{"id":218168,"date":"2019-10-18T12:00:07","date_gmt":"2019-10-18T15:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=218168"},"modified":"2019-10-18T12:37:15","modified_gmt":"2019-10-18T15:37:15","slug":"confronto-e-ruim-e-bolsonaro-pode-se-queimar-rapido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/confronto-e-ruim-e-bolsonaro-pode-se-queimar-rapido\/","title":{"rendered":"Confronto \u00e9 ruim e Bolsonaro pode se queimar r\u00e1pido"},"content":{"rendered":"<p>O ex-presidente Michel Temer disse que quer ser reconhecido como um reformista, algu\u00e9m que tenha tido a iniciativa de apresentar ao Congresso reformas importantes, como a da Previd\u00eancia, que vem sendo analisada por C\u00e2mara e Senado. &#8220;Eu peguei uma estrada esburacada e entreguei uma estrada asfaltada para o novo governo. Eu espero que a hist\u00f3ria registre que eu ajudei as reformas do pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, em Londres, Temer disse ainda que a &#8220;forma de falar&#8221; do presidente Jair Bolsonaro acabou criando um problema internacional. Ele se referia \u00e0 abordagem de Bolsonaro \u00e0s cr\u00edticas que o governo recebeu durante as queimadas na Amaz\u00f4nia e Cerrado. &#8220;O estilo do presidente \u00e9 mais de confronto, diferentemente do meu, que ignorava essas quest\u00f5es ou simplesmente agregava as pessoas. Claro que isso n\u00e3o \u00e9 bom para a imagem do pa\u00eds&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8216;Ele (Janot) disse que me disse os maiores palavr\u00f5es e saiu de l\u00e1. Imagina se ele dissesse um palavr\u00e3o pra mim? Eu o punha fora de casa&#8217;, disse Temer.<\/p>\n<p>Temer admitiu que, enquanto ainda era vice-presidente, conversou com o ex-procurador-geral da Rep\u00fablica Rodrigo Janot sobre o ex-deputado Eduardo Cunha, mas negou que tenha pedido para parar investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Ele me procurou para pedir que eu avisasse o presidente da C\u00e2mara que ele iria ser objeto, por for\u00e7a da atua\u00e7\u00e3o do procurador-geral, de um pedido de inqu\u00e9rito. Eu me surpreendi um pouco com aquilo e ponderei a ele: mas Dr. Janot, o senhor \u00e9 procurador-geral da Rep\u00fablica, ele \u00e9 presidente da C\u00e2mara, isso vai criar um problema institucional extraordin\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 um outro caminho?&#8221;<\/p>\n<p>Janot relata, em livro de mem\u00f3rias, que Temer e Henrique Eduardo Alves teriam pedido a ele para n\u00e3o investigar Cunha. No mesmo relato, o ex-PGR disse que deu uma resposta dura e usou palavr\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Ele (Janot) disse que me disse os maiores palavr\u00f5es e saiu de l\u00e1. Imagina se ele dissesse um palavr\u00e3o pra mim? Eu o punha fora de casa&#8221;, afirmou Temer.<\/p>\n<p>Questionado sobre o uso repetido da palavra &#8220;golpe&#8221; para se referir ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Temer disse que &#8220;o impeachment aconteceu com toda naturalidade.&#8221;<\/p>\n<p>A entrevista, que levou cerca de 40 minutos, foi feita na resid\u00eancia do embaixador do Brasil em Londres na quarta-feira (16), antes da divulga\u00e7\u00e3o de que o juiz Marcos Vin\u00edcius Reis Bastos, da 12\u00aa Vara Federal Criminal de Bras\u00edlia, absolveu Temer da acusa\u00e7\u00e3o de obstru\u00e7\u00e3o de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Temer foi denunciado em 2017 por Janot, que viu no di\u00e1logo com Joesley Batista uma tentativa de compra do sil\u00eancio de Cunha. De acordo com o juiz, o di\u00e1logo \u2014famoso pelo trecho &#8220;Tem que manter isso, viu?&#8221; \u2014 n\u00e3o indicou o cometimento de crime por Temer. Cabe recurso da decis\u00e3o.