{"id":219410,"date":"2019-11-03T16:19:22","date_gmt":"2019-11-03T18:19:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=219410"},"modified":"2019-11-03T19:36:56","modified_gmt":"2019-11-03T21:36:56","slug":"com-juros-baixos-hora-e-de-negociar-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/com-juros-baixos-hora-e-de-negociar-e-agora\/","title":{"rendered":"Com juros baixos, hora de negociar \u00e9 agora"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o em uma comiss\u00e3o especial na C\u00e2mara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) n\u00ba 3.515\/15, que estabelece mecanismos para evitar o superendividamento e promover a educa\u00e7\u00e3o financeira. A proposta, aprovada no Senado, foi sugerida por juristas especializados em Direito do Consumidor.<\/p>\n<p>Especialistas s\u00e3o favor\u00e1veis a medidas para conter a tomada de cr\u00e9dito e gastos desnecess\u00e1rios. \u201cA gente precisa mudar a cultura da popula\u00e7\u00e3o para cultura da poupan\u00e7a e n\u00e3o do endividamento. Novas d\u00edvidas significam pior qualidade de vida\u201d, opina a ju\u00edza Caroline Lima, do Centro Judici\u00e1rio de Solu\u00e7\u00e3o de Conflitos e de Cidadania &#8211; Superendividados (Cejusc\/Super) em funcionamento no Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal (TJDFT).<\/p>\n<p>\u201cO materialismo impera e todos s\u00e3o levados a essa crescente necessidade de ampliar os bens, o que pode ocasionar o superendividamento. H\u00e1 uma compuls\u00e3o para o consumo. N\u00e3o temos tradi\u00e7\u00e3o de poupan\u00e7a e reservas\u201d, complementa a desembargadora Ana Maria Duarte Amarante.<\/p>\n<p>Segundo ela, a facilidade e o est\u00edmulo do consumo via internet pioram o quadro. \u201cA tecnologia est\u00e1 armada contra os indiv\u00edduos. Eles sabem tudo. Tem tudo em algoritmo sobre gastos e prefer\u00eancias\u201d, alerta a desembargadora ao comentar que \u201capenas um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira tem alguma forma de poupan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m impressiona negativamente a administradora Annalisa Blando Dal Zotto, especialista em planejamento financeiro. Segundo ela, \u00e9 preciso guardar mais e gastar menos. \u201cAs \u00fanicas d\u00edvidas saud\u00e1veis s\u00e3o os financiamentos que t\u00eam bem como garantia, como casa e carro, desde que que n\u00e3o sejam muito maior do que a Taxa Selic\u201d.<\/p>\n<p><strong>Juros ainda altos<\/strong><br \/>\nPara Dal Zotto, a recente redu\u00e7\u00e3o da Selic para 5% ao ano \u201c\u00e9 uma oportunidade para renegociar d\u00edvidas&#8221;. Ela alerta, no entanto, que a taxa b\u00e1sica de juros est\u00e1 no menor patamar da hist\u00f3ria, mas outras taxas continuam extremamente elevadas. \u201cA Selic est\u00e1 a 5%, mas continua muito danoso tomar qualquer tipo de empr\u00e9stimo. O cheque especial est\u00e1 a 250% ao ano. O empr\u00e9stimo consignado ainda \u00e9 30% ao ano\u201d, pondera.<\/p>\n<p>\u201cA redu\u00e7\u00e3o \u00e9 positiva. \u00c9 \u00e9poca de cobrar renegocia\u00e7\u00e3o\u201d, sugere a ju\u00edza Caroline Lima. Ela alerta para os riscos dos novos financiamentos. \u201cEmbora as taxas sejam menores, os bancos est\u00e3o embutindo custos mais altos. Tem que reparar no custo final da d\u00edvida. Se o custo total est\u00e1 se reduzindo de fato. Eu fiz uma simula\u00e7\u00e3o de financiamento imobili\u00e1rio por curiosidade e vi que eles est\u00e3o aumentando\u201d, denuncia.<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga Am\u00e1lia Raquel Peres, que em projeto de pesquisa e extens\u00e3o acompanha a media\u00e7\u00e3o do Cejusc\/Super, \u201co problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 juros, mas a facilidade de sacar o dinheiro. A agilidade para se conseguir empr\u00e9stimo \u00e9 muito ruim\u201d, reclama.<\/p>\n<p>\u201cO cr\u00e9dito f\u00e1cil funciona como um gatilho para resolver. A pessoa vai surfando, vai do cheque especial para o cart\u00e3o, do cart\u00e3o para o empr\u00e9stimo. At\u00e9 que toma um capote da onda e se afoga. Mas n\u00e3o \u00e9 m\u00e1 f\u00e9. \u00c9 desorganiza\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Peres analisou cerca de 1,5 mil casos de pessoas superendividadas que pediram renegocia\u00e7\u00e3o com credores por meio do Cejusc\/Super desde 2015. Chamou a aten\u00e7\u00e3o dela que a quase totalidade das pessoas superendividadas \u00e9 formada por gente que tem emprego, forma\u00e7\u00e3o cultural e estabilidade.<\/p>\n<p>\u201cOito de cada dez pessoas superendividadas em Bras\u00edlia s\u00e3o funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Os bancos querem garantias de que quem vai pegar o empr\u00e9stimo tem condi\u00e7\u00f5es de pagar. Funcion\u00e1rio p\u00fablico tem lastro\u201d, avaliza.<\/p>\n<p>Segundo ela, n\u00e3o h\u00e1 uma raz\u00e3o predominante para o superendividamento, mas um conjunto de motivos. \u201c\u00c9 um contexto de multifacetas tem componente de adoecimento mental, poder, cultura, de suporte social e de situa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas\u201d, enumera.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga sugere que as pessoas busquem ter uma vida mais simples. \u201cA gente n\u00e3o precisa sair correndo para o cemit\u00e9rio. Para que eu preciso colocar mais coisa nessa rotina que j\u00e1 est\u00e1 dura? Vamos esperar. O que n\u00e3o vai dar agora, pode esperar o pr\u00f3ximo ano. Vamos viver a vida e n\u00e3o sair correndo para fazer as coisas. Fazer menos com mais qualidade pode ser melhor\u201d recomenda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o em uma comiss\u00e3o especial na C\u00e2mara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) n\u00ba 3.515\/15, que estabelece mecanismos para evitar o superendividamento e promover a educa\u00e7\u00e3o financeira. A proposta, aprovada no Senado, foi sugerida por juristas especializados em Direito do Consumidor. 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