{"id":249738,"date":"2021-01-21T14:48:51","date_gmt":"2021-01-21T17:48:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=249738"},"modified":"2021-01-21T18:25:06","modified_gmt":"2021-01-21T21:25:06","slug":"governo-gasta-90-mi-com-cloroquina-e-da-calote-na-vacina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/governo-gasta-90-mi-com-cloroquina-e-da-calote-na-vacina\/","title":{"rendered":"Cloroquina fica com 90 mi e vacina leva calote"},"content":{"rendered":"<p>O governo do presidente Jair Bolsonaro j\u00e1 gastou quase R$ 90 milh\u00f5es com a compra de medicamentos sem efic\u00e1cia comprovada no tratamento da covid-19, como cloroquina, azitromicina e o Tamiflu. Ao mesmo tempo, ainda n\u00e3o pagou o Instituto Butantan, que entregou as primeiras doses de vacinas aplicadas no Brasil.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, tanto o presidente da Rep\u00fablica quanto o ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello defenderam o chamado &#8220;tratamento precoce&#8221; para a Covid-19 \u2014 ou seja, o uso de medicamentos como os citados acima nas fases iniciais da doen\u00e7a. Os medicamentos, no entanto, se mostraram ineficazes em diversos estudos rigorosos realizados ao redor do mundo.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, os gastos da Uni\u00e3o com cloroquina, hidroxicloroquina, Tamiflu, ivermectina, azitromicina e nitazoxanida somam pelo menos R$ 89.597.985,50, segundo levantou a reportagem da BBC News Brasil por meio de fontes p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Algumas das drogas, como o antiparasit\u00e1rio nitazoxanida, pareceram funcionar contra o v\u00edrus em testes in vitro, ou seja, em laborat\u00f3rio. Mais tarde, por\u00e9m, novos estudos mostraram que as drogas n\u00e3o funcionam em seres humanos.<\/p>\n<p>O mesmo aconteceu com a cloroquina: ap\u00f3s testes iniciais, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) interrompeu a pesquisa com o produto em meados de 2020, depois que ela se mostrou ineficaz.<\/p>\n<p>Apesar disso, o Laborat\u00f3rio Qu\u00edmico Farmac\u00eautico do Ex\u00e9rcito comprou uma tonelada do ingrediente farmac\u00eautico ativo (IFA) para a produ\u00e7\u00e3o de cloroquina, em maio de 2020, por pouco mais de R$ 1,3 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Naquele m\u00eas, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade lan\u00e7ou um protocolo para atendimento da covid-19 que recomendava o uso da cloroquina associada \u00e0 azitromicina, aos primeiros sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos medicamentos, o governo federal tamb\u00e9m investiu em vacinas contra o SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>A aposta inicial do governo foi na chamada &#8220;vacina de Oxford&#8221;, desenvolvida pela farmac\u00eautica brit\u00e2nica AstraZeneca. A Uni\u00e3o tamb\u00e9m aderiu ao cons\u00f3rcio coordenado pelo OMS para a compra de imunizantes, chamado de Covax Facility.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2020, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade assinou um conv\u00eanio com o Instituto Butantan, que \u00e9 ligado ao governo do Estado de S\u00e3o Paulo, para investir na &#8220;aquisi\u00e7\u00e3o dos equipamentos para o centro de produ\u00e7\u00e3o multiprop\u00f3sito de vacinas&#8221; \u2014 o valor era de R$ 63,2 milh\u00f5es, que no entanto ainda n\u00e3o foram pagos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o governo federal tamb\u00e9m comprar\u00e1 as doses da CoronaVac produzidas pelo Butantan.<\/p>\n<p>Novamente, por\u00e9m, o pagamento ainda n\u00e3o foi feito. Em nota \u00e0 BBC News Brasil no come\u00e7o da semana, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que pagar\u00e1 ao Butantan depois que as 100 milh\u00f5es de doses da vacina contratadas forem entregues.<\/p>\n<p>No domingo (17), Pazuello disse que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade fez &#8220;o desenvolvimento do parque fabril do Butantan para fazer a vacina&#8221;. &#8220;Fizemos um contrato de conv\u00eanio de mais de R$ 80 milh\u00f5es. Isso em outubro (de 2020). Voc\u00ea sabia disso? Pois \u00e9&#8221;, reclamou o ministro na entrevista aos jornalistas. A declara\u00e7\u00e3o \u00e9 imprecisa, pois o investimento ainda n\u00e3o foi feito.<\/p>\n<p>Ao longo de 2020, o governo federal pagou R$ 733.707.652,36 ao Instituto Butantan \u2014 mas o dinheiro foi para a compra de vacinas para outras doen\u00e7as, e n\u00e3o faz parte da a\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria criada para gastos relacionados \u00e0 pandemia. A cifra foi levantada pela BBC News Brasil usando a ferramenta Siga Brasil, do Senado Federal.<\/p>\n<p>Renato Grinbaum \u00e9 m\u00e9dico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e reitera que o &#8220;tratamento precoce&#8221; n\u00e3o tem efic\u00e1cia comprovada e n\u00e3o deve ser adotado.