{"id":246180,"date":"2020-11-30T16:16:26","date_gmt":"2020-11-30T19:16:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=246180"},"modified":"2020-11-30T16:16:26","modified_gmt":"2020-11-30T19:16:26","slug":"como-manter-a-forma-apos-cura-da-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/como-manter-a-forma-apos-cura-da-covid\/","title":{"rendered":"Como manter a forma ap\u00f3s cura da Covid?"},"content":{"rendered":"<p>Levantamentos realizados ao redor do mundo calculam que at\u00e9 16% dos pacientes com covid-19 apresentam algum tipo de complica\u00e7\u00e3o card\u00edaca. Os danos ao cora\u00e7\u00e3o independem do grau da doen\u00e7a: mesmo os quadros mais leves podem trazer preju\u00edzos ao sistema cardiovascular.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, muitas vezes, essa sequela no peito n\u00e3o d\u00e1 sintoma algum e a pessoa s\u00f3 vai sentir suas consequ\u00eancias ao exigir um trabalho extra do sistema cardiovascular.<\/p>\n<p>Isso acontece, por exemplo, durante uma atividade f\u00edsica: o cora\u00e7\u00e3o precisa bater mais para bombear sangue aos m\u00fasculos e, se tiver com algum dano provocado pelo coronav\u00edrus, pode funcionar mal e at\u00e9 pifar.<\/p>\n<p>Foi para evitar que isso aconte\u00e7a que a Sociedade Brasileira de Medicina do Exerc\u00edcio e do Esporte (SBMEE) fez uma parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) para lan\u00e7ar a primeira diretriz sobre o retorno aos exerc\u00edcios com seguran\u00e7a ap\u00f3s a covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;Sentimos a necessidade de orientar nossos colegas m\u00e9dicos e toda a popula\u00e7\u00e3o que faz alguma atividade f\u00edsica sobre como minimizar qualquer problema&#8221;, justifica a m\u00e9dica Cl\u00e9a Simone Colombo, representante da SBC e uma das autoras do documento rec\u00e9m-lan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Entre as recomenda\u00e7\u00f5es mais importantes, o destaque \u00e9 marcar uma consulta com um m\u00e9dico, que vai pedir alguns exames cardiol\u00f3gicos antes de liberar a realiza\u00e7\u00e3o de qualquer esfor\u00e7o mais intenso.<\/p>\n<p><strong>Cora\u00e7\u00e3o em perigo<\/strong><br \/>\nFoi-se o tempo em que a covid-19 era encarada apenas como uma doen\u00e7a respirat\u00f3ria. Hoje em dia, sabe-se que ela n\u00e3o se limita aos pulm\u00f5es e tem diversas repercuss\u00f5es no organismo, com ataques ao intestino, aos rins, ao c\u00e9rebro e, claro, ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No m\u00fasculo card\u00edaco, o Sars-CoV-2, v\u00edrus respons\u00e1vel pela pandemia atual, tem uma a\u00e7\u00e3o direta e indireta. Em primeiro lugar, o pat\u00f3geno pode se alojar ali e devastar as c\u00e9lulas do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo, a infec\u00e7\u00e3o gera uma resposta desmedida do sistema imune. Isso, por sua vez, leva a um estado de inflama\u00e7\u00e3o que prejudica o funcionamento de v\u00e1rias partes do corpo (entre elas, o pr\u00f3prio sistema cardiovascular).<\/p>\n<p>&#8220;Esses processos podem levar a uma miocardite, com o surgimento de \u00e1reas com cicatrizes e fibroses que est\u00e3o relacionadas a arritmias&#8221;, desvenda o m\u00e9dico Marcelo Leit\u00e3o, ex-presidente da SBMEE e outro respons\u00e1vel pela diretriz rec\u00e9m-publicada.<\/p>\n<p>A arritmia nada mais \u00e9 do que um descompasso nas batidas que permitem o cora\u00e7\u00e3o contrair para bombear sangue pelas art\u00e9rias. Num momento de esfor\u00e7o, o \u00f3rg\u00e3o precisa trabalhar com muita rapidez e efici\u00eancia, j\u00e1 que aumenta a demanda por oxig\u00eanio e nutrientes do corpo inteiro.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente numa situa\u00e7\u00e3o dessas em que esse desajuste card\u00edaco pode dar as caras. &#8220;A miocardite \u00e9 uma das causas de morte s\u00fabita mais frequentes&#8221;, observa Colombo.<\/p>\n<p>Estima-se que um piripaque desses possa acontecer at\u00e9 60 dias ap\u00f3s o diagn\u00f3stico e a recupera\u00e7\u00e3o da covid-19.<\/p>\n<p>Os estudos feitos durante a pandemia mostram que as complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares relacionadas ao coronav\u00edrus aparecem mesmo nos quadros mais leves. A infec\u00e7\u00e3o pode ser um fator que piora uma doen\u00e7a card\u00edaca pr\u00e9-existente, mas tamb\u00e9m \u00e9 o gatilho para o surgimento de uma enfermidade no peito em cerca de 12% dos pacientes.<\/p>\n<p><strong>Como se proteger?<\/strong><br \/>\nO documento assinado pelas duas sociedades m\u00e9dicas \u00e9 taxativo: antes de voltar a praticar qualquer esporte, todo mundo que teve covid-19 precisa passar por uma avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. &#8220;O profissional vai analisar o quadro de acordo com a gravidade da infec\u00e7\u00e3o, fazer um exame f\u00edsico no consult\u00f3rio e pedir alguns testes complementares&#8221;, descreve Leit\u00e3o.