<\/p>\n<p>A seguir, os principais trechos da entrevista:<\/p>\n<p><strong>Em entrevista anieroor o senhor disse que o governo do presidente Jair Bolsonaro ia bem porque dava continuidade ao seu. O senhor continua tendo essa avalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Continuo. Naquela oportunidade, eu disse: o governo Bolsonaro tem mais ou menos 20% do seu governo, portanto, se eu fosse comparar com jogo de futebol, de 90 minutos, ent\u00e3o 20% s\u00e3o 18 minutos. \u00c9 esperar o fim do jogo. No caso do presidente Bolsonaro, eu ressaltei dois pontos: primeiro, que h\u00e1 pouco tempo e precisa dar mais tempo para identificar como as coisas caminham. Em segundo lugar, enfatizei que o governo vai bem, entre outras raz\u00f5es, porque n\u00e3o fez aquilo que muitos governos costumam fazer. Voc\u00ea chega ao governo e destr\u00f3i tudo que o governo anterior fez. Ao contr\u00e1rio, o que ele providenciou foi dar sequ\u00eancia a tudo aquilo que fizemos ao longo do meu governo. Nesse sentido, acho que o governo vai bem.<\/p>\n<p><strong>Em participa\u00e7\u00e3o no programa Roda Viva, o senhor usou a palavra &#8220;golpe&#8221; v\u00e1rias vezes. Quem acompanha o senhor sabe que o senhor \u00e9 uma pessoa que calcula as palavras. \u00c9 dif\u00edcil acreditar que tenha sido um ato falho. O senhor hoje avalia que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um golpe?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Era preciso verificar o contexto todo da entrevista. Sempre se disse que eu trabalhei pelo impeachment. E as perguntas que vieram tentavam demonstrar ou revelar se eu participei ou n\u00e3o do impeachment. Em muitos momentos, um ou dois entrevistadores falaram em golpe. Eu disse: eu jamais participei. Tanto que eu disse que, quando come\u00e7ou o processo na C\u00e2mara dos Deputados, como o vice-presidente \u00e9 sempre o primeiro suspeito, eu vim para S\u00e3o Paulo e fiquei tr\u00eas, quatro semanas em S\u00e3o Paulo. E s\u00f3 voltei a Bras\u00edlia tr\u00eas dias antes da vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara. Ent\u00e3o eu disse: eu n\u00e3o participei de absolutamente nada. Evidentemente, n\u00e3o participei do golpe. Eu disse realmente isso.<\/p>\n<p>Sequencialmente, o (Ricardo) Noblat me perguntou &#8216;mas presidente, houve golpe ou n\u00e3o houve golpe?&#8217;. E a\u00ed as pessoas n\u00e3o quiseram ver ou ignoraram. Eu disse: s\u00f3 se a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira admitir o golpe, porque a Constitui\u00e7\u00e3o diz que quando se afasta o presidente, quem assume \u00e9 o vice. E foi isso que aconteceu, com muita naturalidade.<\/p>\n<p>Eu me opunha \u00e0 ideia de que eu havia tramado, operado o impeachment, tanto que eu ressaltei muito um telefonema que o ex-presidente Lula me deu naquela oportunidade para ver se eu poderia ajudar junto ao MDB a manter o mandato da senhora ex-presidente. E eu at\u00e9 conversei com o MDB, mas naquele momento havia um clamor popular muito grande. Sabe como \u00e9, os deputados, senadores, no geral, acompanham aquilo que o clamor popular pleiteia. Ent\u00e3o n\u00e3o foi nem poss\u00edvel derrubar as barreiras que j\u00e1 estavam no MDB. Mas com isso eu ressaltava: veja como eu n\u00e3o trabalhei pelo impeachment. O impeachment aconteceu com toda naturalidade. Mas pegaram um ou dois momentos em que se falou em golpe e disseram &#8216;olha a\u00ed, o Temer est\u00e1 dizendo que houve golpe&#8217;.<\/p>\n<p><strong>Mas n\u00e3o \u00e9 que &#8216;se falou&#8217;. O senhor usou a palavra &#8216;golpe&#8217; mais de uma vez e no come\u00e7o da entrevista. Quer dizer, o senhor estava com isso em mente. E, depois da entrevista, circularam mensagens no Twitter tentando resumir o que o senhor falou no programa, com a seguinte ideia: &#8216;fizeram o golpe pra mim e eu aceitei&#8217;.<\/strong><\/p>\n<p>(Risos) O resumo est\u00e1 equivocado. Se voc\u00ea pegar o todo, como acabei de registrar, voc\u00ea veria que expressamente, em um dado momento, eu disse praticamente em letras garrafais: n\u00e3o houve golpe.