{"id":253965,"date":"2021-03-24T07:31:46","date_gmt":"2021-03-24T10:31:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=253965"},"modified":"2021-03-24T08:55:21","modified_gmt":"2021-03-24T11:55:21","slug":"nove-o-planeta-que-existe-mas-que-ninguem-ve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nove-o-planeta-que-existe-mas-que-ninguem-ve\/","title":{"rendered":"Nove, o planeta que existe mas que ningu\u00e9m v\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>Percival Lowell cometeu v\u00e1rios equ\u00edvocos. O escritor e empres\u00e1rio do s\u00e9culo 19 leu um livro sobre Marte e, depois disso, decidiu se tornar um astr\u00f4nomo. Extremamente rico e conhecido por estar sempre usando um impec\u00e1vel terno de tr\u00eas pe\u00e7as, ele apresentaria teses ousadas sobre o espa\u00e7o nas d\u00e9cadas seguintes.<\/p>\n<p>Primeiro, Lowell se convenceu da exist\u00eancia de marcianos e acreditou (equivocadamente) ter encontrado esses extraterrestres. Outros astr\u00f4nomos haviam documentado linhas estranhas atravessando Marte, e Lowell sugeriu que seriam canais, constru\u00eddos como uma \u00faltima tentativa de sobreviv\u00eancia por uma civiliza\u00e7\u00e3o que tentava captar \u00e1gua de massas polares.<\/p>\n<p>Ele usou sua fortuna para construir um observat\u00f3rio s\u00f3 para conseguir enxergar melhor esses tra\u00e7os. No fim das contas, as linhas eram uma ilus\u00e3o de \u00f3tica, criada por montanhas e crateras em Marte, quando o planeta era observado com telesc\u00f3pios de baixa qualidade.<\/p>\n<p>Lowell tamb\u00e9m acreditava que o planeta V\u00eanus tinha raios emanando do seu centro, e descreveu isso em seus di\u00e1rios como &#8220;linhas de uma teia&#8221;. Seus assistentes tentavam localizar essas linhas, mas n\u00e3o conseguiam enxergar esse detalhe. Agora, acredita-se que os supostos raios eram sombras projetadas pela \u00edris dos pr\u00f3prios olhos de Lowell, quando ele olhava pelo telesc\u00f3pio.<\/p>\n<p>Mas, acima de tudo, Lowell estava determinado a encontrar o nono planeta do nosso Sistema Solar \u2014 um hipot\u00e9tico &#8220;Planeta X&#8221; que, na \u00e9poca, acreditava-se que seria respons\u00e1vel pelas \u00f3rbitas err\u00e1ticas dos planetas mais distantes do Sol, os gigantes gelados Urano e Netuno.<\/p>\n<p>Embora nunca tenha conseguido encontrar esse planeta, a empreitada consumiu a \u00faltima d\u00e9cada da vida de Lowell, que morreu aos 61 anos depois de v\u00e1rias crises nervosas.<\/p>\n<p>Mal sabia ele que essa busca continuaria muito tempo depois, em 2021.<\/p>\n<p><strong>Pista falsa<\/strong><br \/>\nDecidido a n\u00e3o ser vencido pela mortalidade, Lowell deixou milh\u00f5es de d\u00f3lares para a causa da busca pelo Planeta X. Ap\u00f3s uma breve interrup\u00e7\u00e3o causada por uma disputa legal envolvendo sua vi\u00fava, Constance Lowell, o observat\u00f3rio continuou a busca.<\/p>\n<p>Apenas 14 anos depois, no dia 18 de fevereiro de 1930, um jovem astr\u00f4nomo estava olhando as fotos de c\u00e9u estrelado quando notou um ponto entre as estrelas. Ele havia encontrado Plut\u00e3o, que por um tempo foi considerado o t\u00e3o falado Planeta X.