{"id":253867,"date":"2021-03-22T15:23:04","date_gmt":"2021-03-22T18:23:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=253867"},"modified":"2021-03-22T16:27:44","modified_gmt":"2021-03-22T19:27:44","slug":"interdicao-de-bolsonaro-corre-na-boca-dos-militares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/interdicao-de-bolsonaro-corre-na-boca-dos-militares\/","title":{"rendered":"Interdi\u00e7\u00e3o de Bolsonaro corre na boca dos militares"},"content":{"rendered":"<p>O novo cen\u00e1rio eleitoral j\u00e1 est\u00e1 desenhado, mas a pintura ainda n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00edda. O que se tem de concreto \u00e9 que o quadro n\u00e3o tem mais fundo falso, tampouco um \u00fanico artista. A sacudidela no balde de tintas deixou claro para os 152 milh\u00f5es de eleitores que devemos desconfiar daqueles que afirmam ter o monop\u00f3lio da verdade e mais ainda dos que se dizem dono do mundo. E de um Ex\u00e9rcito para chamar de seu. De repente, uma canetada mal dada ou um tiro para acertar no que n\u00e3o se v\u00ea muda tudo. O resumo da \u00f3pera \u00e9 que a vida \u00e9 uma pe\u00e7a de teatro ao vivo, cuja consequ\u00eancia \u00e9 n\u00e3o permitir erros. Uma c\u00e9lebre frase de Charles Chaplin define bem os \u00faltimos dias da pol\u00edtica nacional. &#8220;Cante, chore, dance, ria e viva intensamente antes que a cortina se feche e a pe\u00e7a termine sem aplausos&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 o mesmo que dizer: na vida tudo passa, mas nem tudo a gente esquece. A linguagem quase metaf\u00f3rica tem a ver com a desnecessidade de clareza nas palavras, de modo a n\u00e3o ferir suscetibilidades \u00e0 direita ou \u00e0 esquerda, divis\u00e3o que n\u00e3o consegue ser explicada sequer por quem a vive. Definir alinhamento pol\u00edtico somente por meio do vi\u00e9s partid\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o il\u00f3gico como pat\u00e9tico. Ou como acredita muita gente de baixa batente \u00c9 o mesmo que tentar explicar o que s\u00e3o coxinhas, p\u00e3o com mortadela, bolsominions e afins. A verdade \u00e9 que ningu\u00e9m consegue. Nos dias de hoje, \u00e9 dif\u00edcil explicar um esquerdopata elogiado por parlamentares do DEM, apoiado por integrantes do PSDB e defendido por parcela expressiva do empresariado. Tamb\u00e9m gera dificuldades \u2013 e muitas \u2013 admitir um direitopata fechando acordos com o Centr\u00e3o apenas para garantir a governabilidade, quando sente as r\u00e9deas escapar como \u00e1gua entre os dedos.<\/p>\n<p>Tudo isso faz parte do Brasil desmemoriado de hoje, cuja popula\u00e7\u00e3o, independente de cor, ra\u00e7a, credo e classe social, defende ardentemente a polariza\u00e7\u00e3o como solu\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio prazo para uma crise que se desenha longa, mas que h\u00e1 gente querendo colocar um ponto final antes de qualquer v\u00edrgula. Com clareza absoluta, o notici\u00e1rio dos \u00faltimos dias mostrou um presidente acuado, sem rumo, com rar\u00edssimos apoios e \u2013 o que \u00e9 pior \u2013 com sugest\u00f5es de afastamento tempor\u00e1rio, interdi\u00e7\u00e3o e recomenda\u00e7\u00e3o de tratamento psiqui\u00e1trico, conforme textos atribu\u00eddos a Miguel Reale Jr, ao subprocurador Lucas Rocha Furtado e ao psiquiatra forense Guido Palomba. O tabuleiro eleitoral p\u00f3s-libera\u00e7\u00e3o de Luiz In\u00e1cio \u00e9 embrion\u00e1rio. N\u00e3o entendam como clich\u00ea ou acusa\u00e7\u00e3o, mas temos de lembrar que, at\u00e9 2022, a defesa do ex-presidente ainda disp\u00f5e de uma longa caminhada para garantir sua liberdade e seu direito de ser votado.