{"id":253525,"date":"2021-03-16T10:10:58","date_gmt":"2021-03-16T13:10:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=253525"},"modified":"2021-03-16T10:20:49","modified_gmt":"2021-03-16T13:20:49","slug":"mundo-quer-criar-zona-vermelha-da-covid-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mundo-quer-criar-zona-vermelha-da-covid-no-brasil\/","title":{"rendered":"Mundo quer criar zona vermelha da Covid no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 o lobo, \u00e9 o lobo, \u00e9 o lobo, gritava o menino esbaforido para assustar os moradores do vilarejo. Repetiu mais vezes a mentira por dias seguidos, at\u00e9 que os ouvintes se fizeram surdos. Por fim o lobo veio. E cr\u00e9u, comeu o menino. Essa f\u00e1bula est\u00e1 sendo usada na Europa, onde o lobo se chama vacina e o menino travesso, o Brasil. E essa adapta\u00e7\u00e3o deve ter um efeito catastr\u00f3fico para o pais continente: ser o primeiro a entrar numa perigosa zona vermelha, onde ficar\u00e1 isolado at\u00e9 que consiga provar que o lobo existe e que est\u00e1 levando o novo coronav\u00edrus a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o que se faz entre cientistas com acesso \u00e0 OMS, \u00e9 a de que conforme os programas de vacina\u00e7\u00e3o contra covid-19 avan\u00e7am em partes do mundo, principalmente nos pa\u00edses ricos, o mundo deve se dividir at\u00e9 o final do ano em zonas de risco \u2014 e o Brasil tende a ficar na vermelha, dizem especialistas brit\u00e2nicos citados pela <em>BBC News Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Segundo o virologista Julian Tang, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, a expectativa \u00e9 de que na\u00e7\u00f5es europeias, da Oceania, Israel e partes da \u00c1sia, como Cingapura e Coreia do Sul, restabele\u00e7am com\u00e9rcio, turismo e viagens entre esses territ\u00f3rios a partir do meio do ano, possibilitando que suas economias voltem a girar.<\/p>\n<p>J\u00e1 pa\u00edses que n\u00e3o conseguirem concluir a vacina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e controlar o surgimento de variantes podem acabar isolados do resto do mundo, sendo classificados oficialmente ou informalmente como zonas de risco &#8220;amarelo&#8221; ou &#8220;vermelho&#8221;. &#8220;Podemos ter uma divis\u00e3o por zonas de risco. Por exemplo, o sudeste da \u00c1sia e a Europa ser\u00e3o verdes. Laranja \u00e9 \u00cdndia e parte da \u00c1frica. E vermelho pode ser \u00c1frica do Sul, Brasil e Estados Unidos, onde vemos altas taxas de transmiss\u00e3o e vacina\u00e7\u00e3o insuficiente&#8221;, exemplifica Tang.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es que tendem a sofrer maior isolamento s\u00e3o as que n\u00e3o adotaram de maneira sistem\u00e1tica medidas de controle da covid-19 nem negociaram vacinas antecipadamente, como \u00e9 o caso do Brasil, que totalizou na quarta (10) o recorde de 2.286 mortes em 24 horas e \u00e9 visto por pesquisadores como potencial celeiro de variantes.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, cerca de 9 milh\u00f5es de pessoas receberam ao menos uma dose de vacina no pa\u00eds. O n\u00famero pode parecer alto, mas ele representa s\u00f3 4,26% da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Hoje o Brasil s\u00f3 tem doses das vacinas Oxford-AstraZeneca, adquiridas pela Fiocruz, e de Coronavac, do Instituto Butantan, que seriam insuficientes para imunizar toda popula\u00e7\u00e3o com mais de 18 anos ainda em 2020. Na segunda-feira (15), o ministro da Sa\u00fade Eduardo Pazuello, prometeu, horas antes de ser demitido do cargo, a compra de mais de 100 milh\u00f5es de doses de vacinas da Pfizer e da Janssen.<\/p>\n<p>Pa\u00edses pobres, que n\u00e3o t\u00eam recursos para adquirir imunizantes, tamb\u00e9m devem sofrer com o isolamento, que deve aprofundar a desigualdade social entre os hemisf\u00e9rios norte e sul, avalia o professor Peter Baker, vice-diretor do departamento de Sa\u00fade Global e Desenvolvimento da universidade Imperial College London, no Reino Unido.