{"id":252943,"date":"2021-03-08T09:23:03","date_gmt":"2021-03-08T12:23:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=252943"},"modified":"2021-03-08T11:26:05","modified_gmt":"2021-03-08T14:26:05","slug":"pandemia-reduz-presenca-feminina-nos-negocios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pandemia-reduz-presenca-feminina-nos-negocios\/","title":{"rendered":"Pandemia reduz presen\u00e7a feminina nos neg\u00f3cios"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que a pandemia de covid-19 reduziu a propor\u00e7\u00e3o de mulheres no empreendedorismo. De acordo com o levantamento, no terceiro trimestre de 2020 havia cerca de 25,6 milh\u00f5es de donos de neg\u00f3cio no Brasil. Desse universo, aproximadamente 8,6 milh\u00f5es eram mulheres (33,6%) e 17 milh\u00f5es, homens (66,4%).<\/p>\n<p>Em 2019, a presen\u00e7a feminina correspondia a 34,5% do total de empreendedores, o que representou perda de 1,3 milh\u00e3o de mulheres \u00e0 frente de um neg\u00f3cio entre um ano e outro. A principal explica\u00e7\u00e3o para esse resultado foi a necessidade de as mulheres se dedicarem mais \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas durante a pandemia, um reflexo do machismo estrutural na sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;Na crise, cuidados com idosos e crian\u00e7as foram muito mais necess\u00e1rios. Primeiro, porque as crian\u00e7as estavam fora das escolas e, segundo, os idosos estavam demandando mais cuidados por serem grupo de risco para a covid. Por motivos culturais, essas tarefas sempre recaem muito mais sobre a mulher. O que era prec\u00e1rio ficou muito pior&#8221;, diz Renata Malheiros, coordenadora nacional do Projeto Sebrae Delas, que fortalece o empreendedorismo feminino.<\/p>\n<p>Em pesquisa anterior, o Sebrae j\u00e1 havia observado uma perda maior para as mulheres nos neg\u00f3cios do que para os homens. Do total de empreendedoras atingidas pela pandemia, 75% delas registraram perda de faturamento mensal, enquanto que, para os homens, essa perda foi um pouco menor (71%).<\/p>\n<p>&#8220;O tempo que as mulheres dedicam \u00e0s empresas \u00e9, em m\u00e9dia, 17% menor do que os homens&#8221;, afirma Malheiros. Outro dado que aponta a desigualdade de g\u00eanero no ambiente de neg\u00f3cios \u00e9 que, apesar de as mulheres serem 16% mais escolarizadas do que os homens, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), as empresas lideradas por mulheres faturam, em m\u00e9dia, menos do que empresas lideradas por homens. Uma das raz\u00f5es disso \u00e9 que as mulheres costumam empreender em setores como alimentos, bebidas, moda e beleza, que s\u00e3o segmentos de menor valor agregado na produ\u00e7\u00e3o e de baixa inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Cad\u00ea as mulheres nas exatas, nas engenharias, nas ci\u00eancias, em setores fortes em inova\u00e7\u00e3o e tecnologia? \u00c9 uma presen\u00e7a bem inferior \u00e0 dos homens ainda, porque as mulheres s\u00e3o ensinadas culturalmente que determinadas \u00e1reas n\u00e3o s\u00e3o para elas, e isso traz reflexos nessas escolhas&#8221;, afirma a coordenadora do Sebrae Delas.<\/p>\n<p><strong>Empreender por necessidade<\/strong><br \/>\nA maternidade tamb\u00e9m \u00e9 um fator que, no Brasil, cria dificuldades para as mulheres se manterem no mercado de trabalho e no mundo dos neg\u00f3cios. Estudo da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), de 2019, mostrou que metade das m\u00e3es que trabalham \u00e9 demitida ou pede demiss\u00e3o at\u00e9 dois anos depois que acaba a licen\u00e7a, devido \u00e0 mentalidade de que os cuidados com os filhos s\u00e3o praticamente uma exclusividade delas.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da empres\u00e1ria Renata Matos Zamperlini, de Campo Grande (MS). Dona de uma loja que vende roupas infantojuvenis, ela come\u00e7ou vendendo de porta em porta enquanto ainda era executiva em uma empresa privada. Com o nascimento do filho Davi e a necessidade de dedicar mais tempo em casa, ela abriu m\u00e3o da carreira profissional e passou a se dedicar integralmente \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o de seu neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>&#8220;Eu queria ter esse hor\u00e1rio mais flex\u00edvel para poder dar conta das demandas de casa tamb\u00e9m&#8221;, explica. Esse tipo de decis\u00e3o, motivada por alguma necessidade, \u00e9 mais comum para as mulheres do que para os homens. De acordo com Renata Malheiros, do Sebrae, 42% dos empreendimentos das mulheres s\u00e3o por necessidade e n\u00e3o por oportunidade, enquanto que para os homens, esse n\u00famero \u00e9 menor (34%). &#8220;O empreendedorismo por necessidade \u00e9 mais prec\u00e1rio, porque normalmente a pessoa n\u00e3o tem alternativa e n\u00e3o se planeja&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Neg\u00f3cios