{"id":232934,"date":"2020-06-04T10:11:56","date_gmt":"2020-06-04T13:11:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=232934"},"modified":"2020-06-04T11:16:28","modified_gmt":"2020-06-04T14:16:28","slug":"trabalho-invisivel-destaca-atuacao-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/trabalho-invisivel-destaca-atuacao-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Mulher prova for\u00e7a com &#8216;trabalho invis\u00edvel&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>A Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua) sobre Outras Formas de Trabalho 2019 revela que a mulher tem peso importante no Brasil, sobretudo no que se refere a afazeres dom\u00e9sticos, enquanto a produ\u00e7\u00e3o para consumo pr\u00f3prio \u00e9 atividade mais masculina.<\/p>\n<p>Divulgado nesta quinta (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, o levantamento abrange afazeres dom\u00e9sticos, cuidados de pessoas, trabalho volunt\u00e1rio e produ\u00e7\u00e3o para consumo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, esse \u201ctrabalho invis\u00edvel\u201d n\u00e3o remunerado, que n\u00e3o se precifica nem conta como ocupa\u00e7\u00e3o, pesa muito sobre as mulheres, que se dedicam cerca de 20 horas semanais a esse tipo de atividade.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, a economista Alessandra Brito, respons\u00e1vel pelo levantamento, disse que desde 2016 &#8211; quando o estudo sobre outras formas de trabalho come\u00e7ou a ser feito &#8211; embora o n\u00edvel de realiza\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os pelos homens tenha aumentado, os cuidados e afazeres pelos representantes do sexo masculino continuam desiguais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p><strong>Afazeres dom\u00e9sticos<\/strong><br \/>\nNo ano passado, 146,7 milh\u00f5es de pessoas, ou o correspondente a 85,7% da popula\u00e7\u00e3o, realizaram afazeres dom\u00e9sticos no Brasil, com significativa participa\u00e7\u00e3o das mulheres (92,1%), contra 78,6% de homens. Em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, entretanto, houve expans\u00e3o para os homens de 0,4 ponto percentual (pp) &#8211; a taxa era 78,2% em 2018 -, enquanto as mulheres permaneceram est\u00e1veis (92,2% em 2018). O total de pessoas que se dedicavam a afazeres dom\u00e9sticos no pa\u00eds aumentou em 1,6 milh\u00e3o de um ano para outro.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, a maior diferen\u00e7a da taxa de realiza\u00e7\u00e3o de afazeres dom\u00e9sticos entre homens e mulheres, de 21 pp, foi encontrada na Regi\u00e3o Nordeste: 69,2% para homens, contra 90,2% para as mulheres. Tamb\u00e9m no Norte foi observada grande diferen\u00e7a por sexo: homens com 76,9%, contra 91,4% de mulheres. A Regi\u00e3o Sul apresenta maior percentual de homens fazendo servi\u00e7os dom\u00e9sticos: 84%, contra 93,6% de mulheres.<\/p>\n<p>Alessandra Brito afirmou que al\u00e9m da quest\u00e3o regional, a pr\u00e1tica de afazeres dom\u00e9sticos por homens no Norte e Nordeste tem a ver com a quest\u00e3o da escolaridade. \u201cA gente v\u00ea que pessoas com menos escolaridade tendem a fazer menos afazeres do que pessoas de mais alto n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o. Nessas regi\u00f5es, o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco menor. Isso pode estar influenciando\u201d.