{"id":217729,"date":"2019-10-12T01:00:19","date_gmt":"2019-10-12T04:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=217729"},"modified":"2019-10-13T16:19:20","modified_gmt":"2019-10-13T19:19:20","slug":"mal-de-parkinson-pode-estar-com-os-dias-contados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mal-de-parkinson-pode-estar-com-os-dias-contados\/","title":{"rendered":"Mal de Parkinson pode estar com dias contados"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da University of Virginia School of Medicine, dos EUA, descobriram os est\u00e1gios iniciais da doen\u00e7a de Parkinson. O estudo com a conclus\u00e3o foi publicado no jornal Communications Biology.<\/p>\n<p>A pesquisa demorou tr\u00eas anos para ser conclu\u00edda. A pr\u00f3xima etapa ser\u00e1 o rastreamento de drogas que bloqueiem os olig\u00f4meros (estrutura proteica em forma de cadeia com baixo peso molecular), antes de partir para a segunda fase de testes em animais e seguir para os testes finais em humanos.<\/p>\n<p>O mal de Parkinson \u00e9 a segunda mais comum das doen\u00e7as neurodegenerativas e pode levar \u00e0 dem\u00eancia. A primeira \u00e9 o Alzheimer.<\/p>\n<p><strong>Destrui\u00e7\u00e3o progressiva<\/strong><br \/>\nDoen\u00e7as neurodegenerativas s\u00e3o doen\u00e7as em que ocorre a destrui\u00e7\u00e3o progressiva e irrevers\u00edvel de neur\u00f4nios, as c\u00e9lulas respons\u00e1veis pelas fun\u00e7\u00f5es do sistema nervoso. Quando isso acontece, dependendo da doen\u00e7a, gradativamente o paciente perde suas fun\u00e7\u00f5es motoras, fisiol\u00f3gicas e\/ou sua capacidade cognitiva.<\/p>\n<p>\u201cA grande quest\u00e3o \u00e9 saber qual \u00e9 o alvo para poder desenvolver uma terapia, um medicamento. O nosso trabalho mostra, exatamente, a forma\u00e7\u00e3o dos chamados olig\u00f4meros competentes\u201d, disse um dos autores do trabalho o pesquisador pela UFRJ, Jerson Lima Silva. \u201cTem evid\u00eancias que [os olig\u00f4meros] seriam o nosso melhor alvo\u201d. De acordo com o pesquisador, o mal de Parkinson afeta mais de 5 milh\u00f5es de pessoas no mundo.<\/p>\n<p>Essas estruturas proteicas, quando se rompem, fazem a c\u00e9lula morrer e, na maioria das vezes, quando o paciente \u00e9 diagnosticado com sintomas cl\u00ednicos, na realidade o mal de Parkinson come\u00e7ou muito antes. \u201cO tratamento \u00e9 paliativo. N\u00e3o h\u00e1 tratamento que cure ou atenue a doen\u00e7a\u201d, disse Silva, que \u00e9 m\u00e9dico e professor do Instituto de Bioqu\u00edmica M\u00e9dica da UFRJ.<\/p>\n<p>O estudo permitiu que os cientistas observassem, pela primeira vez, como diferentes variantes da alfa-sinucle\u00edna, prote\u00edna associada ao mal de Parkinson, interagem ao longo do tempo, formando inicialmente esses olig\u00f4meros. A partir disso, e usando a forma familiar, com muta\u00e7\u00e3o, eles conseguiram identificar a forma\u00e7\u00e3o inicial de agregados da prote\u00edna ligados aos casos precoces da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7a ao longo da vida<\/strong><br \/>\nO professor da UFRJ e doutorando na Universidade de Virginia, Guilherme A. P. de Oliveira, tamb\u00e9m coautor do estudo, disse que uma pessoa desenvolve Parkinson ao longo de toda a vida. \u201cA convers\u00e3o entre os est\u00e1gios da prote\u00edna acontece lentamente e as estruturas intermedi\u00e1rias e os filamentos se acumulam por muito tempo. N\u00e3o sabemos qual dos dois desencadeia o surgimento dos sintomas e \u00e9 mais t\u00f3xico para as c\u00e9lulas\u201d, disse. Oliveira disse que, se os pesquisadores conseguirem entender o in\u00edcio da convers\u00e3o, poderiam desenvolver uma terapia para o tratamento precoce da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Silva acrescentou que o desenvolvimento da doen\u00e7a \u00e9 um processo lento e que os sintomas, em geral, costumam atingir pessoas com mais idade. \u201cPor isso a forma n\u00e3o familiar \u00e9 comum depois dos 65 ou 70 anos de idade\u201d. Segundo o cientista da UFRJ, os tratamentos paliativos n\u00e3o cessam o processo de forma\u00e7\u00e3o de olig\u00f4meros que geram mais agregados, passando de c\u00e9lula para c\u00e9lula. \u201c\u00c9 isso que a gente tem que buscar debelar\u201d.