{"id":250615,"date":"2021-02-03T06:17:53","date_gmt":"2021-02-03T09:17:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=250615"},"modified":"2021-02-02T23:18:31","modified_gmt":"2021-02-03T02:18:31","slug":"aumento-de-algas-no-atlantico-intriga-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/aumento-de-algas-no-atlantico-intriga-cientistas\/","title":{"rendered":"Aumento de algas no Atl\u00e2ntico intriga cientistas"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de dois anos &#8211; em pleno ver\u00e3o -, uma grande (e intrigante) faixa de algas marrons apareceu no oceano Atl\u00e2ntico \u2014 ela se estendia de uma costa a outra, da \u00c1frica Ocidental ao golfo do M\u00e9xico. Com 8.850 quil\u00f4metros, a flora\u00e7\u00e3o de algas marinhas, conhecida como o &#8220;grande cintur\u00e3o de sarga\u00e7o (sargassum) do Atl\u00e2ntico&#8221;, foi a maior j\u00e1 registrada.<\/p>\n<p>Pesquisadores que analisaram imagens de sat\u00e9lite estimaram sua massa em mais de 20 milh\u00f5es de toneladas \u2014 mais pesada do que 200 porta-avi\u00f5es completamente carregados.<\/p>\n<p>Embora esse evento, em 2018, tenha sido recorde, a prolifera\u00e7\u00e3o de sarga\u00e7o gera inc\u00f4modo h\u00e1 alguns anos no Atl\u00e2ntico, uma vez que prejudica a biodiversidade costeira, a pesca e a ind\u00fastria do turismo no Caribe e no M\u00e9xico. Barbados, por exemplo, declarou estado de emerg\u00eancia nacional em junho de 2018, depois que sua costa foi tomada pelo sarga\u00e7o.<\/p>\n<p>E \u00e9 um problema que parece estar piorando no Atl\u00e2ntico. Depois de analisar 19 anos de dados de sat\u00e9lite, pesquisadores da University of South Florida, nos EUA, descobriram que desde 2011 a flora\u00e7\u00e3o de sarga\u00e7o acontece anualmente e est\u00e1 crescendo em tamanho.<\/p>\n<p>&#8220;2011 foi um ponto de inflex\u00e3o. Antes, n\u00e3o v\u00edamos muito sarga\u00e7o. Depois disso, estamos vendo flora\u00e7\u00f5es de sarga\u00e7o enormes e recorrentes na regi\u00e3o central do Atl\u00e2ntico&#8221;, diz Mengqiu Wang, da University of South Florida, uma das integrantes da equipe que descobriu a prolifera\u00e7\u00e3o de algas no Atl\u00e2ntico em 2018. As flora\u00e7\u00f5es s\u00e3o maiores em junho e julho, segundo ela.<\/p>\n<p>Outros pesquisadores, como Elizabeth Johns, da Administra\u00e7\u00e3o Nacional Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica dos EUA, concordam que 2011 foi um ponto de virada para o sarga\u00e7o no Atl\u00e2ntico, sugerindo que as flora\u00e7\u00f5es futuras ser\u00e3o provavelmente ainda maiores.<\/p>\n<p>De fato, um navio de pesquisa no Caribe registrou concentra\u00e7\u00f5es de sarga\u00e7o 10 vezes maiores no outono de 2014 do que no epis\u00f3dio de 2011 \u2014 e 300 vezes maiores do que qualquer outro outono nos \u00faltimos 20 anos, de acordo com uma pesquisa realizada pela cientista marinha Amy Siuda e seus colegas da Sea Education Association (SEA), da institui\u00e7\u00e3o Woods Hole Oceanographic, em Massachusetts, nos EUA.<\/p>\n<p>Embora as causas exatas da prolifera\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o tenham sido descobertas, a equipe de Wang acredita que uma s\u00e9rie de fatores ambientais est\u00e3o contribuindo para a explos\u00e3o de sarga\u00e7o. Entre eles, correntes mar\u00edtimas e padr\u00f5es de vento anormais ligados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Acredita-se que a destrui\u00e7\u00e3o da floresta Amaz\u00f4nica tamb\u00e9m tenha alimentado o crescimento do sarga\u00e7o. \u00c0 medida que grandes \u00e1reas da floresta tropical s\u00e3o desmatadas, s\u00e3o substitu\u00eddas por terras agr\u00edcolas altamente fertilizadas.<\/p>\n<p>O fertilizante acaba no rio Amazonas e por fim no Atl\u00e2ntico, onde inunda o oceano com nutrientes como nitrog\u00eanio. Registros mostram que durante a grande flora\u00e7\u00e3o de 2018, houve n\u00edveis mais elevados de nutrientes na regi\u00e3o central do Atl\u00e2ntico onde o sarga\u00e7o cresce, em compara\u00e7\u00e3o com 2010, acrescenta Wang.<\/p>\n<p>Quando se dispersa em \u00e1guas abertas, o sarga\u00e7o \u2014 \u00e0s vezes chamado de &#8220;floresta tropical dourada flutuante&#8221; \u2014 serve como um importante viveiro para filhotes de tartaruga e um ref\u00fagio para centenas de esp\u00e9cies de peixes.<\/p>\n<p>O problema surge quando o sarga\u00e7o chega \u00e0s praias e come\u00e7a a apodrecer, emitindo sulfeto de hidrog\u00eanio \u2014 um g\u00e1s que cheira a ovo podre.