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o era o caso. Tempos depois os cientistas perceberam que Plut\u00e3o n\u00e3o era o que Lowell estava procurando \u2014 ele n\u00e3o chegava perto de ter tamanho suficiente para afastar Netuno e Urano de suas posi\u00e7\u00f5es tradicionais na \u00f3rbita solar.<\/p>\n<p>O golpe final no Planeta X aconteceu em 1989, quando a nave espacial Voyager 2 passou perto de Netuno e revelou que ele era mais leve do que se pensava. Com isso em mente, um cientista da Nasa, a ag\u00eancia espacial americana, calculou que as \u00f3rbitas dos planetas mais distantes do Sistema Solar sempre estiveram onde deviam estar \u2014 n\u00e3o foram desviadas. Lowell havia provocado uma busca que, na realidade, nunca teve sentido.<\/p>\n<p>Mas enquanto o conceito de um planeta oculto morria, as bases para a sua ressurrei\u00e7\u00e3o eram estabelecidas.<\/p>\n<p>Em 1992, dois astr\u00f4nomos que, segundo a Nasa, &#8220;passaram anos varrendo os c\u00e9us em busca de objetos para al\u00e9m de Netuno&#8221;, descobriram o cintur\u00e3o de Kuiper. Essa rosca c\u00f3smica de objetos congelados que se estende para al\u00e9m da \u00f3rbita de Netuno \u00e9 uma das maiores estruturas do Sistema Solar. Acredita-se que ela seja vasta a ponto de abrigar at\u00e9 um trilh\u00e3o de cometas, al\u00e9m de milhares de objetos com tamanho superior a 100 km.<\/p>\n<p>Logo os cientistas perceberam que Plut\u00e3o dificilmente seria o \u00fanico grande objeto al\u00e9m do alcance do Sistema Solar. E come\u00e7aram a questionar se ele seria mesmo um planeta. Eles encontraram &#8220;Sedna&#8221;, que tem cerca de 40% do tamanho de Plut\u00e3o; &#8220;Quaoar&#8221;, que tem cerca de metade do tamanho de Plut\u00e3o; e &#8220;Eris&#8221;, que \u00e9 quase do mesmo tamanho que Plut\u00e3o.<\/p>\n<p>Ficou evidente que os astr\u00f4nomos precisavam de uma nova classifica\u00e7\u00e3o. Em 2006, a Uni\u00e3o Astron\u00f4mica Internacional votou por rebaixar o status de Plut\u00e3o para &#8220;planeta an\u00e3o&#8221;. Mike Brown, professor de astronomia planet\u00e1ria no Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia (Caltech) e pesquisador que liderou a identifica\u00e7\u00e3o de Eris, \u00e9 at\u00e9 hoje conhecido como o &#8220;homem que matou Plut\u00e3o&#8221;. O nono planeta deixou de existir.<\/p>\n<p><strong>Objetos fora de \u00f3rbita<\/strong><br \/>\nAo mesmo tempo, a descoberta desses objetos abriram caminho para uma nova e importante pista na busca pelo planeta oculto.<\/p>\n<p>Aparentemente, Sedna n\u00e3o est\u00e1 se deslocando da maneira como era esperada \u2014 tra\u00e7ando an\u00e9is el\u00edpticos ao redor do Sol, de dentro do Cintur\u00e3o de Kuiper. Em vez disso, esse objeto espacial gigante adotou uma trajet\u00f3ria bizarra e inesperada, fazendo um movimento de p\u00eandulo a uma dist\u00e2ncia 75 vezes maior \u00e0 que separa a Terra do Sol.<\/p>\n<p>Sedna chega a levar 11 mil anos para completar sua \u00f3rbita. Na \u00faltima vez em que Sedna se encontrava na posi\u00e7\u00e3o atual, os humanos haviam acabado de inventar a agricultura.<\/p>\n<p>\u00c9 como se algo estivesse puxando Sedna e arrastando para longe. Essa descoberta abriu caminho para uma nova hip\u00f3tese de planeta no Sistema Solar, mas n\u00e3o da maneira como se havia imaginado at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2016, o mesmo Mike Brown, que havia acabado com a ideia de que Plut\u00e3o seria um planeta, junto a seu colega Konstantin Batygin, tamb\u00e9m professor de Astronomia Planet\u00e1ria na Caltech, assinou um artigo no qual propunha a exist\u00eancia de um planeta enorme, com entre 5 e 10 vezes o tamanho da Terra.