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos terminar o ano com um sistema de divis\u00e3o em zonas, com partes do mundo vacinadas e partes n\u00e3o&#8221;, disse. &#8220;E se decidirmos adotar pol\u00edticas baseadas na imunidade adquirida pelos pa\u00edses por meio da vacina\u00e7\u00e3o, veremos limita\u00e7\u00f5es a direitos, viagens e \u00e0 economia de pa\u00edses pobres que j\u00e1 est\u00e3o tendo dificuldades de acesso a vacinas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Retomada do turismo<\/strong><br \/>\nAtualmente, os pa\u00edses de onde surgiram variantes preocupantes do coronav\u00edrus \u2014 Brasil, \u00c1frica do Sul e Reino Unido \u2014 s\u00e3o os que somam mais restri\u00e7\u00f5es de entrada em outras na\u00e7\u00f5es, segundo levantamento feito pelo jornal <em>Folha de S.Paul<\/em>o.<\/p>\n<p>Mas Reino Unido pode sair dessa &#8220;zona vermelha&#8221;, j\u00e1 que depois do lockdown em vigor desde o in\u00edcio de janeiro a taxa de infec\u00e7\u00e3o caiu em dois ter\u00e7os. A previs\u00e3o \u00e9 que toda a popula\u00e7\u00e3o com mais de 18 anos receba pelo menos uma dose de vacina at\u00e9 31 de julho.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, outras na\u00e7\u00f5es europeias e asi\u00e1ticas j\u00e1 dever\u00e3o ter, tamb\u00e9m, alcan\u00e7ado o patamar de 60% a 70% da popula\u00e7\u00e3o vacinada, percentual necess\u00e1rio para que a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus comece a desacelerar mesmo na aus\u00eancia de medidas de confinamento.<\/p>\n<p>Para o professor Julian Tang, \u00e9 prov\u00e1vel que essas na\u00e7\u00f5es na &#8220;zona verde&#8221; mantenham ao longo de todo o ano e parte de 2022 restri\u00e7\u00f5es de voos para regi\u00f5es do mundo que n\u00e3o conseguiram vacinar suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, mesmo que isso n\u00e3o ocorra, diz ele, a procura por viagens para pa\u00edses na zona vermelha deve se reduzir naturalmente diante dos riscos. Ou seja, pa\u00edses n\u00e3o-vacinados e com taxas ainda altas de infec\u00e7\u00e3o podem acabar sendo isolados pelo resto do mundo, principalmente para conter o risco de que novas variantes do coronav\u00edrus saiam desses territ\u00f3rios e se espalhem em grandes quantidades.<\/p>\n<p>&#8220;O que acho que vai acontecer \u00e9 que as pessoas v\u00e3o se sentir confort\u00e1veis em viajar entre pa\u00edses que vacinaram suas popula\u00e7\u00f5es, como entre Reino Unido e Europa, ou Reino Unido e sul da \u00c1sia, Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia&#8221;, avalia o professor da Universidade de Leicester.<\/p>\n<p>&#8220;Mas \u00e9 poss\u00edvel que essas pessoas n\u00e3o se disponham a viajar para regi\u00f5es como Brasil, por exemplo, porque o v\u00edrus n\u00e3o est\u00e1 sendo controlado com a vacina\u00e7\u00e3o e, por causa, disso pode surgir uma variante resistente \u00e0s vacinas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8216;<strong>Passaporte verde&#8217;<\/strong><br \/>\nA realidade de Israel, pa\u00eds com melhor ritmo de vacina\u00e7\u00e3o at\u00e9 o momento, d\u00e1 pistas de como a divis\u00e3o a n\u00edvel global deve ocorrer. Segundo dados da plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford (Reino Unido), o pa\u00eds tem hoje a maior taxa de vacina\u00e7\u00e3o do mundo, com 98,85 doses administradas por cada 100 habitantes.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, a taxa brasileira \u00e9 de 4,58 doses administradas por cada 100 habitantes.<\/p>\n<p>Em Israel, n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio vacinar, mas, na pr\u00e1tica, as pessoas que n\u00e3o se imunizarem acabar\u00e3o isoladas do restante da popula\u00e7\u00e3o, sem poder frequentar a maioria dos espa\u00e7os p\u00fablicos. Isso porque as pessoas vacinadas l\u00e1 recebem o chamado &#8220;passaporte verde&#8221; \u2014 um documento eletr\u00f4nico que permite acesso a restaurantes, academias de gin\u00e1stica, teatros, cinemas e outros estabelecimentos.<\/p>\n<p>O pa\u00eds iniciou a abertura gradual da economia depois de tr\u00eas lockdowns com medidas duras de confinamento. De certa maneira, essa divis\u00e3o entre vacinados e n\u00e3o-vacinados, com o segundo grupo sendo isolado, deve se repetir em escala global.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos esperar que a maioria dos pa\u00edses ricos vacinem suas popula\u00e7\u00f5es esse ano. Mas a expectativa \u00e9 que a maior parte do mundo n\u00e3o consiga fazer isso. E essas duas coisas est\u00e3o, infelizmente, interligadas&#8221;, diz o professor Peter Baker, da Imperial College London.