{"id":221135,"date":"2019-11-29T00:29:48","date_gmt":"2019-11-29T02:29:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=221135"},"modified":"2019-11-29T03:33:42","modified_gmt":"2019-11-29T05:33:42","slug":"alfabetizacao-midiatica-ensina-criancas-a-usar-a-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/alfabetizacao-midiatica-ensina-criancas-a-usar-a-internet\/","title":{"rendered":"Alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica ensina crian\u00e7as a usar a internet"},"content":{"rendered":"<p>A internet \u00e9 um ambiente relativamente novo que apresenta in\u00fameras possibilidades de uso. Uma de suas principais caracter\u00edsticas \u00e9 a facilidade para acessar informa\u00e7\u00f5es, seja por meio de sites, pesquisas no Google, p\u00e1ginas da Wikipedia, v\u00eddeos no Youtube e at\u00e9 posts nas redes sociais.<\/p>\n<p>Em meio a tantas possibilidades e uma quantidade cada vez maior de informa\u00e7\u00f5es, \u00e9 natural que existam dificuldades para lidar com tudo isso, o que abre margem para erros, mas tamb\u00e9m engana\u00e7\u00f5es, golpes e mentiras.<\/p>\n<p>\u00c9 buscando fornecer ferramentas para lidar com essas quest\u00f5es, a partir de um uso cr\u00edtico da internet, que a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica vem ganhando for\u00e7a no Brasil.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica?<\/strong><br \/>\nSegundo a professora Daniela Osvald Ramos, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), o termo existe desde os anos 1960 e 1970, surgindo inicialmente como uma proposta de leitura cr\u00edtica do conte\u00fado recebido do Hemisf\u00e9rio Norte. &#8220;A ideia \u00e9 entender os meios de produ\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, como se d\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. Sabendo que o que est\u00e1 l\u00e1 [nas m\u00eddias] \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o de um aspecto de uma realidade, n\u00e3o \u00e9 a realidade toda\u201d, afirma.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica se dedicou ao r\u00e1dio, televis\u00e3o e jornais, mas teve um aprofundamento com a chegada da internet. Daniela Osvald explica: &#8220;Isso ocorreu pois a internet tem todo um sistema t\u00e9cnico oculto, mais complexo de entender do que a transmiss\u00e3o por meios convencionais\u201d. O ambiente digital parece dar uma liberdade de consumo maior, mas isso acaba sendo uma armadilha.<\/p>\n<p>A navega\u00e7\u00e3o no ambiente digital \u00e9 influenciada, principalmente, por algoritmos, muitas vezes desconhecidos pelos usu\u00e1rios. A professora explica que o algoritmo \u201cdireciona, limita, cria bolhas e tira a diversidade de informa\u00e7\u00f5es\u201d, mas tudo isso \u00e9 muitas vezes mascarado pela internet.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica trabalha com uma educa\u00e7\u00e3o para os dados e algoritmos, indo al\u00e9m da m\u00eddia em si. A ideia \u00e9 \u201csaber identificar quando se est\u00e1 recebendo s\u00f3 um dos fatos\u201d. A partir disso, espera-se que as pessoas aprendam sobre fontes, leitura cr\u00edtica e vejam as problem\u00e1ticas, identificando o que \u00e9 falso. E tamb\u00e9m saber que tudo vira dado e serve para o mercado e o consumo.<\/p>\n<p><strong>Os perigos da internet<\/strong><br \/>\nCom o cen\u00e1rio descrito por Daniela Osvald Ramos, o ambiente digital acaba apresentando diversos riscos para usu\u00e1rios desavisados. Um ponto especial \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas, as chamadas fake news, a partir das redes sociais e sites. As fake news t\u00eam grande potencial para enganar o leitor e isso gera efeitos sociais e pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, a professora destaca que esse ambiente de desinforma\u00e7\u00e3o \u201cfacilita golpes, crimes e fraudes\u201d. \u201c\u00c9 muito conte\u00fado, rapidamente circulando, e isso causa uma perda de no\u00e7\u00e3o da realidade. Muitas vezes as coisas se misturam, em especial o p\u00fablico e o privado\u201d, explica.<\/p>\n<p>Um aspecto que a professora destaca que \u00e9 intensificado no ambiente digital \u00e9 a influ\u00eancia de fatores emocionais na hora de discernir o que \u00e9 ou n\u00e3o verdadeiro. A pol\u00edtico do \u201co que n\u00e3o reproduz o que eu penso e gosto n\u00e3o existe\u201d \u00e9 um dos principais perigos destacados por Osvald ao gerar uma incapacidade de enxergar o outro. \u201cO di\u00e1logo acaba, n\u00e3o h\u00e1 mais troca\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Hoje, a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica j\u00e1 \u00e9 reconhecida pela Unesco, \u00f3rg\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas voltada para a educa\u00e7\u00e3o, como um direito b\u00e1sico dos cidad\u00e3os. Na cidade de S\u00e3o Paulo, por exemplo, uma lei de 2004 instituiu a educomunica\u00e7\u00e3o, \u00e1rea que abrange a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e usa a pr\u00e1tica de comunica\u00e7\u00e3o com fim educativo, como pol\u00edtica p\u00fablica de educa\u00e7\u00e3o. Hoje o munic\u00edpio realiza projetos como o Imprensa Jovem e o Educom R\u00e1dio.