{"id":231473,"date":"2020-05-18T00:59:28","date_gmt":"2020-05-18T03:59:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=231473"},"modified":"2020-05-18T16:01:57","modified_gmt":"2020-05-18T19:01:57","slug":"virus-em-macacos-liga-alerta-em-todo-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/virus-em-macacos-liga-alerta-em-todo-o-pais\/","title":{"rendered":"V\u00edrus em macacos liga alerta em todo o pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>O aumento do n\u00famero de macacos infectados pela febre amarela no Paran\u00e1 e em Santa Catarina desde julho do ano passado chama a aten\u00e7\u00e3o para a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus na regi\u00e3o e serve de alerta para a import\u00e2ncia dos brasileiros se vacinarem contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Segundo a Secretaria de Sa\u00fade do Paran\u00e1, o v\u00edrus amar\u00edlico matou ou causou o adoecimento de pelo menos 287 macacos entre julho de 2019 e o \u00faltimo dia 8. Os casos foram notificados em 43 dos 399 munic\u00edpios paranaenses. Do total, 133 casos foram confirmados entre os dias 27 de mar\u00e7o e 8 de maio deste ano \u2013 s\u00f3 entre 24 de abril e 8 de maio, foram 27 confirma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda 89 casos em investiga\u00e7\u00e3o e 423 notifica\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o foram colhidas amostras para an\u00e1lise. Mesmo assim, o total de casos confirmados do atual per\u00edodo epidemiol\u00f3gico da doen\u00e7a no estado \u00e9 v\u00e1rias vezes maior que os de anos anteriores. De julho de 2018 a junho de 2019, a secretaria atestou 49 epizootias \u2013 ou seja, \u00f3bitos ou adoecimentos de primatas infectados pelo v\u00edrus amar\u00edlico. De julho de 2017 a junho de 2018, nenhum caso foi identificado no Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Embora macacos n\u00e3o transmitam a febre amarela para humanos, que s\u00f3 s\u00e3o infectadas quando picados por mosquitos capazes de transmitir o v\u00edrus, especialistas monitoram o cont\u00e1gio desses animais porque os consideram um alerta, um ind\u00edcio da presen\u00e7a do v\u00edrus em determinadas regi\u00f5es. De posse destes dados, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos podem planejar ou intensificar campanhas de vacina\u00e7\u00e3o contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Foi o que fez o governo do Paraguai na semana passada. Ap\u00f3s ser informada de que muitos macacos mortos no Paran\u00e1 foram encontrados em uma regi\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 fronteira, a Diretoria do Programa Ampliado de Imuniza\u00e7\u00e3o, do Minist\u00e9rio de Sa\u00fade P\u00fablica e Bem-Estar Social do Paraguai recomendou que os moradores da regi\u00e3o de Salto del Guair\u00e1 procurem os postos de sa\u00fade e tomem a vacina contra a doen\u00e7a, conforme noticiou o jornal paraguaio ABC Color.<\/p>\n<p>Apesar do alerta de aumento do n\u00famero de ocorr\u00eancias entre macacos, o Paran\u00e1 n\u00e3o registra casos da doen\u00e7a entre humanos desde julho de 2019. Desde julho de 2018, todos os munic\u00edpios paranaenses s\u00e3o considerados parte da \u00e1rea com recomenda\u00e7\u00e3o vacinal. Isso n\u00e3o impediu, por\u00e9m, que o n\u00famero de infectados aumentasse, entre julho de 2017 e junho de 2018, de dois casos confirmados para 17. Nesse per\u00edodo, uma pessoa morreu devido \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Concentra\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nSegundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, de julho de 2017 a junho de 2018, seis estados \u2013 Esp\u00edrito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Tocantins \u2013 confirmaram 867 epizootias. No per\u00edodo 2018-2019, o total de casos baixou para 126, notificados por oito estados \u2013 Minas Gerais, Mato Grosso, Par\u00e1, Paran\u00e1, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e S\u00e3o Paulo. Entre julho de 2019 e o in\u00edcio de maio deste ano, embora apenas tr\u00eas estados \u2013 Paran\u00e1, Santa Catarina e S\u00e3o Paulo \u2013 tenham confirmado casos da doen\u00e7a entre macacos, o total chega a 348. Ou seja, faltando ainda dois meses para o fim do atual per\u00edodo epidemiol\u00f3gico, o aumento em compara\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo anterior j\u00e1 est\u00e1 em torno de 180%.