{"id":254225,"date":"2021-03-28T11:52:11","date_gmt":"2021-03-28T14:52:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=254225"},"modified":"2021-03-28T14:55:14","modified_gmt":"2021-03-28T17:55:14","slug":"teatro-se-reinventa-para-sobreviver-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/teatro-se-reinventa-para-sobreviver-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Teatro se reinventa para sobreviver na pandemia"},"content":{"rendered":"<p>O sinal toca tr\u00eas vezes, indicando que a pe\u00e7a vai come\u00e7ar. Mas a plateia n\u00e3o est\u00e1 mais reunida. Agora, o p\u00fablico \u00e9 disperso e tem o tamanho do mundo. A pe\u00e7a de teatro \u00e9 exibida simultaneamente em v\u00e1rias casas de v\u00e1rias cidades, no Brasil e fora dele.<\/p>\n<p>O &#8220;Ensaio sobre a Perda&#8221; \u00e9 um dos diversos espet\u00e1culos teatrais que precisaram deixar os palcos e migrar para plataformas digitais por conta da pandemia. Na pe\u00e7a, um casal recebe um comunicado de que foi contemplado em um edital que ambos se inscreveram enquanto ainda eram casados. Apesar do t\u00e9rmino turbulento, eles decidem retomar o projeto.<\/p>\n<p>Os teatros, por serem ambientes fechados, com pouca circula\u00e7\u00e3o de ar e gerarem aglomera\u00e7\u00f5es, est\u00e3o entre os primeiros espa\u00e7os que foram fechados, no in\u00edcio da pandemia, em mar\u00e7o de 2020, no Brasil. Sem ter onde se apresentar, os artistas precisaram se reinventar. No Dia Mundial do Teatro, celebrado hoje (27), a Ag\u00eancia Brasil conversou com atores, dramaturgos e produtores que convivem diariamente com esse desafio.<\/p>\n<p>\u201cExatamente no dia que a gente ia come\u00e7ar o ensaio, foi anunciado o lockdown e a gente pensou que a pandemia duraria 15 dias. Pensamos que logo retomar\u00edamos o ensaio presencial\u201d, conta o dramaturgo, roteirista e ator Herton Gustavo Gratto, que escreveu e atuou em &#8220;O Ensaio sobre a Perda&#8221;. N\u00e3o foi o que aconteceu. Com isso, a equipe teve de se reinventar: todo o preparo da pe\u00e7a foi feito \u00e0 dist\u00e2ncia, entre Rio de Janeiro e Mato Grosso. E a apresenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cFoi um processo muito bonito de descoberta de uma nova linguagem. A gente chegou e era tudo mato, eu brinco. Fomos descobrindo como estar no jogo e ao mesmo tempo manipulando e descobrindo imagens e a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o estamos fisicamente juntos e a gente contracena o tempo todo olhando para o bot\u00e3o verde da c\u00e2mera. Porque se voc\u00ea olha para a outra pessoa, quem est\u00e1 assistindo tem a sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 olhando torto. Fomos desenvolvendo uma narrativa, um jogo, onde busc\u00e1vamos usar as limita\u00e7\u00f5es a nosso favor\u201d.<\/p>\n<p>A internet, segundo Gratto, possibilitou que o espet\u00e1culo chegasse a mais pessoas e a lugares onde antes n\u00e3o chegaria. Ele est\u00e1 com outros trabalhos engatilhados. Hoje (27), no Dia Mundial do Teatro, estreia Mol\u00e9stia, espet\u00e1culo que j\u00e1 passou pelos palcos, e que agora chega \u00e0s telas (em destaque, na foto principal).<\/p>\n<p>\u201cEssa linguagem, que foi descoberta, n\u00e3o vai cair em desuso, mas vai ser mais uma ferramenta. O teatro \u00e9 insubstitu\u00edvel, mas acho que vem para ficar\u201d.