{"id":222311,"date":"2019-12-23T07:44:31","date_gmt":"2019-12-23T09:44:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=222311"},"modified":"2019-12-23T09:02:22","modified_gmt":"2019-12-23T11:02:22","slug":"brasil-avanca-na-ciencia-com-acelerador-de-particulas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-avanca-na-ciencia-com-acelerador-de-particulas\/","title":{"rendered":"Brasil avan\u00e7a na ci\u00eancia com acelerador de part\u00edculas"},"content":{"rendered":"<p>As primeiras imagens de microtomografia de raio-x do novo acelerador de el\u00e9trons brasileiro, o Projeto Sirius, foram geradas no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) na \u00faltima semana (16 e 17). A equipe do centro j\u00e1 realizou as primeiras an\u00e1lises, utilizando raios-x, de duas amostras: uma rocha com a mesma forma\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal e outro do cora\u00e7\u00e3o de um camundongo.<\/p>\n<p>O Sirius \u00e9 o \u00fanico acelerador de part\u00edculas desse porte na Am\u00e9rica Latina e o segundo do mundo, segundo o CNPEM, e j\u00e1 despertou interesse de pesquisadores dos pa\u00edses vizinhos. \u201cEssas foram as primeiras imagens feitas com essa nova m\u00e1quina, ent\u00e3o \u00e9 um importante marco no projeto porque a gente consegue comprovar que a m\u00e1quina est\u00e1 funcionando bem. Ela foi inteira projetada e montada aqui no Brasil\u201d, disse Nathaly Archilha, pesquisadora que lidera as primeiras an\u00e1lises.<\/p>\n<p>As primeiras imagens do Sirius v\u00e3o guiar os ajustes necess\u00e1rios para que a luz s\u00edncrotron, produzida pelo equipamento, atinja a qualidade exigida para a realiza\u00e7\u00e3o de experimentos cient\u00edficos considerados de alto n\u00edvel, alguns in\u00e9ditos no mundo. Este foi o primeiro teste, mas a m\u00e1quina foi projetada para operar em uma pot\u00eancia 10 mil vezes maior. O Projeto Sirius \u00e9 financiado pelo Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia Tecnologia Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC).<\/p>\n<p>De acordo com o CNPEM, a luz s\u00edncrotron consegue penetrar a mat\u00e9ria e revelar caracter\u00edsticas de sua estrutura molecular e at\u00f4mica. O amplo espectro dessa radia\u00e7\u00e3o permite que os pesquisadores utilizem os comprimentos de onda mais adequados para cada experimento. O alto fluxo e o alto brilho permitem experimentos mais r\u00e1pidos e a investiga\u00e7\u00e3o de detalhes cada vez menores.<\/p>\n<p>\u201cO Sirius vai conseguir produzir uma luz extremamente intensa, com muito fluxo, ent\u00e3o s\u00e3o muitos f\u00f3tons de luz por segundo sendo produzidos em uma \u00e1rea muito pequena. Em termos gerais, pesquisadores do mundo inteiro ganham com o fato de ter uma fonte de luz menor, voc\u00ea consegue estudar caracter\u00edsticas das amostras menores, ou seja, a gente consegue estudar coisinhas cada vez menores, propriedades das amostras cada vez menores\u201d, disse Nathaly.<\/p>\n<p>A pesquisadora contou que, no antigo acelerador do CNPEM, demorava cerca de uma hora para fazer uma tomografia de raio-x de uma rocha, no caso espec\u00edfico de seus estudos. \u201cNo Sirius, vamos fazer em um segundo a mesma medida. Basicamente \u00e9 uma melhor resolu\u00e7\u00e3o espacial, voc\u00ea consegue estudar caracter\u00edsticas menores da sua amostra e de forma muito mais r\u00e1pida\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores poder\u00e3o, por meio do Sirius, revelar detalhes de variados materiais org\u00e2nicos e inorg\u00e2nicos, como prote\u00ednas, v\u00edrus, rochas, plantas, solo, ligas met\u00e1licas. Esses conhecimentos podem causar impacto em tecnologias usadas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, energia, medicamentos e de materiais mais eficientes e sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cO Sirius tem uma capacidade muito grande de conseguir abranger diferentes \u00e1reas de conhecimento. Ele \u00e9 um laborat\u00f3rio multiusu\u00e1rio, multit\u00e9cnicas e que praticamente todo pesquisador consegue, de uma forma ou de outra, levar sua pesquisa para esse tipo de equipamento\u201d, ressaltou a pesquisadora, que trabalha com fluxo de fluidos em meios porosos, por exemplo, casos cient\u00edficos de limpeza de aqu\u00edferos.<\/p>\n<p>Outro caso cient\u00edfico na \u00e1rea biol\u00f3gica que ser\u00e1 beneficiado pelo Sirius \u00e9 o estudo da morfologia de c\u00e9lulas do cora\u00e7\u00e3o para tentar entender quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre o cora\u00e7\u00e3o que tem alguma patologia, alguma doen\u00e7a, e um cora\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. Segundo Nathaly, os pesquisadores da \u00e1rea poder\u00e3o investigar quais s\u00e3o as c\u00e9lulas afetadas por determinada doen\u00e7a, quais s\u00e3o as c\u00e9lulas que se regeneram mais facilmente, entre outras caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>O CNPEM opera quatro laborat\u00f3rios nacionais, com instala\u00e7\u00f5es abertas \u00e0 comunidade cient\u00edfica. Quando o Sirius estiver totalmente ajustado, sua infraestrutura estar\u00e1 dispon\u00edvel para pesquisadores do pa\u00eds e do exterior. \u201cV\u00e1rios pesquisadores j\u00e1 mandaram mensagem perguntando quando vai estar aberto\u201d, disse Nathaly. Ela contou que pesquisadores de outros pa\u00edses t\u00eam grande interesse em fazer suas pesquisas usando esse acelerador de el\u00e9trons, porque a luz gerada pelo Sirius permitir\u00e1 analises in\u00e9ditas no mundo.<\/p>\n<p>\u201cA import\u00e2ncia do Sirius, n\u00e3o s\u00f3 para o Brasil, mas para a Am\u00e9rica Latina, \u00e9 resolver problemas da nossa regi\u00e3o, ent\u00e3o, por exemplo, para estudar alguma doen\u00e7a que ocorre na regi\u00e3o, estudar plantas da regi\u00e3o, \u00e9 uma m\u00e1quina que \u00e9 muito importante para o Brasil, porque, se n\u00e3o \u00e9 a gente tentando resolver nossos problemas, provavelmente n\u00e3o vai ter outro laborat\u00f3rio desse tipo no mundo querendo resolver. Eles est\u00e3o interessados nos problemas deles\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As primeiras imagens de microtomografia de raio-x do novo acelerador de el\u00e9trons brasileiro, o Projeto Sirius, foram geradas no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) na \u00faltima semana (16 e 17). 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