<\/p>\n<p>O n\u00famero de epizootias aumentou muito tamb\u00e9m em Santa Catarina, que, junto com o Paran\u00e1, concentra praticamente 99% do total de notifica\u00e7\u00f5es confirmadas ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>De acordo com a pasta, de julho de 2019 ao come\u00e7o deste m\u00eas, Santa Catarina tinha confirmado 54 casos de macacos infectados pela febre amarela. Entre 2018 e 2019, foram reportados apenas quatro casos ao minist\u00e9rio. Nenhum no per\u00edodo 2017-2018. At\u00e9 meados de mar\u00e7o deste ano, duas pessoas morreram no estado em decorr\u00eancia da doen\u00e7a: um morador de Cambori\u00fa e outro, de Indaial.<\/p>\n<p><strong>Surpresa<\/strong><br \/>\nEm entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, o professor Fernando de Camargo Passos, do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paran\u00e1, surpreendeu-se com os dados recentes. \u201c\u00c9 surpreendente esse grande n\u00famero de casos no Paran\u00e1. Ainda que j\u00e1 estiv\u00e9ssemos prevendo um avan\u00e7o da febre amarela [entre macacos] no estado, pois a doen\u00e7a, que j\u00e1 tinha atingido outros estados antes de vir em dire\u00e7\u00e3o ao Sul, agora avan\u00e7a em ondas entre estes animais [no Paran\u00e1]\u201d, disse o pesquisador, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia da popula\u00e7\u00e3o se vacinar para evitar que a doen\u00e7a atinja as pessoas.<\/p>\n<p>Passos explicou que, em \u00e1reas de mata, o v\u00edrus amar\u00edlico \u00e9 transmitido apenas por mosquitos de dois g\u00eaneros (Haemagogus e Sabethes) que costumam viver na copa das \u00e1rvores, onde dividem espa\u00e7o com os macacos. \u00c0 medida que picam os primatas para se alimentar de seu sangue, as f\u00eameas desses insetos v\u00e3o espalhando a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os mosquitos podem picar uma pessoa que entre na mata. O maior temor dos especialistas \u00e9 que, ao voltar \u00e0 cidade, uma pessoa infectada seja picada por mosquitos Aedes aegypti, potencial transmissor da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO maior problema \u00e9 que muita gente n\u00e3o toma a vacina contra a febre amarela, que est\u00e1 voltando a entrar em \u00e1reas onde j\u00e1 n\u00e3o existia mais, inclusive em \u00e1reas urbanas\u201d, afirmou Passos. \u201cCom isso, a preocupa\u00e7\u00e3o, o perigo, \u00e9 a doen\u00e7a se espalhar pelas cidades e passar a ser transmitida pelo Aedes aegypti, que j\u00e1 transmite a dengue [al\u00e9m da zika e da chikungunya] e que infesta muitas \u00e1reas urbanas\u201d, acrescentou o professor, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia dos macacos para o controle da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 houve casos de pessoas matarem ou maltratarem os animais por achar que podem ser respons\u00e1veis pela transmiss\u00e3o da febre amarela, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. O monitoramento dos macacos \u00e9 muito importante porque eles t\u00eam este papel de sentinelas. Sua morte por febre amarela pode indicar a dispers\u00e3o da doen\u00e7a e alertar a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica\u201d, acrescentou Passos, lembrando que matar ou causar mal a eses animais \u00e9 crime ambiental.<\/p>\n<p><strong>Respostas<\/strong><br \/>\nAo longo da \u00faltima semana, a reportagem pediu \u00e0 secretarias de Sa\u00fade e de Comunica\u00e7\u00e3o de Santa Catarina outras informa\u00e7\u00f5es al\u00e9m das fornecidas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas n\u00e3o obteve resposta. Em nota do in\u00edcio de abril, quando confirmou a segunda morte no estado, a Secretaria de Sa\u00fade informou que j\u00e1 havia registrado a morte de 39 macacos pela doen\u00e7a, al\u00e9m de 10 casos de pessoas infectadas. Na ocasi\u00e3o, a pasta refor\u00e7ou a import\u00e2ncia dos moradores de todo o estado com mais de 9 meses de idade se vacinarem.