<\/p>\n<p><strong>O ex-procurador-geral da Rep\u00fablica Rodrigo Janot disse que o senhor e o ex-deputado Henrique Eduardo Alves o procuraram para pedir que ele parasse qualquer investiga\u00e7\u00e3o contra o ent\u00e3o presidente da C\u00e2mara, Eduardo Cunha. Por que o senhor pediu essa ajuda para o Cunha, conhecido por ter tomado a frente do impeachment da ex-presidente Dilma?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que voc\u00ea deveria me perguntar por que o ex-procurador-geral, aquele que tentou entrar no Supremo Tribunal Federal para assassinar um ministro, mentiu.<\/p>\n<p>Na verdade, a conversa que se deu foi com o seguinte conte\u00fado: ele me procurou para pedir que eu avisasse o presidente da C\u00e2mara que ele iria ser objeto, por for\u00e7a da atua\u00e7\u00e3o do procurador-geral, de um pedido de inqu\u00e9rito. Eu me surpreendi um pouco com aquilo e ponderei a ele: mas Dr. Janot, o senhor \u00e9 procurador-geral da Rep\u00fablica, ele \u00e9 presidente da C\u00e2mara, isso vai criar um problema institucional extraordin\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 um outro caminho? Uma investiga\u00e7\u00e3o, aquele tal processo preliminar de investiga\u00e7\u00e3o? Ele disse &#8220;n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, eu j\u00e1 estou com tudo pronto para dar entrada nessa mat\u00e9ria&#8221;. O procurador-geral resolveu, digamos assim, turbinar essa mat\u00e9ria. A nossa preocupa\u00e7\u00e3o era exatamente essa, voc\u00ea vai criar \u2014 e criou, naquele momento \u2014 um clima institucional muito tormentoso. Ele era procurador-geral e o Eduardo Cunha era presidente da C\u00e2mara. Foi isso. E ele turbinou essa mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Mas lamento dizer que ele \u00e9 um mentiroso contumaz. E a mentira contumaz a que me refiro diz exata e precisamente \u00e0s duas den\u00fancias que ele ofereceu contra mim. E que hoje, reveladas por uma figura emocionalmente inst\u00e1vel. Quem leu aquele livrinho dele, que saiu pela internet, percebeu que ele se dava ao v\u00edcio, digamos assim, da bebida. Ele confessa que tinha uma chamada farmacinha, que era um bar que ele tinha e nas dificuldades ele ia l\u00e1 e tomava algumas pitadas.<\/p>\n<p>Eu lamento, porque as pr\u00f3prias den\u00fancias que se verificaram, hoje, s\u00e3o fruto desse clima emocional que ele vivia, coitado, um clima emocional muito conturbado, que levou at\u00e9 a esse absurdo de um procurador-geral, que deveria dar o exemplo, dizer que portava uma arma para matar um ministro do Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n<p><strong>Mas o senhor acha que tudo aconteceu por causa de um problema emocional dele? As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o funcionam?<\/strong><\/p>\n<p>Isso eu n\u00e3o saberia dizer. \u00c9 um problema psicanal\u00edtico. Ele teria que ir ao psicanalista, um psiquiatra, e verificar qual \u00e9 a exata raz\u00e3o. Estou dando fatos concretos, que ele revela no livro.<\/p>\n<p><strong>O senhor disse que Janot &#8216;turbinou&#8217; um pouquinho. O senhor est\u00e1 dizendo que n\u00e3o disse para ele parar as investiga\u00e7\u00f5es, mas para pegar leve?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 &#8216;pegue leve&#8217;. A express\u00e3o n\u00e3o era essa. Eu apenas ponderei, porque levei um choque. Eu era vice-presidente. Um conflito entre o PGR e o presidente da C\u00e2mara cria problemas institucionais. Mais do que legitimamente, fiz pondera\u00e7\u00f5es a ele neste sentido. Mas voc\u00ea sabe que ele disse, at\u00e9 que me disse os maiores palavr\u00f5es e saiu de l\u00e1. Imagina se ele dissesse um palavr\u00e3o pra mim? Eu o punha fora de casa. Jamais houve esse tipo de palavr\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia, acusou o senhor de conspirar contra Dilma e disse que o senhor operou no processo de impeachment.