{"id":234777,"date":"2020-06-27T10:48:29","date_gmt":"2020-06-27T13:48:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=234777"},"modified":"2020-06-27T10:47:16","modified_gmt":"2020-06-27T13:47:16","slug":"preso-em-casa-artista-busca-alternativa-de-sustento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/preso-em-casa-artista-busca-alternativa-de-sustento\/","title":{"rendered":"Preso em casa, artista busca alternativa de sustento"},"content":{"rendered":"<p>Em fun\u00e7\u00e3o da crise sanit\u00e1ria provocada pela covid-19, eventos culturais de grande porte, que acabam movimentando a economia dos locais onde s\u00e3o realizados, foram adiados, alguns sem anunciar nova data. A organiza\u00e7\u00e3o do Festival de Cinema de Gramado, um dos principais do pa\u00eds, resolveu manter quase inalterada a programa\u00e7\u00e3o, somente transferindo o evento de agosto para setembro. Mais cautelosa, a 26\u00aa Bienal Internacional do Livro de S\u00e3o Paulo, que recebe, em m\u00e9dia, 600 mil visitantes a cada edi\u00e7\u00e3o, ficou para 2022.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que os espa\u00e7os culturais precisam adotar o fechamento como medida de combate \u00e0 covid-19 e eventos s\u00e3o adiados pelo mesmo motivo, artistas t\u00eam tido dificuldade de encontrar uma fonte de renda. Por essa raz\u00e3o, est\u00e3o recorrendo \u00e0s redes sociais para passar o chap\u00e9u (como se denomina, no meio art\u00edstico, a pr\u00e1tica de recolher contribui\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias ap\u00f3s uma apresenta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Em um clique, encontram-se diversas postagens de artistas que, individual ou coletivamente, pedem doa\u00e7\u00f5es ou realizam lives (transmiss\u00f5es online, ao vivo) para arrecadar recursos. O perfil \u00e9 bastante heterog\u00eaneo. S\u00e3o artistas iniciantes e outros mais consolidados, como os do Teatro Oficina Uzyna Uzona, companhia que completa 62 anos de exist\u00eancia, este ano, e foi fundada por Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa, mais conhecido como Z\u00e9 Celso, um dos \u00edcones da tropic\u00e1lia.<\/p>\n<p>Para amparar os trabalhadores do setor, o Senado Federal aprovou, em 4 de junho, o projeto de Lei Aldir Blanc (PL n\u00ba 1075), que prev\u00ea a concess\u00e3o de benef\u00edcio no valor de R$ 600, al\u00e9m de possibilitar a distribui\u00e7\u00e3o de quantias para garantir a manuten\u00e7\u00e3o de empresas e espa\u00e7os culturais. Segundo o texto, a quantia que ser\u00e1 repassada da Uni\u00e3o, por meio do Fundo Nacional de Cultura, para estados, Distrito Federal e munic\u00edpios totaliza R$ 3 bilh\u00f5es. A proposta, apresentada pela deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), segue agora para san\u00e7\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p><strong>Obst\u00e1culos<\/strong><br \/>\nComo outros colegas de profiss\u00e3o, a artista e brincante Bruna Luiza tem passado por momentos dif\u00edceis durante a pandemia j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 trabalhos a serem feitos. Professora de circo, ela conta que nunca conseguiu manter uma reserva financeira e que costumava complementar a renda com aulas de refor\u00e7o escolar.<\/p>\n<p>Sem dinheiro guardado, ela e seu companheiro decidiram deixar Bras\u00edlia para ir morar em uma vila de Alex\u00e2nia, interior de Goi\u00e1s, onde o custo de vida \u00e9 menor. Com duas crian\u00e7as em casa, uma de 6 anos de idade e outra de 7, o casal est\u00e1 vivendo com o aux\u00edlio emergencial concedido pelo governo federal.<\/p>\n<p>&#8220;Quando come\u00e7ou a pandemia, nossa renda vinha das aulas de circo e t\u00ednhamos v\u00e1rios trabalhos fechados [j\u00e1 acordados]. Todas essas fontes de renda se foram. Atualmente, a gente est\u00e1 vivendo do aux\u00edlio emergencial. A gente est\u00e1 se inscrevendo em todos os editais que t\u00eam, mas s\u00e3o perspectivas futuras, porque nenhum edital foi para agora\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cMeu companheiro tem feito algumas lives e rodado o chap\u00e9u, mas n\u00e3o \u00e9 nada que gere muito dinheiro, \u00e9 um valor pequeno, com que d\u00e1 para fazer a feira, o m\u00ednimo. Eu ainda estou precisando me adaptar a essa nova realidade para buscar uma forma de trabalho&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Sobre os editais de fomento \u00e0 cultura, ela critica a l\u00f3gica de rivalidade que esse modelo de financiamento promove, defendendo que o processo seja revisado, tendo em vista que a crise atingiu parte significativa da classe art\u00edstica.