{"id":250418,"date":"2021-01-31T10:47:09","date_gmt":"2021-01-31T13:47:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=250418"},"modified":"2021-01-31T22:37:15","modified_gmt":"2021-02-01T01:37:15","slug":"aprenda-a-reconhecer-e-controlar-seus-pensamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/aprenda-a-reconhecer-e-controlar-seus-pensamentos\/","title":{"rendered":"Aprenda a reconhecer e controlar pensamentos"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 comum ouvirmos \u2013 e falarmos tamb\u00e9m \u2013 que algu\u00e9m tem um complexo de inferioridade, ou de superioridade. O complexo de \u00c9dipo tamb\u00e9m j\u00e1 virou um jarg\u00e3o habitual em nossa comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando dizemos que uma pessoa tem um complexo de superioridade, queremos com isso afirmar que esse \u00e9 algu\u00e9m que se sente superior a todos os outros. \u00c9 algu\u00e9m que age com superioridade, arrog\u00e2ncia e despreza as habilidades dos demais, por se achar mais inteligente, mais criativo, ou mais forte que o mundo todo. Parece que todo o seu ser \u00e9 movido por esse sentimento. \u00c9 uma esp\u00e9cie de possess\u00e3o que a pessoa n\u00e3o enxerga, mas que os que est\u00e3o de fora notam de forma acintosa.<\/p>\n<p>\u00c9 isso o que um complexo faz. Ele \u201cpossui\u201d a personalidade da pessoa, transformando a personalidade. Na verdade n\u00e3o \u201ctemos\u201d complexos; eles nos \u201ctem\u201d.<\/p>\n<p>Carl Jung verificou nas experi\u00eancias de associa\u00e7\u00e3o de palavras, cujo objetivo era determinar a velocidade m\u00e9dia das rea\u00e7\u00f5es e de suas qualidades, acabou sendo um resultado relativamente secund\u00e1rio, comparando-se com a maneira como o m\u00e9todo tem sido perturbado pelo comportamento aut\u00f4nomo da psique. Foi ent\u00e3o que descobriu os complexos de tonalidade afetiva que anteriormente eram registrados sempre como falhas de rea\u00e7\u00e3o (Jung, 2000).<\/p>\n<p>E com isso Jung, descobriu uma infinidade de complexos que podem perturbar a personalidade consciente.<\/p>\n<p>Ele percebeu nessas experi\u00eancias um fen\u00f4meno chamado constela\u00e7\u00e3o. Onde situa\u00e7\u00e3o exterior desencadeia um processo ps\u00edquico que consiste na aglutina\u00e7\u00e3o e na atualiza\u00e7\u00e3o de determinados conte\u00fados. A constela\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo autom\u00e1tico que ningu\u00e9m pode deter por pr\u00f3pria vontade. Esses conte\u00fados constelados s\u00e3o determinados complexos que possuem energia espec\u00edfica pr\u00f3pria. Portanto, os complexos quando nos tomam s\u00e3o constelados.<\/p>\n<p>Os complexos provocam rea\u00e7\u00f5es perturbadas. E isso pode acontecer em qualquer conversa entre duas pessoas. Os complexos ent\u00e3o constelam e assimilam o interlocutor frustrando as inten\u00e7\u00f5es dele, podendo mesmo colocar em seus l\u00e1bios outras respostas que ele mais tarde n\u00e3o ser\u00e1 capaz de recordar.<\/p>\n<p>Os complexos rompem com o postulado ing\u00eanuo da supremacia da vontade.<\/p>\n<p>Toda constela\u00e7\u00e3o de complexos implica um estado perturbado de consci\u00eancia. Rompe-se a unidade da consci\u00eancia e se dificultam mais ou menos as inten\u00e7\u00f5es da vontade, quando n\u00e3o se tornam de todo imposs\u00edveis. A pr\u00f3pria mem\u00f3ria, como vimos, \u00e9 muitas vezes profundamente afetada (Jung, 2000).<\/p>\n<p>Os complexos nos deixam em um estado de n\u00e3o-liberdade, nossos pensamentos se tornam obsessivos e nossas a\u00e7\u00f5es compulsivas, porque eles t\u00eam muita energia.<\/p>\n<p>Eles fazem as pessoas enlouquecerem por motivos pouco aparentes, tendo comportamentos inexplic\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os complexos muitas vezes se formam devido experi\u00eancias dolorosas que haviam sido enterradas no inconsciente, e que afetam inconscientemente por meio dos complexos a personalidade consciente.<\/p>\n<p>Conforme Stein (2006), complexos s\u00e3o entidades ps\u00edquicas fora da consci\u00eancia, as quais existem como objetos que, semelhantes a sat\u00e9lites, gravitam em torno da consci\u00eancia do ego mas s\u00e3o capazes de causar perturba\u00e7\u00f5es no ego de uma forma surpreendente e, por vezes, irresist\u00edvel. S\u00e3o os diabretes e dem\u00f4nios interiores que podem pegar uma pessoa de surpresa.<\/p>\n<p>As \u00e1reas da psique carregadas de complexos s\u00e3o como &#8220;bot\u00f5es&#8221;, que quando apertados disparam os complexos. Quando se aperta um desses bot\u00f5es, obt\u00e9m-se como resposta uma rea\u00e7\u00e3o emocional. E assim, constela-se um complexo.