{"id":252751,"date":"2021-03-05T13:00:40","date_gmt":"2021-03-05T16:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=252751"},"modified":"2021-03-05T13:02:43","modified_gmt":"2021-03-05T16:02:43","slug":"cheio-de-ilusoes-mito-deixa-pais-sem-vacinas-e-acoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cheio-de-ilusoes-mito-deixa-pais-sem-vacinas-e-acoes\/","title":{"rendered":"Cheio de ilus\u00f5es, &#8216;mito&#8217; deixa pa\u00eds sem vacinas e a\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O melhor pa\u00eds ou cidade para vivermos \u00e9 o que escolhemos para morar. Os amores e os amigos a gente escolhe com a alma e com o cora\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o presidente, governador, prefeito e representantes no Congresso Nacional escolhemos de acordo com o que entendemos por conhecimento ou pelo modismo do feeling. Sofremos dias, semanas e meses quando erram o cora\u00e7\u00e3o e a alma. De dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o s\u00e3o as falhas do tal do feeling. A recupera\u00e7\u00e3o leva anos, d\u00e9cadas, \u00e0s vezes uma gera\u00e7\u00e3o. Vivemos isso nesses \u00faltimos cinco ou dez anos. Certos de que votavam com o cora\u00e7\u00e3o, milh\u00f5es de brasileiros elegeram um presidente e uma presidenta conscientes de que ajudariam a derrubar as derradeiras barreiras contra a consolida\u00e7\u00e3o da democracia e veriam a definitiva inclus\u00e3o do Brasil na lista de pa\u00edses ricos, s\u00e9rios e respeitados.<\/p>\n<p>Por raz\u00f5es que n\u00e3o se explicam, tudo deu certo at\u00e9 a p\u00e1gina dois. Na terceira, j\u00e1 pr\u00f3ximo da nota dez, os governos da esperan\u00e7a fizeram \u00e1gua, afundaram na ansiedade, na gan\u00e2ncia, no despudor, no oportunismo e na desnecessidade de conseguir para si o que \u00e9 de todos. Esqueceram que, como senhor da raz\u00e3o e escultor de ru\u00ednas, o tempo n\u00e3o perdoa e envelhece rapidamente os que jogam no lixo o comprometimento prometido. Outrora poderosos, os dirigentes do partido criado por trabalhadores esqueceram que, em determinado momento de suas quase quatro administra\u00e7\u00f5es, dividiram gastronomicamente o eleitorado. Ainda que sem \u00f3dio, for\u00e7a ou deboche, foi uma decis\u00e3o extremada, deliberada e colegiada. Patrocinar essa divis\u00e3o custou caro \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da legenda, considerada religi\u00e3o entre os mais marrentos.<\/p>\n<p>Na verdade, a divis\u00e3o custou uma elei\u00e7\u00e3o. Representante do \u00f3dio \u00e0queles que perderam, do nada apareceu um candidato que, como vendedor de ilus\u00f5es, acabou presidente. Sem conhecimento, no\u00e7\u00e3o, respeito ao contradit\u00f3rio e, principalmente, sem freios, mas com apoio de alguns generais e muitos defensores do quanto pior melhor, surgiu um mito, eleito democraticamente e com maioria de votos daqueles que sobraram da divis\u00e3o aliment\u00edcia. Os que n\u00e3o eram p\u00e3o com mortadela viraram coxinha e hoje s\u00e3o bolsominions. Felizmente, s\u00f3 parte da sobra merece essa nova e pavorosa adjetiva\u00e7\u00e3o. Digo parte porque, se ainda fosse a maioria, estar\u00edamos fadados \u00e0 recondu\u00e7\u00e3o de um presidente de equ\u00edvocos, bobagens, isolamentos e de divis\u00f5es ainda mais grotescas.