{"id":252940,"date":"2021-03-08T09:18:13","date_gmt":"2021-03-08T12:18:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=252940"},"modified":"2021-03-08T11:26:33","modified_gmt":"2021-03-08T14:26:33","slug":"mulheres-sao-minoria-em-cargo-de-lideranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mulheres-sao-minoria-em-cargo-de-lideranca\/","title":{"rendered":"Mulheres s\u00e3o minoria em cargo de lideran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Apesar da luta hist\u00f3rica das mulheres por igualdade, a presen\u00e7a feminina em postos de lideran\u00e7a e em \u00e1reas de destaque, como a ci\u00eancia e a pol\u00edtica, ainda \u00e9 menor que a masculina.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), atualmente, elas s\u00e3o cerca de 54% dos estudantes de doutorado do Brasil. Mas tanto aqui como no resto do mundo, essa participa\u00e7\u00e3o varia de acordo com a \u00e1rea do conhecimento.<\/p>\n<p>Nas ci\u00eancias da sa\u00fade, por exemplo, as mulheres s\u00e3o maioria (mais de 60%), mas nas ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o, engenharia, tecnologia e matem\u00e1tica elas representam menos de 25%, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Globalmente, ainda de acordo com a ONU, menos de 30% dos pesquisadores e cientistas s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p>Para a dermatologista Val\u00e9ria Petri, primeira m\u00e9dica a detectar o HIV no Brasil, em 1982, as mulheres s\u00e3o sin\u00f4nimo de coragem e for\u00e7a. Elas n\u00e3o costumam desistir, n\u00e3o recusam desafios e est\u00e3o sempre dispostas a mostrar seu valor.<\/p>\n<p>&#8220;Tem o 8 de mar\u00e7o que faz as pessoas dizerem assim: ah eu adoro as mulheres. \u00c9? N\u00e3o diga. Tem o 8 de mar\u00e7o que aparecem as mulheres que tem a coragem que eu nunca tive. Vou te dizer que coragem elas t\u00eam. Elas acordam \u00e0s 4h da manh\u00e3, pegam um transporte, dois transportes, ou tr\u00eas e chegam no trabalho. Seja o que for que ela for fazer, ela est\u00e1 gostando do que ela faz, ela capricha. Ela se diverte, ela se sente bem e ela mostra o que ela \u00e9 mesmo. Uma pessoa que contribui com a humanidade. \u00c9 isso que \u00e9 a mulher\u201d, afirma a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Val\u00e9ria relembra que, no surgimento dos primeiros casos de HIV no Brasil, a s\u00edndrome foi tratada, a princ\u00edpio, com preconceito, principalmente entre alguns m\u00e9dicos homens. &#8220;Eu n\u00e3o recuso, nem as mulheres recusaram. As mulheres n\u00e3o recusaram. Agora, os homens da \u00e9poca ficaram at\u00e9 bravos comigo quando eu mandava pacientes para serem examinados em outras \u00e1reas. Alguns diziam: voc\u00ea n\u00e3o me manda estes pacientes porque eu n\u00e3o quero. Por que? Porque para os homens \u00e9 mais dif\u00edcil lidar com a transgress\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Mesmo atuando em ambulat\u00f3rios, Val\u00e9ria conta que sempre se interessou pela pesquisa cient\u00edfica e pela publica\u00e7\u00e3o de seus estudos em livros e revistas da \u00e1rea de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;Pesquisa \u00e9 o que a gente faz o tempo todo. Quando voc\u00ea examina um paciente, voc\u00ea precisa saber tudo a respeito daquele caso, voc\u00ea vai procurar. Enquanto eu n\u00e3o resolvesse, eu n\u00e3o sossegava. Depois voc\u00ea se entusiasma para publicar os casos porque \u00e9 parte do dever acad\u00eamico. Voc\u00ea participa das reuni\u00f5es cient\u00edficas, voc\u00ea se relaciona com as pessoas no n\u00edvel nacional e internacional. Eu fui fazendo isso como um processo natural mesmo, e eu precisava vencer. Porque eu n\u00e3o ia desistir no caminho\u201d, conta.