{"id":239404,"date":"2020-08-30T09:46:38","date_gmt":"2020-08-30T12:46:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=239404"},"modified":"2020-08-30T11:19:46","modified_gmt":"2020-08-30T14:19:46","slug":"ttie-dye-vira-o-fenomeno-da-quarentena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ttie-dye-vira-o-fenomeno-da-quarentena\/","title":{"rendered":"Tie-dye vira o fen\u00f4meno da quarentena"},"content":{"rendered":"<p>A estampa tie-dye se consolidou durante a quarentena como um fen\u00f4meno da moda. Resgatada l\u00e1 dos anos 70, \u00e9poca em que o movimento hippie estava em alta, a estampa adquiriu significado antag\u00f4nico \u00e0 liberdade dos &#8220;paz e amor&#8221; de antigamente e se transformou em roupa de quem estava &#8220;preso&#8221; dentro de casa.<\/p>\n<p>Por ser f\u00e1cil de fazer, virou hobby para muita gente \u2013 houve at\u00e9 quem ganhasse dinheiro com a venda de camisetas personalizadas. O tie-dye bombou tanto que Larissa Manoela, por exemplo, &#8220;vestiu&#8221; sua cama de tie-dye, Maisa Silva fez maquiagem tie-dye, Preta Gil pintou as unhas na vibe tie-dye e at\u00e9 marcas criaram cole\u00e7\u00f5es de cosm\u00e9ticos inspiradas&#8230;<\/p>\n<p>Adivinha s\u00f3? No tie-dye. Assim como eu, voc\u00ea nem precisou sair de casa para saber que t\u00e1 todo mundo usando. Bastou uma r\u00e1pida olhadinha no perfil do Instagram de um amigo, de um famoso, um influenciador ou lojas online para ver diversas pessoas seguindo a tend\u00eancia do colorido desbotado.<\/p>\n<p>Segundo o personal stylist Marlon Portugal, a estampa tem origem oriental e \u00e9 datada do s\u00e9culo VI, mas sua populariza\u00e7\u00e3o se deu mesmo com o uso dos hippies americanos, o que fez inclusive com que o tie-dye fosse associado ao movimento. Anos mais tarde, em 1990, a estampa foi revisitada.&#8221;As pessoas que eram mais modernas pegaram a estampa por causa das cores. E os anos 90 est\u00e3o voltando. N\u00e3o totalmente como era, mas as pessoas revisitam o passado para criar o atual. H\u00e1 tamb\u00e9m o movimento de ter mais identidade, de ter o \u00fanico. As pessoas querem ter coisas exclusivas, dizer que elas que fizeram. Por isso, v\u00e3o a brech\u00f3s, compram coisas, repaginam, para ter alguma coisa \u00fanica ou para dizer que foi ela que fez. E no tie-dye isso \u00e9 poss\u00edvel&#8221;, explica o profissional de moda em entrevista ao Terra.<\/p>\n<p>Uma outra tese usada para explicar o fen\u00f4meno que a estampa se tornou aqui no Brasil \u00e9 a ic\u00f4nica entrada de Manu Gavassi no Big Brother Brasil 20. Na edi\u00e7\u00e3o deste ano, a cantora chegou ao reality vestindo uma camiseta tie-dye e, entre outras coisas, se tornou um s\u00edmbolo de moda dentro do programa. &#8220;Aqui no Brasil, a gente tem a televis\u00e3o como principal refer\u00eancia de moda. A gente fica muito limitado. A maioria das pessoas n\u00e3o tem acesso a outras influ\u00eancias de revistas, livros e at\u00e9 internet. Fora do pa\u00eds as pessoas j\u00e1 estavam usando tie-dye antes da Manu Gavassi por causa do street style, a ideia de mesclar uma pe\u00e7a chique a algo do dia a dia. Um salto com um moletom. Mas n\u00e3o duvido que ela tenha exercido certa influ\u00eancia, que se consolidou na quarentena, com a possibilidade de as pessoas criarem&#8221;, acrescenta o especialista.