<\/p>\n<p>A economista avaliou que a mentalidade do homem, em especial, vai mudando com a escolariza\u00e7\u00e3o. A taxa de realiza\u00e7\u00e3o de afazeres dom\u00e9sticos pelos homens, que alcan\u00e7a 74,1% para os sem instru\u00e7\u00e3o ou com n\u00edvel fundamental incompleto, sobe para 85,7% no caso dos que t\u00eam ensino superior completo. No mesmo comparativo, as mulheres ascendem de um patamar de 89,6% para 93,4%.<\/p>\n<p><strong>Faixa et\u00e1ria<\/strong><br \/>\nPor grupos de idade, mulheres e homens acima de 25 anos e maiores de 50 anos praticam mais afazeres dom\u00e9sticos do que os mais jovens, com 89,2% e 86,4%, respectivamente. Em termos de cor ou ra\u00e7a, a pesquisa revela relativa estabilidade entre as mulheres brancas (91,5%), pretas (94,1%) e pardas (92,3%), e entre os homens brancos (80,4%) e pretos (80,9%), com redu\u00e7\u00e3o entre os pardos (76,5%). \u201cA pessoa parda faz menos. \u00c9 mais o car\u00e1ter regional\u201d, disse a analista.<\/p>\n<p>De acordo com a condi\u00e7\u00e3o no domic\u00edlio, a maior diferen\u00e7a por sexo de realiza\u00e7\u00e3o de afazeres em casa \u00e9 encontrada entre filhos e enteados (18,3 pontos percentuais), do que entre respons\u00e1veis (8,7 pp) e c\u00f4njuges e companheiros (14,8 pp). \u201cOs filhos ajudam menos\u201d, comentou Alessandra.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise por tipo de afazer dom\u00e9stico mostra que as principais diferen\u00e7as por sexo s\u00e3o encontradas em cozinhar (33,5 pp), lavar roupas e cal\u00e7ados (36,6 pp) e fazer pequenos reparos (27,5 pp). Preparar alimentos \u00e9 a atividade mais realizada pelas mulheres brasileiras,com 95,5%, enquanto os homens fazem mais compras e pesquisam pre\u00e7os para o domic\u00edlio (73,5%). Os homens representam quase o dobro das mulheres na realiza\u00e7\u00e3o de pequenos reparos: 58,1%, contra 30,6%. \u201cMas as mulheres fazem mais quase todas as atividades\u201d, disse a economista.<\/p>\n<p>Quando mora sozinho, o homem tende a preparar seu pr\u00f3prio alimento (92,6%), cuidar da limpeza e manuten\u00e7\u00e3o de roupas e sapatos (88,7%) e limpar e arrumar a casa (86,9%). Alessandra comentou que pesquisa do IBGE divulgada no m\u00eas passado j\u00e1 mostrou que em domic\u00edlio com um s\u00f3 morador, em geral homens e mulheres fazem afazeres de forma equiparada. Se o homem estiver em coabita\u00e7\u00e3o ou for o c\u00f4njuge, as taxas diminuem bastante, exceto no que se refere a pequenos reparos, que os homens fazem mais.<\/p>\n<p><strong>Cuidado de pessoas<\/strong><br \/>\nNo item referente ao cuidado de parentes moradores no domic\u00edlio, que envolve crian\u00e7as, idosos, pessoas enfermas ou com defici\u00eancia, o Brasil contabilizou 54,1 milh\u00f5es de pessoas (31,6% da popula\u00e7\u00e3o) em 2019, indicando queda em compara\u00e7\u00e3o ao ano anterior (31,8%). As mulheres predominam, com 36,8%, contra 25,9% de homens.<\/p>\n<p>Por regi\u00f5es, o Nordeste e o Norte apresentaram as maiores diferen\u00e7as de taxa entre homens e mulheres, de 13,7 pp e 13,5 pp, respectivamente. \u201cO Nordeste mostra a menor taxa de realiza\u00e7\u00e3o entre os homens (24,1%)\u201d, destacou a economista. J\u00e1 no Norte, a taxa de realiza\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 a mais alta do pa\u00eds (41,2%) porque h\u00e1 maior cuidado com crian\u00e7as na faixa et\u00e1ria de zero a 14 anos de idade. \u201cO Norte \u00e9 a regi\u00e3o que tem mais crian\u00e7as at\u00e9 uma faixa mais jovem. Esse cuidado \u00e9 esperado\u201d.