{"id":235019,"date":"2020-06-30T10:25:48","date_gmt":"2020-06-30T13:25:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=235019"},"modified":"2020-06-30T11:31:03","modified_gmt":"2020-06-30T14:31:03","slug":"covid-derruba-producao-nas-areas-de-arte-e-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/covid-derruba-producao-nas-areas-de-arte-e-cultura\/","title":{"rendered":"Covid derruba produ\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de arte e cultura"},"content":{"rendered":"<p>Resultados preliminares da pesquisa Percep\u00e7\u00e3o dos Impactos da Covid-19 nos Setores Culturais e Criativos do Brasil, divulgados no Rio de Janeiro em videoconfer\u00eancia, revelam que os setores da cultura e da economia criativa foram os mais afetados pela pandemia do novo coronav\u00edrus, \u201cporque tendem a voltar \u00e0 atividade s\u00f3 no fim da crise\u201d.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise foi feita pelo soci\u00f3logo Rodrigo Amaral, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos idealizadores do estudo. Segundo ele, a sondagem confirma o cen\u00e1rio de perda. \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o das pessoas est\u00e1 muito negativa, de perda generalizada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Como em todos os setores da economia, o impacto da pandemia sobre a cultura e a economia criativa \u00e9 muito forte, afirmou. Entre as organiza\u00e7\u00f5es ligadas aos dois setores, mais de 40% disseram ter registrado perda de receita entre 50% e 100%.<\/p>\n<p>J\u00e1 para os trabalhadores, as perdas narradas ficaram na m\u00e9dia de 35%. Os dois setores movimentam R$ 171,5 bilh\u00f5es por ano, o equivalente a 2,61% de toda a riqueza nacional, empregando 837,2 mil profissionais. Antes da pandemia, esses segmentos culturais e criativos tinham previs\u00e3o de gerar R$ 43,7 bilh\u00f5es para o Produto Interno Bruto (PIB) at\u00e9 2021. O PIB \u00e9 a soma de todas as riquezas produzidas pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Rodrigo Amaral informou que o trabalho recebeu uma forte participa\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Norte, por meio do Amazonas e, sobretudo, de Manaus, onde foi percebido um comportamento mais acentuado de perda de receita provocada pela pandemia.<\/p>\n<p>O menor impacto foi observado em S\u00e3o Paulo, onde 31% disseram ter perdido toda a receita entre mar\u00e7o e abril. Em contrapartida, o maior impacto ocorreu no Rio Grande do Sul, onde 63% afirmaram que n\u00e3o tiveram receita no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>Esfor\u00e7o conjunto<\/strong><br \/>\nO levantamento foi concebido a partir do esfor\u00e7o conjunto de pesquisadores, gestores p\u00fablicos, universidades e institui\u00e7\u00f5es culturais, interessados em registrar a vis\u00e3o de indiv\u00edduos e coletivos sobre os impactos da covid-19 nas suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, nas cadeias de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho foi lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 10 e ficar\u00e1 aberto para coleta de dados at\u00e9 o dia 16 de julho. A divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio final est\u00e1 prevista para 31 de julho. Os resultados ser\u00e3o oferecidos \u00e0s secretarias de cultura, como subs\u00eddio para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para os setores.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, mais de 964 organiza\u00e7\u00f5es e trabalhadores dos setores cultural e criativo responderam ao question\u00e1rio, que pode ser acessado no link. Desse total, 69% foram respondentes individuais e 31% organiza\u00e7\u00f5es, com predomin\u00e2ncia de artes perform\u00e1ticas, m\u00fasica e celebra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre os que responderam ao question\u00e1rio, foi observada predomin\u00e2ncia de pessoas da cor branca, com ensino superior acima da m\u00e9dia e com paridade entre homens e mulheres, na faixa et\u00e1ria entre 30 e 39 anos de idade (34%).