<\/p>\n<p>&#8220;Os pa\u00edses ricos est\u00e3o comprando doses de vacinas al\u00e9m do necess\u00e1rio para suas popula\u00e7\u00f5es e isso est\u00e1 limitando o acesso de outros pa\u00edses. E, em na\u00e7\u00f5es como Tanz\u00e2nia e Brasil, a mensagem pol\u00edtica est\u00e1 afetando a procura por vacinas, o que \u00e9 um problema&#8221;, completa o professor brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil, o maior problema em haver partes do mundo sem imuniza\u00e7\u00e3o em massa contra covid-19 \u00e9 o surgimento de variantes que resistam ao efeito das vacinas.<\/p>\n<p><strong>Pa\u00eds \u00e9 amea\u00e7a global<\/strong><br \/>\nO pesquisador Charlie Whittaker, da Imperial College London, alerta que, ainda que restri\u00e7\u00f5es de viagem entre pa\u00edses sejam impostas, o mundo s\u00f3 estar\u00e1 totalmente protegido da covid-19 se todas as na\u00e7\u00f5es imunizarem suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ele liderou uma pesquisa sobre a variante de Manaus que revelou que ela \u00e9 entre 1,4 e 2,2 vezes mais transmiss\u00edvel que o v\u00edrus original. O estudo mostrou ainda que essa variante, apelidada de P.1, \u00e9 capaz de evadir o sistema imune de infec\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias em 25% a 61% dos casos. Isso significa que pode reinfectar facilmente quem j\u00e1 teve covid-19.<\/p>\n<p>Embora muitos pa\u00edses tenham impedido voos vindos do Brasil e imposto quarentenas e testes de covid-19 a quem desembarcar vindo de l\u00e1, a P.1 j\u00e1 foi detectada em 25 pa\u00edses. J\u00e1 a variante do Reino Unido se espalhou nos EUA e a da \u00c1frica do Sul chegou \u00e0 Europa.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m est\u00e1 seguro enquanto todos n\u00e3o estivermos seguros. E garantir que estamos seguros significa limitar a chance de variantes surgirem. Medidas de controle s\u00e3o \u00fateis para alcan\u00e7ar isso, mas talvez mais importante ainda seja garantir uma estrat\u00e9gia global equitativa de vacina\u00e7\u00e3o. Isso significa que nenhum pa\u00eds deve ser deixado para tr\u00e1s&#8221;, disse \u00e0 Whittaker.<\/p>\n<p>E para que o hemisf\u00e9rio sul n\u00e3o seja deixado para tr\u00e1s, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) vem defendendo que pa\u00edses ricos doem seus excedentes de vacinas a pa\u00edses pobres e contribuam financeiramente com a compra de imunizantes para regi\u00f5es mais afetadas pela covid-19.<\/p>\n<p>O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a declarar que o &#8220;mundo est\u00e1 \u00e0 beira de um fracasso moral catastr\u00f3fico&#8221;, ao criticar o fato de jovens j\u00e1 estarem recebendo vacina contra covid-19 em pa\u00edses ricos, enquanto idosos de pa\u00edses pobres poder\u00e3o passar 2021 e at\u00e9 2022 sem acesso \u00e0 primeira dose.<\/p>\n<p><strong>Conta alta<\/strong><br \/>\nO professor de Sa\u00fade Global Peter Baker, da Imperial College London, alerta que deixar o v\u00edrus descontrolado em pa\u00edses emergentes e pobres pode gerar custos humanos e financeiros para todas as na\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que novas variantes, totalmente resistentes \u00e0s vacinas, podem surgir.<\/p>\n<p>Se isso ocorrer, terceiras e quartas doses das vacinas existentes hoje ter\u00e3o que ser desenvolvidas e administradas em todas as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Em locais de descontrole da infec\u00e7\u00e3o e baixas taxas de vacina\u00e7\u00e3o, provavelmente uma variante fortemente resistente \u00e0s vacinas vai aparecer. A\u00ed teremos que reajustar as nossas vacinas, refazer pesquisas e refazer os processos de regula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preocupante ver que v\u00e1rios pa\u00edses do sul global foram deixados para tr\u00e1s porque pa\u00edses desenvolvidos compraram a grande maioria das vacinas e o acesso \u00e9 desafiador. As experi\u00eancias no Brasil, Reino Unido e \u00c1frica do Sul com variantes mostram que o v\u00edrus n\u00e3o respeita barreiras internacionais. Para solucionar esse problema, precisamos de uma iniciativa global&#8221;, completa o pesquisador Charlie Whittaker.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 o lobo, \u00e9 o lobo, \u00e9 o lobo, gritava o menino esbaforido para assustar os moradores do vilarejo. Repetiu mais vezes a mentira por dias seguidos, at\u00e9 que os ouvintes se fizeram surdos. Por fim o lobo veio. E cr\u00e9u, comeu o menino. 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