{"id":223131,"date":"2020-01-08T16:03:10","date_gmt":"2020-01-08T19:03:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=223131"},"modified":"2020-01-08T22:55:32","modified_gmt":"2020-01-09T01:55:32","slug":"antartica-la-vamos-nos-a-bordo-do-maximiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/antartica-la-vamos-nos-a-bordo-do-maximiano\/","title":{"rendered":"Ant\u00e1rtica, l\u00e1 vamos n\u00f3s a bordo do Maximiano"},"content":{"rendered":"<p>A viagem rumo \u00e0 Ant\u00e1rtica come\u00e7ou em Punta Arenas, a cidade chilena que fica no extremo sul do continente sul-americano e que serve de base para os navios que partem em dire\u00e7\u00e3o ao continente gelado. A miss\u00e3o da Ag\u00eancia Brasil \u00e9 acompanhar a reinaugura\u00e7\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o Brasileira Comandante Ferraz.<\/p>\n<p>Nossa equipe embarcou no navio polar brasileiro Almirante Maximiano sem saber ao certo quando vai conseguir chegar na Ant\u00e1rtica. Neste local do planeta qualquer tipo de deslocamento \u00e9 imprevis\u00edvel. Afinal as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o severas e extremamente inconstantes. Al\u00e9m disso, entre Punta Arenas e a Ant\u00e1rtica fica o Estreito de Drake, ponto de encontro dos oceanos Pac\u00edfico e Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 considerada a mais perigosa do mundo para a navega\u00e7\u00e3o. As ondas podem chegar a 11 metros de altura e o vento ultrapassar os 200 quil\u00f4metros por hora. Um cen\u00e1rio assustador que j\u00e1 provocou o naufr\u00e1gio de mais de 800 navios e deixou 10 mil marinheiros mortos.<\/p>\n<p>Os relatos sobre o Drake n\u00e3o s\u00e3o nada animadores para quem vai seguir viagem. Logo na chegada a bordo foi realizada uma reuni\u00e3o para informar os procedimentos de seguran\u00e7a. A primeira recomenda\u00e7\u00e3o foi de que seria prudente tomar rem\u00e9dios que evitam o enjoo. Passar mal a bordo \u00e9 praticamente algo obrigat\u00f3rio para quem atravessa o Drake.<\/p>\n<p>Segundo os marinheiros algumas pessoas sentem os efeitos de forma mais intensa e outras n\u00e3o, mas ningu\u00e9m consegue cruzar o estreito sem apresentar nenhum tipo de mal estar. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, descobri que a travessia do Drake deveria durar dois dias e que neste per\u00edodo o ideal seria ficar deitado para evitar acidentes. Afinal o navio balan\u00e7a muito e inclina fortemente no momento em que atravessa as ondas. Portanto o risco de uma queda \u00e9 grande.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que todos os marinheiros s\u00e3o experientes e j\u00e1 atravessaram o Drake diversas vezes. Desde que foi comprado pela Marinha em 2009 o Almirante Maximiano fica seis meses por ano na Ant\u00e1rtica e neste per\u00edodo precisa passar v\u00e1rias vezes pelo estreito. O Comandante do Navio, o Capit\u00e3o de Mar e Guerra C\u00e2ndido Marques, admite que a regi\u00e3o realmente \u00e9 perigosa mas tranquiliza os marinheiros de primeira viagem. \u201cO Drake \u00e9 um lugar com o mar extremamente revolto, mas o Almirante Maximiano tem equipamentos modernos de seguran\u00e7a e a opera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o conta com o suporte da equipe de meteorologistas da Marinha que analisam o melhor momento para passar pelo estreito\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de obviamente ser imposs\u00edvel disfar\u00e7ar uma certa ansiedade e um pouco de medo estava confiante de que seria uma viagem com emo\u00e7\u00e3o, mas segura. Na previs\u00e3o inicial chegar\u00edamos na Ant\u00e1rtica em quatro dias. Nos primeiros dois dias a viagem foi bem calma. O navio deixou Punta Arenas e seguiu pelo Estreito de Magalh\u00e3es passando pelos canais chilenos, uma regi\u00e3o cercada por ilhas que evitam a entrada das fortes mar\u00e9s do Drake.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mar calmo o cen\u00e1rio dos canais chilenos \u00e9 muito bonito. Diversas montanhas verdes que se misturam com morros ainda cobertos pela neve, mesmo no ver\u00e3o. Quando vamos nos aproximando da Ant\u00e1rtica surgem algumas geleiras e pequenos icebergs que tornam a paisagem ainda mais bela. Um al\u00edvio para os olhos e para a mente de quem o tempo todo s\u00f3 pensa como vai ser o momento de chegar no Drake.