<\/p>\n<p>Por grupos de idade, a pesquisa destaca que a realiza\u00e7\u00e3o de cuidados \u00e9 maior entre 25 e 49 anos (43,4%), possivelmente ligada \u00e0 presen\u00e7a de filhos. As mulheres s\u00e3o maioria nesse tipo de ocupa\u00e7\u00e3o, com 49,3%, contra 36,9% dos homens. Por cor ou ra\u00e7a, observa-se que esse tipo de cuidado \u00e9 feito mais por mulheres negras (39,6%) e pardas (39,3%), do que por brancas (33,5%).<\/p>\n<p>Entre os homens, no entanto, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada equilibrada. Por n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, a pesquisa mostra que, em geral, quanto maior \u00e9 o grau de escolaridade, maior o cuidado dispensado a outras pessoas no domic\u00edlio (33,4%). O mesmo se aplica aos homens com ensino superior completo (30,3%). Entre as mulheres, a maior taxa de realiza\u00e7\u00e3o ocorre entre aquelas com ensino fundamental completo e m\u00e9dio incompleto (41,1% e 40,9%, respectivamente).<\/p>\n<p>Segundo o levantamento do IBGE sobre outras formas de trabalho n\u00e3o remunerado, diminuiu em 2019 o cuidado de crian\u00e7as de at\u00e9 5 anos de idade em rela\u00e7\u00e3o a 2018 (de 50,7% para 49,2%). Em contrapartida, aumentou a taxa de realiza\u00e7\u00e3o de cuidados com crian\u00e7as e adolescentes de 6 a 14 anos de idade (de 51,1% para 52%) e tamb\u00e9m de pessoas de 15 a 59 anos de idade (de 11,9% para 13,3%) e maiores de 60 anos de idade (de 9,7% para 10,5%).<\/p>\n<p>Por sexo, a pr\u00e1tica de cuidados foi maior em 2019 tanto para homens (87,6%) quanto para mulheres (91,6%), na tarefa de monitorar ou fazer companhia dentro do domicilio. Nos demais tipos de cuidados, nota-se maior diferen\u00e7a entre mulheres e homens, com destaque para o aux\u00edlio de mulheres nos cuidados pessoais e nas atividades educacionais. \u201cPesa mais para a mulher\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cuidados e afazeres<\/strong><br \/>\nQuando se alia os cuidados aos afazeres dom\u00e9sticos, descobre-se que a taxa de realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 maior entre as pessoas ocupadas (89,6%) do que entre as n\u00e3o ocupadas (84,1%). As regi\u00f5es Centro-Oeste e Sul tiveram as maiores taxas de realiza\u00e7\u00e3o no ano passado (90,1% e 89,9%, respectivamente), enquanto o Nordeste teve a menor taxa (82,2%). Analisando a m\u00e9dia de horas dedicadas aos afazeres dom\u00e9sticos e\/ou cuidados de pessoas, que muitas vezes podem ser feitos simultaneamente, como cozinhar e monitorar o filho, por exemplo, o que se percebe \u00e9 que os homens dedicam 11 horas semanais, contra 21 horas, em m\u00e9dia, das mulheres. \u201cEssa diferen\u00e7a persiste desde o ano passado\u201d.<\/p>\n<p>Alessandra Brito acrescenta que, considerando homens e mulheres ocupados, a diferen\u00e7a de horas \u00e9 de 8,1 a mais para as mulheres; entre os n\u00e3o ocupados, a diferen\u00e7a alcan\u00e7a 11,9 horas. \u201cA diferen\u00e7a est\u00e1 se mantendo e \u00e9 mais dif\u00edcil mudar a intensidade de horas na realiza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de cuidados e afazeres pelos homens\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa indica ainda que a diferen\u00e7a de horas no mercado de trabalho entre mulheres que fazem ou n\u00e3o afazeres e cuidados foi maior na Regi\u00e3o Norte, com tr\u00eas horas a mais para as que n\u00e3o fazem. \u201cA mulher trabalha tr\u00eas horas a menos no mercado de trabalho do que aquela que n\u00e3o realiza\u201d, explicou a analista do IBGE. No Brasil, a diferen\u00e7a \u00e9, em m\u00e9dia, de