{"id":219316,"date":"2019-11-02T09:00:21","date_gmt":"2019-11-02T11:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=219316"},"modified":"2019-11-02T12:44:25","modified_gmt":"2019-11-02T14:44:25","slug":"morte-nao-e-mal-geral-pode-ser-bem-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/morte-nao-e-mal-geral-pode-ser-bem-necessario\/","title":{"rendered":"Morte n\u00e3o \u00e9 mal geral. Pode ser bem necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Dia dos mortos. Recolhimento. Minha m\u00e3e lembrava que, quando mo\u00e7a, os trens, em respeito, deixavam de apitar. Mas n\u00e3o \u00e9 assim em toda parte. No M\u00e9xico \u00e9 bem diferente. Comendo gulosamente caveirinhas de a\u00e7\u00facar, fantasiados de esqueletos macabros, todos se divertem, dan\u00e7am e ululam: verdadeiro carnaval para eles.<\/p>\n<p>Gosto da proposta. Agrada-me essa coragem para celebrar algo que, em geral, tememos fortemente. Sem dissimula\u00e7\u00e3o ou tentativa de engano, os mexicanos \u2014 com sua postura desenfreada nessa data \u2014 aceitam que somos mortais e isso n\u00e3o deve nos dilacerar.<\/p>\n<p>A morte, reflitamos, tamb\u00e9m \u00e9 o que d\u00e1 \u00e0 vida seu valor mais elevado. Se n\u00e3o morr\u00eassemos, se o viver n\u00e3o se destacasse do fundo escuro da morte, seria t\u00e3o radiante? Rara? Perturbadora?<\/p>\n<p>Importante caminho: pensar a morte para amar melhor a vida, como ela \u00e9, fr\u00e1gil e passageira. Viver \u00e9 combater. Resistir, sobreviver, e ningu\u00e9m pode faz\u00ea-lo indefinidamente. No fim, \u00e9 preciso morrer, \u00fanica conclus\u00e3o que nos \u00e9 prometida. O ad\u00e1gio latino \u00e9 correto: se queres ser capaz de suportar a vida, est\u00e1s pronto para aceitar a morte.<\/p>\n<p>A f\u00f3rmula cultural mexicana parece afastar claramente o luto da quest\u00e3o. Mais do que chorar ou lamentar, os vizinhos de raiz asteca comemoram. Est\u00e3o certos. Como n\u00e3o comemorar o que \u00e9 \u2014 para toda comemora\u00e7\u00e3o, toda vida \u2014 o horizonte \u00faltimo?<\/p>\n<p>Vamos refletir um instante: \u00e9 preciso acolher a morte como objeto necess\u00e1rio. Se n\u00e3o fosse ela, cada momento da vida teria o mesmo sabor. \u00c9 o enigma derradeiro que torna misteriosa nossa vida e nos torna humanos ou, na palavra que os gregos empregavam para nos designar: \u201cmortais\u201d \u2014 os que v\u00e3o morrer.<\/p>\n<p>Epicuro, grande s\u00e1bio, compreendeu claramente que toda a nossa vida depende da morte. Ele ensinava: \u201ccontra todas as outras coisas \u00e9 poss\u00edvel obter a seguran\u00e7a; mas, por causa da morte, todos n\u00f3s, os mortais (podemos entender, os homens), habitamos uma cidade sem muralhas\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se concordo por inteiro. H\u00e1 sim uma possibilidade de defesa diante desse pleno desafio. N\u00f3s que acreditamos em algo depois da morte, pensamos e vivemos de maneira diferente de quem n\u00e3o acredita. Para n\u00f3s, espiritualistas, a morte \u00e9 o come\u00e7o da vida verdadeira, o que nunca dispensou ningu\u00e9m de morrer, mas esclareceu muita gente de antem\u00e3o sobre o que morrer significa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia dos mortos. Recolhimento. Minha m\u00e3e lembrava que, quando mo\u00e7a, os trens, em respeito, deixavam de apitar. Mas n\u00e3o \u00e9 assim em toda parte. No M\u00e9xico \u00e9 bem diferente. Comendo gulosamente caveirinhas de a\u00e7\u00facar, fantasiados de esqueletos macabros, todos se divertem, dan\u00e7am e ululam: verdadeiro carnaval para eles. Gosto da proposta. 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