<\/strong><\/p>\n<p>Isso foi um equ\u00edvoco dele. Veja que interessante, no dia seguinte havia uma conven\u00e7\u00e3o do PMDB, que eu n\u00e3o compareci, mas os que l\u00e1 estavam disseram &#8216;olha, voc\u00ea foi elogiad\u00edssimo por todos os participantes do MDB. Todos que usaram a palavra. Mas a palavra de maior elogio \u00e0 sua conduta, \u00e0 sua trajet\u00f3ria, foi a do presidente Rodrigo Maia&#8217;. Acho que foi uma for\u00e7a de express\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>E por que o senhor acredita que ele teria interesse em mentir?<\/strong><\/p>\n<p>Ele n\u00e3o est\u00e1 mentindo, foi uma for\u00e7a de express\u00e3o. Eu n\u00e3o saberia dizer.<\/p>\n<p><strong>O senhor tentou aprovar uma reforma da Previd\u00eancia, n\u00e3o conseguiu. Agora, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, que n\u00e3o \u00e9 conhecido por ter base na C\u00e2mara, passou a reforma da Previd\u00eancia l\u00e1. Por que o senhor acredita que o atual governo conseguiu?<\/strong><\/p>\n<p>Porque o antigo governo, que era o meu, durante dois anos batalhou pela reforma da Previd\u00eancia. Enfrentamos as maiores discuss\u00f5es. Praticamente dois anos. Fui eu que lancei a reforma da Previd\u00eancia no nosso pa\u00eds, como lancei tamb\u00e9m a tese da simplifica\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. E ao longo do tempo eu sempre disse, internamente e no exterior, que a reforma da Previd\u00eancia poderia sair naquele momento da pauta legislativa, mas n\u00e3o sairia, como n\u00e3o saiu, da pauta pol\u00edtica do pa\u00eds. Tanto n\u00e3o saiu que logo no in\u00edcio do governo Bolsonaro foi aprovada na C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o consegui aprovar? Foi precisamente em face daquele gesto do procurador-geral que, percebendo que eu ia colocar a reforma da Previd\u00eancia entre doze e quinze dias, j\u00e1 com 326 votos contados (s\u00e3o necess\u00e1rios 308 votos na C\u00e2mara para aprovar PEC), ele soltou aquela grava\u00e7\u00e3o. Entre tantas raz\u00f5es, uma delas foi, certa e seguramente, impedir a reforma da Previd\u00eancia. Causou um mal para o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>O senhor citou a reforma trabalhista tamb\u00e9m, que o senhor sancionou h\u00e1 mais de dois anos. O discurso, na \u00e9poca, era o de que a flexibiliza\u00e7\u00e3o das regras ajudaria a gerar emprego no pa\u00eds. Mas o emprego n\u00e3o deslanchou. O presidente do TST, ministro Brito Pereira, disse \u00e0 BBC que foi um equ\u00edvoco algu\u00e9m um dia dizer que a reforma trabalhista geraria emprego. Hoje o senhor acha que esse discurso foi um equ\u00edvoco?<\/strong><\/p>\n<p>O equ\u00edvoco \u00e9 o de quem assim se manifesta, por duas raz\u00f5es. Primeiro porque, ao longo do meu governo, houve quase um milh\u00e3o de carteiras assinadas. Segundo, houve abertura ao trabalho informal extraordin\u00e1ria, tivemos mais de 1,5 milh\u00e3o de postos de trabalho. Segundo ponto, voc\u00ea verifica que neste ano, como fruto da reforma trabalhista, j\u00e1 o desemprego caiu. O que talvez o doutor presidente do TST tenha pretendido dizer \u00e9 o que eu percebia, por exemplo, na constituinte. As pessoas achavam que, quando fosse promulgada a Constitui\u00e7\u00e3o, o c\u00e9u ficaria azul, n\u00e3o haveria desemprego, n\u00e3o haveria inseguran\u00e7a. Enfim, tudo estaria resolvido. E essas coisas acontecem paulatinamente. E, na economia, de igual maneira. Voc\u00ea vai fazendo as reformas, os normativos adequados para o pa\u00eds, e isso vai produzindo efeitos ao longo do tempo. Ent\u00e3o, primeiro ponto: produziu efeito no meu governo, modestamente, porque estancamos o desemprego. Eu ressalto que quando assumi o governo t\u00ednhamos um PIB negativo em 4% e um ano e meio depois ele era positivo em 1,1%.