{"id":245794,"date":"2020-11-24T15:43:05","date_gmt":"2020-11-24T18:43:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=245794"},"modified":"2020-11-24T17:47:03","modified_gmt":"2020-11-24T20:47:03","slug":"economia-vive-novo-gargalo-sem-materia-prima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/economia-vive-novo-gargalo-sem-materia-prima\/","title":{"rendered":"Economia vive novo gargalo sem mat\u00e9ria prima"},"content":{"rendered":"<p>Por tr\u00eas vezes ao longo do m\u00eas de outubro, Diogo Murrieta, dono da pizzaria La-N\u00e1poles, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, tentou comprar as embalagens de papel\u00e3o nas quais suas pizzas s\u00e3o entregues aos clientes e n\u00e3o conseguiu. Em novembro, seu fornecedor voltou a ter caixas de pizza dispon\u00edveis, mas com um reajuste de pre\u00e7os de 20%.<\/p>\n<p>&#8220;Por tr\u00eas vezes aconteceu a falta de mat\u00e9ria-prima, n\u00e3o teve abastecimento. Algo que nunca tinha acontecido&#8221;, diz Murrieta.<\/p>\n<p>Antes da alta de pre\u00e7os das embalagens, houve um aumento de mais de 100% no valor da mu\u00e7arela, que passou de R$ 16 o quilo para at\u00e9 R$ 34 em meados da pandemia. Agora, o pre\u00e7o come\u00e7ou a cair, e o pizzaiolo de Bel\u00e9m j\u00e1 encontra o produto a R$ 26.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o veio a alta das carnes, com a calabresa 50% mais cara e o bacon, 40%.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, Murrieta n\u00e3o viu alternativa: teve de aumentar o pre\u00e7o de suas pizzas em 10%. Buscando a compreens\u00e3o dos clientes, publicou um aviso nas redes sociais explicando a situa\u00e7\u00e3o. Ainda assim, o reajuste foi insuficiente para recompor suas margens e, com os pre\u00e7os mais altos, a pizzaria perdeu um pouco em volume de vendas.<\/p>\n<p><strong>Camisetas<\/strong><br \/>\nNo outro extremo do pa\u00eds, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, regi\u00e3o metropolitana de Curitiba, a vendedora de camisetas Laissa Cancelier Negoseki, dona da marca Brusinhas Estamparia, tamb\u00e9m usou as redes sociais para compartilhar com seus clientes uma situa\u00e7\u00e3o para ela in\u00e9dita: em meados de setembro, n\u00e3o se achava camisetas de malha para comprar no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca, em toda nossa hist\u00f3ria, tivemos uma crise t\u00e3o grande nas mat\u00e9rias-primas do setor t\u00eaxtil&#8221;, dizia a vendedora.<\/p>\n<p>Em novembro, Negoseki segue com dificuldade para comprar camisetas, com fornecedores pedindo prazos de at\u00e9 tr\u00eas ou quatro meses para entrega, ante uma espera de 15 dias em tempos normais. E \u00e0 falta de camisetas, soma-se agora a indisponibilidade no mercado da tinta branca importada usada para estampar as blusinhas, al\u00e9m de um aumento de quatro vezes no pre\u00e7o do primer, pr\u00e9-tratamento usado nas camisetas para fixa\u00e7\u00e3o das tintas.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o somente caixas de pizza e camisetas em falta no pa\u00eds. Empres\u00e1rios dos mais diversos setores relatam falta de a\u00e7o, cobre, resinas pl\u00e1sticas, produtos qu\u00edmicos, embalagens de papel\u00e3o, pl\u00e1stico e vidro, algod\u00e3o e tecidos, placas de MDP, MDF e espumas utilizadas na fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis, e at\u00e9 do sebo bovino utilizado na produ\u00e7\u00e3o de sabonetes.<\/p>\n<p>Mas o que explica essa escassez generalizada e alta de pre\u00e7os de insumos num momento em que a economia retoma atividades, ap\u00f3s a fase mais dura do isolamento provocado pela pandemia do coronav\u00edrus?<\/p>\n<p>A BBC News Brasil ouviu especialistas e lista os seis fatores que explicam essa situa\u00e7\u00e3o, quais as consequ\u00eancias disso para a economia, al\u00e9m de at\u00e9 quando esse cen\u00e1rio deve perdurar.<\/p>\n<p><strong>1. Redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nSegundo economistas, um primeiro fator que explica a falta de insumos nos \u00faltimos meses foi um desarranjo das cadeias produtivas que aconteceu no in\u00edcio da pandemia.