<\/p>\n<p>A calmaria dos canais chilenos permitiu que nossa equipe andasse tranquilamente pelo navio e conhece a rotina do Almirante Maximiano. A embarca\u00e7\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de cidade flutuante com estoque de combust\u00edvel e alimento para navegar durante 50 dias. As quatro refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias s\u00e3o produzidas na cozinha industrial do navio que pode transportar at\u00e9 120 passageiros. Na temporada de 6 meses no mar s\u00e3o preparadas 30 toneladas de alimentos. Para n\u00e3o agredir o meio ambiente, todo o esgoto passa por um processo de tratamento biol\u00f3gico e o lixo que n\u00e3o pode ser reciclado \u00e9 incinerado. A \u00e1gua que abastece os chuveiros e torneiras do navio \u00e9 retirada do mar e passa por um processo de desaliniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Almirante Maximiano \u00e9 utilizado para transportar pesquisadores brasileiros que desenvolvem estudos na Ant\u00e1rtica e militares que trabalham na Esta\u00e7\u00e3o Comandante Ferraz. Para auxiliar os cientistas, o navio conta com 5 laborat\u00f3rios e equipamentos de pequisa. O Capit\u00e3o de Corveta Vitor Pimentel, que \u00e9 o Chefe de Opera\u00e7\u00f5es do Almirante Maximiano, diz que entre os materiais cient\u00edficos est\u00e3o sensores que podem coletar informa\u00e7\u00f5es do mar em regi\u00f5es de at\u00e9 8 mil metros de profundidade. \u201cOs pesquisadores a bordo do Navio usam estes dados para atualizarem as cartas n\u00e1uticas da Ant\u00e1rtica e tamb\u00e9m nos estudos oceanogr\u00e1ficos sobre a regi\u00e3o mais desconhecida do planeta\u201d.<\/p>\n<p>Durante a viagem tamb\u00e9m conheci as hist\u00f3rias de diversos militares que est\u00e3o a bordo e que ficam 6 meses longe de parentes e de amigos. O sargento Carlos Torres est\u00e1 pela segunda vez no Almirante Maximiano. No ano passado a terceira filha dele nasceu enquanto o militar trabalhava na Ant\u00e1rtica. Ele s\u00f3 conheceu a menina quando ela tinha 3 meses e agora vai perder o anivers\u00e1rio de um ano da menina. \u201c\u00c9 claro que eu sinto saudade, mas a minha fam\u00edlia sabe da import\u00e2ncia da minha miss\u00e3o. A \u00fanica que reclama \u00e9 minha filha do meio que fica triste porque n\u00e3o consigo participar das festas de fim de ano do bal\u00e9 e do col\u00e9gio\u201d.<\/p>\n<p>Depois de dois dias a bordo, o Drake estava cada vez mais perto e as previs\u00f5es da meteorologia n\u00e3o eram boas. As ondas estavam acima de 6 metros o que tornaria a viagem bastante desagrad\u00e1vel. A decis\u00e3o do Comandante do navio foi esperar o mar acalmar. \u201cVamos procurar um local abrigado para fundear o navio. Na Ant\u00e1rtica \u00e9 preciso ter calma e n\u00e3o adianta tentar desafiar a natureza\u201d.<\/p>\n<p>No fim da tarde de ter\u00e7a-feira(7), o Almirante Maximiano se aproximou da cidade de Porto Willians no Chile, \u00faltimo local seguro antes do Drake. O navio parou e vamos ficar a bordo esperando pelo menos at\u00e9 quinta-feira(9). Neste lugar do planeta ter paci\u00eancia \u00e9 fundamental, afinal quem decide quando \u00e9 poss\u00edvel chegar na Ant\u00e1rtica \u00e9 a natureza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viagem rumo \u00e0 Ant\u00e1rtica come\u00e7ou em Punta Arenas, a cidade chilena que fica no extremo sul do continente sul-americano e que serve de base para os navios que partem em dire\u00e7\u00e3o ao continente gelado. A miss\u00e3o da Ag\u00eancia Brasil \u00e9 acompanhar a reinaugura\u00e7\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o Brasileira Comandante Ferraz. Nossa equipe embarcou no navio polar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":223132,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-223131","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223131"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223131\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":223133,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223131\/revisions\/223133"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/223132"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}