<\/p>\n<p><strong>Na verdade, isso que o senhor citou (PIB) \u00e9 exatamente o argumento de quem era contra a reforma. Os cr\u00edticos dizem que o que traz a gera\u00e7\u00e3o de emprego \u00e9 o crescimento da economia e n\u00e3o tirar, como diziam, direito do trabalhador.<\/strong><\/p>\n<p>Sabe por que voc\u00eas dizem que tira direito? Porque ningu\u00e9m examinou a Constitui\u00e7\u00e3o. O Artigo 7\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o estabelece quais s\u00e3o os direitos dos trabalhadores\u2026<\/p>\n<p><strong>FGTS\u2026<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios, me permita completar. O que as pessoas dizem \u00e9 que a lei pode modificar a Constitui\u00e7\u00e3o. Durante esses debates, eu ia \u00e0s entrevistas e dizia: por favor, leiam o Artigo 7\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o para verificar que a lei ordin\u00e1ria n\u00e3o pode modificar o que estava na Constitui\u00e7\u00e3o. Consequ\u00eancia: nenhum direito trabalhista foi retirado. Segundo ponto: voc\u00ea diminuiu a litigiosidade judicial. O n\u00famero de reclama\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m diminuiu, sensivelmente. Isso aumenta a ideia de o empres\u00e1rio aplicar no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 para deixar claro, presidente, n\u00f3s n\u00e3o defendemos uma coisa ou outra. Eu estou apresentando os dois argumentos para o senhor. O senhor falou do lado do empresariado. Do lado dos funcion\u00e1rios, a reforma criou coisas como a figura do intermitente, um trabalhador que tem um contrato, mas n\u00e3o sabe quanto vai ganhar no fim do m\u00eas ou quais dias ele vai trabalhar. Embora n\u00e3o tenha mudado a Constitui\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 bem diferente da figura que a gente conhece (de trabalho formal) e pode ter impactos na economia. Aquela fam\u00edlia n\u00e3o sabe quanto ela vai ganhar, ent\u00e3o ela n\u00e3o pode comprar uma coisa a prazo, por exemplo. O senhor acha, hoje, que isso foi positivo?<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea acha melhor o sujeito saber que vai ganhar alguma coisa no trabalho intermitente ou que n\u00e3o vai ganhar absolutamente nada porque est\u00e1 inteiramente desempregado? A flexibiliza\u00e7\u00e3o dessas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, sem tirar direitos, foi precisamente para pegar aqueles \u2014 fal\u00e1vamos em 13% de desempregados \u2014 que estavam desempregados. Se n\u00e3o tivessem emprego integral, que tenham emprego pela metade. E o trabalho intermitente est\u00e1 dando resultado.<\/p>\n<p><strong>Com menos de um ano de governo, Bolsonaro enfrenta uma crise no pr\u00f3prio partido e est\u00e1 gastando alguma energia para resolver o impasse com o PSL. Quanto isso afeta a governan\u00e7a dele?<\/strong><\/p>\n<p>Quando a gente trata de um tema dessa natureza, voc\u00ea tem que trazer \u00e0 baila o problema da reformula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Voc\u00ea tem 35 partidos. Uma reformula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds \u00e9 importante, porque se tivermos tr\u00eas ou quatro partidos muda o quadro governativo do pa\u00eds. Tanto isso \u00e9 verdade que eu tenho pregado nos \u00faltimos tempos uma esp\u00e9cie de semipresidencialismo ou semiparlamentarismo, ao fundamento de que durante o meu governo eu trouxe o Congresso para governar comigo. E deu certo.<\/p>\n<p>Quando eu fazia as reuni\u00f5es, tinha os presidentes da C\u00e2mara e do Senado sentados ao meu lado. E no come\u00e7o deste ano, quando havia muita discuss\u00e3o em torno da reforma da Previd\u00eancia ainda, se aprova ou n\u00e3o, a C\u00e2mara e o Senado assumiram muito protagonismo. A imprensa mesmo falava em esp\u00e9cie de parlamentarismo branco.