidiol, por exemplo, podem ser importados mediante prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e autoriza\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). Mas, devido ao alto custo, demora e burocracia para consegui-los, o debate gira em torno da libera\u00e7\u00e3o do cultivo e produ\u00e7\u00e3o da planta no Brasil. O tema, inclusive, foi levado \u00e0 consulta p\u00fablica pelo \u00f3rg\u00e3o regulat\u00f3rio em junho deste ano.<\/p>\n<p>Por ser considerada uma droga psicoativa ilegal, a discuss\u00e3o se resume, de um lado, nos benef\u00edcios do uso de compostos da maconha para tratamento de diversas doen\u00e7as \u2014 al\u00e9m de redu\u00e7\u00e3o de tempo e custo. Segundo uma pesquisa do DataSenado, 75% da popula\u00e7\u00e3o brasileira apoia a autoriza\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria produzir medicamentos \u00e0 base da planta da maconha. De outro, os argumentos se baseiam nas pol\u00edticas antidrogas, na possibilidade de depend\u00eancia qu\u00edmica e aumento do tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p>&#8220;A maconha \u00e9 medicinal h\u00e1 mais de cinco mil anos e grandes empresas produziam elixirs e vendiam no botic\u00e1rio&#8221;, diz a psiquiatra Eliane Nunes, diretora geral da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos da Cannabis Sativa. Ela conta que, desde a d\u00e9cada de 1960, s\u00e3o feitos estudos e pesquisas sobre o uso medicinal da maconha, que pode ser usada para casos de epilepsia, autismo, tratamento da dor e Alzheimer, por exemplo.<\/p>\n<p>Segundo a especialista, o canabidiol em si n\u00e3o causa depend\u00eancia qu\u00edmica e pesquisadores ao redor do mundo t\u00eam buscado combinar mais de uma subst\u00e2ncia da planta para tratar diversas enfermidades.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 canabidiol?<\/strong><br \/>\nO canabidiol, tamb\u00e9m conhecido por CBD, \u00e9 um dos mais de cem componentes da Cannabis sativa, nome cient\u00edfico da maconha. Esse composto \u00e9 um dos mais estudados para fins medicinais e, nos Estados Unidos, \u00e9 usado como suplemento alimentar.<\/p>\n<p><strong>Para quais doen\u00e7as pode ser usada?<\/strong><br \/>\nEm 2014, o Conselho Federal de Medicina autorizou o uso compassivo do canabidiol para crian\u00e7as e adolescentes com epilepsias refrat\u00e1rias. No ano seguinte, a Anvisa determinou que medicamentos \u00e0 base de canabidiol podem ser prescritos por qualquer especialidade m\u00e9dica e para qualquer doen\u00e7a, tamb\u00e9m de modo compassivo. Isso quer dizer que o rem\u00e9dio s\u00f3 pode ser indicado ap\u00f3s o paciente ter tentado outros tratamentos que n\u00e3o surtiram efeito positivo. No entanto, a psiquiatra afirma que o m\u00e9dico, se quiser, pode se comprometer a prescrever a subst\u00e2ncia como tratamento inicial, a depender da gravidade do caso.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 risco de depend\u00eancia qu\u00edmica?<\/strong><br \/>\nSegundo Eliane, n\u00e3o. Ela afirma que as pessoas que usam esse argumento contra o uso medicinal da planta se baseiam em uma pesquisa nos anos 1980-1990 que mostrou que macacos apresentaram depend\u00eancia ap\u00f3s intoxica\u00e7\u00e3o com a fuma\u00e7a da subst\u00e2ncia. &#8220;[O canabidiol] n\u00e3o causa mais depend\u00eancia do que \u00e1lcool e tabaco. Tem de entrar no terreno da individualidade&#8221;, afirma a especialista. Segundo ela, algumas pessoas s\u00e3o mais suscet\u00edveis, por quest\u00f5es gen\u00e9ticas, por exemplo, \u00e0 depend\u00eancia qu\u00edmica, mas a subst\u00e2ncia da maconha n\u00e3o provoca esse efeito. Nesse ponto, a discuss\u00e3o gira em torno do tetrahidrocannabinol (THC), psicotr\u00f3pico que regula os efeitos do produto e causaria depend\u00eancia. Mas a psiquiatra informa que esse componente \u00e9 modulado pelo canabidiol e pode ser prescrito de acordo com a necessidade do paciente.<\/p>\n<p><strong>De que forma age?<\/strong><br \/>\nTodos n\u00f3s possu\u00edmos o sistema endocanabin\u00f3ide, que pode desempenhar diferentes fun\u00e7\u00f5es: regular processos fisiol\u00f3gicos e cognitivos, sensa\u00e7\u00e3o de dor, humor, mem\u00f3ria e mediar os efeitos farmacol\u00f3gicos da cannabis. Em algumas doen\u00e7as, esse sistema est\u00e1 desregulado, para mais ou para menos, e o uso da planta estimula os receptores que v\u00e3o promover uma imunomodula\u00e7\u00e3o. Com o sistema regulado, os benef\u00edcios incluem melhora da imunidade, diminui\u00e7\u00e3o da irritabilidade e de crises convulsivas, por exemplo. No caso do Alzheimer, por exemplo, a planta estimula a neurog\u00eanese, ou seja, processo de forma\u00e7\u00e3o de novos neur\u00f4nios.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os benef\u00edcios?