<\/p>\n<p>Depois da descoberta na d\u00e9cada de 80, a m\u00e9dica ganhou prest\u00edgio internacional, publicou v\u00e1rios livros e chegou a ocupar o cargo de vice-reitora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), institui\u00e7\u00e3o da qual ela \u00e9 professora titular desde 1996.<\/p>\n<p>Mulheres no esporte<br \/>\nA presen\u00e7a de mulheres em rotinas pesadas de treinos e competi\u00e7\u00f5es \u00e9 um fen\u00f4meno recente. Ao longo da hist\u00f3ria, o mito da fragilidade feminina ficou para tr\u00e1s e elas passaram a conquistar destaques, medalhas e p\u00f3dios, tanto no n\u00edvel do esporte amador quanto profissional.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da ex-ginasta La\u00eds Sousa, que ficou internacionalmente conhecida com suas acrobacias e saltos ao fazer parte da equipe de gin\u00e1stica art\u00edstica brasileira.<\/p>\n<p>O esporte chegou para a paulista de Ribeir\u00e3o Preto de forma inesperada, quando ela tinha 4 anos. &#8220;Eu fui fazer uma visita onde o meu irm\u00e3o fazia jud\u00f4 e, bem do lado, tinha um gin\u00e1sio de gin\u00e1stica e eu acabei me apaixonando e as meninas l\u00e1 pulando, fazendo mortais, fazendo coreografia e eu me empolguei. Achei legal, me passou uma sensa\u00e7\u00e3o de liberdade. Foi assim que a gin\u00e1stica surgiu na minha vida.\u201d<\/p>\n<p>Aos 15 anos ela representava o Brasil em sua primeira Olimp\u00edada, em Atenas, na Gr\u00e9cia. Depois disso veio outra participa\u00e7\u00e3o, em Pequim, na China, em 2008. Em 2014, La\u00eds sofreu um acidente quando se preparava para as Olimp\u00edadas de Inverno de Sochi, na R\u00fassia, onde competiria no esqui. A ex-ginasta ficou tetrapl\u00e9gica.<\/p>\n<p>A nova condi\u00e7\u00e3o mudou totalmente a vida de La\u00eds. &#8220;A sensa\u00e7\u00e3o que eu tenho \u00e9 que eu vivia dentro de uma casquinha de ovo, feita para fazer aquele tipo de repeti\u00e7\u00e3o dentro do gin\u00e1sio, de correr atr\u00e1s de um corpo perfeito, de s\u00e9ries, coreografias perfeitas e, de repente, eu me vejo sem os movimentos, voltando para um bairro totalmente pobre na cidade onde eu nasci\u201d, conta.<\/p>\n<p>Hoje, ela ministra palestras e fala de suas experi\u00eancias &#8211; tanto no esporte como fora dele &#8211; a um p\u00fablico diversificado. Para La\u00eds, ser mulher \u00e9 lidar com desafios di\u00e1rios e vencer obst\u00e1culos sem se calar.<\/p>\n<p>&#8220;A gente est\u00e1 conquistando [espa\u00e7o] pouco a pouco. Tem bastante pra comemorar, mas ainda t\u00eam mulheres que, com essa pandemia, est\u00e3o apanhando em casa. Cada minuto que passa tem uma mulher que est\u00e1 sofrendo algum tipo de maus tratos. Ent\u00e3o, acho que a gente n\u00e3o pode relaxar em nenhum momento\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar da luta hist\u00f3rica das mulheres por igualdade, a presen\u00e7a feminina em postos de lideran\u00e7a e em \u00e1reas de destaque, como a ci\u00eancia e a pol\u00edtica, ainda \u00e9 menor que a masculina. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), atualmente, elas s\u00e3o cerca de 54% dos estudantes de doutorado do Brasil. 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