<\/p>\n<p>A ideia surgiu da constata\u00e7\u00e3o de que Sedna n\u00e3o era o \u00fanico objeto fora de sua \u00f3rbita. Havia outros seis, todos arrastados para a mesa dire\u00e7\u00e3o. Havia outros ind\u00edcios, como o fato de que todos pareciam inclinados sobre seus pr\u00f3prios eixos, na mesma dire\u00e7\u00e3o. Os cientistas calcularam que a probabilidade de que tudo isso fosse fruto do acaso era de apenas 0,007%.<\/p>\n<p>&#8220;Pensamos: Isso \u00e9 muito interessante. Como \u00e9 poss\u00edvel?&#8221;, diz Batygin.<\/p>\n<p>&#8220;Era incr\u00edvel porque um agrupamento desse tipo, se deixado sozinho por um per\u00edodo de tempo, iria se dispersar por causa da intera\u00e7\u00e3o com a gravidade dos planetas.&#8221;<\/p>\n<p>Em vez disso, segundo os dois cientistas, o que ocorreu \u00e9 que o nono planeta deixou sua impress\u00e3o nos confins do Sistema Solar, distorcendo as \u00f3rbitas dos objetos ao seu redor, com sua atra\u00e7\u00e3o gravitacional. Alguns anos depois, o n\u00famero de objetos que mostram esse padr\u00e3o orbital exc\u00eantrico e essa inclina\u00e7\u00e3o segue aumentando.<\/p>\n<p>&#8220;Agora temos uns 19 no total&#8221;, afirma Batygin.<\/p>\n<p>Ainda que ningu\u00e9m tenha visto esse hipot\u00e9tico planeta oculto, surpreendentemente, muitas coisas podem ser inferidas dele. Cientistas t\u00eam at\u00e9 uma ideia de como deve ser a sua apar\u00eancia \u2014 gelada e com um n\u00facleo s\u00f3lido, como Urano e Netuno.<\/p>\n<p>E vem a complicada pergunta sobre de onde surgiu esse nono planeta. At\u00e9 agora existem tr\u00eas principais hip\u00f3teses. Uma delas \u00e9 a de que ele se formou onde atualmente est\u00e1 localizado. Essa ideia \u00e9 considerada improv\u00e1vel por Batygin, porque isso exigiria que o Sistema Solar, nos seus prim\u00f3rdios, tivesse se esticado at\u00e9 t\u00e3o longe quanto a atual morada do nono planeta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 uma intrigante sugest\u00e3o de que o nono planeta seja, na verdade, um impostor \u2014 um objeto roubado de outra estrela h\u00e1 muito tempo, quando o Sol ainda estava no grupo estelar onde nasceu.<\/p>\n<p>&#8220;O problema com essa hist\u00f3ria \u00e9 que existe a mesma probabilidade de que o planeta se perca num pr\u00f3ximo encontro, de modo que estatisticamente esse modelo apresenta inconsist\u00eancias.&#8221;<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 a teoria preferida de Batygin, embora ele pr\u00f3prio reconhe\u00e7a que ela seja question\u00e1vel. Por essa hip\u00f3tese, o planeta teria se formado muito mais perto do Sol, nos prim\u00f3rdios do desenvolvimento do Sistema Solar, quando os planetas estavam come\u00e7ando a se posicionar em meio aos arredores de g\u00e1s e poeira.<\/p>\n<p>&#8220;Ele se manteve no local onde se formou at\u00e9 ser dispersado por J\u00fapiter ou Saturno e, subsequentemente, teve a \u00f3rbita modificada por estrelas que passavam&#8221;, diz Batygin.<\/p>\n<p><strong>Um esconderijo obscuro<\/strong><br \/>\nClaro que tudo isso leva a uma pergunta \u00f3bvia \u2014 se o Planeta Nove realmente existe, porque ningu\u00e9m conseguiu v\u00ea-lo at\u00e9 hoje?