<\/p>\n<p>Durante a v\u00eddeoconfer\u00eancia, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) anunciou ter recebido do ministro do Turismo, Marcelo \u00c1lvaro, a not\u00edcia da san\u00e7\u00e3o presidencial \u00e0 Lei Emergencial da Cultura Aldir Blanc. Ela foi relatora do projeto. A lei determina o repasse de R$ 3 bilh\u00f5es para o setor cultural e foi sancionada integralmente, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do prazo de 15 dias para repassse dos recursos a estados e munic\u00edpios.<\/p>\n<p><strong>Meio digital<\/strong><br \/>\nRodrigo Amaral salientou que, embora todos estejam sofrendo igualmente, algumas \u00e1reas da cultura e da economia criativa n\u00e3o conseguem fazer uma transi\u00e7\u00e3o muito simples para as plataformas digitais. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o setor da m\u00fasica. Afirmou que o meio digital pode ser uma porta de sa\u00edda que oferece disponibilidade de infraestrutura a um pre\u00e7o adequado.<\/p>\n<p>A ideia agora \u00e9 fazer um aprofundamento mais qualitativo da pesquisa, que conta com apoio do Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio (Sesc), da representa\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) no Brasil, do F\u00f3rum dos Secret\u00e1rios e Dirigentes de Cultura Estadual e das secretarias de Cultura de Alagoas, Amazonas, Bahia, Cear\u00e1, Esp\u00edrito Santo, Maranh\u00e3o, Par\u00e1, Paran\u00e1, Pernambuco e Sergipe.<\/p>\n<p>O pesquisador Andr\u00e9 Lira, tamb\u00e9m idealizador do projeto, disse que vai se procurar ampliar o n\u00famero de parceiros para permitir ter dados que contemplem todo o pa\u00eds e permitam pensar solu\u00e7\u00f5es e implement\u00e1-las.<\/p>\n<p><strong>Interioriza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA pesquisa busca interiorizar a captura de dados nas diferentes regi\u00f5es brasileiras, contemplando profissionais que residem em cidades distantes dos grandes centros, incluindo comunidades ind\u00edgenas, ribeirinhas, quilombolas e ciganas, entre outras. No \u00e2mbito das secretarias municipais, Amaral indicou que os respondentes informaram que a maior parte das a\u00e7\u00f5es de apoio aos setores culturais e criativos na pandemia tem se dado por meio da cria\u00e7\u00e3o de editais e na distribui\u00e7\u00e3o de aux\u00edlios de pequena monta e cestas b\u00e1sicas, \u201cna forma de socorro emergencial\u201d.<\/p>\n<p>A diretora de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc, L\u00facia Prado, disse que o Sesc acredita muito na possibilidade de promover essa capilaridade e interioriza\u00e7\u00e3o, foco da pesquisa e da institui\u00e7\u00e3o. Lembrou que o Sesc conta atualmente com 600 unidades espalhadas pelo Brasil, totalizando dois mil munic\u00edpios. Segundo ela, o Sesc pode ajudar a promover a pesquisa em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para a presidente do F\u00f3rum dos Secret\u00e1rios e Dirigentes de Cultura Estadual, Ursula Vidal, o estudo vem em um momento oportuno, porque entra como instrumemto auxiliar muito importante no processo de mapeamento da cultura, da arte e da economia criativa. \u201cSer\u00e1 uma ferramenta muito importante para essa radiografia e instrumentaliza\u00e7\u00e3o de estados e munic\u00edpios\u201d.<\/p>\n<p>A coordenadora de Cultura da Unesco no Brasil, Isabel de Paula, n\u00e3o tem d\u00favidas da import\u00e2ncia do levantamento para mapear o setor cultural que sofre com a pandemia e vai encontrar caminhos para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas para o setor. \u201cTeremos que pensar em uma nova maneira de construir esse trabalho\u201d, disse Isabel, garantindo o apoio da Unesco a esse esfor\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resultados preliminares da pesquisa Percep\u00e7\u00e3o dos Impactos da Covid-19 nos Setores Culturais e Criativos do Brasil, divulgados no Rio de Janeiro em videoconfer\u00eancia, revelam que os setores da cultura e da economia criativa foram os mais afetados pela pandemia do novo coronav\u00edrus, \u201cporque tendem a voltar \u00e0 atividade s\u00f3 no fim da crise\u201d. 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