{"id":219279,"date":"2019-11-02T07:00:53","date_gmt":"2019-11-02T09:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=219279"},"modified":"2019-11-02T20:34:44","modified_gmt":"2019-11-02T22:34:44","slug":"geriatras-querem-usar-maconha-na-cura-de-idosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/geriatras-querem-usar-maconha-na-cura-de-idosos\/","title":{"rendered":"Geriatras querem curar idosos com maconha"},"content":{"rendered":"<p>O uso de canabinoides na popula\u00e7\u00e3o idosa para fins medicinais foi tema de um debate promovido no Rio de Janeiro pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Os canabinoides s\u00e3o subst\u00e2ncias derivadas da cannabis, considerada il\u00edcita em boa parte do mundo e no Brasil. Com poss\u00edveis benef\u00edcios em tratamentos contra dor cr\u00f4nica, dem\u00eancia e outros problemas comuns em idosos, o uso terap\u00eautico tem sua discuss\u00e3o atravessada por expectativas e preconceitos, avaliam os pesquisadores, que defendem uma abordagem cient\u00edfica do assunto.<\/p>\n<p>M\u00e9dico do Centro de Dem\u00eancia de Alzheimer do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ), Ivan Abdalla apresentou estudos internacionais sobre canabinoides e dem\u00eancia que apontam a necessidade de aprofundar o tema antes de prescrever ou afastar de vez essa hip\u00f3tese.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem evid\u00eancias de que talvez tenha um efeito, mas a gente precisa caminhar alguns passos para poder chegar l\u00e1&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O pesquisador apresentou um mapeamento feito pela Ag\u00eancia Canadense de Drogas e Tecnologias em Sa\u00fade (CADTH) que levantou 12 estudos realizados entre 1997 e 2017 em seis pa\u00edses: Canad\u00e1, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Su\u00ed\u00e7a, Holanda e Israel. Apesar de ter considerado as pesquisas de baixa qualidade e com alto risco de vi\u00e9s, a ag\u00eancia ainda assim concluiu que elas indicam que os canabinoides podem ser eficazes contra alguns sintomas da dem\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;T\u00eam evid\u00eancias para algumas situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, mas para dem\u00eancia a gente ainda n\u00e3o tem essa resposta. Existe um potencial, mas ainda estamos em um momento experimental&#8221;, afirma o pesquisador. &#8220;\u00c9 preciso estimular a pesquisa e o debate, e derrubar barreiras pra isso, mais do que para o uso.&#8221;<\/p>\n<p>No Brasil, a Resolu\u00e7\u00e3o de 2.113\/2014 do Conselho Federal de Medicina restringe o uso do canabidiol para o tratamento de crian\u00e7as e de adolescentes com epilepsia que tenham sido refrat\u00e1rios \u00e0s terapias convencionais. Somente neurologistas, neurocirurgi\u00f5es e psiquiatras podem fazer essas prescri\u00e7\u00f5es. A recomenda\u00e7\u00e3o da cannabis in natura ou de qualquer outro derivado diferente do canabidiol \u00e9 proibida pela resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O debate foi mediado por uma das fundadoras da Comiss\u00e3o de Cuidados Paliativos da SBGG, Claudia Burl\u00e1, que afirma n\u00e3o ter d\u00favidas de que os canabinoides podem ter um grande potencial terap\u00eautico para os idosos.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem que estudar, n\u00e3o pode ficar em um reducionismo e em um moralismo&#8221;, diz ela, que v\u00ea esse potencial para descobertas no tratamento de dor cr\u00f4nica, quadros de epilepsia e n\u00e1usea decorrente de quimioterapia. Ela adverte que \u00e9 preciso cautela no debate, para n\u00e3o criar na sociedade uma expectativa alta demais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades terap\u00eauticas dos canabinoides. &#8220;Nada de panaceia&#8221;, enfatizou ao iniciar a discuss\u00e3o, que lotou uma das salas do congresso.<\/p>\n<p>O presidente da SBGG, Carlos Andr\u00e9 Uehara, lembra que qualquer prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para idosos ainda depende de mais estudos, mas que o papel de uma sociedade cient\u00edfica \u00e9 apoiar o debate. &#8220;N\u00e3o impede que a gente tenha a discuss\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre o congresso<br \/>\nO debate sobre os canabinoides ocorre em uma programa\u00e7\u00e3o que trouxe temas contempor\u00e2neos para o congresso de geriatria e gerontologia, como o combate aos preconceitos, a Previd\u00eancia Social, o envelhecimento LGBT e o uso de tecnologia para assistir idosos \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8220;Temos que discutir a quest\u00e3o de g\u00eanero, o velho n\u00e3o \u00e9 um ser assexuado, e tem a quest\u00e3o de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis&#8221;, lembra Uehara, que destaca a import\u00e2ncia de preparar os geriatras para lidar com idosos diversos. &#8220;O profissional tem que entender que existem diferen\u00e7as. O mundo n\u00e3o \u00e9 bin\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 zero ou um, e sim ou n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O envelhecimento populacional torna o debate da qualidade de vida na velhice urgente para a popula\u00e7\u00e3o brasileira, e o m\u00e9dico chama a aten\u00e7\u00e3o que a transi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds para uma sociedade com mais idosos depende de um planejamento p\u00fablico e individual. &#8220;Se n\u00e3o nos programarmos e n\u00e3o fizermos uma transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica em melhores condi\u00e7\u00f5es, isso vai impactar na sa\u00fade e at\u00e9 na Previd\u00eancia. Envelhecer \u00e9 um planejamento.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso de canabinoides na popula\u00e7\u00e3o idosa para fins medicinais foi tema de um debate promovido no Rio de Janeiro pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Os canabinoides s\u00e3o subst\u00e2ncias derivadas da cannabis, considerada il\u00edcita em boa parte do mundo e no Brasil. 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