<\/p>\n<p>Entre mar\u00e7o e abril, com a expectativa de uma queda aguda da demanda e sem perspectivas de quando o consumo iria se normalizar, al\u00e9m da necessidade de cumprir regras de distanciamento social para seguran\u00e7a dos trabalhadores nas f\u00e1bricas, as ind\u00fastrias botaram o p\u00e9 no freio na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O in\u00edcio da pandemia foi um momento de profunda incerteza, em que ningu\u00e9m sabia o que ia acontecer, qual seria o tamanho da queda do PIB, quais seriam as medidas que o governo ia adotar, qual seria a efic\u00e1cia dessas medidas, quanto tempo aquilo iria demorar&#8221;, lembra Rafael Cagnin, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).<\/p>\n<p>Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), entre mar\u00e7o e abril, a produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira acumulou queda de 27%. Desde ent\u00e3o, o setor vem se recuperando m\u00eas a m\u00eas, mas somente em setembro retomou o n\u00edvel de fevereiro.<\/p>\n<p><strong>2. Consumo de estoques<\/strong><br \/>\nSem produzir e diante da demora inicial do governo para disponibilizar linhas de cr\u00e9dito para o setor produtivo, a ind\u00fastria precisou gerar caixa para honrar seus compromissos financeiros. Com isso, muitas empresas consumiram seus estoques, tanto de insumos, como de produtos acabados.<\/p>\n<p>Quando a atividade come\u00e7ou a retomar na pandemia, ocorreu um desencontro: varejistas precisando comprar para repor estoques e ind\u00fastrias com a produ\u00e7\u00e3o ainda reduzida e sem estoques<\/p>\n<p>O mesmo aconteceu no varejo. Com lojas e shoppings fechados, muitos comerciantes frearam novas compras e preferiram vender o que j\u00e1 tinham em seus acervos.<\/p>\n<p>Quando a atividade come\u00e7ou a retomar, esse duplo movimento resultou em um desencontro: varejistas precisando comprar para repor estoques e ind\u00fastrias com a produ\u00e7\u00e3o ainda reduzida e sem estoques para atender \u00e0 demanda do com\u00e9rcio e de outras ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>Conforme dados da CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria), o \u00edndice de estoques do setor est\u00e1 em queda desde mar\u00e7o. O indicador estava em 49,9 naquele m\u00eas e chegou a 43,3 em outubro. Valores acima dos 50 pontos indicam crescimento do n\u00edvel de estoques ou reservas acima do desejado. Abaixo desse patamar, o n\u00edvel de estoques \u00e9 considerado insatisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>3. Recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida<\/strong><br \/>\nUm terceiro fator que explica a escassez e alta de pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas foi a recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida do que o esperado da atividade econ\u00f4mica no pa\u00eds. Segundo os analistas, isso se deveu em grande medida aos efeitos do aux\u00edlio emergencial sobre o consumo.<\/p>\n<p>&#8220;Tivemos dois meses em que a demanda foi muito baixa, e da\u00ed o governo jogou quase R$ 300 bilh\u00f5es para 66 milh\u00f5es de pessoas atrav\u00e9s do aux\u00edlio emergencial e esse dinheiro foi imediatamente para o consumo&#8221;, observa Ricardo Roriz, presidente da Abiplast (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Pl\u00e1stico) e vice-presidente da Fiesp (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>&#8220;Se esperava, no in\u00edcio do choque da covid-19, uma queda muito mais profunda do n\u00edvel de atividade e uma demora muito maior na recupera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Cagnin, do Iedi.<\/p>\n<p>&#8220;O que vimos foi uma surpresa positiva, com uma reativa\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade mais r\u00e1pida do que se previa. Como as ind\u00fastrias estavam com estoques muito comprimidos, isso gerou um estresse na cadeia produtiva, com empresas n\u00e3o conseguindo atender todos os seus clientes, nem comprar todos os insumos necess\u00e1rios de seus fornecedores.