<\/p>\n<p>H\u00e1 20 anos n\u00e3o morro de amores por candidatos \u00e0 Presid\u00eancia. Como jamais deixei de me manifestar nas urnas, em 2018 fui obrigado a digitar e confirmar o N\u00e3o. N\u00e3o posso ser hip\u00f3crita e esconder que tamb\u00e9m sofri com ideologias salvadoras. A diferen\u00e7a \u00e9 que, como profissional de imprensa, n\u00e3o sofria amea\u00e7as nem xingamentos. Economicamente, o pa\u00eds tinha relativa fartura de recursos. Tanto que, paralelamente, havia excesso de sindicatos, ONGs, coletivos, empr\u00e9stimos a fundo perdido e vaguinhas para companheiros com polpudos sal\u00e1rios. Nada demais, considerando que os postos antes combatidos hoje s\u00e3o ocupados por oficiais fardados ou de pijamas.<\/p>\n<p>Portanto, tudo \u00e9 velho na nova pol\u00edtica brasileira. A titica \u00e9 a mesma. Mudaram as moscas. A milit\u00e2ncia de rua deu lugar ao ativismo de redes sociais. Bandeiras, paralisa\u00e7\u00f5es e bonecos infl\u00e1veis foram trocados pelo ventriloquismo. O discurso unificado foi substitu\u00eddo pela fal\u00e1cia ditada. Lulistas e dilmistas eram combatentes e tinham discursos pr\u00f3prios. Sem ideia alguma do que discutem ou propagam, os bolsonaristas, ao contr\u00e1rio, se limitam a repetir o que determina o raivoso l\u00edder. \u00c0s vezes, at\u00e9 conseguem ampliar os decib\u00e9is das lives presidenciais, mas permanecem limitados e cada vez mais apegados \u00e0 arte de projetar a voz em bonecos. O tempo envelheceu o PT, Lula passou a ser carta fora do baralho e Bolsonaro se perdeu no emaranhado de equ\u00edvocos.<\/p>\n<p>Em 2022, o que far\u00e3o os que, como eu, disseram N\u00e3o nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es? Restar\u00e3o os ensinamentos do artista cubano Alexis Vald\u00e9s (e n\u00e3o K. O&#8217;Meara), que, inspirado na pandemia da Covid-19, nos ensinou a agradecer pelo fato de estarmos vivos. Nos versos escritos em mar\u00e7o do ano passado, Vald\u00e9s afirmou que, t\u00e3o logo passe a tempestade, abra\u00e7aremos o primeiro desconhecido e elogiaremos a sorte de manter um amigo. Se sobrevivermos ao naufr\u00e1gio coletivo desse desumano v\u00edrus, entenderemos que nem sempre as estrat\u00e9gias genocidas ou division\u00e1rias s\u00e3o as melhores escolhas. Melhor do que tudo, teremos certeza de que n\u00e3o passa de hipocrisia a te\u00f3rica tese do grupo pol\u00edtico que est\u00e1 no poder querer se perpetuar com o discurso de defensor do povo.<\/p>\n<p>Seus integrantes mant\u00eam a narrativa contr\u00e1ria ao materialismo. Mais uma brincadeira da fam\u00edlia bolsonarista, considerando o volume (nenhum) de projetos em favor da sociedade, a declara\u00e7\u00e3o de rendimentos e a \u00faltima compra do senador Fl\u00e1vio Bolsonaro. Uma mans\u00e3o de R$ 6 milh\u00f5es realmente n\u00e3o se alinha a uma vida pol\u00edtica de nada vezes nada em benef\u00edcio do Brasil. Resta ao presidente, al\u00e9m de assumir suas responsabilidades, evitar o negacionismo, respeitar o &#8220;mimimi&#8221; de quem perdeu entes queridos, se render aos fatos e \u00e0s evid\u00eancias da falta de planejamento para conter a pandemia e tentar explicar a demora homicida na compra de vacinas. Recordes ap\u00f3s recordes no n\u00famero de mortes, at\u00e9 esta sexta, 5, o governo n\u00e3o conseguiu imunizar mais do que 3,5% da popula\u00e7\u00e3o. N\u00fameros atualizados indicam que a contrapartida \u00e9 assustadora: 10.793.732 infectados e 260.970 mortos<\/p>\n<p><strong>*Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 jornalista<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O melhor pa\u00eds ou cidade para vivermos \u00e9 o que escolhemos para morar. Os amores e os amigos a gente escolhe com a alma e com o cora\u00e7\u00e3o. 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