{"id":237042,"date":"2020-07-26T01:16:23","date_gmt":"2020-07-26T04:16:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=237042"},"modified":"2020-07-26T09:21:55","modified_gmt":"2020-07-26T12:21:55","slug":"serie-boca-a-boca-vira-real-em-plena-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/serie-boca-a-boca-vira-real-em-plena-pandemia\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie Boca a Boca vira real em plena pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Tem uma s\u00e9rie de sucesso na telinha. \u00c9 Boca a Boca, na Netflix. E nem com bola de cristal Esmir Filho poderia prever que a s\u00e9rie que come\u00e7ou a desenvolver h\u00e1 dois anos chegaria ao p\u00fablico em plena pandemia, estabelecendo uma esp\u00e9cie de macabra coincid\u00eancia. A produ\u00e7\u00e3o a estreou no streaming na sexta, 17. No fim de semana passado, chegou ao top ten da Netflix. Uma hist\u00f3ria de jovens, numa pequena cidade. O v\u00edrus que se espalha por meio do beijo.<\/p>\n<p>\u201cEm mar\u00e7o, quando come\u00e7ou o isolamento, estava finalizando, ajustando a cor do sexto epis\u00f3dio, o final. A ideia inicial era falarmos \u2013 a s\u00e9rie \u00e9 correalizada com Juliana Rojas \u2013 sobre descobertas, desejos, experimenta\u00e7\u00f5es. Quer\u00edamos retratar o mundo jovem de hoje, que \u00e9 povoado por telas. Esse \u00e9 o tema, mas a\u00ed houve o coronav\u00edrus e o olhar sobre a s\u00e9rie foi mudando. A epidemia virou ponto de partida e o que agora se v\u00ea pode ser outra coisa \u2013 como ficam as rela\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a pandemia.\u201d<\/p>\n<p>Claro que a associa\u00e7\u00e3o com a covid-19 \u00e9 inevit\u00e1vel, mas o comportamento social \u00e9 padr\u00e3o e ajusta-se \u00e0s pandemias anteriores. \u201cA gente pesquisou e identificou um procedimento. P\u00e2nico, desconfian\u00e7a, discrimina\u00e7\u00e3o e, por se tratar de uma sociedade marcada por diferen\u00e7as de classes, existem corpos privilegiados. Fomos criando os personagens, as situa\u00e7\u00f5es. Boca a Boca estabelece um quadro sintom\u00e1tico da vida social.\u201d<\/p>\n<p>Tudo isso era fic\u00e7\u00e3o, mas foi mudado pela percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e da pr\u00f3pria equipe, ap\u00f3s a pandemia. Segundo a sinopse da Netflix, o filme \u00e9 sobre jovens nessa comunidade. Levam a vida dita normal, cada um com seus sonhos, dificuldades, as quest\u00f5es familiares. Com os horm\u00f4nios a mil, tentam dar vaz\u00e3o a suas necessidades afetivas e sexuais, e a\u00ed surge o v\u00edrus, que se espalha pelo beijo. Embora tenha o sugestivo nome de Progresso, a cidade \u00e9 conservadora. Os jovens possuem as ferramentas que as modernas tecnologias oferecem \u2013 as muitas telas -, mas a mentalidade do local n\u00e3o acompanha essa modernidade. Criam-se choques \u2013 entre pais e filhos, entre os jovens, entre eles. \u201cA prolifera\u00e7\u00e3o das redes em Progresso coloca essa quest\u00e3o contempor\u00e2nea que \u00e9 o estar junto sem contato f\u00edsico, que a gente colocou como fic\u00e7\u00e3o. Nem de longe imagin\u00e1vamos que a pandemia iria impor essa dist\u00e2ncia f\u00edsica.<\/p>\n<p>O beijo, como express\u00e3o da proximidade desejada, vira p\u00e2nico, desespero.\u201d E Esmir reflete: \u201c\u00c9 uma f\u00e1bula de afeto, mas o afeto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 instinto, gostar ou n\u00e3o gostar. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o. Vivemos num mundo em que, j\u00e1 antes da pandemia, as pessoas, e os jovens, j\u00e1 eram estimulados a viver vidas separadas, sem ideais coletivos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA inten\u00e7\u00e3o era lan\u00e7ar uma lupa sobre o conservadorismo. Nesses dois anos de gesta\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o do projeto, o conservadorismo avan\u00e7ou muito. \u00c9 um fen\u00f4meno global e o Brasil, que nos interessa, recuou d\u00e9cadas. Todo esse \u00f3dio contra negros, mulheres, gays, trans.