{"id":226151,"date":"2020-03-01T21:56:48","date_gmt":"2020-03-02T00:56:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=226151"},"modified":"2020-03-01T22:51:38","modified_gmt":"2020-03-02T01:51:38","slug":"samba-e-bateria-um-conjunto-de-harmonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/samba-e-bateria-um-conjunto-de-harmonia\/","title":{"rendered":"Samba e bateria, um conjunto de harmonia"},"content":{"rendered":"<p>Foi a partir de uma ideia embrion\u00e1ria de colocar no papel algumas composi\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas nascidas de batidas de caixas de escolas de samba que os m\u00fasicos Diego Zangado, carioca, e Fernando Baggio, paulista, decidiram reunir esfor\u00e7os e conceber o livro \u201cSamba de bateria: a linguagem do samba para bateristas e percussionistas\u201d (Editora Tipografia Musical, S\u00e3o Paulo). Das caixas das escolas de samba do Rio e de S\u00e3o Paulo foi um pulo para chegar \u00e0 import\u00e2ncia dos surdos de terceira, tamborins, repeniques, tam-tans.<\/p>\n<p>Com precioso pref\u00e1cio escrito pelo compositor, sambista e pesquisador Nei Lopes, o resultado se apresenta, assim, como um estudo sobre as origens do samba e seus caminhos de adapta\u00e7\u00e3o para o kit de bateria (drumset), com base na linguagem particular dos ritmos das escolas e rodas de samba. Na primeira parte do livro, os autores tra\u00e7am um panorama das ra\u00edzes e da evolu\u00e7\u00e3o do samba e seus principais bateristas brasileiros.<\/p>\n<p>Esse panorama serve de contextualiza\u00e7\u00e3o para a segunda parte did\u00e1tico-explicativa do m\u00e9todo, em que apresentam uma variedade de ritmos tradicionais do samba, originalmente tocados em diversos instrumentos de percuss\u00e3o (caixa, surdo, tamborim etc.), e suas adapta\u00e7\u00f5es para o kit de bateria, com exemplos conhecidos e outros por eles desenvolvidos.<\/p>\n<p>O contexto e a pesquisa hist\u00f3rica n\u00e3o se limitaram a uma forma cronol\u00f3gica de acontecimentos (como &#8220;a primeira escola de samba&#8221;, etc.), mas buscam ressaltar o significado social e cultural do samba. A abordagem nasce a partir da forma\u00e7\u00e3o das sociedades africanas e transita pela di\u00e1spora negra, escravid\u00e3o, migra\u00e7\u00f5es e quest\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas das crises da cana-de-a\u00e7\u00facar, do caf\u00e9 e do ciclo do ouro.<\/p>\n<p>Para cada fato hist\u00f3rico abordado, o livro conta a hist\u00f3ria de determinadas manifesta\u00e7\u00f5es culturais e agrupamentos que formaram sociedades negras no Brasil, aprofundando as caracter\u00edsticas regionais da forma\u00e7\u00e3o do samba e seus antecessores. Dessa forma, a pesquisa revela como essas manifesta\u00e7\u00f5es ocorreram quase que ao mesmo tempo, em paralelo e, praticamente, sem comunica\u00e7\u00e3o em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds onde se havia concentra\u00e7\u00e3o de negros escravizados, como nas regi\u00f5es do Rec\u00f4ncavo Baiano, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo (com \u00eanfase no interior deste estado).<\/p>\n<p>Experientes e tarimbados bateristas, percussionistas e educadores musicais, Fernando Baggio e Diego Zangado encontraram, tamb\u00e9m como importante motiva\u00e7\u00e3o para este estudo, a aus\u00eancia de m\u00e9todos com esse tipo de abordagem escritos exclusivamente por m\u00fasicos e voltados para m\u00fasicos. De fato, h\u00e1 excelentes publica\u00e7\u00f5es sobre o samba, mas todas elas praticamente escritas por historiadores, soci\u00f3logos, antrop\u00f3logos.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, os autores procuraram relacionar frequentemente os fatos hist\u00f3ricos com o universo dos m\u00fasicos bateristas, inserindo, por exemplo &#8211; e tamb\u00e9m por uma quest\u00e3o epistemol\u00f3gica &#8211; um gloss\u00e1rio do samba. Outra lacuna did\u00e1tico-musical que levou os autores a essa proposta inovadora para m\u00e9todos de instrumentos foi a constata\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia da linguagem tradicional do samba dentro das escolas e faculdades de m\u00fasica, onde o samba \u00e9 geralmente apresentado pelo vi\u00e9s da bossa nova e do samba-jazz.<\/p>\n<p>Mesmo quando h\u00e1 no repert\u00f3rio algum compositor tradicional, como Cartola, por exemplo, o universo desse compositor n\u00e3o \u00e9 explorado, e sua m\u00fasica acaba ganhando, dentro desses ambientes, uma interpreta\u00e7\u00e3o bossa nov\u00edstica ou mais jazz\u00edstica. Esse importante resgate colabora mais um pouco com a preserva\u00e7\u00e3o desse g\u00eanero musical t\u00e3o nosso, que conta muito da hist\u00f3ria social do pa\u00eds e tamb\u00e9m dos pr\u00f3prios autores. Da\u00ed a escolha do samba das escolas e das rodas de samba, por conterem elementos preservados das ra\u00edzes da cultura do samba. E tamb\u00e9m porque n\u00e3o h\u00e1 estilo de samba que desperte mais curiosidade e fasc\u00ednio em bateristas e percussionistas do que o samba das escolas e das rodas.<\/p>\n<p>\u201cSamba de bateria: a linguagem do samba para bateristas e percussionistas\u201d \u00e9, assim, mais uma aposta certa da Editora Tipografia Musical, que procura renovar o cen\u00e1rio da pedagogia musical no Brasil com novos m\u00e9todos de novos autores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi a partir de uma ideia embrion\u00e1ria de colocar no papel algumas composi\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas nascidas de batidas de caixas de escolas de samba que os m\u00fasicos Diego Zangado, carioca, e Fernando Baggio, paulista, decidiram reunir esfor\u00e7os e conceber o livro \u201cSamba de bateria: a linguagem do samba para bateristas e percussionistas\u201d (Editora Tipografia Musical, S\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":226152,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-226151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=226151"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":226153,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226151\/revisions\/226153"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/226152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=226151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=226151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=226151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}