<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o tinha ideia do qu\u00e3o dif\u00edcil seria encontrar o Planeta Nove at\u00e9 que eu comecei a procurar por ele usando os telesc\u00f3pios de Mike&#8221;, conta Batygin.<\/p>\n<p>&#8220;A raz\u00e3o de ser uma procura t\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 que a maioria das pesquisas astron\u00f4micas n\u00e3o busca uma \u00fanica coisa.&#8221;<\/p>\n<p>Por exemplo, os astr\u00f4nomos normalmente procurariam uma classe de objetos, como um tipo particular de planeta. Mesmo que sejam raros, se voc\u00ea fizer uma busca numa \u00e1rea grande o suficiente do espa\u00e7o, provavelmente encontrar\u00e1 algo. Mas ca\u00e7ar um \u00fanico objeto, como o Planeta Nove, constitui um desafio bem maior.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 uma pequena por\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o abriga esse planeta&#8221;, destaca Batygin.<\/p>\n<p>Ele explica que, somado a essa dificuldade, h\u00e1 o desafio prosaico de reservar o telesc\u00f3pio adequado para procura.<\/p>\n<p>&#8220;No momento, o \u00fanico telesc\u00f3pio capaz de ajudar na busca pelo Planeta Nove \u00e9 o Subaru&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Esse gigante de 8,2 metros, localizado num vulc\u00e3o adormecido, o Mauna Kea, no Hava\u00ed, \u00e9 capaz de capturar at\u00e9 a luz fraca de objetos celestes distantes.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 (o telesc\u00f3pio) ideal, porque o planeta deve estar t\u00e3o longe que dificilmente refletir\u00e1 muita luz do Sol.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 temos um equipamento que podemos usar, e s\u00f3 conseguimos utiliz\u00e1-lo tr\u00eas noites por ano&#8221;, completa Batygin, que recentemente passou tr\u00eas noites seguidas usando o telesc\u00f3pio.<\/p>\n<p>&#8220;A boa not\u00edcia \u00e9 que o telesc\u00f3pio Vera Rubin vai entrar em opera\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos dois anos.&#8221;<\/p>\n<p>Esse telesc\u00f3pio de nova gera\u00e7\u00e3o, atualmente em constru\u00e7\u00e3o no Chile, vai escanear o c\u00e9u sistematicamente, fotografando todas as \u00e1reas pass\u00edveis de serem observadas da Terra.<\/p>\n<p><strong>Uma alternativa intrigante<\/strong><br \/>\nNo entanto, h\u00e1 um cen\u00e1rio peculiar que pode permitir que o nono planeta n\u00e3o seja encontrado com o uso do telesc\u00f3pio Vera Rubin \u2014 se esse planeta n\u00e3o existir e for, na verdade, um buraco negro.<\/p>\n<p>&#8220;Todas as evid\u00eancias para a exist\u00eancia desse planeta s\u00e3o gravitacionais&#8221;, diz James Unwin, professor de f\u00edsica da Universidade de Illinois, em Chicago, nos EUA. Foi ele que, juntamente com Jakub Scholtz, pesquisador de p\u00f3s-doutorado da Universidade de Turin, na It\u00e1lia, primeiro sugeriu a ideia de que o nono planeta pudesse ser, na verdade, um buraco negro.<\/p>\n<p>Embora estejamos mais familiarizados com a ideia de que planetas exercem uma poderosa for\u00e7a gravitacional, &#8220;h\u00e1 outras coisas mais ex\u00f3ticas que podem gerar (essa for\u00e7a)&#8221;, afirma Unwin.