{"id":244673,"date":"2020-11-08T12:11:25","date_gmt":"2020-11-08T15:11:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=244673"},"modified":"2020-11-08T13:04:50","modified_gmt":"2020-11-08T16:04:50","slug":"quanto-custa-ter-ou-adaptar-uma-casa-inteligente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/quanto-custa-ter-ou-adaptar-uma-casa-inteligente\/","title":{"rendered":"Quanto custa ter (ou adaptar) uma casa inteligente?"},"content":{"rendered":"<p>Maria Zilah Getti, de 77 anos, s\u00f3 tinha uma exig\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o do seu novo lar: uma casa inteligente. Seguindo as ordens da nova moradora, a arquiteta Flavia Ranieri, do escrit\u00f3rio Mys Senior Design, instalou um sistema de luz e som integrados, fechaduras autom\u00e1ticas e mais uma s\u00e9rie de aparelhos que atendessem \u00e0s necessidades e vontades de Dona Zilah.<\/p>\n<p>O que era luxo agora significa comodidade. A tecnologia na casa garante, para pessoas de todas as idades, seguran\u00e7a, personaliza\u00e7\u00e3o e economia. Em tempos de coronav\u00edrus, passou tamb\u00e9m a ser uma medida sanit\u00e1ria, uma vez que a maioria dos comandos \u00e9 feita por assistentes de voz ou programa\u00e7\u00e3o, evitando o toque.<\/p>\n<p>As iniciativas podem ajudar ainda pessoas com algum tipo de defici\u00eancia, com bot\u00f5es que fazem prateleiras descerem ou l\u00e2mpadas conectadas com a campainha, o que permite que pessoas com dificuldades de audi\u00e7\u00e3o possam entender a presen\u00e7a de uma pessoa na porta.<\/p>\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Automa\u00e7\u00e3o Residencial e Predial (Aureside), atualmente existe uma m\u00e9dia de 900 mil a 2 milh\u00f5es de casas inteligentes no Pa\u00eds &#8211; algo que em 2015 chegava perto de 300 mil. \u201cEstamos em um momento de usar a casa. E, por causa disso, surgiram muitas necessidades novas, das quais a automa\u00e7\u00e3o desempenha um papel extremamente importante\u201d, diz o presidente da Aureside, Jos\u00e9 Roberto Muratori, citando como exemplo a conectividade e produtividade para o home office.<\/p>\n<p>Para os idosos, trazer a tecnologia para a realidade do dia a dia \u00e9 sin\u00f4nimo de autonomia, com l\u00e2mpadas que acendem automaticamente ao sentir movimento a gavetas de rem\u00e9dios com sensores programados, que avisam o morador o hor\u00e1rio da medica\u00e7\u00e3o. \u201cA casa inteligente \u00e9 aquela que simplesmente entende suas necessidades\u201d, resume Flavia Ranieri.<\/p>\n<p>Segundo ela, a \u00fanica diferen\u00e7a da tecnologia para a terceira idade e para os mais jovens \u00e9 que o primeiro grupo precisa de um suporte para come\u00e7ar a usar o sistema. &#8220;Mas se eles tiverem (essa ajuda), eles abra\u00e7am\u201d, coloca a profissional que, desde 2017, trabalha com projetos especializados em gerontologia. Zilah \u00e9 da mesma opini\u00e3o. \u201cEu acho muito triste as pessoas acharem que a gente n\u00e3o sabe mexer com tecnologia. Eu sou formada em direito, fiz museologia e biblioteconomia, viajei pro exterior, adoro desenhar, escrever, ler; antes da pandemia tinha aula de ingl\u00eas e de equita\u00e7\u00e3o. Com toda essa bagagem de informa\u00e7\u00f5es, pelo amor de Deus, n\u00e9?\u201d, indaga ela.<\/p>\n<p><strong>Quanto custa<\/strong><br \/>\nO novo cen\u00e1rio digital das casas \u00e9 dividido em dois grandes grupos: automa\u00e7\u00e3o de projeto e plug and play (conecte e use, em tradu\u00e7\u00e3o livre). O primeiro \u00e9 pensado, geralmente, antes das obras, uma vez que exige uma infraestrutura espec\u00edfica para integrar os sistemas. J\u00e1 o segundo segue a linha do &#8220;fa\u00e7a voc\u00ea mesmo&#8221; e permite que o pr\u00f3prio morador realize as transforma\u00e7\u00f5es inteligentes \u2013 o que tornou esse universo atraente at\u00e9 para leigos no assunto.