<\/p>\n<p>Avalia-se entre militares das mais diferentes patentes como improv\u00e1vel qualquer mudan\u00e7a na decis\u00e3o do ministro Edson Fachin. Entretanto, as armadilhas e as minas continuam escondidas. O que est\u00e1 claro \u00e9 que a divis\u00e3o entre extremos n\u00e3o reflete as tradi\u00e7\u00f5es eleitorais do povo brasileiro. Na pr\u00e1tica, quando a disputa acirrada fica limitada a apenas duas vertentes, naturalmente s\u00e3o criadas v\u00e1rias direitas e esquerdas, segmentos filosoficamente centrados nos direitos individuais e no papel do governo. S\u00e3o contr\u00e1rios aos termos liberal e conservador, utilizados exclusivamente na defini\u00e7\u00e3o das pautas apoiadas. A esquerda acredita que a sociedade fica melhor quando um governo tem um maior papel, garantindo direitos e promovendo igualdade entre todos. Por sua vez, as pessoas ditas de direita acreditam que a sociedade progride quando os direitos individuais e as liberdades civis t\u00eam prioridade. Mas isso \u00e9 quase sempre uma fal\u00e1cia.<\/p>\n<p>Nesse caso, o poder do governo \u00e9 minimizado. N\u00e3o foi o que vimos, muito menos o que vemos. Talvez no af\u00e3 de acertar, Luiz In\u00e1cio e Jair Bolsonaro acabaram esquecendo que receberam votos de variados matizes. Comum ouvirmos que quem apanha jamais esquece. Por isso, at\u00e9 hoje os coxinhas lembram \u2013 e se arrependem &#8211; as raz\u00f5es que os levaram a votar em outro extremista. Muito mais f\u00e1cil \u00e9 analisar Bolsonaro, que, com lampejos ditatoriais, preferiu se enclausurar entre apoiadores radicais, desconexados com a realidade e sem qualquer compromisso com a Constitui\u00e7\u00e3o. Deu no que deu e est\u00e1 dando no que se v\u00ea. At\u00e9 a m\u00e1scara facial tem nova recomenda\u00e7\u00e3o de uso. Para o governo do capit\u00e3o, tudo deve ser enfiado no QR Code dos outros. Inoper\u00e2ncia e descaso \u00e0 parte, a rela\u00e7\u00e3o do governo federal com a pandemia remete \u00e0 met\u00e1fora da fam\u00edlia: os pais se trancam no quarto deixando a solu\u00e7\u00e3o dos problemas caseiros para as crian\u00e7as. Mas h\u00e1 adultos em casernas que sabem como colocar ordem na casa.<\/p>\n<p>Esse longo pre\u00e2mbulo, ajustado a partir de conversas fora das mesas de caf\u00e9 de Bras\u00edlia, ajudou a buscar palavras mais ponderadas para chegar a agosto de 2016, com a introdu\u00e7\u00e3o de Michel Miguel Elias Temer Lulia ao poder. Golpe ou n\u00e3o, correto ou n\u00e3o, houve um impeachment e ele, como vice-presidente eleito, assumiu como 37\u00ba. presidente do Brasil. Question\u00e1vel na forma, a ascens\u00e3o de Temer acabou reduzindo a um traque a amea\u00e7a retumbante de crises pol\u00edtica e econ\u00f4mica, com desemprego na casa dos 13,7%, ou seja, 14,2 milh\u00f5es de brasileiros desempregados. Parece que voltamos \u00e0quele per\u00edodo. Por isso, nada de extraordin\u00e1rio se, nesses dias, semanas e meses de nuvens cada vez mais negras no c\u00e9u do pa\u00eds, esquec\u00eassemos temporariamente eventuais ran\u00e7os e ped\u00edssemos aos deuses para elevar o general Hamilton Mour\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de salvador da perdida e ca\u00f3tica P\u00e1tria Amada Brasil. Bolsonaro afirmou nesse fim de semana que s\u00f3 Deus o tira da Presid\u00eancia. Apesar de alguns rompantes radicais, Mour\u00e3o \u2013 quem sabe o deus Mour\u00e3o &#8211; \u00e9 inteligente e sabe que a solu\u00e7\u00e3o para o Brasil \u00e9 pavimentar o caminho da democracia.