{"id":252909,"date":"2021-03-07T15:40:22","date_gmt":"2021-03-07T18:40:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=252909"},"modified":"2021-03-07T15:40:40","modified_gmt":"2021-03-07T18:40:40","slug":"quem-e-por-que-quer-a-volta-do-voto-impresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/quem-e-por-que-quer-a-volta-do-voto-impresso\/","title":{"rendered":"Quem (e por qu\u00ea) quer a volta do voto impresso?"},"content":{"rendered":"<p>O presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores n\u00e3o escondem que t\u00eam medo de tudo que possa esclarecer \u00e0s pessoas: imprensa, ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o. Quem n\u00e3o faz parte do rebanho tem de se manter alheio, acreditando em fantasias e em fake news. O argumento preventivo do momento \u00e9 o voto impresso. Que falta faz? Nenhuma, conforme o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nelson de Azevedo Jobim, mostrou \u00e0 C\u00e2mara e ao Senado durante audi\u00eancia p\u00fablica em 2004. Jair Bolsonaro era deputado federal e certamente ouviu as explica\u00e7\u00f5es de Jobim. Mesmo bem informado, dias depois da inquestion\u00e1vel derrota de Donald Trump para Joe Biden, o capit\u00e3o, agora presidente da Rep\u00fablica, retomou sua mais antiga pauta, estabelecendo um paralelo com poss\u00edveis contesta\u00e7\u00f5es dos resultados eleitorais no Brasil em 2022.<\/p>\n<p>A avalanche de propostas ideol\u00f3gicas para vota\u00e7\u00e3o no Congresso ainda este ano inclui, a pedido do ocupante do Pal\u00e1cio do Planalto, a chamada pauta de costume. Ela foi prometida aos apoiadores desde o lan\u00e7amento da campanha, em 2017. Uma dessas proposi\u00e7\u00f5es \u00e9 a facilidade para posse e porte de armas de fogo. Entretanto, embora o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirme que a prioridade da pauta ser\u00e1 baseada no trin\u00f4mio sa\u00fade p\u00fablica, desenvolvimento social e crescimento econ\u00f4mico, a recomenda\u00e7\u00e3o do Centr\u00e3o, que hoje comanda as duas casas do Parlamento, deve ser a retomada do voto impresso. N\u00e3o ser\u00e1 tarefa das mais f\u00e1ceis para as excel\u00eancias que habitam um dos v\u00e9rtices da Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes.<\/p>\n<p>Do outro, as excel\u00eancias de toga lembram diariamente que, em 2002, algumas cidades brasileiras contaram com a impress\u00e3o do voto. A forma encontrada pelos t\u00e9cnicos do TSE foi acoplar uma car\u00edssima e ineficaz engenhoca \u00e0 urna eletr\u00f4nica. \u00c0 \u00e9poca, Nelson Jobim percorreu o pa\u00eds com um relat\u00f3rio embaixo do bra\u00e7o, mostrando a eleitores, advogados, ju\u00edzes e parlamentares que, al\u00e9m de caro, o processo era confuso e n\u00e3o agregava seguran\u00e7a alguma \u00e0 urna eletr\u00f4nica. Depois de toda fala\u00e7\u00e3o sobre o tema e com o sistema consolidado e copiado por numerosos pa\u00edses, a quem ainda interessa o retorno do voto impresso? Claro que exclusivamente ao presidente Jair Bolsonaro e apoiadores, que, sem qualquer prova, insistem com a prega\u00e7\u00e3o de que houve fraude nas elei\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos, onde nenhum debate envolveu a vota\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica. A maioria dos norte-americanos ainda vota em c\u00e9dula de papel.<\/p>\n<p>Reunindo fan\u00e1ticos em defesa do magnata estadunidense, o presidente brasileiro afirmou, em novembro passado, que &#8220;se n\u00f3s n\u00e3o tivermos o voto impresso em 2022, uma maneira de auditar o voto, vamos ter problema pior do que os Estados Unidos&#8221;. Na mesma oportunidade, defendeu a an\u00e1lise do tema pelo Congresso Nacional. Na pr\u00e1tica, o que Bolsonaro quer \u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o de uma proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) sugerida pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), apoiadora de primeira hora do governo do capit\u00e3o e candidat\u00edssima \u00e0 presid\u00eancia da Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a da Casa. O que se comenta nos bastidores palacianos \u00e9 que a defesa do voto impresso n\u00e3o significa o retorno das c\u00e9dulas de papel, mas um modelo h\u00edbrido, com voto na pr\u00f3pria urna eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Qual a diferen\u00e7a? Especialistas asseguram que nenhuma, porque, ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o de cada voto, ocorreria a mesma impress\u00e3o para uma segunda verifica\u00e7\u00e3o do eleitor e o consequente dep\u00f3sito em uma urna f\u00edsica. At\u00e9 os mais leigos em inform\u00e1tica sabem que, atualmente, essa auditagem \u00e9 poss\u00edvel por meio de boletins da urna eletr\u00f4nica, institu\u00edda pelo TSE na presid\u00eancia do ministro Carlos M\u00e1rio da Silva Velloso. Bolsonarista de carteira assinada