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o os fatos est\u00e3o ocorrendo de tal maneira que, em um dado momento, talvez seja poss\u00edvel formatar um projeto semipresidencialista ou semiparlamentarista onde a vantagem est\u00e1 em, primeiro, n\u00e3o ter as chamadas crises institucionais geradas pelo impeachment. Segundo, voc\u00ea tem o povo apontando o dedo n\u00e3o apenas para o presidente, mas tamb\u00e9m para o Legislativo, que passa a ser um executor daquilo que ele pr\u00f3prio legislou. Acho que podemos caminhar para isso.<\/p>\n<p><strong>Mas o que o atual governo prega \u00e9 muito diferente disso. Quando o senhor fala da sua rela\u00e7\u00e3o com o Congresso, eles chamam isso de velha pol\u00edtica. \u00c9 outra l\u00f3gica. O senhor acha que estamos caminhando para isso?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma l\u00f3gica que est\u00e1 sendo derrubada. Voc\u00ea v\u00ea, ao longo do tempo, o presidente Bolsonaro tem, e outros ministros, feito adequadamente, eles t\u00eam ido ao Congresso. Eles v\u00e3o mais ao Congresso do que eu ia. Eu, como tinha passado muito tempo l\u00e1, tinha boa rela\u00e7\u00e3o com o Congresso, logo formulei um governo baseado na a\u00e7\u00e3o conjunta do Executivo com o Legislativo.<\/p>\n<p><strong>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada do Brasil na OCDE, a carta do secret\u00e1rio (de Estado dos EUA) Mike Pompeo jogou um balde de \u00e1gua fria. Isso \u00e9 uma coisa que o senhor tamb\u00e9m defendia no seu governo. Esse assunto \u00e9 t\u00e3o importante a ponto de valer a pena abrir m\u00e3o do tratamento de pa\u00eds em desenvolvimento na OMC, por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p>As coisas em um plano internacional t\u00eam uma certa simbologia. O fato de voc\u00ea entrar na OCDE &#8211; e eu trabalhei por isso tamb\u00e9m, com resist\u00eancias. Eu n\u00e3o coloquei todas as cartas na mesa porque o Brasil, primeiro, \u00e9 multilateralista. N\u00e3o podemos ser unilateralistas, isolacionistas. Ao contr\u00e1rio, temos que combater protecionismo, ser universalistas, n\u00e3o s\u00f3 na diplomacia mas nas rela\u00e7\u00f5es comerciais, industriais e pol\u00edticas. Ent\u00e3o o Brasil tem esse crit\u00e9rio multilateralista que n\u00e3o sei se entrar na OCDE vai mudar inteiramente o quadro. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o fundamental assim entrar na OCDE. \u00c9 importante, mas n\u00e3o \u00e9 vital para a economia brasileira.<\/p>\n<p><strong>O senhor acha, ent\u00e3o, que n\u00e3o valia abrir m\u00e3o desse tratamento na OMC? O senhor teria feito a mesma coisa?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o fizesse. Agora, evidentemente, se o Brasil entrasse na OCDE e houvesse essa negocia\u00e7\u00e3o \u2014 que as rela\u00e7\u00f5es internacionais demandam \u2014, a\u00ed estaria correto, n\u00e3o veria dificuldade nisso.<\/p>\n<p><strong>O MDB, partido do senhor, acabou de escolher o deputado Baleia Rossi como novo presidente. Enquanto as outras siglas buscam um discurso de renova\u00e7\u00e3o, ele est\u00e1 longe \u2014 embora seja um parlamentar jovem \u2014 de renova\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 filho do ex-ministro Wagner Rossi e \u00e9 pr\u00f3ximo ao senhor. Como o senhor v\u00ea o futuro do MDB?<\/strong><\/p>\n<p>O Baleia Rossi tem grande prest\u00edgio na bancada, tanto que no primeiro mandato ele j\u00e1 foi eleito l\u00edder da bancada. E eu j\u00e1 verificava pelos depoimentos dos deputados o grande apre\u00e7o institucional e pessoal que eles tinham pelo Baleia, da\u00ed a raz\u00e3o pela qual o nome dele foi lan\u00e7ado e obteve sucesso como presidente do MDB. O MDB tem trajet\u00f3ria muito importante para o pa\u00eds. Se recordarmos l\u00e1 atr\u00e1s, n\u00f3s vemos que quem redemocratizou o pa\u00eds foi o MDB. Voltando mais para os nossos tempos, os grandes projetos \u2014 o Plano Real, do FHC e do Itamar Franco, os planos sociais do Lula e da pr\u00f3pria Dilma, o PMDB sempre esteve apoiando essas mat\u00e9rias. O MDB sempre tem uma posi\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio. Em um pa\u00eds t\u00e3o conflagrado, de muito &#8216;n\u00f3s contra eles&#8217;, o MDB sempre tem uma posi\u00e7\u00e3o meio-termo. Acho que o MDB continuar\u00e1 a exercer esse papel.