{"id":254231,"date":"2021-03-28T13:41:11","date_gmt":"2021-03-28T16:41:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=254231"},"modified":"2021-03-28T15:05:16","modified_gmt":"2021-03-28T18:05:16","slug":"brasil-deixa-de-faturar-300-bi-com-os-vizinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-deixa-de-faturar-300-bi-com-os-vizinhos\/","title":{"rendered":"Brasil deixa de faturar 300 bi com os vizinhos"},"content":{"rendered":"<p>A perda de espa\u00e7o no com\u00e9rcio regional na \u00faltima d\u00e9cada fez o Brasil deixar de exportar US$ 56,2 bilh\u00f5es (mais de 300 bilh\u00f5es de reais) para a Am\u00e9rica do Sul nos \u00faltimos dez anos. A conclus\u00e3o consta em levantamento da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI).<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a participa\u00e7\u00e3o do Brasil nas importa\u00e7\u00f5es dos demais pa\u00edses sul-americanos (exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para os pa\u00edses vizinhos) caiu de 14,5% em 2010 para 10,7% em 2019. Da mesma forma, os pa\u00edses do subcontinente deixaram de vender para c\u00e1 \u2013 o Brasil absorveu apenas 7,4% das exporta\u00e7\u00f5es sul-americanas em 2019, contra 10,5% em 2010.<\/p>\n<p>De acordo com a CNI, o encolhimento do com\u00e9rcio bilateral prejudica principalmente a ind\u00fastria. Isso porque a Am\u00e9rica do Sul \u00e9 o principal destino das vendas de manufaturados brasileiros, concentrando 38% das exporta\u00e7\u00f5es industriais. Sob outra perspectiva, ao considerar apenas as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para pa\u00edses sul-americanos, os manufaturados correspondem a 82%.<\/p>\n<p>A queda no com\u00e9rcio com a Argentina, afetada por sucessivas crises econ\u00f4micas e cambiais nos \u00faltimos anos, foi a principal respons\u00e1vel pela retra\u00e7\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a Am\u00e9rica do Sul. Da perda total de US$ 56,2 bilh\u00f5es, US$ 39,2 bilh\u00f5es (69,8%) concentram-se no pa\u00eds vizinho. O Brasil tamb\u00e9m deixou de exportar US$ 5,9 bilh\u00f5es (10,5%) para o Peru, US$ 5,3 bilh\u00f5es (9,4%) para a Col\u00f4mbia e US$ 2,4 bilh\u00f5es para o Chile (4,3%).<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio do Brasil com a Am\u00e9rica do Sul encolheu ao mesmo tempo em que os demais pa\u00edses do subcontinente preencheram espa\u00e7o com outros parceiros comerciais. De 2010 a 2019, as importa\u00e7\u00f5es das economias sul-americanas subiram 12,9%, sobretudo da China, dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p><strong>Estimativa<\/strong><br \/>\nPara chegar ao c\u00e1lculo dos US$ 56,2 bilh\u00f5es de perda comercial, a CNI estimou o valor que o Brasil teria exportado caso mantivesse a fatia de 14,5% nas importa\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses sul-americanos registrada em 2010. Em contrapartida, a participa\u00e7\u00e3o da China nas importa\u00e7\u00f5es sul-americanas subiu de 15% para 20,8%. Sob o mesmo crit\u00e9rio, o percentual dos Estados Unidos passou de 17,5% para 19,5% e o da Uni\u00e3o Europeia cresceu mais timidamente, de 12,3% para 13,6%.<\/p>\n<p>Esse espa\u00e7o foi ocupado, sobretudo, pela China. A participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds asi\u00e1tico nas importa\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul passou de 15% para 20,8% no per\u00edodo analisado. Os Estados Unidos tamb\u00e9m ampliaram sua participa\u00e7\u00e3o na pauta de importa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses sul-americanos. Esse percentual passou de 17,5% para 19,5% no per\u00edodo analisado. A Uni\u00e3o Europeia cresceu mais timidamente, de 12,3% para 13,6%.<\/p>\n<p>Na divis\u00e3o por setores, os segmentos de m\u00e1quinas e aparelhos e de materiais el\u00e9tricos ou mec\u00e2nicos responderam por 37% do valor que o Brasil deixou de exportar para a Am\u00e9rica do Sul, com redu\u00e7\u00e3o de US$ 12,5 bilh\u00f5es e de US$ 8,1 bilh\u00f5es na d\u00e9cada, respectivamente. Outros setores industriais registraram perdas substanciais, como autom\u00f3veis (-US$ 4,8 bilh\u00f5es), aeronaves (-US$ 3,2 bilh\u00f5es) e produtos qu\u00edmicos org\u00e2nicos (-US$ 2,5 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p><strong>Competitividade e parcerias<\/strong><br \/>\nNa avalia\u00e7\u00e3o da CNI, dois fatores explicam a queda nas exporta\u00e7\u00f5es para a Am\u00e9rica do Sul: a perda de competitividade da economia brasileira e a paralisa\u00e7\u00e3o da agenda de acordos comerciais do Brasil com pa\u00edses vizinhos. Em rela\u00e7\u00e3o aos tratados comerciais, a paralisia decorre tanto da falta de ratifica\u00e7\u00e3o de alguns acordos pelo Congresso como da falta de atualiza\u00e7\u00e3o e de amplia\u00e7\u00e3o daqueles vigentes.<\/p>\n<p>Entre os tratados pendentes no Congresso Nacional est\u00e3o o Acordo de Livre Com\u00e9rcio com o Chile, conclu\u00eddo em 2018, j\u00e1 promulgado pelo parceiro, e os acordos sobre compras p\u00fablicas e facilita\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio entre os pa\u00edses do Mercosul. Em contrapartida, pa\u00edses sul-americanos conclu\u00edram acordos com os Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia, Coreia do Sul e, no caso do Chile e do Peru, tamb\u00e9m com a China.<\/p>\n<p>A CNI pede a continuidade da agenda de reformas econ\u00f4micas no Brasil e a amplia\u00e7\u00e3o de prefer\u00eancias tarif\u00e1rias e da abrang\u00eancia tem\u00e1tica dos acordos comerciais do pa\u00eds com os vizinhos sul-americanos. A entidade tamb\u00e9m cobra medidas de apoio oficial \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, como a restitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de tributos sobre mercadorias exportadas, a moderniza\u00e7\u00e3o de acordos tribut\u00e1rios e a reforma da lei de pre\u00e7os de transfer\u00eancia (pre\u00e7os cobrados entre importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es de empresas do mesmo grupo).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A perda de espa\u00e7o no com\u00e9rcio regional na \u00faltima d\u00e9cada fez o Brasil deixar de exportar US$ 56,2 bilh\u00f5es (mais de 300 bilh\u00f5es de reais) para a Am\u00e9rica do Sul nos \u00faltimos dez anos. A conclus\u00e3o consta em levantamento da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI). 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