<\/p>\n<p>Os especialistas indicam que todos os recuperados realizem ao menos o eletrocardiograma, um exame simples que mede como est\u00e1 a atividade el\u00e9trica do cora\u00e7\u00e3o \u2014 que \u00e9 respons\u00e1vel por regular os batimentos deste m\u00fasculo.<\/p>\n<p>Agora, para os casos mais graves ou para os atletas profissionais e praticantes de esportes competitivos, o check-up depois da covid-19 precisa ser mais completo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do eletrocardiograma, a diretriz lista outros exames, como a dosagem no sangue da troponina (uma prote\u00edna que fica alterada quando o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 bem), o teste ergom\u00e9trico (aquele feito numa esteira para medir a resist\u00eancia f\u00edsica, card\u00edaca e pulmonar), o holter (que mede a press\u00e3o arterial durante 24 horas) e at\u00e9 uma resson\u00e2ncia magn\u00e9tica.<\/p>\n<p>Se os resultados estiverem ok, a pessoa est\u00e1 liberada para retomar os treinamentos. Caso apare\u00e7a alguma altera\u00e7\u00e3o ou seja diagnosticada a tal da miocardite, \u00e9 importante aguardar mais um pouco. &#8220;Geralmente o paciente precisa ficar entre tr\u00eas e seis meses de repouso e fazer algumas reavalia\u00e7\u00f5es nesse meio-tempo para ver como a situa\u00e7\u00e3o evolui&#8221;, diz Colombo.<\/p>\n<p><strong>Cuidados b\u00e1sicos<\/strong><br \/>\nPara aqueles que receberam o sinal verde para voltar \u00e0 academia, \u00e0 pista, ao gin\u00e1sio ou aos gramados, \u00e9 importante pegar leve no in\u00edcio. N\u00e3o d\u00e1 pra empregar o mesmo ritmo de antes da pandemia, pois o corpo est\u00e1 desacostumado e perdeu condicionamento nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>&#8220;O retorno precisa ser gradativo e vale fazer um fortalecimento muscular antes de partir para o treinamento aer\u00f3bico, como correr ou andar de bicicleta&#8221;, sugere Colombo. Ter a orienta\u00e7\u00e3o de um profissional de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e9 ainda mais essencial neste momento.<\/p>\n<p>N\u00e3o custa refor\u00e7ar tamb\u00e9m as medidas b\u00e1sicas de prote\u00e7\u00e3o contra o coronav\u00edrus. Procure fazer exerc\u00edcios em casa ou em lugares abertos, como parques, pra\u00e7as e clubes, com boa circula\u00e7\u00e3o de ar.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea for \u00e0 academia, prefira hor\u00e1rios com menos movimento e verifique se h\u00e1 boa circula\u00e7\u00e3o de ar no local. Antes de usar qualquer equipamento, fa\u00e7a a desinfec\u00e7\u00e3o com \u00e1lcool 70%<\/p>\n<p>As dicas continuam: use m\u00e1scaras antes e ap\u00f3s o treino. N\u00e3o pare para conversar com outras pessoas e mantenha sempre uma dist\u00e2ncia m\u00ednima de 2 metros dos outros praticantes de exerc\u00edcios. Por fim, lave as m\u00e3os com \u00e1gua e sab\u00e3o e desinfete objetos que v\u00e1 utilizar no treino com \u00e1lcool em gel ou \u00e1lcool 70%.<\/p>\n<p>Essas recomenda\u00e7\u00f5es continuam a valer mesmo se voc\u00ea j\u00e1 teve covid-19, pois ainda n\u00e3o se sabe ao certo quanto tempo dura a imunidade contra o coronav\u00edrus e h\u00e1 sempre o risco de levar e transmitir o agente infeccioso para as pessoas ao seu redor.<\/p>\n<p><strong>Cabe uma reavalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n&#8220;Se, durante ou ap\u00f3s o exerc\u00edcio, voc\u00ea sentir muito cansa\u00e7o e estiver com palpita\u00e7\u00e3o, falta de ar ou dor no peito, consulte um profissional de sa\u00fade novamente&#8221;, destaca Leit\u00e3o. Esses podem ser sinais de algo errado no sistema cardiovascular.<\/p>\n<p>Caso esteja tudo bem e o ritmo das atividades est\u00e1 evoluindo sem percal\u00e7os, os especialistas das duas sociedades m\u00e9dicas pedem que todo mundo passe por uma reavalia\u00e7\u00e3o dois ou tr\u00eas meses ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o inicial. Assim, \u00e9 poss\u00edvel ter certeza que n\u00e3o surgiram novos problemas.<\/p>\n<p>Afinal, ainda h\u00e1 muita coisa que n\u00e3o se sabe sobre o coronav\u00edrus e seus efeitos em longo prazo. Para evitar surpresas desagrad\u00e1veis no cora\u00e7\u00e3o, o melhor caminho \u00e9 sempre ter cuidado em dobro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamentos realizados ao redor do mundo calculam que at\u00e9 16% dos pacientes com covid-19 apresentam algum tipo de complica\u00e7\u00e3o card\u00edaca. 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