<\/p>\n<p><strong>Retra\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o<\/strong><br \/>\nO digital entrou definitivamente na vida da diretora Luciana Martuchelli. As aulas e as prepara\u00e7\u00f5es de atores que antes eram feitas apenas ocasionalmente pelo computador, migraram de vez. \u201cAs fronteiras, que eram antes geogr\u00e1ficas e f\u00edsicas, romperam-se. As turmas que eu faria presenciais, a grande maioria migrou para online. Minhas turmas de prepara\u00e7\u00e3o de ator t\u00eam [pessoas] de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Col\u00f4mbia, Peru, Londres, Portugal\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cAcho que existe um processo de transforma\u00e7\u00e3o, de reinven\u00e7\u00e3o, de mudan\u00e7as, onde as tradi\u00e7\u00f5es a\u00ed est\u00e3o, mas ao mesmo tempo, abrem-se possibilidades, rompeu-se o lacre\u201d. Luciana, \u00e9 diretora da TAO Filmes \u2013 escola de atores para o teatro, televis\u00e3o, cinema e m\u00fasica e da Companhia YinsPira\u00e7\u00e3o Po\u00e9ticas Contempor\u00e2neas, ambas com sede em Bras\u00edlia. Ela conta que, antes da pandemia, a companhia estava com a agenda lotada, em turn\u00eas pela Europa e Am\u00e9rica Latina. Tudo precisou ser interrompido.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o foi revisitada. Para viajar mais, a companhia precisou enxugar grandes produ\u00e7\u00f5es, investir mais em espet\u00e1culos com poucos atores e equipe reduzida para viabilizar economicamente os deslocamentos. Por isso, a pandemia trouxe de volta um espet\u00e1culo que eles imaginaram que n\u00e3o voltaria a ser exibido: \u201cSonhos de Shakespeare\u201d. A pe\u00e7a, de 2016, precisa de uma semana apenas para ser montada. Nela, cenas acontecem simultaneamente em um ambiente que simula uma casa. O p\u00fablico fica posicionado no meio desse cen\u00e1rio e pode viver experi\u00eancias diferentes. O espet\u00e1culo foi filmado com cinco c\u00e2meras para que tudo ficasse registrado. \u201d<\/p>\n<p>Quando veio a pandemia, os [espet\u00e1culos] pequenos, que n\u00e3o estavam filmados, foram encaixotados. E esse, que pensamos que nunca mais fosse viver, foi a mais de sete festivais nacionais e internacionais, foi comprado por [uma emissora de] TV. Coisa da pandemia. O que vira restri\u00e7\u00e3o em um lugar, vira expans\u00e3o em outro\u201d, diz Luciana.<\/p>\n<p>Para ela, os artistas t\u00eam um papel essencial nesse momento de dor, que \u00e9 hist\u00f3rico. \u201cO mundo s\u00f3 vai saber o que foi essa \u00e9poca pelos artistas, por toda a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, de m\u00fasica, teatro, cinema, literatura. Tudo que puder, de alguma forma, contar essa hist\u00f3ria em todos os n\u00edveis e camadas que essa hist\u00f3ria merece ser contada\u201d.<\/p>\n<p><strong>Redes sociais<\/strong><br \/>\n\u201cO teatro parou. Os artistas n\u00e3o. Estamos fazendo arte, nos adaptando. Torcendo pela volta. N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil\u201d, diz o ator Nobu Kahi, de Taguatinga, Distrito Federal. Kahi conta que estava habituado a uma rotina de ensaio de segunda a quinta e de apresenta\u00e7\u00f5es nos finais de semana. Tudo mudou na pandemia. \u201cPara continuar fazendo arte, decidi utilizar minhas redes sociais. Fazer arte dentro de casa\u201d, revela.<\/p>\n<p>Kahi \u00e9 ator h\u00e1 dez anos. Antes da pandemia trabalhava na companhia Agrupa\u00e7\u00e3o Teatral Amacaca, dirigida por Hugo Rodas. Acabou se licenciando da companhia, pedindo um per\u00edodo sab\u00e1tico. Come\u00e7ou, ent\u00e3o, a lecionar no ensino p\u00fablico a disciplina Teatro e Cinema.<\/p>\n<p>Na internet, ele descobriu um universo distinto ao que estava habituado. \u201cNas redes sociais encontrei um bom espa\u00e7o para divulgar meu trabalho. Como se eu fosse o dono do meio. Diferente do teatro, que n\u00e3o d\u00e1 pra fazer sozinho. Na internet eu posso alcan\u00e7ar o mundo dentro do meu quarto. \u00c9 um local incr\u00edvel. Inspirador\u201d. Mas, esse espa\u00e7o, segundo ele, n\u00e3o substitui os palcos. \u201cTeatro s\u00f3 acontece ao vivo. Olho no olho. O que tempos agora s\u00e3o produtos audiovisuais. Algo que flerta com o cinema\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Cria\u00e7\u00e3o na pandemia<\/strong><br \/>\nA Companhia Dos \u00e0 Deux j\u00e1 planejava iniciar uma nova