<\/p>\n<p>&#8220;O tratamento precoce n\u00e3o \u00e9 eficaz, n\u00e3o tem efic\u00e1cia comprovada. E por isso n\u00e3o \u00e9 recomendado nem pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), nem pela Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB), nem pelas sociedades brasileiras de Infectologia (SBI) e Pneumologia e Tisiologia (SBPT)&#8221;, diz o especialista.<\/p>\n<p>&#8220;Os estudos n\u00e3o mostram qualquer benef\u00edcio, e n\u00f3s observamos que, na pr\u00e1tica, h\u00e1 muitos pacientes internados depois de se automedicarem com este chamado tratamento precoce, que deveria evitar essas interna\u00e7\u00f5es&#8221;, diz o m\u00e9dico. &#8220;Ent\u00e3o n\u00f3s vemos, muito claramente, que este tratamento n\u00e3o funciona&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;Se fosse assim, em Manaus (AM) n\u00f3s n\u00e3o estar\u00edamos com este problema, porque muitas pessoas usam, e continuam precisando de interna\u00e7\u00e3o da mesma forma&#8221;, diz Grinbaum. O sistema de sa\u00fade colapsou na capital amazonense no come\u00e7o de 2021.<\/p>\n<p>&#8220;As autoridades deveriam direcionar seus gastos para tr\u00eas coisas. A primeira \u00e9 aparelhar os hospitais, para evitar as cenas de caos que a gente viu. A segunda coisa \u00e9 a vacina, que ela \u00e9 realmente eficaz. E a terceira coisa s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es educativas e de supervis\u00e3o, para a preven\u00e7\u00e3o da covid-19&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Supervisionar bares que est\u00e3o abertos, fechar festas clandestinas, tudo isto \u00e9 gasto p\u00fablico&#8221;, diz o especialista.<\/p>\n<p>At\u00e9 esta quarta-feira (20), o novo coronav\u00edrus j\u00e1 tinha infectado mais de 8,6 milh\u00f5es de brasileiros. E ao menos 212.831 pessoas no pa\u00eds perderam a vida para a doen\u00e7a, segundo os dados oficiais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Como gastou o dinheiro<br \/>\nAt\u00e9 o momento, as compras da Uni\u00e3o de medicamentos para o &#8220;tratamento precoce&#8221; da Covid-19 somam ao menos R$ 89.597.985,50, segundo levantou a BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o valor despendido com a compra de Tamiflu, azitromicina, ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina e nitazoxanida.<\/p>\n<p>De todos os medicamentos, o maior gasto foi com o fosfato de oseltamivir \u2014 que \u00e9 comercializado sob o nome de Tamiflu.<\/p>\n<p>O governo federal gastou ao menos R$ 85.974.256,00 com o medicamento em 2020, segundo dados do pr\u00f3prio minist\u00e9rio. A maior compra foi feita ao laborat\u00f3rio Roche, dono da marca Tamiflu, por R$ 26,6 milh\u00f5es em 20 de maio passado \u2014 tamb\u00e9m com dispensa de licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No mesmo dia 20 de maio, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade divulgou um documento no qual recomendava o uso do Tamiflu nos est\u00e1gios iniciais da doen\u00e7a, especialmente para pessoas no grupo de risco da Covid-19. A orienta\u00e7\u00e3o era come\u00e7ar o tratamento at\u00e9 48h depois do in\u00edcio dos sintomas.<\/p>\n<p>Com a cloroquina, a Uni\u00e3o contratou a compra de ao menos R$ 1.462.561,50. Deste total, R$ 940.961,50 foram desembolsados at\u00e9 o fim de 2020.<\/p>\n<p>No caso do governo federal, foram duas compras principais, feitas pelo Comando do Ex\u00e9rcito por meio do Laborat\u00f3rio Qu\u00edmico Farmac\u00eautico da for\u00e7a. As duas aquisi\u00e7\u00f5es, de R$ 652 mil cada, foram feitas com dispensa de licita\u00e7\u00e3o nos dias 06 de maio e 20 de maio do ano passado.<\/p>\n<p>As duas compras foram arrematadas por empresas que possuem nomes bastante parecidos: &#8220;Sul de Minas Ingredientes LTDA&#8221; e &#8220;Sulminas Suplementos e Nutri\u00e7\u00e3o LTDA&#8221;. Ambas est\u00e3o sediadas na pequena cidade de Campanha (MG) e pertencem ao mesmo dono, Marcelo Luis Mazzaro.<\/p>\n<p>Ao todo, a Uni\u00e3o adquiriu uma tonelada do chamado insumo farmac\u00eautico ativo (IFA) usado na produ\u00e7\u00e3o da cloroquina. E os gastos totais s\u00e3o ainda maiores, pois al\u00e9m da mat\u00e9ria prima, tamb\u00e9m foram adquiridos alum\u00ednio para as cartelas do medicamento e outros insumos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes dois contratos principais, h\u00e1 outras 11 notas de empenho do Laborat\u00f3rio Qu\u00edmico Farmac\u00eautico do Ex\u00e9rcito para compras menores de cloroquina com as empresas de Mazzaro. A princ\u00edpio, n\u00e3o h\u00e1 qualquer irregularidade nestas compras.<\/p>\n<p>Com o antibi\u00f3tico azitromicina, o governo federal gastou outros R$ 1.994.884,40. A maior compra foi feita pelo pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (R$ 1,1 milh\u00e3o).<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br \/>\n&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo do presidente Jair Bolsonaro j\u00e1 gastou quase R$ 90 milh\u00f5es com a compra de medicamentos sem efic\u00e1cia comprovada no tratamento da covid-19, como cloroquina, azitromicina e o Tamiflu. Ao mesmo tempo, ainda n\u00e3o pagou o Instituto Butantan, que entregou as primeiras doses de vacinas aplicadas no Brasil. 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