{"id":249842,"date":"2021-01-22T16:44:21","date_gmt":"2021-01-22T19:44:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=249842"},"modified":"2021-01-22T16:52:16","modified_gmt":"2021-01-22T19:52:16","slug":"velhas-florestas-somem-e-reduzem-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/velhas-florestas-somem-e-reduzem-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Velhas florestas somem e reduzem Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros alertam que a redu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da cobertura florestal nativa mais antiga da Mata Atl\u00e2ntica compromete a conserva\u00e7\u00e3o da sua biodiversidade, a sobreviv\u00eancia de esp\u00e9cies e o fornecimento de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos \u2013 benef\u00edcios providos pela natureza \u2013 no bioma.<\/p>\n<p>Liderado por Marcos Rosa, doutorando na \u00e1rea de Geografia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coordenador t\u00e9cnico do MapBiomas, o estudo aponta que h\u00e1 uma estabilidade relativa na cobertura florestal nativa do bioma nos \u00faltimos 20 anos, j\u00e1 que florestas maduras continuam sendo desmatadas mas est\u00e3o sendo substitu\u00eddas por florestas jovens, em recupera\u00e7\u00e3o. No entanto, esse processo de rejuvenescimento pode trazer danos para a conserva\u00e7\u00e3o do bioma.<\/p>\n<p>\u201cFoi demonstrada a recupera\u00e7\u00e3o de florestas jovens, que s\u00e3o essenciais para aumentar a cobertura florestal e criar corredores entre fragmentos isolados, principalmente em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente ao longo dos rios. Mas o estudo tamb\u00e9m comprova o desmatamento cont\u00ednuo das florestas nativas mais antigas, com maior biodiversidade e carbono estocado, principalmente para amplia\u00e7\u00e3o da agricultura e plantio de florestas ex\u00f3ticas\u201d, disse Rosa.<\/p>\n<p>Embora, desde 2005, o ganho de floresta natural seja superior ao desmatamento, a avalia\u00e7\u00e3o dos pesquisadores \u00e9 que a perda de floresta madura, mesmo em queda, ainda tem valores alarmantes. Para Rosa, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o apenas ampliar as a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o da floresta nativa, mas buscar o desmatamento zero e manter os instrumentos e iniciativas de prote\u00e7\u00e3o dos remanescentes florestais.<\/p>\n<p>O artigo com os resultados do estudo, publicado na revista Science Advances, diz que \u201cflorestas antigas s\u00e3o insubstitu\u00edveis para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade tropical, j\u00e1 que muitas esp\u00e9cies de animais, plantas e microorganismos s\u00e3o incapazes de recolonizar florestas secund\u00e1rias e dependem de habitats mais antigos, menos alterados, estruturalmente mais desenvolvidos e biodiversos para persistir em paisagens modificadas pelo homem\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTrocar floresta madura por florestas jovens \u00e9 um risco para a biodiversidade e mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A recupera\u00e7\u00e3o florestal tem que acontecer, especialmente em biomas extremamente desmatados e fragmentados como a Mata Atl\u00e2ntica. Mas essa recupera\u00e7\u00e3o florestal tem que vir atrelada \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das florestas maduras. Ou seja, nem sempre a transi\u00e7\u00e3o florestal, ganho l\u00edquido de floresta, \u00e9 um sinal de melhoria da qualidade ambiental\u201d, afirmou Renato Crouzeilles, diretor do Instituto Internacional para Sustentabilidade na Austr\u00e1lia e um dos autores do artigo.<\/p>\n<p>O ec\u00f3logo Jean Paul Metzger, do departamento de Ecologia da USP, que tamb\u00e9m assina o artigo, afirmou que a estabilidade na cobertura de Mata Atl\u00e2ntica passa a falsa impress\u00e3o de que o desmatamento est\u00e1 controlado. \u201cInfelizmente, n\u00e3o est\u00e1. A an\u00e1lise separada das taxas de desmatamento e de regenera\u00e7\u00e3o mostra que o desmatamento no bioma ainda \u00e9 significativo e afeta matas maduras, que s\u00e3o as matas mais importantes para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e para a regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e h\u00eddrica\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, embora a riqueza de esp\u00e9cies de \u00e1rvores de florestas em regenera\u00e7\u00e3o jovem tenha a possibilidade de chegar a quase 80% dos n\u00edveis das florestas antigas em 20 anos, a recupera\u00e7\u00e3o total da composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de \u00e1rvores pode demorar s\u00e9culos ou nunca ser alcan\u00e7ada. Na publica\u00e7\u00e3o, os autores concluem que a destrui\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de florestas nativas \u2013 tanto as mais jovens e especialmente as mais velhas \u2013 faz com que a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies seja uma quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros alertam que a redu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da cobertura florestal nativa mais antiga da Mata Atl\u00e2ntica compromete a conserva\u00e7\u00e3o da sua biodiversidade, a sobreviv\u00eancia de esp\u00e9cies e o fornecimento de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos \u2013 benef\u00edcios providos pela natureza \u2013 no bioma. 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