{"id":233765,"date":"2020-06-14T17:12:28","date_gmt":"2020-06-14T20:12:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=233765"},"modified":"2020-06-14T16:25:28","modified_gmt":"2020-06-14T19:25:28","slug":"233765-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/233765-2\/","title":{"rendered":"Psic\u00f3logo adverte para sa\u00fade mental infantil"},"content":{"rendered":"<p>Acostumadas a correr, brincar, pular e saltar em ambientes abertos e rodeadas de amigos e colegas, as crian\u00e7as t\u00eam sentido os efeitos de ficar o dia inteiro dentro de casa nesse per\u00edodo de isolamento social. Longe da escola, da creche, dos parques e das pra\u00e7as, das casas de amigos e parentes e de outros ambientes a que estavam habituadas, elas ainda t\u00eam que lidar com a educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, um formato at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dito para o ensino formal de crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>\u201cNesse per\u00edodo de pandemia e consequente isolamento social, a rotina das crian\u00e7as, inevitavelmente, sofre mudan\u00e7as. A maior mudan\u00e7a \u00e9 n\u00e3o ir \u00e0 escola, e esse per\u00edodo da vida da crian\u00e7a no ambiente escolar \u00e9 muito relevante. Ficar sem esses momentos em que a crian\u00e7a exercita sua socializa\u00e7\u00e3o, compartilha conhecimentos e os adquire de maneira pr\u00f3xima com professores\/educadores, pode ser um fator gerador de estresse emocional\u201d, diz o psic\u00f3logo cl\u00ednico Danilo Lima Tebaldi, do Centro de Sa\u00fade Escola, unidade auxiliar da Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (Unesp).<\/p>\n<p>Segundo o psic\u00f3logo, os pais precisam prestar aten\u00e7\u00e3o a alguns sinais e sintomas que podem surgir no decorrer do tempo. \u201cOs pais devem ficar atentos a qualquer mudan\u00e7a de comportamento dos filhos, ou seja, comportamentos que antes a crian\u00e7a n\u00e3o apresentava e passou a apresentar, tais como agressividade, comportamento inquieto e\/ou agitado, presen\u00e7a de medos infundados e aspectos regredidos de comportamento [como chupar o dedo].\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 o que est\u00e1 acontecendo com Heitor, de 4 anos. Ele voltou a ter escapes de fezes e a ficar muito irritado, conta a servidora p\u00fablica Luiza Gabriela Silveira Felipe, que \u00e9 tamb\u00e9m m\u00e3e de Marina, de 3 meses.<\/p>\n<p>\u201cEle sempre foi uma crian\u00e7a muito agitada, mas n\u00e3o era nervoso. Como ele ficou sem socializar, acabei liberando coisas [com] que ele n\u00e3o tinha costume, como o uso de video game. Acho que isso favoreceu para deix\u00e1-lo muito nervoso. Al\u00e9m disso, com a chegada da irm\u00e3, a gente teve que dividir a aten\u00e7\u00e3o dele, e ele n\u00e3o est\u00e1 sabendo lidar com isso\u201d.<\/p>\n<p>Luiza reassalta que voltaram comportamentos que h\u00e1 muito tempo Heitor n\u00e3o tinha. \u201cEle voltou a ter escapes, a fazer coc\u00f4 na cal\u00e7a, coisa que n\u00e3o fazia h\u00e1 anos. Ele tamb\u00e9m est\u00e1 comendo roupa, ele fica se machucando&#8230; Fica muito nervoso, e a gente n\u00e3o consegue controlar o nervoso dele. Procurei ajuda de uma psic\u00f3loga infantil, ela me deu umas dicas, mas acredito, sim, que quando passar essa pandemia acabe isso.\u201d<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1logo constante<\/strong><br \/>\nTebaldi recomenda muito di\u00e1logo com os filhos nesse momento dif\u00edcil. \u201cOs pais devem estimular o di\u00e1logo com seus filhos, explicando o que est\u00e1 acontecendo a eles de uma maneira adequada a faixa et\u00e1ria de cada um. Ou seja, para crian\u00e7as pequenas, a linguagem deve ser simples e acess\u00edvel ao entendimento delas. E deve-se tomar cuidado com o excesso de informa\u00e7\u00f5es, pois isso pode gerar ansiedade e medo na crian\u00e7a\u201d, pondera.