<\/p>\n<p><strong>Se o ex-presidente Lula tivesse virado ministro quando a Dilma era presidente, o senhor acha que o impeachment teria acontecido?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil responder, porque havia uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o popular contra o governo. Agora, n\u00e3o posso negar que o presidente Lula tinha muito prest\u00edgio no Congresso. Eu n\u00e3o saberia responder. Mas que facilitaria o governo, n\u00e3o tenho d\u00favida. Facilitaria por essa raz\u00e3o, pelo prest\u00edgio, pelos contatos que ele tinha e manteve no seu governo com o Congresso Nacional.<\/p>\n<p><strong>Ele est\u00e1 preso hoje. O senhor acha que ele ainda vai ter oportunidade de\u2026<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sei dizer, \u00e9 dif\u00edcil dizer isso.<\/p>\n<p><strong>Eu nem completei minha pergunta. O que \u00e9 dif\u00edcil dizer?<\/strong><\/p>\n<p>Eu j\u00e1 sei o que voc\u00ea vai perguntar.<\/p>\n<p><strong>O que eu vou perguntar?<\/strong><\/p>\n<p>Se ele vai ser liberado ou n\u00e3o e, se ele for liberado, se ele pode ser presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>E o que o senhor acha?<\/strong><\/p>\n<p>Dif\u00edcil dizer. No caso do presidente Bolsonaro, quando ele se lan\u00e7ou, algu\u00e9m diria que ele seria presidente da Rep\u00fablica? As coisas s\u00e3o assim. O eleitorado, em um dado momento, quer modificar o sistema existente, ou os crit\u00e9rios existentes, e opta da maneira que ele entende que seja melhor para o pa\u00eds. \u00c9 dif\u00edcil prever.<\/p>\n<p><strong>O senhor \u00e9 acusado de receber propina de obras relacionadas a Angra 3, al\u00e9m de responder a outros inqu\u00e9ritos. O senhor foi preso duas vezes neste ano. O senhor tem medo de ser preso de novo?<\/strong><\/p>\n<p>Eu s\u00f3 n\u00e3o tomo a pergunta como ofensiva porque veio de uma gentil senhorita, com toda a franqueza. Porque eu n\u00e3o tenho a menor preocupa\u00e7\u00e3o sobre o enfoque jur\u00eddico. A preocupa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos \u00e9 com as arbitrariedades de natureza jur\u00eddica cometidas ao longo do tempo no pa\u00eds, especialmente no meu caso.<\/p>\n<p>No meu caso, os autos baixaram do Supremo Tribunal Federal para, primeiro, fazer investiga\u00e7\u00e3o. Segundo, ter den\u00fancia ou n\u00e3o ter den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Terceiro, a den\u00fancia ser recebida ou n\u00e3o ser recebida pelo juiz. Quarto, quando recebida, se recebida \u2014 porque pode n\u00e3o ser recebida \u2014, o juiz manda ouvir o acusado. Eu pergunto: estas tr\u00eas preliminares ocorreram? N\u00e3o. Os autos baixaram do Supremo, os senhores procuradores \u2014 em grupo, doze ou treze que assinam uma representa\u00e7\u00e3o \u2014, o juiz pega aquilo e decreta a pris\u00e3o &#8211; que, ali\u00e1s, foi derrubada no STJ por unanimidade. E, convenhamos, com observa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o a essa conduta. Eu n\u00e3o tenho a menor preocupa\u00e7\u00e3o sob o foco jur\u00eddico. A \u00fanica coisa que eu temo s\u00e3o as arbitrariedades.<\/p>\n<p><strong>O senhor n\u00e3o precisa tomar como uma ofensa porque eu estou aqui no meu papel de fazer as perguntas que eu acho que muita gente gostaria de fazer para o senhor.<\/strong><\/p>\n<p>Eu, ali\u00e1s, ao responder-lhe acredito que lhe fiz um elogio, que vinha de uma gentil senhorita e delicada na pergunta.