<\/strong><br \/>\nA maconha \u00e9 uma planta milenarmente utilizada para diminuir a ansiedade, diz Eliane Nunes. O uso adulto da cannabis \u00e9 usado para dor, melhorar o humor e, hoje, para preven\u00e7\u00e3o. Por uma quest\u00e3o legal, \u00e9 oferecido hoje em dia apenas o canabidiol, mas a especialista afirma que o efeito comitiva, que une diversas subst\u00e2ncias da maconha, poderia trazer resultados medicinais melhores. Outro ponto positivo que ela destaca \u00e9 o uso recreacional da maconha nos Estados Unidos, que reduziu o n\u00famero de \u00f3bitos de pessoas que faziam uso de opi\u00e1ceos para al\u00edvio da dor. &#8220;A pessoa vai aumentando a ingest\u00e3o [do opi\u00e1ceo] e fica viciada. Como n\u00e3o precisa de receita m\u00e9dica para comprar a planta, ela come\u00e7a a largar os rem\u00e9dios&#8221;, diz a psiquiatra.<\/p>\n<p><strong>Tem efeitos colaterais?<\/strong><br \/>\nTodo medicamento \u00e9 pass\u00edvel de apresentar efeitos adversos ou colaterais, mas Eliane Nunes afirma que n\u00e3o h\u00e1 malef\u00edcios que impediriam o uso medicinal da maconha. Em crian\u00e7as, os efeitos podem ser sonol\u00eancia e intoler\u00e2ncia g\u00e1strica, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>O que a Anvisa fala?<\/strong><br \/>\nEm 2017, a Anvisa afirmou que n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria ao uso da maconha para fins medicinais, desde que seu registro seja aprovado pela ag\u00eancia reguladora. A aprova\u00e7\u00e3o leva em conta comprova\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e efic\u00e1cia do medicamento. No Brasil, est\u00e1 aprovado o Mevatyl, feito \u00e0 base de THC e canabidiol e indicado para o tratamento de um sintoma relacionado \u00e0 esclerose m\u00faltipla. A regulamenta\u00e7\u00e3o do plantio da maconha para pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios do Pa\u00eds \u00e9 o que vem sido discutido h\u00e1 anos, o que envolve governo, ind\u00fastrias e associa\u00e7\u00f5es de pacientes. Em junho, a Anvisa colocou em consulta p\u00fablica a regulamenta\u00e7\u00e3o do cultivo controlado de Cannabis sativa para uso medicinal e cient\u00edfico no Pa\u00eds, bem como o registro de medicamentos produzidos com princ\u00edpios ativos da planta. A discuss\u00e3o se arrasta desde 2017 no \u00f3rg\u00e3o e n\u00e3o tem previs\u00e3o para entrar em vigor.<\/p>\n<p><strong>Qual o pre\u00e7o?<\/strong><br \/>\nA importadora HempMeds Brasil, por exemplo, vende algumas variedades de medicamento \u00e0 base de canabidiol que v\u00e3o de U$ 139 (cerca de R$ 576, na cota\u00e7\u00e3o atual) a U$ 329 (cerca de R$ 1.365) por seringa contendo de dez a 15 mililitros do \u00f3leo. O Mevatyl, aprovado no Pa\u00eds, tem pre\u00e7o m\u00e9dio de R$ 2,5 mil.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1 o processo?<\/strong><br \/>\nDepois de a Anvisa colocar em consulta p\u00fablica o cultivo e uso medicinal da maconha no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Cidadania Osmar Terra se posicionaram contrariamente \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o. O ministro da Sa\u00fade, Luiz Henrique Mandetta, tamb\u00e9m afirmou ser contr\u00e1rio. Integrantes do governo defendem medicamentos \u00e0 base de cannabis sint\u00e9tica como uma alternativa, mas a op\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem autoriza\u00e7\u00e3o de pesquisa e comercializa\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds, segundo a pr\u00f3pria Anvisa informou ao Estado.<\/p>\n<p><strong>Como comprar?<\/strong><br \/>\nDesde 2014, a Anvisa autoriza a importa\u00e7\u00e3o excepcional de medicamentos \u00e0 base de canabidiol e de outros canabin\u00f3ides para uso pessoal. O processo, por\u00e9m, \u00e9 demorado e burocr\u00e1tico. Primeiro, \u00e9 necess\u00e1rio ter uma prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica; depois, o paciente tem de se cadastrar no site do \u00f3rg\u00e3o, que vai analisar o pedido para autorizar ou n\u00e3o a importa\u00e7\u00e3o. O processo ainda inclui a aquisi\u00e7\u00e3o do produto e libera\u00e7\u00e3o na importa\u00e7\u00e3o. Em alguns casos, a encomenda pode ficar presa da alf\u00e2ndega. Neste link, a Anvisa explica tudo o que \u00e9 preciso para importar a subst\u00e2ncia. A partir desta quarta-feira, 2, o pedido para importar canabidiol passou a ser feito por meio do site do governo federal. Veja aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso medicinal da maconha \u00e9 um tema que, vez ou outra, volta a ser discutido por governantes, m\u00e9dicos, ind\u00fastrias e pacientes. Rem\u00e9dios \u00e0 base de canabidiol, por exemplo, podem ser importados mediante prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e autoriza\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). 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