na pandemia<\/strong><br \/>\nNo caso de Renta Zamperlini, a aposta deu certo e ela prosperou no neg\u00f3cio a partir de 2018, quando chegou a abrir um loja f\u00edsica na capital sul-matogrossense. Mas veio a pandemia e a empres\u00e1ria acabou pisando no freio, encerrando as atividades presenciais e focando as vendas no delivery. Com o filho de 7 anos o tempo todo dentro de casa, as tarefas se multiplicaram. &#8220;Meu filho Davi foi alfabetizado ao longo de 2020 por meio de aula online, de manh\u00e3 e \u00e0 tarde, e eu precisei ficar dando esse suporte, al\u00e9m de cuidar de casa, do almo\u00e7o, da loja. Me senti bastante sobrecarregada. Eu brinco que a mulher acaba tendo que ser como um polvo, com muitos bra\u00e7os para dar conta das demandas&#8221;.<\/p>\n<p>Para a empres\u00e1ria Brunna Campos, de Tabo\u00e3o da Serra (SP), a pandemia tamb\u00e9m afetou fortemente os neg\u00f3cios no in\u00edcio. Dona de uma empresa de marketing e propaganda em sociedade com o marido, ela temeu que os clientes cortassem os servi\u00e7os.<\/p>\n<p>&#8220;Foi uma fase bem dif\u00edcil. Passamos os dois primeiros meses achando que ter\u00edamos que reduzir equipe, mas no final do ano a gente se recuperou e acabou contratando mais tr\u00eas pessoas&#8221;, comemora.<\/p>\n<p>Por n\u00e3o ter filhos, Brunna conta que \u00e9 mais f\u00e1cil se dedicar integralmente \u00e0 vida profissional, mas ela percebe como a sobrecarga de trabalho tem afetado a vida de outras mulheres. &#8220;Uma das minhas colaboradoras, que era representante comercial, tem tr\u00eas filhos, sendo dois pequenos, e com a pandemia ela teve que virar m\u00e3e em tempo integral dentro de casa. N\u00e3o conseguia mais trabalhar nem por telefone&#8221;.<\/p>\n<p>Para enfrentar um desafio t\u00e3o estrutural, segundo Renata Malheiros, \u00e9 preciso o envolvimento de toda a sociedade. &#8220;Precisamos estimular que os homens discutam essas quest\u00f5es e que as mulheres se articulem em rede para melhorar portf\u00f3lio, se capacitar e desenvolver novas habilidades. As empresas e institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m precisam se adaptar, criando brinquedotecas com cuidadores em tudo que \u00e9 canto, por exemplo, para que a mulher tenha suporte com os filhos para poder se dedicar ao trabalho. Pela minha experi\u00eancia, trabalhar em rede \u00e9 sempre a melhor forma de conseguir coisas dif\u00edceis&#8221;.<\/p>\n<p>Para marcar o Dia Internacional da Mulher, o Sebrae realiza nesta segunda-feira (8) um evento virtual. Ser\u00e3o tr\u00eas pain\u00e9is focados em temas relacionados \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o dos micro e pequenos neg\u00f3cios e ao empreendedorismo feminino. A transmiss\u00e3o come\u00e7a \u00e0s 10h no canal do Sebrae no Youtube .<\/p>\n<p><strong>Sebrae Delas<\/strong><br \/>\nVoltado para as mulheres empreendedoras, o Sebrae Delas apoia o empreendedorismo feminino por meio do desenvolvimento de compet\u00eancias. Segundo a institui\u00e7\u00e3o, \u00e9 um programa de acelera\u00e7\u00e3o, com o objetivo de aumentar a probabilidade de sucesso de ideias e neg\u00f3cios liderados por mulheres. Entre 2019 e 2020, mais de 10 mil donas de pequenos neg\u00f3cios j\u00e1 foram atendidas. O programa oferece cursos, workshops e consultorias para mulheres de todo o pa\u00eds. O Sebrae Delas tamb\u00e9m incentiva o contato entre as empreendedoras, para que elas construam uma rede de apoio e compartilhamento de problemas e solu\u00e7\u00f5es na gest\u00e3o empresarial.<\/p>\n<p><strong>Outros dados<\/strong><br \/>\nApesar de identificar a persistente desigualdade de g\u00eanero nos neg\u00f3cios, a pesquisa do Sebrae mostrou que as mulheres est\u00e3o mais tecnol\u00f3gicas do que os homens: 76% delas fazem uso das redes sociais, aplicativos ou internet na venda de seus produtos e servi\u00e7os, enquanto 67% dos homens utilizam esses canais. Al\u00e9m disso, os homens est\u00e3o mais endividados do que as mulheres: 38% deles t\u00eam d\u00edvidas\/empr\u00e9stimos, mas est\u00e3o em dia, contra 34% delas. J\u00e1 as mulheres s\u00e3o mais cautelosas em rela\u00e7\u00e3o a contrair d\u00edvidas. Segundo o levantamento, 35% delas disseram que n\u00e3o t\u00eam d\u00edvidas, contra 30% dos homens.<\/p>\n<p>A maior parte dos homens tem tamb\u00e9m mais empr\u00e9stimos banc\u00e1rios (46%) do que as mulheres (43%). As d\u00edvidas com impostos e taxas foram citadas por 16% dos homens e 13% das mulheres. A maior parte das mulheres (51%) disse que n\u00e3o buscou empr\u00e9stimo banc\u00e1rio para a sua empresa desde o come\u00e7o da crise, enquanto 54% dos homens buscaram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que a pandemia de covid-19 reduziu a propor\u00e7\u00e3o de mulheres no empreendedorismo. 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