<\/p>\n<p>Um dos projetos que busca colocar em pr\u00e1tica a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, com foco em crian\u00e7as, foi idealizado pela professora M\u00f4nica Rodrigues Nunes, tamb\u00e9m da Universidade de S\u00e3o Paulo. Intitulado &#8216;Alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e produ\u00e7\u00e3o audiovisual na escola p\u00fablica: ensinar crian\u00e7as e jovens a interpretar e a produzir informa\u00e7\u00e3o&#8217;, a ideia \u00e9 capacitar professores da rede p\u00fablica para ensinar jovens a produzir conte\u00fado com caracter\u00edsticas jornal\u00edsticas.<\/p>\n<p>A professora esclarece: \u201cSe n\u00f3s sabemos como algo \u00e9 feito, a chance de sermos mais cr\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo \u00e9 maior\u201d. Ou seja, conhecer o processo de produ\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo informativo permite que as crian\u00e7as saibam identificar, na internet, o que \u00e9 informa\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 entretenimento e o que \u00e9 publicidade.<\/p>\n<p>M\u00f4nica Rodrigues Nunes destaca que o consumo de imagem (parada ou em movimento) cresceu de forma exponencial. &#8220;Em especial em plataformas digitais. Isso se deve \u00e0 baixa oferta de programas para crian\u00e7as na TV. Ocorreu uma migra\u00e7\u00e3o e a oferta de conte\u00fado pode envolver informa\u00e7\u00e3o, entretenimento e publicidade\u201d, diz.<\/p>\n<p>Se antes, na produ\u00e7\u00e3o televisiva, a publicidade ficava marcada, hoje, na internet, ela ainda est\u00e1 presente, mas n\u00e3o \u00e9 declarada. \u201cO YouTube mescla mais as categorias e isso gera problema. Hoje alguns youtubers explicitam isso [a presen\u00e7a de publicidade], mas \u00e9 importante at\u00e9 que as crian\u00e7as entendam o que a publicidade tamb\u00e9m\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para a professora, outro problema \u00e9 que, al\u00e9m do consumo indiscriminado e sem diferenciar as categorias de v\u00eddeos, as crian\u00e7as ouvem dos adultos um descr\u00e9dito dos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais.<\/p>\n<p>&#8220;A alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 importante neste sentido. Com ela, as pessoas podem ter clareza de que os ve\u00edculos possuem uma linha e o produto final \u00e9 resultado dessa linha. Conseguem perceber que, para chegar a essa linha, os ve\u00edculos t\u00eam enfoques, angulagens. A partir desse momento, as pessoas entendem melhor os meios e tendem a n\u00e3o julg\u00e1-los ou descredenci\u00e1-los\u201d, analisa. O objetivo \u00e9 entender as regula\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s dos ve\u00edculos, com c\u00f3digos de \u00e9tica, conselhos e perfis editoriais.<\/p>\n<p>A professora comenta que o interesse na \u00e1rea surgiu devido a uma preocupa\u00e7\u00e3o dela como m\u00e3e e como o filho estava consumindo conte\u00fado audiovisual. A ideia, ent\u00e3o, foi levar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de conhecimento dos meios midi\u00e1ticos. Nunes nota que o audiovisual \u00e9 a \u00e1rea de maior interesse dos jovens, tanto para consumo quanto produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No primeiro ano do curso est\u00e3o sendo capacitados 16 professores de escolas p\u00fablicas com aulas ministradas por professores dos cursos de jornalismo, educomunica\u00e7\u00e3o e pedagogia da USP.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2020 haver\u00e1 o acompanhamento de seis professores da Escola de Aplica\u00e7\u00e3o da USP, que oferece vagas para filhos dos funcion\u00e1rios da universidade e para a comunidade externa da regi\u00e3o. Os professores dar\u00e3o aulas sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e criar\u00e3o uma Web TV, onde os alunos publicar\u00e3o projetos de produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado jornal\u00edstico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A internet \u00e9 um ambiente relativamente novo que apresenta in\u00fameras possibilidades de uso. Uma de suas principais caracter\u00edsticas \u00e9 a facilidade para acessar informa\u00e7\u00f5es, seja por meio de sites, pesquisas no Google, p\u00e1ginas da Wikipedia, v\u00eddeos no Youtube e at\u00e9 posts nas redes sociais. 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