{"id":234300,"date":"2020-06-21T16:29:56","date_gmt":"2020-06-21T19:29:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=234300"},"modified":"2020-06-21T16:29:56","modified_gmt":"2020-06-21T19:29:56","slug":"descoberta-nova-planta-no-parque-do-curio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/descoberta-nova-planta-no-parque-do-curio\/","title":{"rendered":"Descoberta nova planta no Parque do Curi\u00f3"},"content":{"rendered":"<p>A Ruellia capotyra (flor da mata, em tupi-guarani) \u00e9 a planta mais recente descoberta pela equipe multidisciplinar de pesquisadores e alunos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no Parque Natural Municipal do Curi\u00f3, em Paracambi, regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro. A equipe \u00e9 coordenada pela professora e taxonomista Denise Braz, do Departamento de Bot\u00e2nica da institui\u00e7\u00e3o. A planta teve sua descoberta confirmada pela revista cient\u00edfica Systematic Botany. As novas esp\u00e9cies s\u00f3 s\u00e3o reconhecidas ap\u00f3s sua publica\u00e7\u00e3o em uma revista cient\u00edfica especializada.<\/p>\n<p>Desde 2007, Denise e sua equipe t\u00eam realizado pesquisas de campo, no Parque do Curi\u00f3, dedicadas ao estudo da flora local, com foco nas plantas pertencentes \u00e0 fam\u00edlia Acanthaceae que l\u00e1 ocorrem. O primeiro achado do grupo foi a esp\u00e9cie Justicia paracambi. Batizada em homenagem \u00e0 regi\u00e3o, a planta teve sua descoberta reconhecida pela revista Phytotaxa, em 2015.<\/p>\n<p>A taxonomia \u00e9 uma das ci\u00eancias respons\u00e1veis por desvendar a riqueza de esp\u00e9cies existentes em territ\u00f3rio brasileiro, considerado um dos mais biodiversos do planeta. Especializados em reconhecer, classificar e nomear os organismos, os taxonomistas se empenham na busca por animais, fungos ou plantas que ainda n\u00e3o foram registrados pela ci\u00eancia. O grupo de Denise Braz se dedica \u00e0 descoberta e classifica\u00e7\u00e3o da flora.<\/p>\n<p><strong>Taxonomia<\/strong><br \/>\nDenise Braz contou hoje (21) \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que a import\u00e2ncia do trabalho da taxonomia \u00e9, justamente, o conhecimento das esp\u00e9cies da flora, quais as suas caracter\u00edsticas, a que grupo pertencem. \u201c\u00c9 o trabalho mais b\u00e1sico. A partir da\u00ed, sendo a esp\u00e9cie conhecida, ela pode servir a todos os outros estudos poss\u00edveis\u201d. A professora ressaltou que essas descobertas refor\u00e7am a elevada diversidade vegetal do pa\u00eds, considerada recentemente a mais alta em todo o mundo.<\/p>\n<p>\u201cEssa riqueza vegetal se transversa em riqueza de poss\u00edveis f\u00e1rmacos, medicamentos que a gente possa extrair dessa esp\u00e9cie, a import\u00e2ncia dessa esp\u00e9cie no ambiente. Ela serve a algum animal? Tem algum animal que depende dela? Qual \u00e9 o papel dela no ambiente, no controle e na exist\u00eancia de toda aquela fitossociologia que ali h\u00e1?\u201d. Essas s\u00e3o algumas resostas que podem servir a partir da descoberta de uma nova esp\u00e9cie vegetal.<\/p>\n<p>Denise salientou tamb\u00e9m a import\u00e2ncia das esp\u00e9cies descobertas para a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. O Parque do Curi\u00f3 est\u00e1 localizado pr\u00f3ximo da capital fluminense e apresenta uma floresta bem preservada, com esp\u00e9cie j\u00e1 descrita tamb\u00e9m por outra pesquisadora. \u201c\u00c9 uma \u00e1rea com uma riqueza vegetal muito grande. J\u00e1 detectamos que \u00e9 uma das maiores riquezas do estado e essa \u00e1rea deve ser preservada, porque abriga esp\u00e9cies amea\u00e7adas que t\u00eam \u00e1rea de ocorr\u00eancia muito restrita e j\u00e1 foram categorizadas como amea\u00e7adas. A gente precisa preservar essa nossa riqueza que \u00e9 um patrim\u00f4nio do pa\u00eds, na verdade\u201d, indicou a especialista.<\/p>\n<p><strong>Banco de dados<\/strong><br \/>\nDenise Braz destacou tamb\u00e9m que a flor da mata, devido \u00e0 sua beleza, pode ser explorada tamb\u00e9m como planta ornamental. A maioria das plantas cultivadas no jardim da UFRRJ veio desde a \u00e9poca dos colonizadores. \u201cTemos milhares de esp\u00e9cies brasileiras que podem servir a esse uso. Ent\u00e3o, s\u00e3o v\u00e1rios usos promissores\u201d. Deixou claro que o conhecimento da esp\u00e9cie \u00e9 o primeiro passo para abrir todo esse leque de outros conhecimentos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a coleta, as duas esp\u00e9cies descobertas pelo grupo de pesquisa foram registradas no Herb\u00e1rio do Departamento de Bot\u00e2nica da UFRRJ, ou RBR, como \u00e9 reconhecido internacionalmente. Fundado em 1916, o herb\u00e1rio tem cole\u00e7\u00e3o de mais de 50.000 amostras vegetais desidratadas (exsicatas) que servem de refer\u00eancia sobre a vegeta\u00e7\u00e3o e flora da regi\u00e3o do Rio de Janeiro. Atualmente, al\u00e9m do Parque Natural Municipal do Curi\u00f3, o RBR tamb\u00e9m possui projetos de pesquisas em outras \u00e1reas como a Reserva Biol\u00f3gica de Tingu\u00e1, o Parque Nacional do Itatiaia e o Parque Nacional da Serra dos \u00d3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Os taxonomistas da UFRRJ participaram recentemente de parceria entre o Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), que resultou na produ\u00e7\u00e3o do maior banco de dados da flora brasileira na internet, o Flora do Brasil Online 2020. Constru\u00eddo com o apoio de diferentes pesquisadores e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, o sistema re\u00fane informa\u00e7\u00f5es-chave sobre 48.369 esp\u00e9cies de fungos, plantas e algas reconhecidas por taxonomistas brasileiros e estrangeiros em pesquisas de campo por todo o pa\u00eds. \u201cA gente est\u00e1 servindo de exemplo para outros pa\u00edses, seguindo as metas globais para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade biol\u00f3gica\u201d. Denise afirmou que na parte dos vegetais, o Brasil tem dado exemplo ao mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ruellia capotyra (flor da mata, em tupi-guarani) \u00e9 a planta mais recente descoberta pela equipe multidisciplinar de pesquisadores e alunos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no Parque Natural Municipal do Curi\u00f3, em Paracambi, regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro. 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