{"id":253726,"date":"2021-03-19T09:28:59","date_gmt":"2021-03-19T12:28:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=253726"},"modified":"2021-03-19T09:28:59","modified_gmt":"2021-03-19T12:28:59","slug":"qual-o-dia-do-muro-que-voce-criou-ao-seu-redor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/qual-o-dia-do-muro-que-voce-criou-ao-seu-redor\/","title":{"rendered":"Qual o \u201cdia do muro\u201d que voc\u00ea criou ao seu redor?"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns anos atendi uma mo\u00e7a. Era muito bonita, inteligente, aproximadamente 30 anos e tinha um jeito meigo e doce. Fizemos um trabalho incr\u00edvel com a terapia. Ela ajustou muitas das quest\u00f5es que trouxe e deu tudo certo.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos um c\u00f3digo para falar sobre uma coisa que aconteceu com ela ainda na adolesc\u00eancia. Ela era apaixonada por um garoto da escola que parecia retribuir, mas que nunca chegava perto dela. Cansada de tanto esperar e vendo a formatura batendo \u00e0 sua porta, ela tomou coragem e o chamou para uma conversa.<\/p>\n<p>Marcou com ele em frente a um muro que tinha na escola e assim, na cara e na coragem perguntou: \u201cE a\u00ed, voc\u00ea gosta de mim? Porque eu gosto de voc\u00ea\u201d. Qual n\u00e3o foi a surpresa dela quando ele disse: \u201cN\u00e3o sei do que voc\u00ea est\u00e1 falando. Eu tenho namorada\u201d, e saiu andando a deixando escorregando atr\u00e1s de uma porta fechada ao som de Elis Regina. Esse foi o seu \u201cdia do muro\u201d.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o foi o dia em si. Isso foi bem legal. Algu\u00e9m que teve a coragem de sair do papel de \u201cmulherzinha\u201d e partiu para cima. Pois bem, o problema veio depois. O trauma deixado pelo incidente fez com que ela se retra\u00edsse. Passou a aceitar pessoas que a conquistavam e n\u00e3o ia atr\u00e1s de mais ningu\u00e9m. Passou a ser a escolhida e n\u00e3o a que escolhe. Acabou infeliz, em um casamento que ela n\u00e3o queria ter come\u00e7ado e bastante frustrada.<\/p>\n<p>\u00c9 a nossa rea\u00e7\u00e3o natural a um trauma. Ela foi para o tal muro cheia de expectativas. Ele diria que a amava! Os dois se beijariam loucamente deixando a escola toda com inveja e seus pais preocupados. Seria o auge da sua exist\u00eancia. Mas n\u00e3o podemos supor a rea\u00e7\u00e3o dos outros e o que vem de fora sim, nos atinge muito. Principalmente durante a adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois de atender essa mo\u00e7a, notei que a maioria das mulheres (e alguns homens) tinham a sua pr\u00f3pria vers\u00e3o do \u201cdia do muro\u201d. A minha tinha sido quando vi o garoto que eu gostava beijando outra garota na porta da escola. O ch\u00e3o se abriu sobre os meus p\u00e9s esperan\u00e7osos e t\u00edmidos. N\u00e3o reagi, mas chorei semanas a fio por n\u00e3o ter tido a coragem de procur\u00e1-lo antes. E sim, isso permeou todas as minhas escolhas futuras. Cheguei a for\u00e7ar relacionamentos (fadados, obviamente ao fracasso) por medo de n\u00e3o ter tentado \u00e0 exaust\u00e3o. Tamb\u00e9m nunca dei certo, \u00f3bvio. Tamb\u00e9m gerou traumas.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias s\u00e3o diferentes, mas o sentido \u00e9 sempre o mesmo. O nosso incr\u00edvel medo de rejei\u00e7\u00e3o. No momento em que passamos por qualquer coisa assim, um medo imenso se instala dentro de n\u00f3s. O medo de sermos recha\u00e7ados, rejeitados, colocados de lado. Isso ainda \u00e9 uma das coisas mais dif\u00edceis de serem tratadas em terapia, mas tem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Precisamos, primeiramente, nos perdoar. Por ter chamado o rapaz para o muro ou por n\u00e3o ter feito isso e tamb\u00e9m n\u00e3o dar certo. Precisamos entender que fizemos o melhor com os recursos emocionais que t\u00ednhamos na \u00e9poca. N\u00e3o podemos voltar no tempo, mas podemos perdoar aquela menina ou aquele menino que fez \u201cbesteira\u201d.<\/p>\n<p>Segundo, precisamos nos amar sempre, em primeiro lugar. Voc\u00ea \u00e9 a \u00fanica coisa em comum em todos os seus relacionamentos amorosos, ent\u00e3o cuide muito bem disso. De a voc\u00ea mesmo o respeito, carinho e amor que pretende ter de outra pessoa.<\/p>\n<p>Terceiro, n\u00e3o crie expectativas. Sei que este \u00e9 talvez o passo mais dif\u00edcil, mas ningu\u00e9m est\u00e1 livre de um segundo, terceiro ou quarto dia do muro. N\u00e3o podemos mandar no cora\u00e7\u00e3o das outras pessoas, s\u00f3 podemos sentir o que sentimos e, sim, continuar tendo a coragem de nos expor abertamente para o mundo ou para o ser amado. S\u00f3 n\u00e3o vale for\u00e7ar nada, nem achar que, s\u00f3 porque voc\u00ea se apaixonou, isso v\u00e1 acontecer do outro lado. Ningu\u00e9m manda no cora\u00e7\u00e3o, lembre-se disso. Sinta o que tiver que sentir e saiba o que fazer com esse sentimento. O amor \u00e9 sempre seu e \u00e9 sempre bom sentir.<\/p>\n<p>E voc\u00ea? Qual \u00e9 o seu dia do muro? Como conseguiu sair dele ou ainda est\u00e1 l\u00e1 parado? Pense bem, isso poder\u00e1 mudar a maneira como se enxerga no mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns anos atendi uma mo\u00e7a. Era muito bonita, inteligente, aproximadamente 30 anos e tinha um jeito meigo e doce. Fizemos um trabalho incr\u00edvel com a terapia. Ela ajustou muitas das quest\u00f5es que trouxe e deu tudo certo. T\u00ednhamos um c\u00f3digo para falar sobre uma coisa que aconteceu com ela ainda na adolesc\u00eancia. 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