<\/p>\n<p>A estampa \u00e9 f\u00e1cil de ser reproduzida e dispensa habilidades manuais como o tric\u00f4 ou o croch\u00ea. N\u00e3o \u00e0 toa a estudante Manuela Queiroz, de apenas 12 anos, se juntou com uma amiga e criou um perfil no Instagram, o 10colada_colorida_, para vender camisetas na estampa tie-dye a amigos e conhecidos, em Salvador. A dupla j\u00e1 vendeu mais de 40 camisetas, com pre\u00e7os que variam entre R$ 40 e R$ 45 a depender do modelo (marmorizado ou caracol).<\/p>\n<p>&#8220;A gente compra as camisetas, os clientes escolhem as cores e o modelo da estampa, e em at\u00e9 uma semana a gente entrega em casa. As fam\u00edlias apoiaram a ideia, apesar de ficarem em d\u00favida quanto \u00e0 entrega. Mas eu acho que fazer as camisetas foi muito legal porque a gente vive experi\u00eancias novas, cria o pr\u00f3prio hobby e \u00e9 uma distra\u00e7\u00e3o para n\u00e3o ficar ligado s\u00f3 no celular&#8221;, conta a empreendedora mirim.<\/p>\n<p>Em Campinas, no interior de S\u00e3o Paulo, a boutique Petit Croqui investiu na estampa para a cole\u00e7\u00e3o de inverno da loja infantil. O sucesso foi t\u00e3o grande que a marca precisou pedir reposi\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m criou conjuntos para que m\u00e3e e filha se vistam com o mesmo modelo. &#8220;Com a chegada das f\u00e9rias de julho percebemos a necessidade de termos mais op\u00e7\u00f5es por causa da demanda&#8221;, detalha Joana Silva, s\u00f3cia propriet\u00e1ria da boutique multi-marcas.<\/p>\n<p>Para a maquiadora profissional Taise Pimentel, as m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o contra o coronav\u00edrus podem ter sido um dos principais fatores de migra\u00e7\u00e3o tie-dye da camiseta para a make. &#8220;A gente n\u00e3o pode se inspirar muito no batom, no blush, porque n\u00e3o aparecem. Por isso, os delineados gr\u00e1ficos e sombras coloridas vieram com muita for\u00e7a. As sombras tie-dye nada mais s\u00e3o que sombras coloridas em tons past\u00e9is ou mais fortes que s\u00e3o esfumadas juntas para trazer mais destaque ao olhar. A quarentena fez com que as pessoas assistissem a tutoriais e fizessem challenges no TikTok, o que ajudou a espalhar a tend\u00eancia&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Antes da pandemia, o fen\u00f4meno das cores na maquiagem j\u00e1 estava engatinhando por causa das refer\u00eancias de maquiagem retr\u00f4. &#8220;Isso vem dos anos 1990 e 1980. Nos anos 1970 as pessoas eram mais good vibes, usavam cores para fazer pinturas no corpo com formatos de flores. Mas o tie-dye na maquiagem traz uma renova\u00e7\u00e3o para o mercado da maquiagem, que est\u00e1 muito saturado&#8221;, opina.<\/p>\n<p>Taise acredita que as influenciadoras digitais colaboraram para que as marcas nacionais trouxessem mais novidades em termos de qualidade dos produtos e diversidade de cores. &#8220;As blogueiras falavam muito dos produtos que vinham l\u00e1 de fora. O mercado brasileiro foi estudando, foi incorporando as tend\u00eancias e aliando elas \u00e0s blogueiras para que as pessoas tivessem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e ao produto. Por isso a gente tem visto um crescimento muito grande, porque as tecnologias est\u00e3o mais acess\u00edveis&#8221;, defende a maquiadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estampa tie-dye se consolidou durante a quarentena como um fen\u00f4meno da moda. Resgatada l\u00e1 dos anos 70, \u00e9poca em que o movimento hippie estava em alta, a estampa adquiriu significado antag\u00f4nico \u00e0 liberdade dos &#8220;paz e amor&#8221; de antigamente e se transformou em roupa de quem estava &#8220;preso&#8221; dentro de casa. 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