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo destaca que os adultos, muitas vezes, pensam que as crian\u00e7as ignoram o que est\u00e1 acontecendo, e isso n\u00e3o \u00e9 verdade. \u201cA crian\u00e7a, mesmo que sem os recursos cognitivos suficientes para entender e interpretar o contexto, sente que h\u00e1 algo &#8216;diferente&#8217; acontecendo, e isso deve ser conversado. O di\u00e1logo \u00e9 essencial neste momento para que a crian\u00e7a seja corretamente informada e, com isso, os sentimentos de medo e inseguran\u00e7a, que s\u00e3o normais nessa fase, sejam manejados de maneira adequada.\u201d<\/p>\n<p>Outra recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 estimular as crian\u00e7as a expressar seus sentimentos, medos, ang\u00fastias e inseguran\u00e7as por meio de desenhos e estrat\u00e9gias em que haja o aspecto l\u00fadico. \u201cA rotina \u00e9 outro ponto muito importante nesse momento. Muitas crian\u00e7as est\u00e3o tendo aulas de maneira remota, um desafio para muitos, e os pais devem ser participantes ativos neste processo m que o ensino e a aprendizagem ocorrem de maneira bem diferente do habitual.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 o que tem feito a universit\u00e1ria Juliana Kelly Martins de Carvalho, m\u00e3e de Nicolas, de 3 anos. Ela conta que est\u00e1 conseguindo conversar mais com o filho. \u201cConversamos sobre sentimentos, sobre frustra\u00e7\u00e3o, sobre nomear os sentimentos e maneiras de se acalmar. Tento superar cada crise de uma vez. Obviamente isso me sobrecarrega mais, mas \u00e9 assim que a gente lida, tenta fazer uma coisa diferente todos os dias, para ver como as coisas v\u00e3o acontecendo.\u201d<\/p>\n<p>Juliana conta que Nicolas j\u00e1 estava em casa, porque tinha feito uma cirurgia, e que, quando ia voltar para a escola, veio o isolamento social. \u201cE a\u00ed, sem sair e fazer o que est\u00e1vamos acostumados, ele come\u00e7ou a ficar estressado, a ter uns ataques de raiva muito fortes. N\u00e3o procurei ajuda, porque, apesar de tudo, agora conseguimos um esquema para ele ir para a casa do pai todos os fins de semana e tamb\u00e9m estamos conseguindo conversar mais com ele.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Rotina \u00e9 importante<\/strong><br \/>\nDanilo Tebaldi enfatiza que o di\u00e1logo dos pais com as crian\u00e7as tem de ser franco e espont\u00e2neo porque elas entendem, a seu modo, o que est\u00e1 acontecendo. \u201cFalar abertamente sobre o tema da pandemia, os riscos de contamina\u00e7\u00e3o, as maneiras de preven\u00e7\u00e3o, a import\u00e2ncia do isolamento social, escutar o que as crian\u00e7as pensam sobre isso, as dificuldades que elas encontram nesse momento, \u00e9 fundamental.\u201d<\/p>\n<p>Falar sobre a import\u00e2ncia da rotina de estudos, das brincadeiras e do descanso tamb\u00e9m \u00e9 importante. \u00c9 preciso ainda salientar que, ficar em casa n\u00e3o significa &#8220;f\u00e9rias&#8221;, e sim um novo modo de estar no mundo. \u201cO estresse muitas vezes \u00e9 inevit\u00e1vel, mas pode ser administrado e, consequentemente, minimizado, com di\u00e1logo, express\u00e3o de afetos de maneira l\u00fadica, com desenhos, brincadeiras e jogos, para que a crian\u00e7a possa ventilar seus pensamentos e sentimentos e assim poder elaborar o que est\u00e1 acontecendo\u201d, orienta Tebaldi.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do psic\u00f3logo, com o quadro atual da pandemia, em que muitas pessoas est\u00e3o morrendo, e isso \u00e9 diariamente noticiado, \u00e9 comum e esperado que as pessoas fiquem ansiosas e inseguras. \u201cO sentimento de incerteza \u00e9 muito intenso, visto que n\u00e3o h\u00e1, por enquanto, uma vacina ou rem\u00e9dio verdadeiramente eficaz para todos. Tais sentimentos podem se exacerbar deixando algumas crian\u00e7as t\u00edmidas e mais introvertidas, e nesse momento \u00e9 fundamental que a crian\u00e7a tenha espa\u00e7o para expressar seus sentimentos\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acostumadas a correr, brincar, pular e saltar em ambientes abertos e rodeadas de amigos e colegas, as crian\u00e7as t\u00eam sentido os efeitos de ficar o dia inteiro dentro de casa nesse per\u00edodo de isolamento social. 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