{"id":251825,"date":"2021-02-21T05:59:37","date_gmt":"2021-02-21T08:59:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=251825"},"modified":"2021-02-21T06:32:42","modified_gmt":"2021-02-21T09:32:42","slug":"uma-nova-inversao-dos-polos-ameaca-a-especie-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/uma-nova-inversao-dos-polos-ameaca-a-especie-humana\/","title":{"rendered":"Uma nova invers\u00e3o dos polos amea\u00e7a a esp\u00e9cie humana"},"content":{"rendered":"<p>A invers\u00e3o dos polos magn\u00e9ticos da Terra, somada a um colapso tempor\u00e1rio do campo magn\u00e9tico terrestre h\u00e1 cerca de 42 mil anos, pode ter desencadeado uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as ambientais, tempestades solares e a extin\u00e7\u00e3o dos neandertais, de acordo com um novo estudo.<\/p>\n<p>O campo magn\u00e9tico da Terra nos protege, agindo como um escudo contra o vento solar (uma corrente de radia\u00e7\u00e3o e part\u00edculas carregadas emitida pelo Sol). No entanto, o campo geomagn\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 est\u00e1vel em termos de for\u00e7a e dire\u00e7\u00e3o, e tem a capacidade de girar ou se inverter.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 42 mil anos, em um per\u00edodo conhecido como Evento de Laschamp, os polos fizeram essa invers\u00e3o tempor\u00e1ria por cerca de 800 anos, mas os cientistas ainda n\u00e3o tinham certeza se e como isso impactou a vida na Terra.<\/p>\n<p>Uma equipe de pesquisadores da Universidade de New South Wales (UNSW) e do South Australian Museum, na Austr\u00e1lia, disse que essa mudan\u00e7a, juntamente com a altera\u00e7\u00e3o dos ventos solares, pode ter desencadeado uma s\u00e9rie de crises clim\u00e1ticas, levando a mudan\u00e7as ambientais e extin\u00e7\u00f5es em massa.<\/p>\n<p>Os cientistas analisaram os an\u00e9is encontrados em antigas \u00e1rvores kauri da Nova Zel\u00e2ndia (algumas preservadas em sedimentos h\u00e1 mais de 40 mil anos), para criar uma escala de como a atmosfera da Terra mudou ao longo do tempo.<\/p>\n<p>A partir da data\u00e7\u00e3o por carbono, a equipe estudou se\u00e7\u00f5es transversais das \u00e1rvores (cujos an\u00e9is de crescimento anual serviam como um registro natural do tempo) para rastrear as mudan\u00e7as nos n\u00edveis de carbono radioativo durante a revers\u00e3o dos polos.<\/p>\n<p>\u201cUsando as \u00e1rvores primitivas, pudemos medir e datar os picos nos n\u00edveis de carbono radioativo na atmosfera, causados pelo colapso do campo magn\u00e9tico da Terra\u201d, contou Chris Turney, professor da UNSW Science, diretor do Earth and Sustainability Science Research Center da universidade e um dos principais autores do estudo.<\/p>\n<p>A equipe comparou a nova escala de tempo com os registros locais de cavernas, n\u00facleos de gelo e p\u00e2ntanos no mundo todo.<\/p>\n<p><strong>\u201cFim dos tempos\u201d<\/strong><br \/>\nOs pesquisadores descobriram que a invers\u00e3o levou a \u201cprofundas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d. O modelo demonstrou que o crescimento da camada de gelo e das geleiras na Am\u00e9rica do Norte, bem como as mudan\u00e7as nos principais cintur\u00f5es de vento e sistemas de tempestades tropicais, podem ser rastreadas at\u00e9 o per\u00edodo da invers\u00e3o dos polos magn\u00e9ticos, que os cientistas chamaram de Evento de Adams.<\/p>\n<p>&#8220;O campo magn\u00e9tico da Terra quase desapareceu, e praticamente abriu o planeta para todas essas part\u00edculas de alta energia do espa\u00e7o sideral. Deve ter sido uma \u00e9poca muito assustadora, quase como o fim dos tempos&#8221;, comentou Turney.<\/p>\n<p>Os pesquisadores disseram que o Evento de Adams pode explicar muitos dos mist\u00e9rios evolutivos da Terra, incluindo a extin\u00e7\u00e3o dos neandertais e o s\u00fabito aparecimento generalizado da arte figurativa em cavernas em todo o mundo.