<\/p>\n<p><strong>T\u00e9cnicas de ponta<\/strong><br \/>\nOs pesquisadores usaram t\u00e9cnicas de ponta em microscopia eletr\u00f4nica de alta resolu\u00e7\u00e3o que permite ver a n\u00edvel at\u00f4mico as prote\u00ednas desagregadas. \u201c\u00c9 importante entender qual \u00e9 o alvo e o que deve ser utilizado, tanto para desenvolver medicamentos, quanto para, talvez, desenvolver m\u00e9todos diagn\u00f3sticos\u201d, disse Silva. O estudo utiliza as prote\u00ednas retiradas das c\u00e9lulas e avalia seu comportamento. Os pesquisadores puderam ver que o produto final tinha diferen\u00e7a, dependendo da muta\u00e7\u00e3o. Silva estima que o projeto dever\u00e1 se estender por dois ou tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores compararam a forma\u00e7\u00e3o das estruturas em quatro variantes da alfa-sinucle\u00edna, das quais tr\u00eas estavam ligadas a casos heredit\u00e1rios precoces da doen\u00e7a e uma se achava presente nos casos de envelhecimento, que n\u00e3o tem muta\u00e7\u00e3o. Com isso, descobriram que nos casos de Parkinson precoce, os est\u00e1gios intermedi\u00e1rios dos processos de agrega\u00e7\u00e3o de cada variante da prote\u00edna se formavam em uma velocidade maior do que nos casos de envelhecimento. Isso pode explicar o surgimento de sintomas em pessoas mais jovens.<\/p>\n<p>Eles detectaram tamb\u00e9m que os filamentos amiloides mostraram estruturas distintas, dependendo da variante da prote\u00edna da qual se originam. Al\u00e9m de perceber que os est\u00e1gios iniciais da convers\u00e3o s\u00e3o distintos, notaram que alguns filamentos formados nos casos de Parkinson precoce tamb\u00e9m s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p><strong>Fluoresc\u00eancia<\/strong><br \/>\nUtilizando a t\u00e9cnica de fluoresc\u00eancia, os pesquisadores n\u00e3o s\u00f3 visualizaram as diversas etapas de associa\u00e7\u00e3o da prote\u00edna ao longo do tempo, mas observaram tamb\u00e9m estruturas que antes n\u00e3o eram percebidas. Ao usarem a t\u00e9cnica da criomicroscopia eletr\u00f4nica, que deu a seus criadores o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica em 2017, os pesquisadores observaram a organiza\u00e7\u00e3o estrutural dos filamentos amiloides.<\/p>\n<p>\u201cComo elas [prote\u00ednas] s\u00e3o muito sutis, n\u00e3o era muito clara a separa\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 estrutura competente e n\u00e3o competente para gerar fibra\u201d, disse Silva. Oliveira acredita que ao enxergar tais estruturas, os cientistas poder\u00e3o contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O estudo teve apoio da Pew Charitable Trusts, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental sem fins lucrativos, que estimula a filantropia na popula\u00e7\u00e3o carente dos Estados Unidos, e foi financiado tamb\u00e9m pela Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e pelo Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Biologia Estrutural e Bioimagem (Inbeb).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da University of Virginia School of Medicine, dos EUA, descobriram os est\u00e1gios iniciais da doen\u00e7a de Parkinson. O estudo com a conclus\u00e3o foi publicado no jornal Communications Biology. 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