{"id":254428,"date":"2021-03-31T17:14:02","date_gmt":"2021-03-31T20:14:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=254428"},"modified":"2021-03-31T17:14:02","modified_gmt":"2021-03-31T20:14:02","slug":"militares-contem-delirium-tremens-de-jair-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/militares-contem-delirium-tremens-de-jair-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Militares cont\u00eam delirium tremens de Jair Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p>Dia sim e no outro tamb\u00e9m, o governo e o presidente Jair Bolsonaro surpreende o pa\u00eds e \u00e9 surpreendido com fatos que sacodem a na\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o s\u00e3o apenas fact\u00f3ides, mas delirium tremens que ruborizam at\u00e9 que n\u00e3o tem sangue nas veias. Ap\u00f3s o vendaval de segunda-feira, 29, com a reforma ministerial ampliada pela sa\u00edda intempestiva do general Fernando Azevedo da pasta da Defesa, na tarde dessa ter\u00e7a-feira, 30, a governabilidade ficou estremecida pelo tsunami fardado e por uma fracassada investida na C\u00e2mara dos Deputados. A demiss\u00e3o coletiva dos comandantes do Ex\u00e9rcito, Aeron\u00e1utica e Marinha n\u00e3o fazia parte do radar do ocupante do Planalto, tampouco a rea\u00e7\u00e3o de opositores ao projeto de lei malandramente apresentado pelo l\u00edder do PSL, deputado Vitor Hugo (GO), com objetivo de ampliar poderes de Bolsonaro no per\u00edodo de pandemia, inclusive com o comando das Pol\u00edcias Militares, de modo a bancar os ultrapassados e insustent\u00e1veis del\u00edrios golpistas.<\/p>\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria do pa\u00eds, os tr\u00eas comandantes das For\u00e7as Armadas renunciaram coletivamente por discordar do presidente da Rep\u00fablica, que insiste na politiza\u00e7\u00e3o dos quart\u00e9is. O gesto foi interpretado como revolta silenciosa \u00e0 forma como os generais foram tratados, notadamente o ex-ministro da Defesa. Curioso \u00e9 que o desrespeito \u00e0s For\u00e7as Armadas parte exatamente de um integrante reformado e supostamente fracassado na tentativa de alcan\u00e7ar o oficialato. Em sentido contr\u00e1rio, os partidos de esquerda ou de centro-esquerda lamentaram a sa\u00edda dos militares. O fato \u00e9 que, em dois dias e meio, Jair Bolsonaro n\u00e3o conseguiu subordinar Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica, muito menos coordenar (eufemismo de dominar) as PMs.<\/p>\n<p>Adicionando uma pitada macabra nessa salada golpista, o Brasil atingiu ontem 318 mil vidas perdidas, das quais 3.680 em 24 horas. A p\u00e1 de cal nesse devaneio bolsonarista foi jogada por ningu\u00e9m menos que o vice-presidente da Rep\u00fablica, general Hamilton Mour\u00e3o. Com todas as letras e assinando embaixo, ele afirmou que n\u00e3o h\u00e1 chance de ruptura, fincando no bolo da democracia a cereja que faltava para sua consolida\u00e7\u00e3o: &#8220;Zero. Pode botar quem quiser, n\u00e3o tem ruptura institucional. As For\u00e7as Armadas se pautam pela legalidade, sempre&#8221;. Como militar reformado, em menos de 48 horas o presidente passou de sonhador com o poder perp\u00e9tuo a principal investidor do arb\u00edtrio. Para isso, quebrou a hierarquia por conta do autogolpe e acabou acusado pela oposi\u00e7\u00e3o e at\u00e9 por integrantes do Centr\u00e3o de flertar com o autoritarismo ao autorizar a sequ\u00eancia do projeto que cria o &#8220;estado de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional&#8221;.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a decreta\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o tiraria for\u00e7a dos governos locais, na medida em que daria ao presidente da Rep\u00fablica poderes de guerra, inclusive para requisitar bens e servi\u00e7os p\u00fablicos, al\u00e9m controlar as pol\u00edcias estaduais. Com a mesma rapidez da apresenta\u00e7\u00e3o, a proposta foi rejeitada pela maioria do Col\u00e9gio de L\u00edderes da C\u00e2mara. Ao absorver prerrogativas de governadores preocupados com vidas, certamente a primeira iniciativa presidencial seria anular as medidas de restri\u00e7\u00f5es impostas para conter a Covid-19, isto \u00e9, o mesmo que recuperar a economia com milhares de mortes. Ref\u00e9m do Centr\u00e3o, cujas metas sempre foram cargos e recursos p\u00fablicos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, Bolsonaro tem de alimentar essas bocas sedentas, sob pena de perder o leme da governabilidade e ficar \u00e0 deriva se faltar dinheiro para garantir o sedentarismo dos centristas.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de golpe, o recado das For\u00e7as Armadas foi dado: delirium tremens tem limites. Ou, se preferirem, devagar com o andor que o santo \u00e9 de barro. Vale fazer um paralelo com o movimento de 31 de mar\u00e7o de 1964, denominado pelos militares de Revolu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 57 anos, at\u00e9 prova em contr\u00e1rio, os generais, brigadeiros e almirantes receberam apoio de expressiva parte da sociedade, da Igreja, de empres\u00e1rios e da comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos do democrata Lyndon B. Johnson, reeleito em novembro daquele ano com 61% dos votos populares. Parafraseando um experimentado e premiado jornalista (tamb\u00e9m ex-deputado federal), n\u00e3o h\u00e1 termo de compara\u00e7\u00e3o com os dias e com o governo de hoje. Segundo ele, se algu\u00e9m teimar em comparar at\u00e9 um b\u00eabado pode virar equilibrista.<\/p>\n<p><strong>*Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 jornalista<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia sim e no outro tamb\u00e9m, o governo e o presidente Jair Bolsonaro surpreende o pa\u00eds e \u00e9 surpreendido com fatos que sacodem a na\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o s\u00e3o apenas fact\u00f3ides, mas delirium tremens que ruborizam at\u00e9 que n\u00e3o tem sangue nas veias. 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