e firma reconhecida, mas com extenso e reconhecido curr\u00edculo de feitos t\u00e9cnicos em benef\u00edcio da Justi\u00e7a Eleitoral, um dos &#8220;pais&#8221; do sistema eletr\u00f4nico de vota\u00e7\u00e3o pode ser consultado pelo mandat\u00e1rio da na\u00e7\u00e3o, inclusive para ser lembrado que ele (o presidente) j\u00e1 defendeu a informatiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Espera-se que, nessa nova fun\u00e7\u00e3o de repassador de fake news, o t\u00e9cnico n\u00e3o desminta os livros que publicou, muito menos esque\u00e7a das centenas de entrevistas concedidas para atestar a lisura do processo, a isen\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos e a seguran\u00e7a da urna eletr\u00f4nica. Tudo indica que o discurso do momento em favor do retrocesso se tornou vital para as pretens\u00f5es de reelei\u00e7\u00e3o do capit\u00e3o. Logo ele que, pelo menos desde 1998, \u00e9 eleito com votos contados eletronicamente. Al\u00e9m de Bolsonaro, somente Leonel Brizola e o deputado paraense Gerson Peres tinham essa mania de questionar, sem provas, o sistema inventado pelo Brasil para concluir uma elei\u00e7\u00e3o geral duas ou tr\u00eas horas ap\u00f3s a digita\u00e7\u00e3o do \u00faltimo voto.<\/p>\n<p>Apenas para ilustrar, nos Estados Unidos, o maior e mais rico pa\u00eds do mundo, o resultado leva dias, semanas, \u00e0s vezes meses para ser conhecido. Como at\u00e9 hoje nada se provou no atacado dos pleitos nacionais, por que a preocupa\u00e7\u00e3o de alguns, inclusive de Jair Bolsonaro, de recorrer ao varejo de uma elei\u00e7\u00e3o importante como essa que se avizinha? Ningu\u00e9m imagina. Interessante \u00e9 lembrar uma velha e bolorenta elei\u00e7\u00e3o de papel. Tenho o recorte de uma mat\u00e9ria publicada dia 17 de novembro de 1994 no imortal Jornal do Brasil, informando sobre fraudes na 24\u00aa. Zona Eleitoral do munic\u00edpio do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera, o juiz eleitoral N\u00e9lson Carvalhal havia descoberto quatro c\u00e9dulas falsas que beneficiavam os ent\u00e3o candidatos a deputado federal Jair Bolsonaro (PPR), \u00c1lvaro Valle (PL), Vanessa Felipe e Francisco Silva (PP). Conforme o registro, as c\u00e9dulas, feitas em papel mais fino, foram apreendidas e nenhuma linha foi escrita em desabono \u00e0 conduta dos quatro candidatos. Por essa e outras, recuperar o voto impresso \u00e9 improv\u00e1vel, invi\u00e1vel e inegoci\u00e1vel para os ministros do TSE. A \u00faltima tentativa de reintroduzir a impress\u00e3o do voto ocorreu em 2015, quando o deputado Jair Bolsonaro conseguiu aprovar uma emenda \u00e0 minirreforma eleitoral. Aprovada no Congresso, a medida acabou derrubada no Supremo Tribunal Federal, que, em 2018, a considerou inconstitucional.<\/p>\n<p>Insistir no tema denota antecipadamente duas situa\u00e7\u00f5es: medo de perder ou falta de discursos mais consistentes para convencer o eleitorado de que ele \u00e9 o melhor para o pa\u00eds. Nessa complicada tarefa de convencimento est\u00e1 inserido um balaio de milh\u00f5es de eleitores que o escolheu &#8211; mas j\u00e1 se arrependeu \u2013 apenas para n\u00e3o votar naquele outro que havia pilhado os cofres p\u00fablicos. Os tempos s\u00e3o outros. O feio n\u00e3o parecia t\u00e3o ruim assim. No entanto, o bonito s\u00f3 pensa naquilo: nos amorda\u00e7ar, controlar e impedir que rezemos por cartilha distinta. \u00c9 fato que o presidente est\u00e1 se preparando para, em caso de derrota, fazer o mesmo ou pior do que Trump em 2022.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria interessante aprovar a impress\u00e3o do voto e o c\u00f3digo aberto na programa\u00e7\u00e3o da urna eletr\u00f4nica, de modo a deix\u00e1-lo preventivamente sem o argumento? Desnecess\u00e1rio, \u00e0 medida que os fatos j\u00e1 engoliram os fakes contr\u00e1rios \u00e0 urna eletr\u00f4nica. Para os ministros da Corte eleitoral, est\u00e1 provado que a f\u00f3rmula da \u00e1gua benta \u00e9 mesmo HDeusO. Portanto, o capit\u00e3o pode sonhar at\u00e9 acordado com a aus\u00eancia de advers\u00e1rios. Quanto ao retrocesso do voto impresso, nem tossindo. A quem interessa alterar uma metodologia que \u00e9 posta \u00e0 prova sistematicamente e que nunca mostrou vulnerabilidade alguma? Obviamente aos que t\u00eam medo. Por mais que tentemos parecer corajosos, todos sentimos medo de alguma coisa. Da\u00ed aquela m\u00e1xima do dicion\u00e1rio informal: quem tem.. tem medo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores n\u00e3o escondem que t\u00eam medo de tudo que possa esclarecer \u00e0s pessoas: imprensa, ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o. Quem n\u00e3o faz parte do rebanho tem de se manter alheio, acreditando em fantasias e em fake news. O argumento preventivo do momento \u00e9 o voto impresso. Que falta faz? 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