<\/p>\n<p>&#8220;Eles lan\u00e7am edital, no meio dessa pandemia, em que colocam em competi\u00e7\u00e3o os artistas, que j\u00e1 est\u00e3o em um estado de vulnerabilidade muito grande&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>Bruna comenta que muitos artistas t\u00eam disponibilizado aulas e apresenta\u00e7\u00f5es gratuitas, o que encara como positivo para o p\u00fablico e, ao mesmo tempo, como obst\u00e1culo para os artistas que poderiam conseguir remunera\u00e7\u00e3o ensinando o que sabem e garantir parte do sustento durante a pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;Tem muito conte\u00fado sendo fornecido de gra\u00e7a. O que voc\u00ea quiser saber sobre circo, flexibilidade, for\u00e7a, acrobacia, tem muito material sendo disponibilizado. Vejo que tem dois lados interessantes. Um \u00e9 que fica acess\u00edvel para muita gente. Mas tamb\u00e9m fica dif\u00edcil de trabalhar, porque tem muita coisa de gra\u00e7a. E tem muita gente apertada [financeiramente].&#8221;<\/p>\n<p><strong>Museus<\/strong><br \/>\nEm meados de maio, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (Unesco) emitiu informe em que estimava que 13% dos museus de todo o mundo poderiam encerrar, em definitivo, suas atividades, em decorr\u00eancia das consequ\u00eancias da pandemia de covid-19. J\u00e1 naquele per\u00edodo, mais de 85 mil institui\u00e7\u00f5es, que representam 90% do total (95 mil), haviam suspendido visita\u00e7\u00f5es, a fim de evitar contamina\u00e7\u00f5es pelo novo coronav\u00edrus, e parte delas buscava se adaptar para manter exposi\u00e7\u00f5es online.<\/p>\n<p>No comunicado, a Unesco destacou que apenas 5% dos museus localizados em pa\u00edses da \u00c1frica e pa\u00edses insulares em desenvolvimento estavam conseguindo manter atividades em ambiente virtual. Como essa situa\u00e7\u00e3o, existem tamb\u00e9m outras que indicam que o segmento de cultura est\u00e1 sob amea\u00e7a, n\u00e3o apenas sob o ponto de vista de circula\u00e7\u00e3o do conhecimento e preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural, mas de sustento dos profissionais do ramo.<\/p>\n<p>De acordo com a Unesco, a falta de receita dos museus afeta tamb\u00e9m os funcion\u00e1rios dessas institui\u00e7\u00f5es e os artistas, muito deles aut\u00f4nomos ou trabalhando com &#8220;contratos prec\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Criatividade em n\u00fameros<\/strong><br \/>\nDe acordo com o Mapa Tribut\u00e1rio da Economia Criativa, elaborado pelo extinto Minist\u00e9rio da Cultura, em parceria com a Ag\u00eancia Brasileira de Coopera\u00e7\u00e3o e a Unesco, a classe criativa correspondia a 1,8% dos trabalhadores formais brasileiros, em 2015. Em 2013, a propor\u00e7\u00e3o era de 1,7%. Atualmente, a economia criativa responde por 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds. O documento foi divulgado em dezembro de 2018.<\/p>\n<p>Publicado em janeiro de 2019, um relat\u00f3rio da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad) aponta que as exporta\u00e7\u00f5es de bens criativos do Brasil, em que se sobressaem bens de design, como moda, design de interiores e joias, somaram US$ 923,4 milh\u00f5es em 2014. Naquele ano, somente as novas m\u00eddias produzidas no pa\u00eds, que incluem filmes, movimentaram US$ 102 milh\u00f5es. Artes visuais, por sua vez, geraram US$ 92 milh\u00f5es e artes e artesanato, US$ 73 milh\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em fun\u00e7\u00e3o da crise sanit\u00e1ria provocada pela covid-19, eventos culturais de grande porte, que acabam movimentando a economia dos locais onde s\u00e3o realizados, foram adiados, alguns sem anunciar nova data. 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