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno teria causado alguns eventos dram\u00e1ticos e impressionantes. Antes do Evento de Adams, o campo magn\u00e9tico da Terra caiu para de 0 a 6% de sua for\u00e7a, enquanto o Sol teve longos per\u00edodos de m\u00ednima atividade solar.<\/p>\n<p>\u201cBasicamente, n\u00e3o havia nenhum campo magn\u00e9tico: nosso escudo contra a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica tinha desaparecido\u201d, disse Turney.<\/p>\n<p>O enfraquecimento do campo magn\u00e9tico significa que mais eventos espaciais, como erup\u00e7\u00f5es solares e raios c\u00f3smicos gal\u00e1cticos, poderiam chegar \u00e0 Terra.<\/p>\n<p>\u201cA radia\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, atingindo o planeta sem nenhum tipo de filtro, separou as part\u00edculas de ar da atmosfera terrestre, separando el\u00e9trons e emitindo luz, um processo chamado de ioniza\u00e7\u00e3o\u201d, escreveu Turney em um comunicado. \u201cO ar ionizado &#8216;fritou&#8217; a camada de oz\u00f4nio, desencadeando uma onda de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em todo o mundo\u201d.<\/p>\n<p>Durante esse per\u00edodo, os habitantes da Terra podem ter presenciado algumas vis\u00f5es deslumbrantes: as auroras boreal e austral, que acontecem quando ventos solares colidem com a atmosfera da Terra, devem ter sido frequentes. Ao mesmo tempo, o ar ionizado teria aumentado a frequ\u00eancia das tempestades el\u00e9tricas, algo que os cientistas imaginam que fez os humanos buscarem abrigo em cavernas.<\/p>\n<p>\u201cO tema comum da arte das cavernas, de impress\u00f5es de m\u00e3os em ocre vermelho, pode sinalizar que a pintura vermelha era usada como protetor solar, uma t\u00e9cnica utilizada ainda hoje por alguns grupos\u201d, escreveu em um comunicado Alan Cooper, pesquisador honor\u00e1rio do South Australian Museum.<\/p>\n<p>\u201cAs incr\u00edveis imagens criadas nas cavernas durante esse per\u00edodo foram preservadas, enquanto outras obras de arte em \u00e1reas descobertas sofreram eros\u00e3o, dando a impress\u00e3o de que a arte come\u00e7ou repentinamente h\u00e1 42 mil anos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>A pr\u00f3xima invers\u00e3o<\/strong><br \/>\nNo artigo, publicado na revista \u201cScience\u201d, os especialistas dizem que h\u00e1, atualmente, movimentos r\u00e1pidos do polo magn\u00e9tico no hemisf\u00e9rio norte, o que pode significar que outra invers\u00e3o pode estar a caminho.<\/p>\n<p>\u201cA velocidade, junto com o enfraquecimento do campo magn\u00e9tico da Terra em cerca de 9% nos \u00faltimos 170 anos, pode indicar uma invers\u00e3o iminente\u201d, observou Cooper.<\/p>\n<p>\u201cSe um evento semelhante acontecesse hoje, as consequ\u00eancias para a vida moderna seriam enormes. A radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica destruiria nossas redes de sat\u00e9lites e energia el\u00e9trica\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A atividade humana j\u00e1 elevou o carbono na atmosfera a n\u00edveis \u201cnunca antes vistos pela humanidade\u201d, disse Cooper.<\/p>\n<p>\u201cUma invers\u00e3o dos polos magn\u00e9ticos ou uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica nas atividades solares poderiam acelerar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de forma in\u00e9dita. Precisamos urgentemente reduzir as emiss\u00f5es de carbono antes que um evento aleat\u00f3rio como esse aconte\u00e7a novamente\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A invers\u00e3o dos polos magn\u00e9ticos da Terra, somada a um colapso tempor\u00e1rio do campo magn\u00e9tico terrestre h\u00e1 cerca de 42 mil anos, pode ter desencadeado uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as ambientais, tempestades solares e a extin\u00e7\u00e3o dos neandertais, de acordo com um novo estudo. 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