{"id":221682,"date":"2019-12-10T15:10:48","date_gmt":"2019-12-10T17:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=221682"},"modified":"2019-12-11T08:41:21","modified_gmt":"2019-12-11T10:41:21","slug":"mais-a-obra-gente-que-a-produtividade-esta-baixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mais-a-obra-gente-que-a-produtividade-esta-baixa\/","title":{"rendered":"M\u00e3os \u00e0 obra, gente, que a produtividade est\u00e1 baixa"},"content":{"rendered":"<p>O crescimento da produtividade no mercado de trabalho nacional no per\u00edodo de 1995 a 2018 foi de apenas 1%, influenciado pelo setor de servi\u00e7os, que responde por 70% das horas trabalhadas e do emprego. A estimativa \u00e9 que, para este ano, a produtividade m\u00e9dia deve recuar 0,7%. O estudo foi divulgado, hoje (10), pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>O trabalho levou em considera\u00e7\u00e3o o total de horas trabalhadas e a redu\u00e7\u00e3o de jornada, em vez da popula\u00e7\u00e3o ocupada. \u201cFizemos um ajuste mais fino, mas o resultado \u00e9 ruim\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, e uma das autoras do estudo.<\/p>\n<p>Segundo ela, essa metodologia \u00e9 mais precisa no sentido de medir corretamente a produtividade do trabalhador pelo n\u00famero de horas trabalhadas e n\u00e3o pela quantidade de trabalhadores no mercado. Embora a economia esteja voltando a ter crescimento este ano, a produtividade segue com \u00edndice baixo, disse.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, somente por meio da eleva\u00e7\u00e3o da produtividade do trabalhador se conseguir\u00e1 aumentar a renda per capita, e gerar crescimento sustent\u00e1vel no pa\u00eds. Dos setores econ\u00f4micos analisados nos \u00faltimos 23 anos, apenas a agropecu\u00e1ria manteve a produtividade por hora trabalhada em alta, com pico de 7,5% no per\u00edodo de 2007 a 2013, e m\u00e9dia de 6,8% entre 1995 e 2018, apesar de ser um \u201csetor que emprega cada vez menos gente\u201d. Na ind\u00fastria, a produtividade agregada mostrou queda de 0,2% nos \u00faltimos 23 anos.<\/p>\n<p><strong>Informalidade<\/strong><br \/>\nSilvia Matos disse que desde a recess\u00e3o, em 2013, o setor de servi\u00e7os n\u00e3o recuperou a produtividade. \u201cTem mais gente trabalhando, mas o resultado dele tem sido muito baixo. E uma das explica\u00e7\u00f5es para isso \u00e9 que voc\u00ea percebe em 2019 um crescimento muito forte do emprego e das horas [trabalhadas], mas empregos de muita informalidade\u201d.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, quando se compara um emprego informal com um emprego formal, o primeiro representa um quarto da produtividade. \u201cA consequ\u00eancia natural \u00e9 que a produtividade cresce muito pouco\u201d, disse a economista.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do ano de 2019 revela um crescimento forte da informalidade, de pessoas indo buscar empregos com rendimento muito baixo, como motoristas de aplicativos, entregadores de alimentos. \u201cMas elas precisam buscar algum rendimento. \u00c9 o que \u00e9 poss\u00edvel. Esse trabalho tem menos produtividade\u201d, disse Silvia Matos.<\/p>\n<p>Enquanto a empresa informal tem menos produtividade, a empresa formal consegue ter m\u00e1quinas, equipamentos, consegue ter cr\u00e9dito, consegue inovar, disse Silvia Matos. \u201c\u00c9 um processo diferente\u201d.<\/p>\n<p>Tomando por base os resultados apurados no estudo, Silvia disse que, na m\u00e9dia, o Brasil aumentou muito o total de horas trabalhadas. \u201cFoi muito lim\u00e3o para pouca limonada. O resultado ficou muito aqu\u00e9m do que a gente gostaria\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com a economista, existe uma grande discrep\u00e2ncia entre o uso do fator m\u00e3o de obra e, de fato, o que est\u00e1 se observando em termos de Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os produtos e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds).<\/p>\n<p><strong>Recuo<\/strong><br \/>\nPara 2019, a economista disse que por mais que se fale de recupera\u00e7\u00e3o da economia brasileira, \u00e9 dif\u00edcil imaginar crescimento da produtividade. A expectativa \u00e9 que a produtividade caia cerca de 0,7% no ano. Silvia reiterou que no setor de servi\u00e7os, considerado o mais importante em termos de horas trabalhadas, a produtividade cresceu muito pouco.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos compreendidos entre 2013 e 2018, ou seja, desde o in\u00edcio da recess\u00e3o at\u00e9 o ano passado, a queda da produtividade no setor de servi\u00e7os atingiu 1,5% ao ano. \u201cEnt\u00e3o, mesmo com um crescimento da agropecu\u00e1ria e at\u00e9 a ind\u00fastria conseguindo recuperar um pouquinho, a produtividade agregada fica negativa, porque o peso dos servi\u00e7os \u00e9 muito elevado\u201d. Entre 2013 e 2018, a produtividade agregada ficou em menos 0,4%.<\/p>\n<p>Ela avalia que enquanto o setor de servi\u00e7os n\u00e3o tiver um desempenho bom de produtividade, dificilmente o agregado vai ter, porque o setor de servi\u00e7os tem peso grande na economia e representa 70% do emprego. A estimativa, entretanto, \u00e9 que \u00e0 medida que a economia for ganhando f\u00f4lego, \u00e9 natural que as pessoas busquem emprego formal ou, pelo menos, de maior qualidade e produtividade. \u201cE a gente pode caminhar para n\u00fameros positivos\u201d.<\/p>\n<p>Desafio<br \/>\nApesar dessa quest\u00e3o conjuntural, Silvia Matos declarou que historicamente o desafio continua sendo fazer as reformas. \u201cPorque, para crescer, a gente precisa ter ganhos de produtividade elevados e consistentes. E isso s\u00f3 se obt\u00e9m com reformas. O setor formal tamb\u00e9m precisa ter ganhos de produtividade\u201d.<\/p>\n<p>A reforma tribut\u00e1ria e a melhoria no ambiente de neg\u00f3cios s\u00e3o fundamentais nesse processo, defende a economista. Silvia disse que empresas que n\u00e3o s\u00e3o eficientes n\u00e3o deveriam se manter no mercado. \u201c\u00c9 melhor fechar uma empresa pouco produtiva e liberar aquela m\u00e3o de obra e aquelas m\u00e1quinas e deixar uma empresa mais produtiva cumprir esse papel\u201d.<\/p>\n<p>Ainda segundo a economista, a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 a chave principal, seguida do maior conhecimento por parte da m\u00e3o de obra, para que essa possa se alocar em outros empregos. \u00c9 preciso uma agenda de produtividade independente do PIB, porque o crescimento sem produtividade n\u00e3o vai ser sustent\u00e1vel, disse Silvia.<\/p>\n<p>\u201cO crescimento tem que vir e tem que ser eficiente\u201d, disse Silvia, acrescentando que para ter eleva\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios \u00e9 necess\u00e1rio ter ganhos de produtividade. \u201cOs ganhos de produtividade alinhados permitem o aumento do sal\u00e1rio real de fato, porque voc\u00ea est\u00e1 tendo um aumento real, o que, do ponto de vista social, \u00e9 muito importante\u201d.<\/p>\n<p>A economista da FGV disse que a produtividade \u00e9 a chave do crescimento econ\u00f4mico e do bem-estar, que permitem aumento dos sal\u00e1rios tamb\u00e9m no longo prazo. E para que haja crescimento econ\u00f4mico, a economista defende a reforma tribut\u00e1ria e a abertura econ\u00f4mica como extremamente importantes, porque pressup\u00f5em maior inova\u00e7\u00e3o, traduzida pela importa\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, equipamentos e tecnologia. \u201cCom redu\u00e7\u00e3o do tributo consegue-se desonerar o investimento e as importa\u00e7\u00f5es, em vez de dar subs\u00eddio \u00e0 ind\u00fastria, e se tem maior acesso \u00e0s novas tecnologias\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos investimentos na \u00e1rea de infraestrutura, Silvia assegurou que \u00e9 preciso o Brasil investir cada vez mais em educa\u00e7\u00e3o, porque a agenda do crescimento econ\u00f4mico passa pela eleva\u00e7\u00e3o do conhecimento. \u201cTem que espalhar o conhecimento, para que ele atinja a economia como um todo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O crescimento da produtividade no mercado de trabalho nacional no per\u00edodo de 1995 a 2018 foi de apenas 1%, influenciado pelo setor de servi\u00e7os, que responde por 70% das horas trabalhadas e do emprego. 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