<\/p>\n<p>Com o aumento de produtos no mercado, o pre\u00e7o, que antes era inating\u00edvel para muitos, caiu \u2013 h\u00e1 produtos inteligentes por menos de R$ 50 no mercado &#8211; e mais empresas e usu\u00e1rios passaram a investir no conceito de automa\u00e7\u00e3o. No entanto, o pre\u00e7o para criar uma casa inteligente varia muito.<\/p>\n<p>Para uma casa de 100 m\u00b2, a partir de R$ 450 \u00e9 poss\u00edvel instalar um controle de quatro circuitos de ilumina\u00e7\u00e3o e dispositivos que utilizam controle remoto, como ar-condicionado e televis\u00e3o, de acordo com a empresa WDC Networks. J\u00e1 com base nos produtos da linha Smarteck, da Steck, R$ 2 mil s\u00e3o suficientes para instalar interruptores internos, fechaduras e plugues inteligentes ao longo de toda a casa. Para projetos de automa\u00e7\u00e3o completos, o valor fica em torno dos R$ 10 mil.<\/p>\n<p><strong>Como funciona?<\/strong><br \/>\n\u201cQuando falamos do acess\u00edvel, ele tem alguns pilares: o de pre\u00e7o, o da linguagem &#8211; pois tudo est\u00e1 em portugu\u00eas, desde o manual at\u00e9 o aplicativo &#8211; e o da instala\u00e7\u00e3o\u201d, conta Nayara Diniz, gerente de produtos da Steck, empresa especializada em produtos inteligentes. Um deles \u00e9 o Plugue Tomada, que consegue transformar qualquer objeto em inteligente e, assim, fazer com que eles sejam ligados por aplicativos no smartphone ou por comando de voz quando conectados com assistentes virtuais do Google ou da Amazon, por exemplo.<\/p>\n<p>Dentre as vantagens de ter um smart speaker, seja ele o Nest (da Google) ou a Echo (da Amazon), \u00e9 que eles podem funcionar como uma central de controle de todos os itens inteligentes da casa. Basta cadastrar cada um desses objetos no aplicativo referente. Al\u00e9m disso, o sistema de voz \u00e9 algo mais intuitivo, o que facilita seu uso.<\/p>\n<p>Por exemplo, a palavra &#8220;cineminha&#8221; pode ser programada para acionar diversos aparelhos instantaneamente: luzes, pipoqueira e televis\u00e3o. Por\u00e9m, isso exige alguma prepara\u00e7\u00e3o. No caso da pipoqueira, ela precisa estar conectada em uma tomada inteligente &#8211; e com milho &#8211; para que a pipoca estoure. Em vez de usar palavras, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m programar hor\u00e1rios para, assim, ter uma rotina com os aparelhos. Por exemplo, fazer com que de segunda a sexta, \u00e0s 6h, a m\u00e1quina de caf\u00e9 ligue automaticamente.<\/p>\n<p>Fazer esse planejamento com os aparelhos \u00e9 o que transforma uma casa autom\u00e1tica em inteligente. \u201cEm uma casa automatizada voc\u00ea precisa acionar os dispositivos, mesmo que remotamente. J\u00e1 em uma inteligente os dispositivos conversam entre si e atuam a partir de um modelo mais proativo, normalmente gerenciados por um sistema de intelig\u00eancia artificial\u201d, explica o professor em Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o e doutor em Telecomunica\u00e7\u00f5es Mauro Margalho Coutinho.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o de Moema, na zona sul de S\u00e3o Paulo, a arquiteta Gabriela Prado rompeu com a ideia de que um projeto tecnol\u00f3gico deve seguir a paleta prateada, t\u00e3o comum nos filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Com tons neutros, detalhes em madeira e m\u00f3veis que exalam conforto, o projeto de 70m\u00b2 \u00e9 inteiramente automatizado. Para ela, ter bons fornecedores foi essencial para a constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 tinha feito automa\u00e7\u00e3o de som, de coisas separadas, mas dessa vez fiz tudo conectado. E eu n\u00e3o sabia como era isso. Ent\u00e3o tinha algu\u00e9m na obra para me dar o suporte, uma outra pessoa de automa\u00e7\u00e3o que conferia se estava tudo certo. Isso foi fundamental\u201d, conta.