cria\u00e7\u00e3o antes mesmo da pandemia. No entanto, logo no in\u00edcio do ano passado, Artur Ribeiro e Andr\u00e9 Curti viram-se em uma imers\u00e3o em casa, onde t\u00eam tamb\u00e9m uma sala de ensaio. \u201cA gente decidiu entrar em pesquisa, sabendo que seria diferente esse in\u00edcio, porque n\u00e3o t\u00ednhamos data de estreia\u201d, diz Ribeiro, que \u00e9 ator e diretor da Companhia. \u201cQuando n\u00e3o se tem data de estreia, voc\u00ea, ent\u00e3o, se coloca como objeto de pesquisa. Isso para a gente foi um momento muito importante. Um momento que a gente foi para a sala de ensaio diariamente e criamos p\u00edlulas po\u00e9ticas, expressando o que a gente estava vivendo a cada dia\u201d, conta.<\/p>\n<p>Agora, \u201cEnquanto voc\u00ea voava, eu criava ra\u00edzes\u201d j\u00e1 tem data de estreia, em abril de 2022. \u201cO t\u00edtulo entrou como uma met\u00e1fora muito bonita dentro disso tudo, porque entre c\u00e9u e terra, o que estamos buscando agora \u00e9 um espet\u00e1culo de sensa\u00e7\u00f5es e um espet\u00e1culo muito metaf\u00f3rico sobre esse homem que est\u00e1 nessa busca tentando driblar os seus medos num momento t\u00e3o ca\u00f3tico, quase de fim de um tempo para in\u00edcio de outro\u201d.<\/p>\n<p>A Companhia recentemente exibiu produ\u00e7\u00f5es online e, para manter o contato com o p\u00fablico, realizou conversas ap\u00f3s as apresenta\u00e7\u00f5es. \u201cA gente viu que \u00e9 muito importante, nesse momento, de alguma forma, comunicar. Para a gente foi muito prazeroso isso e acho que de qualquer forma, essa nova maneira de comunicar vai permanecer porque conquistamos novas plateias, que depois que acabar a pandemia a gente vai ter que se comunicar com elas. A gente n\u00e3o pode simplesmente esquec\u00ea-las\u201d.<\/p>\n<p>Ribeiro apoia-se no teatro, nas cria\u00e7\u00f5es, na arte, para viver cada um dos dias. \u201cEstamos \u00e0 deriva e a gente fica jogando boias e nada at\u00e9 elas. Se a gente ficar nadando no mesmo lugar, a gente vai se afogar. Ent\u00e3o, nada um pouquinho, joga a b\u00f3ia, nada de novo. Assim a gente vai conseguir passar por isso de forma mais l\u00facida, acredito eu\u201d.<\/p>\n<p><strong>Broadway<\/strong><br \/>\nEm 2020, a Barho Produ\u00e7\u00f5es preparava-se para trazer para o Brasil o musical \u201cBarnum &#8211; O Rei do Show\u201d. Em 2017, o enredo, apresentado na Broadway, foi adaptado para o cinema com o filme Rei do Show, estrelado pelo ator Hugh Jackman. O musical conta a hist\u00f3ria de Phineas Taylor Barnum, mais conhecido como P. T Barnum, considerado um dos pioneiros do circo. No Brasil, ele ser\u00e1 interpretado por Murilo Rosa.<\/p>\n<p>\u201cNossa estreia seria em setembro de 2020. Com a chegada da pandemia, um ano atr\u00e1s, remanejamos para mar\u00e7o deste ano, o que infelizmente n\u00e3o foi poss\u00edvel. Estamos aguardando o caminhar da situa\u00e7\u00e3o para entender a viabilidade e poss\u00edvel nova data junto ao Teatro Opus [em S\u00e3o Paulo]\u201d, diz o diretor de produ\u00e7\u00e3o Thiago Hofman.<\/p>\n<p>Somente em dezembro de 2020, seguindo uma s\u00e9rie de protocolos de seguran\u00e7a sanit\u00e1ria, foi poss\u00edvel realizar audi\u00e7\u00f5es e selecionar o elenco, de 200 pessoas. \u201cTer vivenciado esse processo durante a pandemia nos deu ainda mais for\u00e7a para continuarmos lutando pelo projeto. Em termos de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 tudo praticamente pronto e, como tivemos um ano inteiro, todo o processo de cria\u00e7\u00e3o e planejamento foi muito bem estudado e desenvolvido\u201d, diz.