<\/p>\n<p>Alguns substitutos plaus\u00edveis para o Planeta Nove incluem uma pequena bola de mat\u00e9ria negra ultra-concentrada ou um buraco negro. Como buracos-negros est\u00e3o entre os objetos mais densos do universo, Unwin explica que \u00e9 totalmente poss\u00edvel que eles estejam alterando as \u00f3rbitas de objetos distantes, nos arredores do nosso Sistema Solar.<\/p>\n<p>Os buracos negros com os quais estamos mais familiarizados costumam incluir os buracos negros &#8220;estelares&#8221;, que t\u00eam uma massa que \u00e9 pelo menos tr\u00eas vezes a do Sol, e buracos negros &#8220;supermassivos&#8221;, que t\u00eam milh\u00f5es ou bilh\u00f5es de vezes a massa do Sol.<\/p>\n<p>Enquanto o primeiro tipo nasce do colapso de estrelas que est\u00e3o morrendo, o segundo \u00e9 mais misterioso; possivelmente surge a partir de estrelas colossais que implodem, e acumulam gradualmente cada vez mais massa, devorando tudo ao seu redor, incluindo outros buracos negros.<\/p>\n<p>Os buracos negros primordiais s\u00e3o diferentes. Eles nunca foram observados, mas acredita-se que tenham se originado a partir de uma nuvem de mat\u00e9ria e energia quente que se formou no primeiro segundo do Big Bang.<\/p>\n<p>Nesse ambiente inst\u00e1vel, partes do universo poderiam ter se tornado t\u00e3o densas que foram comprimidas em pequenas bolsas com a massa dos planetas.<\/p>\n<p>Unwin ressalta que as chances de um buraco negro se formar a partir de uma estrela s\u00e3o zero, j\u00e1 que conservam sua poderosa atra\u00e7\u00e3o gravitacional, s\u00f3 que concentrada.<\/p>\n<p>Mesmo os buracos negros estelares menores t\u00eam uma massa tr\u00eas vezes maior que a do nosso Sol, ent\u00e3o seria como ter tr\u00eas S\u00f3is adicionais atraindo os planetas em nosso Sistema Solar. Em outras palavras: j\u00e1 ter\u00edamos notado.<\/p>\n<p>No entanto, Unwin e Scholtz argumentam que poderia ser um buraco negro primordial, pois acredita-se que sejam significativamente menores.<\/p>\n<p>&#8220;Como essas coisas nasceram nos prim\u00f3rdios do universo, as regi\u00f5es densas a partir das quais se formaram podem ter sido particularmente pequenas&#8221;, diz Scholtz.<\/p>\n<p>&#8220;Consequentemente, a massa contida nesse buraco negro que finalmente se formou pode ser muito, muito menor que uma estrela; pode at\u00e9 ser menor que um quilo, como um peda\u00e7o de pedra.&#8221;<\/p>\n<p>Isso estaria mais de acordo com a massa esperada do Planeta Nove, que, de acordo com os astr\u00f4nomos, poderia ser 10 vezes a da Terra.<\/p>\n<p>Qual ser\u00e1 a sua apar\u00eancia? Devemos nos preocupar? Pode ser mais emocionante do que a descoberta de um planeta?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, mesmo os buracos negros primordiais s\u00e3o densos o suficiente para n\u00e3o deixar escapar nenhuma luz.<\/p>\n<p>Eles s\u00e3o a forma mais pura de escurid\u00e3o. Isso significa que n\u00e3o aparecem em nenhum telesc\u00f3pio que existe hoje.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea olhar diretamente para ele, o \u00fanico ind\u00edcio da sua presen\u00e7a seria um espa\u00e7o vazio, uma pequena lacuna no cobertor de estrelas no c\u00e9u visto \u00e0 noite.<\/p>\n<p>O que traz \u00e0 tona o verdadeiro problema. Embora a massa desse buraco negro fosse a mesma do hipot\u00e9tico Planeta Nove (at\u00e9 10 vezes a da Terra), ela estaria condensada em um volume semelhante ao tamanho de uma laranja. Encontr\u00e1-lo seria como achar uma agulha no palheiro e exigiria alguma engenhosidade.