<\/p>\n<p>Irremov\u00edvel como vice, mas abandonado pelo presidente, Mour\u00e3o recebeu os mesmos votos de Bolsonaro na elei\u00e7\u00e3o de 2018. Portanto, at\u00e9 o fim do mandato ele \u00e9 inviol\u00e1vel, indemiss\u00edvel e imex\u00edvel. Jair Messias foi informado e j\u00e1 demonstrou medo de perder a cadeira para seu colega de chapa. O receio presidencial foi escancarado ap\u00f3s o vazamento de uma conversa reservada entre um assessor de Mour\u00e3o e o chefe de gabinete de um deputado federal. Desde ent\u00e3o, Deus e as torcidas do Flamengo e do Corinthians passaram a ter certeza da falta de imagina\u00e7\u00e3o do capit\u00e3o para gerir o pa\u00eds. Al\u00e9m de atestar o fim da boa rela\u00e7\u00e3o entre presidente e vice, boa parte da imprensa nacional vislumbrou um vice bem preparado para novas fun\u00e7\u00f5es, percebeu o desconforto das For\u00e7as Armadas com os devaneios do capit\u00e3o e confirmou que raros s\u00e3o os militares graduados que aceitam imaginar uma nova investida como a de 1964. Eles sabem que n\u00e3o podem perder a credibilidade com quatro anos de um mandato p\u00edfio, ap\u00f3s mais de 55 anos para recuper\u00e1-la.<\/p>\n<p>Como desconhecemos a amplitude dos pr\u00f3ximos temporais, n\u00e3o temos ideia do que nos espera. E \u00e9 melhor que seja assim. Mas, como seguro morreu de velho, temos de buscar a luz no fim do t\u00fanel a qualquer custo. Pior do que a pandemia, os riscos at\u00e9 2022 s\u00e3o desconhecidos. E quem sabe essa luz n\u00e3o est\u00e1 mais pr\u00f3xima do que imaginamos? A na\u00e7\u00e3o, principalmente a rubro-negra, est\u00e1 atenta. Vacina, muitos sonhos e a possibilidade de mais um vice no poder, ocupando a cadeira mais alta, mas com a obriga\u00e7\u00e3o de acertar, \u00e9 tudo que precisamos. Temos de novamente tentar passar o pa\u00eds a limpo. Para isso, nada melhor do que remexer alfarr\u00e1bios e descobrir frases, pensamentos e cita\u00e7\u00f5es antol\u00f3gicas. Uma delas pode ser lida no sentido filos\u00f3fico popularesco: &#8220;Garraf\u00e3o que levou querosene nunca perde o cheiro&#8221;. Nas palavras de Plat\u00e3o, &#8220;O que faz andar o barco n\u00e3o \u00e9 a vela enfunada, mas o vento que n\u00e3o se v\u00ea&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p><strong>*A publica\u00e7\u00e3o desse texto foi avaliada meticulosamente nas \u00faltimas 24 horas. Foi produzido a partir de conversas reservadas com militares graduados, que, em respeito \u00e0 hierarquia, pediram apenas anonimato. Uma coisa, enfatizaram, n\u00e3o precisa ficar sob reserva: as For\u00e7as Armadas servem ao Estado brasileiro, e n\u00e3o a um governo passageiro; e que h\u00e1 dispositivos legais para passar tudo a limpo.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo cen\u00e1rio eleitoral j\u00e1 est\u00e1 desenhado, mas a pintura ainda n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00edda. O que se tem de concreto \u00e9 que o quadro n\u00e3o tem mais fundo falso, tampouco um \u00fanico artista. 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