<\/p>\n<p>Hofman explica que a Barho adquiriu testes r\u00e1pidos, term\u00f4metros, ox\u00edmetros, m\u00e1scaras, \u00e1lcool gel, divis\u00f3rias de acr\u00edlico para a testagem e acompanhamento recorrente de toda equipe e est\u00e1 estabelecendo parcerias com laborat\u00f3rios e empresas do segmento de sa\u00fade na tentativa de, ainda este ano, retornar aos palcos. Uma das sa\u00eddas encontradas foi diversificar o portf\u00f3lio. Eles adquiriram a licen\u00e7a de uma nova pe\u00e7a \u201c4000 Miles by Amy Herzog\u201d, que conta apenas com quatro pessoas no elenco, para minimizar os riscos. \u201cO que sempre nos motivou e nos motiva a continuar \u00e9 o fato de levarmos a magia e alegria ao p\u00fablico. Ver o brilho nos olhos no final de cada sess\u00e3o \u00e9 impag\u00e1vel! Ficou iminente tamb\u00e9m durante esta pandemia que a cultura \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para a sanidade e crescimento de todo ser humano e por isso continuaremos lutando por mais conte\u00fado com acessibilidade a todos\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Um brasileiro em Portugal<\/strong><br \/>\nO ator e produtor Danilo Bethon viajou para Lisboa, Portugal, em 2017, para fazer um curso de teatro. N\u00e3o gostou do curso, mas decidiu ficar na cidade e come\u00e7ar a atuar e produzir. Descobriu um nicho, levar o teatro para as escolas. Algo que, segundo ele, no Brasil \u00e9 mais comum, mas, em Lisboa, era novidade. \u201cAcabei produzindo um espet\u00e1culo infantil e comecei a vender. Vendemos para uma escola, que foi nosso teste. Funcionou super bem. Depois disso, outra escola pediu outro espet\u00e1culo. Todas as escolas que \u00edamos pediam mais e mais espet\u00e1culos\u201d, conta.<\/p>\n<p>O carro chefe da companhia \u00e9 o espet\u00e1culo \u201cA galinha Nanduca &#8211; Uma aventura em Portugal\u201d, livre adapta\u00e7\u00e3o da obra de Ganym\u00e9des Jos\u00e9, sucesso no Brasil de 1983. Nela, dois palha\u00e7os, Azambuja e Z\u00e9 Pelanca, contam a hist\u00f3ria de Nanduca, uma galinha em busca de aventuras pelo mundo. \u201cConquistamos Lisboa com esse espet\u00e1culo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Foi com a agenda cheia que a Companhia Dona Persona come\u00e7ou o ano de 2020. Mas, com a pandemia, as pe\u00e7as come\u00e7aram a ser canceladas. \u201cAs escolas fecharam, tudo foi cancelado. Est\u00e1vamos sem previs\u00e3o nenhuma para nada. Estava escalado para um filme e cancelaram as filmagens\u201d, conta. \u201cVem a quest\u00e3o financeira. Est\u00e1vamos preparados para um ano de espet\u00e1culos. Come\u00e7amos a investir nas produ\u00e7\u00f5es porque sab\u00edamos que receber\u00edamos de volta. Quando chegou a pandemia, t\u00ednhamos investido toda a grana que a gente tinha. Sobrou um pouquinho por m\u00eas para pagar o aluguel e comprar o b\u00e1sico do mercado\u201d.<\/p>\n<p>As escolas chegaram a reabrir no final do ano e a companhia pode fazer apresenta\u00e7\u00f5es de natal. Mesmo a apresenta\u00e7\u00e3o presencial precisou ser diferente, com p\u00fablico reduzido. Um espet\u00e1culo que seria apresentado uma \u00fanica vez na escola, agora precisou ser apresentado at\u00e9 seis vezes, para que todas as crian\u00e7as, divididas em grupos menores pudessem assistir.<\/p>\n<p>Bethon tem participado de editais, conseguiu apoio para outros projetos e abriu espa\u00e7o para experimentar o teatro pelas telas. \u201cEstamos tentando gostar, aprendendo a gostar dessa linguagem online. A gente sabe que consegue atingir muito mais pessoas. Mas \u00e9 dif\u00edcil prender a pessoa na tela do computador\u201d, diz. Para ele, o futuro do teatro n\u00e3o est\u00e1 tanto nas telas, mas em voltar ao in\u00edcio, voltar para \u00e0s ruas, como eram os primeiros espet\u00e1culos teatrais, para evitar aglomera\u00e7\u00f5es em espa\u00e7os fechados. \u201cAcho que a solu\u00e7\u00e3o vem l\u00e1 de tr\u00e1s. Que lindo vai ser ter mais teatro nas ruas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Impactos no setor<\/strong><br \/>\n\u201cO impacto da pandemia \u00e9 totalmente negativo. A gente n\u00e3o tem os palcos liberados, n\u00e3o podemos nos apresentar. N\u00f3s vivemos de aglomera\u00e7\u00e3o. O p\u00fablico nada mais \u00e9 do que aglomerados que se juntam com um objetivo comum, de assistir a um espet\u00e1culo, seja de dan\u00e7a, de teatro. Uma das principais, sen\u00e3o a principal, profilaxia da covid-19 \u00e9 o distanciamento\u201d, diz o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Teatro (APTR), Eduardo Barata.