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es aos complexos s\u00e3o bem previs\u00edveis, uma vez que se saiba quais s\u00e3o os complexos espec\u00edficos que estruturam o inconsciente de um indiv\u00edduo. Depois que convivemos com uma pessoa por algum tempo, sabemos quais s\u00e3o alguns desses bot\u00f5es e podemos ou evitar essas \u00e1reas sens\u00edveis ou fazer o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel para tocar-lhes, tirando a pessoa do eixo.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s j\u00e1 tivemos a experi\u00eancia de perda de controle sobre as emo\u00e7\u00f5es e, em certa medida, tamb\u00e9m sobre o seu comportamento. Reage-se irracionalmente e, com freq\u00fc\u00eancia, lamenta-o, arrepende-se ou pensa melhor sobre o que fazer na pr\u00f3xima oportunidade.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que reagimos exatamente da mesma maneira em muitas ocasi\u00f5es e, no entanto, temos uma sensa\u00e7\u00e3o de profunda impot\u00eancia para conseguir abster-se de fazer a mesma coisa de novo na pr\u00f3xima vez. Quando o complexo se constela, \u00e9 como se a pessoa estivesse em poder de um dem\u00f4nio, uma for\u00e7a muito superior \u00e0 sua vontade.<\/p>\n<p>Para compreender melhor um assunto t\u00e3o dif\u00edcil Stein (2006) faz uma compara\u00e7\u00e3o bastante did\u00e1tica:<\/p>\n<p>\u201cOs complexos t\u00eam energia e manifestam uma esp\u00e9cie de &#8220;rodopio&#8221; eletr\u00f4nico pr\u00f3prio como os el\u00e9trons que rodeiam o n\u00facleo de um \u00e1tomo. Quando s\u00e3o estimulados por uma situa\u00e7\u00e3o ou evento, soltam uma rajada de energia e pulam sucessivos n\u00edveis at\u00e9 chegarem \u00e0 consci\u00eancia. Essa energia penetra na concha da consci\u00eancia do ego e inunda-a, influenciando-a assim para rodopiar na mesma dire\u00e7\u00e3o e descarregar parte da energia emocional que foi liberada por essa colis\u00e3o. Quando isso acontece, o ego perde por completo o controle da consci\u00eancia ou, quanto a isso, o do pr\u00f3prio corpo. A pessoa fica sujeita a descargas de energia que n\u00e3o est\u00e3o sob o controle do ego. O que o ego pode fazer, se for suficientemente forte, \u00e9 conter em si mesmo parte da energia do complexo e minimizar assim os s\u00fabitos impulsos emocionais e f\u00edsicos\u201d<\/p>\n<p>Esse n\u00facleo onde \u201crodopia\u201d o complexo \u00e9 o arqu\u00e9tipo. Ele \u00e9 a base do complexo. Por isso existe uma infinidade de complexos, pois existem in\u00fameros arqu\u00e9tipos.<\/p>\n<p>Nossa psique, ent\u00e3o, \u00e9 composta de muitos centros, cada um deles possuidor de energia e at\u00e9 de alguma consci\u00eancia e inten\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Mas como lidar com os complexos que nos tomam?<br \/>\nO ego da maioria das pessoas \u00e9 normalmente capaz de neutralizar, em certa medida, os efeitos de complexos. Essa capacidade serve aos interesses da adapta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Por exemplo, na vida profissional, \u00e9 essencial que coloquemos de lado os complexos pessoais no interesse do bom desempenho de suas tarefas. Os psicoterapeutas precisam ser capazes de colocar em segundo plano suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es e conflitos pessoais quando est\u00e3o atendendo seus pacientes. Para que sua presen\u00e7a seja eficaz em face de um paciente cuja vida est\u00e1 em total desordem, o terapeuta deve manter-se calmo e frio, ainda que esse seja um momento de caos na sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o conseguimos anular por completo o efeito dos complexos e por isso \u00e9 necess\u00e1rio muito autoconhecimento para conhecermos aquilo que nos toca profundamente e causa emo\u00e7\u00f5es fortes e descontroladas.<\/p>\n<p>Conforme Jung (2000) os complexos constituem objetos da experi\u00eancia interior e n\u00e3o podem ser encontrados em plena luz do dia, na rua ou em pra\u00e7as p\u00fablicas. \u00c9 dos complexos que depende o bem-estar ou a infelicidade de nossa vida pessoal. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante estar ciente deles. At\u00e9 porque os complexos n\u00e3o s\u00e3o totalmente de natureza m\u00f3rbida, mas manifesta\u00e7\u00f5es vitais pr\u00f3prias da psique, seja esta diferenciada ou primitiva.<\/p>\n<p>Portanto conhecer nossos complexos nos auxilia tamb\u00e9m a conhecer nossas potencialidades e talentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum ouvirmos \u2013 e falarmos tamb\u00e9m \u2013 que algu\u00e9m tem um complexo de inferioridade, ou de superioridade. O complexo de \u00c9dipo tamb\u00e9m j\u00e1 virou um jarg\u00e3o habitual em nossa comunica\u00e7\u00e3o. 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