{"id":218424,"date":"2019-10-22T11:03:53","date_gmt":"2019-10-22T13:03:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=218424"},"modified":"2019-10-22T12:06:58","modified_gmt":"2019-10-22T14:06:58","slug":"cuidado-com-o-cancer-do-oleo-na-praia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cuidado-com-o-cancer-do-oleo-na-praia\/","title":{"rendered":"Cuidado com o c\u00e2ncer do \u00f3leo na praia"},"content":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o a subst\u00e2ncias presentes no petr\u00f3leo, em especial os hidrocarbonetos, est\u00e1 associada ao risco de desenvolver altera\u00e7\u00f5es ou doen\u00e7as cardiovasculares, segundo estudos recentes. O alerta ganha destaque diante do vazamento de petr\u00f3leo cru que, desde o in\u00edcio de setembro, atinge praias dos nove Estados do nordeste brasileiro. O desastre ambiental tamb\u00e9m pode desencadear doen\u00e7as respirat\u00f3rias e de pele, mas seria necess\u00e1rio o contato prolongado com o poluente para levar a problemas mais graves.<\/p>\n<p>Considerando o impacto ambiental e \u00e0 sa\u00fade humana, integrantes do Centro de Estudos do Sistema Nervoso Aut\u00f4nomo, vinculado \u00e0 Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Mar\u00edlia, fez um levantamento cient\u00edfico sobre as associa\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo ao risco de doen\u00e7a card\u00edaca.<\/p>\n<p>Uma das pesquisas acompanhou 24.375 trabalhadores que atuaram na limpeza do derramamento de \u00f3leo no Golfo do M\u00e9xico, em 2010, ap\u00f3s a explos\u00e3o da plataforma Deepwater Horizon. Eles foram expostos ao \u00f3leo cru e \u00e0 queima do l\u00edquido. Desde o in\u00edcio da pesquisa, em 2011, at\u00e9 2016, foram registrados 312 ataques card\u00edacos que ocorreram pela primeira vez no per\u00edodo analisado.<\/p>\n<p>Para fazer a associa\u00e7\u00e3o entre a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s subst\u00e2ncias e a ocorr\u00eancia card\u00edaca, os pesquisadores mediram a concentra\u00e7\u00e3o de poluentes no ar expelido pelos trabalhadores, bem como no ar do ambiente ao qual estavam expostos. Os investigadores tamb\u00e9m ponderaram outros fatores de risco, como idade, g\u00eanero e tabagismo. Dessa forma, o risco de ataque card\u00edaco era 1,8 vezes mais alto para aqueles que foram expostos \u00e0 maior concentra\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos.<\/p>\n<p>&#8220;[O petr\u00f3leo] \u00e9 uma mistura de hidrocarbonetos \u2014 como benzeno, tolueno e etilbenzeno \u2014, nitrog\u00eanio e enxofre. Os hidrocarbonetos causam um aumento da concentra\u00e7\u00e3o de radicais livres que agem, inicialmente, nas c\u00e9lulas do corpo e v\u00e3o prejudicar o funcionamento dos vasos sangu\u00edneos e do cora\u00e7\u00e3o. Existem evid\u00eancias cient\u00edficas de que a exposi\u00e7\u00e3o a hidrocarbonetos contribui para aterosclerose [inflama\u00e7\u00e3o nas art\u00e9rias] e, com o tempo, para enfarte e AVC&#8221;, explica Vitor Engr\u00e1cia Valenti, professor de fisiologia da Unesp e coordenador do centro de estudos que fez o levantamento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Em setembro, quando a mancha de \u00f3leo come\u00e7ou a se espalhar por praias do nordeste do Brasil, o especialista, juntamente com estudantes da universidade, come\u00e7aram a pesquisar dados por meio de revis\u00e3o sistem\u00e1tica de outros estudos para aprofundar o tema. &#8220;\u00c9 um assunto que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o estudado, porque raramente acontece derramamento de petr\u00f3leo.&#8221; O poluente j\u00e1 foi identificado em 161 pontos no litoral nordestino. Veja aqui a lista de praias atingidas por dia.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do caso no Golfo do M\u00e9xico tamb\u00e9m observou impacto negativo em quem morava perto da regi\u00e3o afetada. Viver pr\u00f3ximo ao derramamento de \u00f3leo foi associado a um risco 30% maior de doen\u00e7as card\u00edacas, sendo que o risco persistiu ao longo dos cinco anos de estudo.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, Valenti sugere duas possibilidades de preju\u00edzo aos moradores das regi\u00f5es. &#8220;Aquele que tem h\u00e1bito de ir \u00e0 praia e tem contato com a \u00e1gua [do mar] tem risco maior. Quem n\u00e3o tem esse h\u00e1bito, mora no centro da cidade ou em cidades mais distantes pode acabar comendo peixes, camar\u00f5es, animais marinhos que tiveram contato com o petr\u00f3leo. Ao ser ingeridos, o sistema gastrointestinal vai absorver os componentes t\u00f3xicos, que v\u00e3o entrar na corrente sangu\u00ednea&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O especialista refor\u00e7a que a inala\u00e7\u00e3o \u00e9 um mecanismo fisiopatol\u00f3gico importante, porque causa reflexos cardiovasculares que potencializam os riscos da exposi\u00e7\u00e3o ao \u00f3leo. &#8220;Por inala\u00e7\u00e3o, esses agentes t\u00f3xicos entram em contato com neur\u00f4nios na cavidade interna do nariz, que ativam o sistema nervoso central e desenvolvem reflexos cardiovasculares. No per\u00edodo longo, colabora para o aparecimento de doen\u00e7as como hipertens\u00e3o&#8221;, afirma. J\u00e1 o contato direto do produto com a pele poderia levar \u00e0 posterior inala\u00e7\u00e3o ou entrada dos agentes t\u00f3xicos na corrente sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>Valenti e outros especialistas refor\u00e7am que problemas mais graves ocorreriam em caso de contato repetido e prolongado com o poluente. Embora a quantidade de \u00f3leo encontrada nas praias nordestinas seja grande, n\u00e3o \u00e9 suficiente para apresentar grandes riscos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>O Instituto de Defesa do Meio Ambiente em Natal (Idema), juntamente com o Projeto Tamar, elaborou um material educativo em que orienta a evitar o contato com o \u00f3leo e, caso aconte\u00e7a, colocar gelo no local ou retir\u00e1-lo com \u00f3leo de cozinha. Caso a pessoa tenha rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica, deve procurar urgentemente atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o a subst\u00e2ncias presentes no petr\u00f3leo, em especial os hidrocarbonetos, est\u00e1 associada ao risco de desenvolver altera\u00e7\u00f5es ou doen\u00e7as cardiovasculares, segundo estudos recentes. O alerta ganha destaque diante do vazamento de petr\u00f3leo cru que, desde o in\u00edcio de setembro, atinge praias dos nove Estados do nordeste brasileiro. 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