<\/p>\n<p>Desde mar\u00e7o, os teatros est\u00e3o fechados em todo o pa\u00eds. Muitos migraram para a internet. O retorno econ\u00f4mico, no entanto, de acordo com Barata, n\u00e3o \u00e9 suficiente para manter todas as equipes. \u201cO setor est\u00e1 completamente fragmentado economicamente. A internet se abriu como possibilidade de express\u00e3o art\u00edstica, mas n\u00e3o de mercantiliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se consegue sustentar e manter de forma digna n\u00e3o apenas a cadeia produtiva criativa, mas a cadeia produtiva do setor cultural atrav\u00e9s da internet\u201d, diz. \u201cA economia do setor n\u00e3o \u00e9 mantida atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas na internet. A gente n\u00e3o tem estrutura. As pessoas n\u00e3o t\u00eam o costume de pagar\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Dados da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) indicam que o setor de economia criativa no pa\u00eds, que inclui o teatro, contribui, diretamente, para cerca de 2,61% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e 1,8% do total de empregos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com a pandemia, houve a redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 43,9% do volume de produ\u00e7\u00e3o das atividades, a expectativa \u00e9 que o PIB do setor encolha 31,8% em 2020 e que, em 2021, fique 4,5% abaixo do resultado de 2019. Isso significa uma perda de R$ 69,2 bilh\u00f5es, ou 18,2% na produ\u00e7\u00e3o total do per\u00edodo. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o da Pesquisa de Conjuntura do Setor de Economia Criativa \u2013 Efeitos da Crise da Covid-19, conduzida ano passado pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) Projetos, em parceria com o Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A pesquisa aponta tamb\u00e9m que o setor de economia criativa \u00e9 composto, em grande parte, por micro e pequenas empresas e profissionais aut\u00f4nomos, formalizados ou n\u00e3o, que n\u00e3o possuem capital de giro suficiente para suportar grandes per\u00edodos sem faturamento. Ao todo, 88,6% indicaram ter sofrido com queda do faturamento.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 de se ter a\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia para o setor cultural e art\u00edstico, para o setor teatral. N\u00e3o tem como sobreviver economicamente sem que o poder p\u00fablico atue de forma expressiva e significativa para tentar manter a sobreviv\u00eancia dos profissionais da cultura e das artes\u201d, diz Barata.<\/p>\n<p>A retomada de a\u00e7\u00f5es de fomento \u00e9 uma das propostas para a retomada do setor feitas na pesquisa da FGV Projetos. Os pesquisadores prop\u00f5em ainda a facilita\u00e7\u00e3o do acesso a cr\u00e9dito, a renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas de impostos, a renegocia\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos e cr\u00e9ditos concedidos e a prepara\u00e7\u00e3o para o novo mercado de consumo p\u00f3s covid-19.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sinal toca tr\u00eas vezes, indicando que a pe\u00e7a vai come\u00e7ar. Mas a plateia n\u00e3o est\u00e1 mais reunida. Agora, o p\u00fablico \u00e9 disperso e tem o tamanho do mundo. A pe\u00e7a de teatro \u00e9 exibida simultaneamente em v\u00e1rias casas de v\u00e1rias cidades, no Brasil e fora dele. 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