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma boa vegeta\u00e7\u00e3o no oceano, na praia se transforma em algo ruim&#8221;, explica Wang.<\/p>\n<p>O cheiro forte e a apar\u00eancia desagrad\u00e1vel est\u00e3o afastando os turistas dos resorts \u00e0 beira-mar no Caribe e na pen\u00ednsula de Yucatan, no M\u00e9xico \u2014 um duro golpe para a economia da regi\u00e3o, que depende muito do turismo.<\/p>\n<p>Em 2018, Laura Beristain Navarrete, prefeita da cidade costeira de Playa del Carmen, no M\u00e9xico, disse a um jornal local que o n\u00famero de turistas na regi\u00e3o havia ca\u00eddo em at\u00e9 35% devido ao sarga\u00e7o.<\/p>\n<p>Remover as algas das praias \u00e9 um processo caro e demorado. Em 2019, o presidente do M\u00e9xico, Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador, estimou o custo da limpeza de todo o sarga\u00e7o naquele ano em US$ 2,7 milh\u00f5es \u2014 e convocou a Marinha do pa\u00eds para ajudar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto catastr\u00f3fico no turismo, o sarga\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, segundo Wang. Quando se decomp\u00f5e, ele atrai insetos que podem causar irrita\u00e7\u00e3o na pele; e a exposi\u00e7\u00e3o ao sulfeto de hidrog\u00eanio tem sido associada a sintomas neurol\u00f3gicos, digestivos e respirat\u00f3rios.<\/p>\n<p>As algas encalhadas tamb\u00e9m representam uma s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 vida marinha selvagem. As enormes pilhas de sarga\u00e7o impedem que as tartarugas fa\u00e7am ninhos e prendem golfinhos e peixes nos recifes de coral.<\/p>\n<p>&#8220;O sarga\u00e7o pode sufocar recifes de coral ao cobri-los e dizimar viveiros de tartarugas&#8221;, afirma Mike Allen, cientista marinho da Universidade de Exeter, no Reino Unido, que desenvolveu uma maneira barata de converter sarga\u00e7o em biocombust\u00edveis e fertilizantes sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Allen e uma equipe de pesquisadores das universidades de Exeter e Bath, tamb\u00e9m no Reino Unido, desenvolveram um processo chamado liquefa\u00e7\u00e3o hidrot\u00e9rmica (HTL, na sigla em ingl\u00eas), que usa alta press\u00e3o e temperatura para dividir a biomassa \u00famida em quatro componentes.<\/p>\n<p>S\u00e3o eles: um bio-\u00f3leo que pode ser transformado em biodiesel; compostos org\u00e2nicos sol\u00faveis em \u00e1gua usados \u200b\u200bpara produzir fertilizantes; di\u00f3xido de carbono (que os pesquisadores dizem que pretendem capturar em vez de liberar na atmosfera); e carv\u00e3o, um material s\u00f3lido que cont\u00e9m todos os metais presentes nas algas, que a equipe tamb\u00e9m planeja recuperar em uma futura etapa.<\/p>\n<p>&#8220;Eu comparo isso com &#8216;geologia em uma lata'&#8221;, diz Allen.<\/p>\n<p>&#8220;Como as press\u00f5es e temperaturas s\u00e3o muito altas, podemos colocar praticamente qualquer coisa l\u00e1. Podemos converter pl\u00e1stico junto com a biomassa [de sarga\u00e7o] no mesmo processo&#8221;, acrescenta. Ou seja, as redes de pesca de nylon emaranhadas nos recifes de coral tamb\u00e9m s\u00e3o transformadas em fertilizantes.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 algumas desvantagens. O processo consome muita energia e funciona com combust\u00edveis f\u00f3sseis, diz Allen, embora o calor do processo possa ser recuperado e reutilizado para melhorar a efici\u00eancia.<\/p>\n<p>O projeto ainda est\u00e1 em fase de pesquisa, e os pesquisadores converteram 100kg de sarga\u00e7o at\u00e9 agora \u2014 mas Allen espera ampli\u00e1-lo e fazer parcerias com empresas e governos para resolver o problema. O objetivo \u00e9 encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o do sarga\u00e7o que seja economicamente vi\u00e1vel e apoie a comunidade local.<\/p>\n<p>&#8220;O que estamos tentando fazer \u00e9 tornar a limpeza das \u00e1reas contaminadas rent\u00e1vel, para que haja um incentivo para fazer isso, melhorar a qualidade de vida e proteger o meio ambiente&#8221;, explica Allen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de dois anos &#8211; em pleno ver\u00e3o -, uma grande (e intrigante) faixa de algas marrons apareceu no oceano Atl\u00e2ntico \u2014 ela se estendia de uma costa a outra, da \u00c1frica Ocidental ao golfo do M\u00e9xico. 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