<\/p>\n<p><strong>E como o senhor v\u00ea o futuro da Lava Jato, que pode impactar na vida do senhor diretamente?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o vai impactar na minha vida. Me perdoe, mas n\u00e3o vai impactar na minha vida. Se n\u00f3s levarmos em conta os pressupostos jur\u00eddicos\u2026 Voc\u00ea sabe que n\u00e3o tem nenhum prova? S\u00e3o ila\u00e7\u00f5es e mais ila\u00e7\u00f5es, fulano \u00e9 amigo de beltrano, ent\u00e3o ele \u00e9 criminoso. N\u00e3o tenho a menor preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a isso. Agora, a Lava Jato como sin\u00f4nimo de corrup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importa a denomina\u00e7\u00e3o que tenha, essa deve continuar. \u00c9 importante para o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>O tema meio ambiente tem tido muita aten\u00e7\u00e3o aqui fora por conta das queimadas e tamb\u00e9m da postura do presidente Jair Bolsonaro e de outros integrantes do governo. O senhor acha que isso est\u00e1 sendo positivo, negativo para o Brasil? Vimos o presidente Jair Bolsonaro falar at\u00e9 da esposa do presidente franc\u00eas.<\/strong><\/p>\n<p>Cada um tem seu estilo. O estilo do presidente \u00e9 um estilo mais de confronto, diferentemente do meu, que ignorava essas quest\u00f5es ou simplesmente agregava as pessoas. Claro que isso n\u00e3o \u00e9 bom para a imagem do pa\u00eds. Tomando essa quest\u00e3o da Amaz\u00f4nia, voc\u00ea sabe que todo ano tem queimada na Amaz\u00f4nia. O que aconteceu, penso eu, foi que o presidente resolveu confrontar aqueles que criticavam, em vez de tomar as provid\u00eancias que de resto tomou. Ou seja, mandar todo um sistema de combate a inc\u00eandio para l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Ele que criou essa crise, ent\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a forma de falar, a forma de manifestar, talvez tenha sido isso. E criou um problema internacional. Porque eu vejo, estamos aqui no Reino Unido, eu vejo a preocupa\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que permeia a mentalidade de todos os pa\u00edses europeus. \u00c9 uma coisa grave. Precisamos tomar muito cuidado. Eu tomei muito cuidado com isso.<\/p>\n<p><strong>O senhor veio para a Inglaterra dar uma palestra na Universidade de Oxford, o senhor falou com os estudantes, tem dado entrevistas. Como o senhor quer ser visto pela Hist\u00f3ria, considerando que a figura do senhor \u00e9 contradit\u00f3ria \u2014 alguns elogiam reformas que o senhor fez, enquanto outros chamam o senhor de golpista e dizem que o senhor traiu a ex-presidente Dilma Rousseff, tem o Ciro Gomes, que diz que o seu partido era uma quadrilha?<\/strong><\/p>\n<p>Ciro Gomes n\u00e3o precisa de inimigos. Ele se inimiza por conta pr\u00f3pria. Basta ouvir suas palavras para verificar que ele se destr\u00f3i por conta pr\u00f3pria. Segundo ponto: ele j\u00e1 foi condenado duas vezes por mim em a\u00e7\u00f5es judiciais indenizat\u00f3rias. Terceiro ponto: eu pretendo ser visto como um reformista. As pessoas l\u00e1 na frente, ali\u00e1s j\u00e1 come\u00e7am a perceber isso, que eu peguei uma estrada esburacada e entreguei uma estrada asfaltada para o novo governo. Eu espero que a hist\u00f3ria registre que eu ajudei as reformas do pa\u00eds. Reformas que deram certo. E que est\u00e3o dando certo. E que dar\u00e3o certo ao longo do tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-presidente Michel Temer disse que quer ser reconhecido como um reformista, algu\u00e9m que tenha tido a iniciativa de apresentar ao Congresso reformas importantes, como a da Previd\u00eancia, que vem sendo analisada por C\u00e2mara e Senado. &#8220;Eu peguei uma estrada esburacada e entreguei uma estrada asfaltada para o novo governo. 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