<\/p>\n<p>Pensando nisso a WDC Networks criou a Casa Conectada, &#8220;um lugar para desmistificar a tecnologia da casa para a arquitetura e para o usu\u00e1rio&#8221;, segundo explica o CEO da empresa, Vanderlei Rigatieri. \u201cQuando fomos estudar esse mercado mais a fundo, percebemos que a automa\u00e7\u00e3o ainda era um produto de luxo. Ent\u00e3o surgiu a ideia de criar um padr\u00e3o de projetos e ter um lugar para falar diretamente com o p\u00fablico\u201d, diz.<\/p>\n<p>O sistema utilizado, o Z-Wave, n\u00e3o depende da internet &#8211; trata-se de um tipo de protocolo que usa ondas de r\u00e1dio, diferentemente do Wi-Fi. Seria, numa explica\u00e7\u00e3o simplista, uma esp\u00e9cie de rede wireless espec\u00edfica (e exclusiva) para a casa. Al\u00e9m disso, os produtos t\u00eam baterias para que o morador n\u00e3o fique sem plano B caso acabe a luz, por exemplo. \u201c\u00c9 tudo pensado para que voc\u00ea tenha conforto e seguran\u00e7a\u201d, pontua Vanderlei.<\/p>\n<p>Outro termo atual que a casa inteligente traz \u00e9 a sustentabilidade. Ela permite a visualiza\u00e7\u00e3o dos gastos de energia por meio de aplicativos e racionalizar os gastos. \u201cAssim como um carro moderno que desliga o motor quando percebe que voc\u00ea parou em um sem\u00e1foro e religa assim que voc\u00ea pisa no acelerador, uma casa inteligente perceber\u00e1 que voc\u00ea saiu para fazer algo e deixou sua TV ligada. Ele poder\u00e1 deslig\u00e1-la e relig\u00e1-la quando os sensores de movimento detectarem sua reaproxima\u00e7\u00e3o do quarto\u201d, explica Mauro.<\/p>\n<p>Alguns estabelecimentos privados j\u00e1 come\u00e7aram a usar a tecnologia como uma forma de evitar a transmiss\u00e3o da covid-19. Em Goi\u00e1s, na tur\u00edstica cidade de Piren\u00f3polis (a 140 km de Bras\u00edlia e 120 km de Goi\u00e2nia), a Ayla Smart House &#8211; im\u00f3vel que pode ser alugado por temporada -, conta com um sistema autom\u00e1tico para garantir que seus h\u00f3spedes tenham o m\u00ednimo de contato poss\u00edvel nos objetos e superf\u00edcies da acomoda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A tecnologia por comando de voz liga e desliga aparelhos, passa informa\u00e7\u00f5es sobre a cultura e a hist\u00f3ria da cidade e at\u00e9 realiza o check-in, sem a necessidade do contato humano. Foram oito meses para deixar a casa preparada para receber os h\u00f3spedes, que podem ser lembrados de seus compromissos pelo Google Nest. At\u00e9 o cafezinho fica pronto automaticamente &#8211; basta programar o hor\u00e1rio e voil\u00e0.<\/p>\n<p>Na casa de repouso Elissa Village, em Curitiba, al\u00e9m de garantir a seguran\u00e7a, a casa inteligente traz tamb\u00e9m autonomia para os idosos, o que facilita a locomo\u00e7\u00e3o e o dia a dia e dispensa a necessidade de um enfermeiro presente durante todo o tempo. &#8220;No banheiro, al\u00e9m do monocomando, eles t\u00eam o termostato para garantir a temperatura m\u00e1xima da \u00e1gua. Tamb\u00e9m existem c\u00e2meras (com imagens pixeladas, para garantir privacidade) para detectar quedas&#8221;, conta a arquiteta Fl\u00e1via Ranieri, que fez o projeto dos quartos do local.<\/p>\n<p>Desde 1962, com o desenho Os Jetsons, sonhamos com a casa inteligente. Com o avan\u00e7o das tecnologias, ela finalmente chegou. Para o presidente da Aureside, Jos\u00e9 Muratori, a verdade \u00e9 simples: \u201cEla n\u00e3o \u00e9 mais a casa do futuro. \u00c9 a do presente\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Zilah Getti, de 77 anos, s\u00f3 tinha uma exig\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o do seu novo lar: uma casa inteligente. 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