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o boletim Focus, do Banco Central, a expectativa mediana do mercado para a queda do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2020 chegou a 6,6% ao final de junho. Desde ent\u00e3o, diante dos resultados melhores do que o esperado da atividade nos \u00faltimos meses, os economistas t\u00eam melhorado suas estimativas e a proje\u00e7\u00e3o agora \u00e9 de baixa de 4,55% no ano.<\/p>\n<p><strong>4. Apetite voraz<\/strong><br \/>\nA demanda acima do esperado n\u00e3o foi apenas interna. Com o controle da pandemia em outros pa\u00edses do mundo, particularmente na China, a demanda externa por commodities brasileiras explodiu.<\/p>\n<p>Esse forte aumento das exporta\u00e7\u00f5es foi favorecido ainda pelo real desvalorizado em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, que torna mais rent\u00e1vel para as empresas vender para fora do que para o mercado interno. Ao mesmo tempo, o d\u00f3lar alto inibe importa\u00e7\u00f5es, o que tamb\u00e9m reduz a oferta de produtos no mercado dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>O voraz apetite chin\u00eas tamb\u00e9m levou a uma alta de pre\u00e7os das commodities, cujos valores s\u00e3o definidos por negocia\u00e7\u00f5es em bolsas internacionais. A combina\u00e7\u00e3o de alta de pre\u00e7os das commodities, desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial e forte volume de exporta\u00e7\u00f5es levou \u00e0 explos\u00e3o de pre\u00e7os no mercado interno de produtos como soja, arroz, algod\u00e3o, prote\u00edna animal, a\u00e7o, alum\u00ednio, papel e celulose.<\/p>\n<p>Forte aumento das exporta\u00e7\u00f5es foi favorecido ainda pelo real desvalorizado em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 medida que exportamos para aproveitar o real desvalorizado e ganhar mais com isso, falta produto para o mercado brasileiro e isso se reflete nos pre\u00e7os&#8221;, diz Andr\u00e9 Braz, coordenador de \u00edndices de pre\u00e7os do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas).<\/p>\n<p><strong>5. Gargalos log\u00edsticos<\/strong><br \/>\nUm quinto fator no desarranjo da ind\u00fastria foram gargalos log\u00edsticos. Com a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de voos internacionais &#8211; a Iata (Associa\u00e7\u00e3o Internacional do Transporte A\u00e9reo) espera que o tr\u00e1fego a\u00e9reo de 2020 seja 66% menor que o registrado em 2019 &#8211; houve queda na oferta e encarecimento do frete a\u00e9reo, dificultando a importa\u00e7\u00e3o de diversos produtos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no come\u00e7o da pandemia, muitos navios ficaram parados, impedindo o tr\u00e2nsito de insumos. &#8220;O Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito distante dos principais mercados, com tempo de tr\u00e2nsito muito longo, ent\u00e3o quem precisou fazer uma importa\u00e7\u00e3o para regularizar sua situa\u00e7\u00e3o de abastecimento, teve que esperar muito tempo&#8221;, diz Roriz, da Abiplast e da Fiesp.<\/p>\n<p><strong>6. Pedidos repetidos<\/strong><br \/>\nPor fim, um \u00faltimo fator que explica a falta de mat\u00e9rias-primas, segundo os especialistas, \u00e9 que esse fen\u00f4meno se retroalimenta. Com medo da escassez, empresas tendem a fazer pedidos em maior volume ou repetidos para diferentes fornecedores, o que agrava o desabastecimento de insumos.<\/p>\n<p>&#8220;Na retomada, como a ind\u00fastria sacou que a recupera\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais aquecida do que o esperado, est\u00e1 todo mundo indo \u00e0s compras&#8221;, diz Braz, da FGV.<\/p>\n<p>&#8220;E como muitas mat\u00e9rias-primas s\u00e3o indexadas em d\u00f3lar, h\u00e1 um medo de uma nova desvaloriza\u00e7\u00e3o que encare\u00e7a ainda mais as mat\u00e9rias-primas. Esse g\u00e1s para comprar, tudo ao mesmo tempo, e em quantidade igual ou maior do que no per\u00edodo anterior \u00e0 pandemia, tem contribu\u00eddo para esse gargalo.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Efeitos da escassez<\/strong><br \/>\nS\u00e3o dois os efeitos principais da falta de mat\u00e9rias-primas para a economia, segundo os especialistas. O primeiro deles \u00e9 que isso freia um tanto a recupera\u00e7\u00e3o da atividade, e o segundo \u00e9 a press\u00e3o de pre\u00e7os e custos ao longo das cadeias produtivas.