\u201d Um tema muito forte \u00e9 o dos corpos privilegiados. O Brasil \u00e9 campe\u00e3o mundial de desigualdade. Quem pode o qu\u00ea. \u201cAchamos importante colocar o tema em discuss\u00e3o.\u201d E Esmir explica: \u201cSou a favor do corpo. De a gente correr atr\u00e1s de nossos desejo, respeitando o desejo dos outros. Todo mundo precisa se escutar, em vez de uns quererem ficar calando os outros. Por isso, a s\u00e9rie que \u00e9 sobre transforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e emocionais de jovens e tamb\u00e9m sobre pais e a forma como se relacionam com os filhos. Calhou de chegar com todo mundo confinado em casa, ent\u00e3o \u00e9 uma possibilidade de entendimento. Porque, se as pessoas conviverem mais e isso s\u00f3 gerar mais atrito, a coisa piora, foge ao controle\u201d.<\/p>\n<p>Tem sido sempre assim na trajet\u00f3ria de Esmir Filho, essa vontade de promover o crossover geracional. Surgiu, l\u00e1 atr\u00e1s, em 2006, com um curta, assinado coletivamente, que virou cult. Tapa na Pantera dava voz a um monstro do teatro, Maria Alice Vergueiro, grande figura, que narrava para a c\u00e2mera, com total desinibi\u00e7\u00e3o, sua experi\u00eancia libertadora com a maconha. Tapa na Pantera j\u00e1 sinalizava para esse elemento transgressivo, desde ent\u00e3o associado a Esmir Filho.<\/p>\n<p>Os Famosos e os Duendes da Morte j\u00e1 possu\u00eda elementos comuns com Boca a Boca \u2013 os jovens, a comunidade interiorana, o protagonista, Mr. Tambourine Man \u2013 inspirado na can\u00e7\u00e3o de Bob Dylan \u2013 que j\u00e1 usava a internet para fugir ao sufoco do mundo. Os Duendes da Morte n\u00e3o tinha o v\u00edrus, mas j\u00e1 tinha ali dentro, inoculado, o g\u00e9rmen da intoler\u00e2ncia. Dos seis epis\u00f3dios de Boca a Boca, o pr\u00f3prio Esmir realizou quatro, os primeiros. Juliana Rojas assina o cinco e o seis. Desde a escrita havia a preocupa\u00e7\u00e3o de onde filmar. O filme \u00e9 uma parceria da Gullane e da empresa de Esmir com a Netflix. Os Duendes foi filmado na serra ga\u00facha. Boca a Boca, em Goi\u00e1s Velho.<\/p>\n<p>\u201cQuando criei a cidade de Progresso pensei em procurar uma cidade de arquitetura colonial, era importante que tivesse a hist\u00f3ria do Brasil estampada na cidade, e me indicaram Goi\u00e1s Velho. Ent\u00e3o, quando fui l\u00e1 conhecer, achei maravilhoso, as belas fachadas e toda a hist\u00f3ria que tem por tr\u00e1s da cidade, que \u00e9 muito rica, e ao mesmo tempo tem uma juventude pulsante. Conheci os jovens que habitam ao redor, por conta da universidade. Vi performances de dan\u00e7a na pra\u00e7as, manifesta\u00e7\u00f5es acontecendo. Percebi que era uma cidade que, ao mesmo tempo que possu\u00eda uma hist\u00f3ria, tinha uma puls\u00e3o jovem que me interessava.\u201d<\/p>\n<p>Esmir filmou quatro dias em Goi\u00e1s Velho para fazer as fachadas e cenas-chave da hist\u00f3ria. Alguns espectadores familiarizados com o universo de Cora Coralina talvez identifiquem uma ponte que aparece muito em fotos e filmagens a ela relacionadas. A s\u00e9rie utiliza uma embalagem meio psicod\u00e9lica, trabalha as cores \u2013 azul, rosa \u2013 para criar uma identidade visual. E tem o elenco \u2013 Caio Horowicz, Michel Joelsas, Thomas Aquino, Luana Nastas. Esmir \u00e9 sens\u00edvel ao frescor que a juventude pode trazer a seu cinema. Como ele diz, \u201ca adolesc\u00eancia vem quando voc\u00ea chora sozinho no sil\u00eancio do seu quarto, chora n\u00e3o pelo outro, mas por voc\u00ea. A descoberta dos sentimentos carrega sempre algo doloroso\u201d. Mas Esmir n\u00e3o descuida dos veteranos. Denise Fraga, Olivia Byington, Bruno Garcia. Essa soma de t\u00e9cnicas e experi\u00eancias geracionais de interpreta\u00e7\u00e3o contribui para o encanto de Boca a Boca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem uma s\u00e9rie de sucesso na telinha. \u00c9 Boca a Boca, na Netflix. E nem com bola de cristal Esmir Filho poderia prever que a s\u00e9rie que come\u00e7ou a desenvolver h\u00e1 dois anos chegaria ao p\u00fablico em plena pandemia, estabelecendo uma esp\u00e9cie de macabra coincid\u00eancia. A produ\u00e7\u00e3o a estreou no streaming na sexta, 17. 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