<\/p>\n<p>V\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es foram propostas at\u00e9 agora, desde procurar raios gama que s\u00e3o emitidos por objetos quando eles caem em buracos negros at\u00e9 o lan\u00e7amento de centenas de min\u00fasculas espa\u00e7onaves que poderiam, com sorte, passar perto o suficiente para serem atra\u00eddas por ele.<\/p>\n<p>Como essa misteriosa for\u00e7a gravitacional emana dos confins de nosso Sistema Solar, as sondas teriam que ser lan\u00e7adas a laser, o que poderia impulsion\u00e1-las a 20% da velocidade da luz.<\/p>\n<p>Abaixo dessa velocidade, levaria centenas de anos para chegarem ao seu destino, e o experimento levaria, naturalmente, muito mais tempo do que a dura\u00e7\u00e3o da vida humana.<\/p>\n<p>Essas naves futuristas j\u00e1 est\u00e3o sendo desenvolvidas para outra miss\u00e3o ambiciosa, o projeto &#8220;Breakthorugh Starshot&#8221;, que tem como objetivo envi\u00e1-las ao sistema estelar Alfa Centauri, a 4,37 anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Se acabarmos descobrindo um buraco negro \u00e0 espreita, em vez de um planeta gelado, n\u00e3o haveria necessidade de entrar em p\u00e2nico, afirma Unwin.<\/p>\n<p>&#8220;Existe um buraco negro supermassivo no centro da nossa gal\u00e1xia.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Mas n\u00e3o nos preocupamos que o Sistema Solar possa cair nele, porque estamos em uma \u00f3rbita est\u00e1vel em torno dele&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Portanto, embora um buraco negro primitivo sugue qualquer coisa no seu caminho, isso n\u00e3o incluiria a Terra, que, como os outros planetas interiores, n\u00e3o chega nem perto.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 como um aspirador de p\u00f3&#8221;, diz Unwin.<\/p>\n<p>Da perspectiva de qualquer habitante da Terra, ter um buraco negro desconhecido no Sistema Solar n\u00e3o \u00e9 muito diferente de ter um planeta oculto.<\/p>\n<p>Mas, embora os buracos negros estelares e primordiais sejam basicamente o mesmo, os \u00faltimos nunca foram vistos ou estudados, e acredita-se que as diferen\u00e7as de tamanho podem levar a alguns fen\u00f4menos bizarros.<\/p>\n<p>&#8220;Eu diria que o que acontece com buracos negros pequenos \u00e9 mais interessante do que o que acontece com os buracos negros grandes&#8221;, diz Scholtz.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a chamada &#8220;espaguetiza\u00e7\u00e3o&#8221;, nome bem apropriado para definir o fen\u00f4meno a que se refere.<\/p>\n<p>Geralmente, \u00e9 ilustrada por meio da f\u00e1bula de um astronauta que se aventura a chegar perto do horizonte de eventos (tamb\u00e9m chamado de ponto de n\u00e3o-retorno) de um buraco negro \u2014 o ponto al\u00e9m do qual nenhuma luz consegue escapar\u2014, e cai de cabe\u00e7a dentro dele.<\/p>\n<p>Embora apenas alguns cent\u00edmetros separem sua cabe\u00e7a dos p\u00e9s, a diferen\u00e7a entre as for\u00e7as gravitacionais atuando sobre ele seria t\u00e3o grande que se estenderia como um espaguete.<\/p>\n<p>Curiosamente, o efeito deve ser ainda mais dram\u00e1tico quanto menor o buraco negro. Scholtz explica que tudo isso se deve a dist\u00e2ncias relativas.