{"id":253811,"date":"2021-03-21T00:57:58","date_gmt":"2021-03-21T03:57:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=253811"},"modified":"2021-03-21T07:00:40","modified_gmt":"2021-03-21T10:00:40","slug":"poder-abraca-elite-financeira-e-esquece-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/poder-abraca-elite-financeira-e-esquece-povo\/","title":{"rendered":"Poder abra\u00e7a elite financeira e esquece povo"},"content":{"rendered":"<p>Nenhuma institui\u00e7\u00e3o atualmente vigente poder\u00e1 salvar o Brasil. Nenhum dos assim denominados poderes da rep\u00fablica. E por que? O Brasil come\u00e7ou a sofrer esta desconstru\u00e7\u00e3o quando os governos militares resolveram n\u00e3o seguir os mandamentos dos idealizadores e construtores do golpe de 1964, os interesses econ\u00f4micos estadunidenses da \u00e9poca, e voltaram-se, a partir de Costa e Silva at\u00e9 Geisel, para erigir um pa\u00eds industrial, com tudo que era necess\u00e1rio para isso.<\/p>\n<p>Fica dif\u00edcil saber se os estados maior, os formuladores te\u00f3ricos das estrat\u00e9gias, tinham a compreens\u00e3o da luta que se travava, no mundo capitalista e naquele final dos anos 1960, entre a industrializa\u00e7\u00e3o e as finan\u00e7as. Mas o fato \u00e9 que Costa e Silva, no lugar de Roberto de Oliveira Campos, Oct\u00e1vio Gouveia de Bulh\u00f5es, Juarez T\u00e1vora, Juracy Magalh\u00e3es, chamou para seu Minist\u00e9rio Afonso de Albuquerque Lima, Ant\u00f4nio Dias Leite, Edmundo de Macedo Soares, H\u00e9lio Beltr\u00e3o, Ant\u00f4nio Delfim Netto e Mario Andreaza. Ou seja, no lugar de entreguistas financistas colocou nacionalistas industrialistas.<\/p>\n<p>E este mesmo conjunto governou de 1967 a 1980, conduzindo o Brasil a um per\u00edodo de grande crescimento econ\u00f4mico e conquistas previdenci\u00e1rias, trabalhistas e sociais, num per\u00edodo que al\u00e9m do emprego e as pessoas podiam vislumbrar um futuro melhor.<\/p>\n<p>Talvez o leitor cobre a democracia, o combate \u00e0 tortura, a a\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3o de seguran\u00e7a que misturavam a externa com a interna. Realmente, isto ocorreu e n\u00e3o deve ser defendido. Mas houve a contraparte do desenvolvimento e da soberania nacional, muito clara nas a\u00e7\u00f5es do Governo Geisel com o reconhecimento da independ\u00eancia de Angola, o rompimento do acordo militar com os Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) e a implanta\u00e7\u00e3o da pesquisa nuclear no Brasil.<\/p>\n<p>Assim, as for\u00e7as do entreguismo e do financismo come\u00e7am a combater o que merecia ser mudado, mas misturando com as a\u00e7\u00f5es nacionalistas, desenvolvimentistas e de soberania. E a oposi\u00e7\u00e3o, no af\u00e3 da unidade, colocou tudo num mesmo projeto que, j\u00e1 em 1990, come\u00e7a a desconstruir o Brasil.<\/p>\n<p>Bolsonaro \u00e9 um neto desde erro. O Brasil erra quando considera ser mais importante do que sua popula\u00e7\u00e3o os investidores na Bolsa de Nova Iorque, o Brasil erra quando acha serem poss\u00edvel pol\u00edticas p\u00fablicas onde n\u00e3o h\u00e1 soberania, e erra pensando haver emprego onde as ind\u00fastrias s\u00e3o alienadas por valores rid\u00edculos para gestores de ativos de para\u00edsos fiscais.<\/p>\n<p>E s\u00e3o estes os senhores do Brasil, os mais corruptos, que simulam combater a corrup\u00e7\u00e3o. O quase centen\u00e1rio estudioso da hist\u00f3ria do pensamento pol\u00edtico, o neozeland\u00eas John G. A. Pocock escreveu que os pais fundadores dos EUA \u2013 Jefferson, Adams, Washington e seus herdeiros \u2013 temiam que \u201cas grandes cidades, os bancos, as concentra\u00e7\u00f5es de capital financeiro\u201d, aquelas for\u00e7as que Eisenhower chamaria de complexo industrial-militar, \u201ccorrompessem os lavradores do Oeste, em proveito do Leste urbano\u201d, ao fim para benef\u00edcio das mesmas for\u00e7as que eles conseguiram vencer para conquistar a independ\u00eancia das 13 col\u00f4nias \u2013 o capital financeiro ingl\u00eas (John Pocock, Cidadania, Historiografia e Res Publica, Almedina, Coimbra, 2013).<\/p>\n<p>Pois este mal acabou por corromper n\u00e3o s\u00f3 os EUA, como vemos desde Ronald Reagan, mas o Brasil, desde o processo que levou Jo\u00e3o Baptista de Oliveira Figueiredo \u00e0 Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>O que fazer? Parece ser a pergunta de todos.<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o ser\u00e1 repetindo os erros. N\u00e3o ser\u00e1 mantendo o monop\u00f3lio da comunica\u00e7\u00e3o de massa a servi\u00e7o dos interesses estrangeiros e, em consequ\u00eancia, considerando que seus arautos e pseudos analistas t\u00eam a verdade e o esp\u00edrito p\u00fablico. Tamb\u00e9m n\u00e3o concentrando numa pessoa ou numa institui\u00e7\u00e3o a origem do erro.<\/p>\n<p>O que temos \u00e9 um combate global, contra as institui\u00e7\u00f5es corrompidas, contra os pol\u00edticos antinacionais, contra um judici\u00e1rio voltado para suas lagostas e privil\u00e9gios que julgam contra o Brasil, como a recente decis\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio nacional. A prop\u00f3sito, quem, sen\u00e3o o povo, cujo suor, trabalho, idealismo, construiu nossas empresas estatais, nossas ferrovias, nossos portos, nossas estradas poderia coloca-las a venda? Poderia fixar o valor m\u00ednimo e as condi\u00e7\u00f5es para transferir a terceiros? Mas foram 11 senhores, aos quais ningu\u00e9m atribuiu o poder de alienar o Brasil que, atendendo interesses estrangeiros, decidem entregar nosso patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>\u00c0s ruas cidad\u00e3os, defendam nosso patrim\u00f4nio, lutem por voc\u00eas e seus filhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nenhuma institui\u00e7\u00e3o atualmente vigente poder\u00e1 salvar o Brasil. Nenhum dos assim denominados poderes da rep\u00fablica. E por que? 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