<\/p>\n<p>&#8220;Como a demanda ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente recuperada, as empresas t\u00eam tido dificuldade de repassar o aumento de custos integralmente aos clientes&#8221;, diz Cagnin. &#8220;Isso acaba sendo absorvido, pelo menos em parte, pelas companhias, resultando em perda de margens.&#8221;<\/p>\n<p>Com recupera\u00e7\u00e3o da atividade prejudicada, a retomada do emprego pode ser mais lenta, segundo economista<\/p>\n<p>O economista lembra, por\u00e9m, que as empresas v\u00eam sofrendo com compress\u00e3o de margens desde 2015, devido \u00e0 crise anterior. A esse problema, se soma o fato de que as companhias devem sair da crise do coronav\u00edrus com endividamento muito maior, j\u00e1 que muitas recorreram a mecanismos de financiamento emergenciais.<\/p>\n<p>&#8220;A compress\u00e3o de margens dificulta pagar essa d\u00edvida mais rapidamente e compromete os investimentos futuros, j\u00e1 que a principal fonte de financiamento das empresas brasileiras \u00e9 o lucro acumulado.&#8221;<\/p>\n<p>Assim, com a recupera\u00e7\u00e3o da atividade prejudicada, a retomada do emprego pode ser mais lenta \u00e0 frente, como resultado de todos esses efeitos.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 quando?<\/strong><br \/>\nConforme os economistas, a falta de mat\u00e9rias-primas tem data para acabar. No primeiro semestre de 2021, com a queda da demanda esperada pelo fim do aux\u00edlio emergencial e a retomada da produ\u00e7\u00e3o em boa parte da ind\u00fastria, as curvas de oferta e demanda tendem a convergir.<\/p>\n<p>&#8220;Eu diria que esse problema dura no m\u00e1ximo mais tr\u00eas meses, depois disso, a situa\u00e7\u00e3o vai ser de falta de demanda&#8221;, diz Roriz. &#8220;Al\u00e9m do fim do aux\u00edlio, como o governo ficou muito endividado e boa parcela dos vencimentos vai cair em 2021, a demanda p\u00fablica tamb\u00e9m ficar\u00e1 reduzida. E as empresas v\u00e3o ter que pagar d\u00edvidas e impostos atrasados durante a pandemia.&#8221;<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o significa que os pre\u00e7os v\u00e3o voltar a baixar de forma significativa, os analistas alertam.<\/p>\n<p>&#8220;Olhando para frente, h\u00e1 uma infla\u00e7\u00e3o de custos acumulada que n\u00e3o \u00e9 pequena&#8221;, observa Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.<\/p>\n<p>At\u00e9 outubro, o IGP-M, \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o composto em 60% por pre\u00e7os do atacado, acumulava alta de 20,93% em 12 meses, comparada a aumento de 3,92% em 12 meses do IPCA, \u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, que mede a varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os aos consumidores.<\/p>\n<p>&#8220;A taxa de c\u00e2mbio deve continuar pressionada e os pre\u00e7os de commodities v\u00e3o continuar elevados, devido \u00e0 volta do crescimento asi\u00e1tico e mundial. Ent\u00e3o n\u00e3o vejo os pre\u00e7os voltarem no ano que vem. \u00c9 de est\u00e1vel, para continuar crescendo.&#8221;<\/p>\n<p>Essa tamb\u00e9m \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de Fabio Rom\u00e3o, da LCA Consultores. &#8220;Vamos herdar press\u00f5es de custos de 2020 para 2021. Tenho estimativa de alta de 3,5% para o IPCA esse ano e de 3,6% para o ano que vem, mas o vi\u00e9s para 2021 \u00e9 de alta, porque at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s ningu\u00e9m falava em IGP-M na casa dos 20%.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A meta de infla\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo ano \u00e9 3,75%, mas existe o risco de o IPCA ficar at\u00e9 um pouco acima disso.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por tr\u00eas vezes ao longo do m\u00eas de outubro, Diogo Murrieta, dono da pizzaria La-N\u00e1poles, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, tentou comprar as embalagens de papel\u00e3o nas quais suas pizzas s\u00e3o entregues aos clientes e n\u00e3o conseguiu. 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