<\/p>\n<p>A Secretaria de Sa\u00fade do Paran\u00e1 disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que tr\u00eas aspectos ajudam a entender a maior incid\u00eancia da doen\u00e7a entre macacos no estado, entre os quais o avan\u00e7o do v\u00edrus amar\u00edlico por regi\u00f5es em que popula\u00e7\u00f5es inteiras desses animais ainda n\u00e3o tinham imunidade contra a doen\u00e7a. \u201cAs popula\u00e7\u00f5es de primatas dessas regi\u00f5es nunca tinham tido contato com o v\u00edrus, ent\u00e3o n\u00e3o tinham imunidade, sendo mais suscet\u00edveis \u00e0 doen\u00e7a\u201d, destacou a secretaria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ao avan\u00e7ar entre os macacos, o v\u00edrus amar\u00edlico chegou a \u00e1reas onde a vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e1 menos preservada, o que, segundo a pasta, facilita a notifica\u00e7\u00e3o dos casos. \u201cIsso faz com que moradores de fazendas ou s\u00edtios informem aos \u00f3rg\u00e3os regionais e municipais, facilitando a notifica\u00e7\u00e3o e a coleta de material para an\u00e1lise laboratorial.\u201d<\/p>\n<p>A secretaria ressaltou ainda que estados e munic\u00edpios v\u00eam procurando sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de informar as autoridades locais sempre quef or avistado um macaco morto. A pasta acrescenta que refor\u00e7ou a orienta\u00e7\u00e3o para que os munic\u00edpios, principalmente os que formam o chamado \u201ccorredor de circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus\u201d, intensifiquem a vacina\u00e7\u00e3o de suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Maior queda<\/strong><br \/>\nTerceiro dos \u00fanicos estados com registro de epizootia no atual per\u00edodo, S\u00e3o Paulo mostra diminui\u00e7\u00e3o de casos da febre amarela silvestre desde 2017. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, at\u00e9 o come\u00e7o de maio, o estado tinha relatado apenas quatro casos entre macacos no atual per\u00edodo. De julho de 2018 a junho de 2019, S\u00e3o Paulo estado teve 26 casos confirmados. De julho de 2017 a junho de 2018, foram 670.<\/p>\n<p>Por e-mail, a Secretaria de Sa\u00fade de S\u00e3o Paulo confirmou que o n\u00famero de casos caiu progressivamente nos tr\u00eas \u00faltimos per\u00edodos, tanto entre animais quanto entre humanos. A pasta informou, por\u00e9m, que, diferentemente do minist\u00e9rio e de outras unidades da federa\u00e7\u00e3o, registra as ocorr\u00eancias de janeiro a dezembro. E apresentou n\u00fameros diferentes dos do minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Segundo a secretaria, as mortes e o adoecimento de macacos pela febre amarela ca\u00edram de 261 casos confirmados, em 2018, para 19 em 2019. Neste ano, um caso foi confirmado em Osasco, na Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A morte de pessoas por febre amarela caiu de 176 casos, em 2018, para 13, em 2019. Este ano, at\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 registro de morte de pessoas pela doen\u00e7a no estado de S\u00e3o Paulo. Ainda assim, a secretaria recomenda que os que ainda n\u00e3o se vacinaram procurem um posto de sa\u00fade e se previnam contra a doen\u00e7a, principalmente aqueles que vivem ou visitam \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o densa.<\/p>\n<p>Em 2017, o grande n\u00famero de primatas infectados pelo v\u00edrus amar\u00edlico levou o governo de S\u00e3o Paulo a determinar o fechamento preventivo de parques p\u00fablicos a fim de evitar que a doen\u00e7a entre humanos fugisse ao controle.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aumento do n\u00famero de macacos infectados pela febre amarela no Paran\u00e1 e em Santa Catarina desde julho do ano passado chama a aten\u00e7\u00e3o para a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus na regi\u00e3o e serve de alerta para a import\u00e2ncia dos brasileiros se vacinarem contra a doen\u00e7a. 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