uma hora a mais para aquela que n\u00e3o est\u00e1 no mercado de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o para consumo<\/strong><br \/>\nNo item relativo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de bens para consumo pr\u00f3prio, a pesquisa indica que houve queda tanto em termos nacionais quanto regionais. Em 2019, 12,8 milh\u00f5es de pessoas realizavam produ\u00e7\u00e3o para pr\u00f3prio consumo das pessoas de 14 anos ou mais de idade, o que correspondia a 7,5% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Em 2018, essa taxa atingia 7,7%. A maior retra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior foi observada no Norte brasileiro, onde caiu de 10,2% para 9,8%. A menor ficou com o Sudeste: de 4,7% para 4,5%.<\/p>\n<p>A taxa de realiza\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3prio consumo \u00e9 maior entre homens (8%), do que entre mulheres (7%) e cresce com a idade (10,6%) para os maiores de 50 anos ou mais. A taxa \u00e9 mais alta tamb\u00e9m entre pessoas pretas (7,5%) e pardas (8,6%) e entre as n\u00e3o ocupadas (8,6%) &#8211; pessoas fora da for\u00e7a de trabalho ou desocupadas. A taxa de realiza\u00e7\u00e3o cai com o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o. Esse tipo de produ\u00e7\u00e3o para consumo pr\u00f3prio \u00e9 mais observado nas regi\u00f5es Norte e Nordeste, sobretudo para cultivo, pesca, ca\u00e7a e cria\u00e7\u00e3o de animais. Essas atividades inclu\u00edram um total de 77,9% de pessoas no ano passado, com taxa de 81,4% entre os homens e de 74,3% entre as mulheres.<\/p>\n<p><strong>Voluntariado<\/strong><br \/>\nO trabalho volunt\u00e1rio envolveu 6,9 milh\u00f5es de pessoas no Brasil em 2019, correspondendo a 4% da popula\u00e7\u00e3o. Alessandra observou, por\u00e9m, que a taxa de realiza\u00e7\u00e3o vem caindo desde 2017. O Centro-Oeste apresentou a maior redu\u00e7\u00e3o, de 4,6% em 2018 para 3,9% no ano passado.<\/p>\n<p>Do total de volunt\u00e1rios, a mulher predomina, com 4,8%, contra 3,2% dos homens. Por grupos de idade, destacam-se os que se encontram na faixa de 25 a 49 anos (4,2%) e de 50 anos ou mais (4,7%). O trabalho volunt\u00e1rio \u00e9 menor entre pessoas de cor parda (3,5%) do que entre pretos (4,8%) e brancos (4,5%). Do mesmo modo, a taxa de realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 maior entre os ocupados (4,5%) do que entre os n\u00e3o ocupados (3,5%), ampliando-se com o n\u00edvel de escolaridade. Entre as pessoas com ensino superior completo, a taxa de realiza\u00e7\u00e3o do trabalho volunt\u00e1rio alcan\u00e7a 7,6%. \u201cEm geral, pessoas mais escolarizadas tendem a realizar esses trabalhos volunt\u00e1rios\u201d, afirmou a economista.<\/p>\n<p>Do total dos volunt\u00e1rios, 90,7% realizaram trabalhos por meio de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, congrega\u00e7\u00f5es religiosas, partidos, sindicatos, entre outros tipos de institui\u00e7\u00f5es ou entidades. A m\u00e9dia de horas dedicadas ao trabalho volunt\u00e1rio cresceu no Brasil de 2018 para 2019, de 6,5 horas semanais para 6,6 horas\/semana, exceto no Sudeste, onde caiu de 6,7 horas semanais para 6,4 horas\/semana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua) sobre Outras Formas de Trabalho 2019 revela que a mulher tem peso importante no Brasil, sobretudo no que se refere a afazeres dom\u00e9sticos, enquanto a produ\u00e7\u00e3o para consumo pr\u00f3prio \u00e9 atividade mais masculina. 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