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea tiver dois metros de altura e cair no ponto de n\u00e3o-retorno que est\u00e1 a um metro do centro de um buraco negro primordial, a diferen\u00e7a entre a localiza\u00e7\u00e3o da sua cabe\u00e7a e seus p\u00e9s \u00e9 maior, comparada com o tamanho do buraco negro.<\/p>\n<p>Isso quer dizer que voc\u00ea se esticaria muito mais do que se ca\u00edsse em um buraco negro estelar de milhares de quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, peculiarmente, eles s\u00e3o mais interessantes&#8221;, diz Scholtz.<\/p>\n<p>A espaguetiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi observada atrav\u00e9s de um telesc\u00f3pio, quando uma estrela chegou t\u00e3o perto de um buraco negro estelar a 215 milh\u00f5es de anos-luz da Terra e se despeda\u00e7ou. (Felizmente, n\u00e3o havia astronautas por perto.)<\/p>\n<p>Mas se houver um buraco negro primordial em nosso Sistema Solar, isso daria aos astrof\u00edsicos a oportunidade de estudar seu comportamento mais de perto.<\/p>\n<p>O que ser\u00e1 que Batiguin acha da possibilidade de que o t\u00e3o procurado Planeta Nove seja, na verdade, um buraco negro?<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma ideia original, e n\u00e3o podemos descartar nenhuma composi\u00e7\u00e3o nem um pouco&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez seja meu pr\u00f3prio vi\u00e9s de professor de Astronomia Planet\u00e1ria, mas os planetas s\u00e3o um pouco mais comuns&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto Unwin e Scholtz buscam o rastro de um buraco negro primordial para fazer experimentos, Batiguin est\u00e1 igualmente interessado em encontrar um planeta gigante, destacando o fato de que o tipo mais comum em toda gal\u00e1xia tem aproximadamente a mesma massa do Planeta Nove.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria dos exoplanetas que orbitam estrelas como o Sol faz parte do estranho grupo daqueles que s\u00e3o maiores que a Terra e consideravelmente menores que Netuno e Urano&#8221;, diz Batygin.<\/p>\n<p>Se os cientistas conseguirem encontrar o planeta oculto, ser\u00e1 o mais perto que eles podem chegar de uma janela para aqueles que est\u00e3o em outras partes da gal\u00e1xia.<\/p>\n<p>S\u00f3 o tempo dir\u00e1 se as \u00faltimas tentativas ser\u00e3o mais bem-sucedidas do que as de Lowell, mas Batygin est\u00e1 confiante porque as miss\u00f5es atuais s\u00e3o totalmente diferentes:<\/p>\n<p>&#8220;Todas as propostas s\u00e3o muito diferentes, tanto em termos de dados que aparentemente procuram explicar, como em rela\u00e7\u00e3o aos mecanismos que utilizam para explic\u00e1-los.&#8221;<\/p>\n<p>Seja como for, a busca pelo lend\u00e1rio Planeta Nove j\u00e1 ajudou a mudar nosso entendimento sobre o Sistema Solar. Quem sabe o que mais iremos descobrir at\u00e9 essa ca\u00e7ada terminar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Percival Lowell cometeu v\u00e1rios equ\u00edvocos. O escritor e empres\u00e1rio do s\u00e9culo 19 leu um livro sobre Marte e, depois disso, decidiu se tornar um astr\u00f4nomo. Extremamente rico e conhecido por estar sempre usando um impec\u00e1vel terno de tr\u00eas pe\u00e7as, ele apresentaria teses ousadas sobre o espa\u00e7o nas d\u00e9cadas seguintes. 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