{"id":254543,"date":"2021-04-03T01:14:10","date_gmt":"2021-04-03T04:14:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=254543"},"modified":"2021-04-03T01:14:38","modified_gmt":"2021-04-03T04:14:38","slug":"pandemia-esta-mudando-nosso-habito-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pandemia-esta-mudando-nosso-habito-alimentar\/","title":{"rendered":"Pandemia est\u00e1 mudando nosso h\u00e1bito alimentar"},"content":{"rendered":"<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus escancarou os diferentes aspectos da desigualdade social no Brasil. Entre eles, a quest\u00e3o referente aos h\u00e1bitos alimentares. Enquanto as pessoas com mais estudo em regi\u00f5es mais favorecidas economicamente passaram a comer de forma mais saud\u00e1vel, reflexo do privil\u00e9gio de poderem se manter em isolamento social e cozinhar em casa, a popula\u00e7\u00e3o com menor escolaridade de regi\u00f5es menos desenvolvidas economicamente, que continuou saindo para trabalhar e viu seu or\u00e7amento diminuir ou desaparecer, aumentou o consumo de alimentos menos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 do Estudo NutriNet Brasil, trabalho feito pelo N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e que contou com 75 mil volunt\u00e1rios. Eles responderam a question\u00e1rios numa divis\u00e3o por grupos orientada por sexo, faixa et\u00e1ria, macrorregi\u00e3o de resid\u00eancia e escolaridade.<\/p>\n<p>De maneira geral, houve um aumento na frequ\u00eancia de consumo de itens como frutas, hortali\u00e7as e feij\u00e3o (de 40,2% para 44,6% durante a pandemia), mas a pesquisa tamb\u00e9m revelou que piorou a alimenta\u00e7\u00e3o de pessoas de menor escolaridade no Norte e no Nordeste. &#8220;Padr\u00e3o menos favor\u00e1vel de mudan\u00e7as, com tend\u00eancia de aumento no consumo de marcadores de alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e n\u00e3o saud\u00e1vel, foi observado nas macrorregi\u00f5es Nordeste e Norte e entre pessoas com menor escolaridade, sugerindo desigualdades sociais na resposta \u00e0 pandemia&#8221;, reporta o estudo.<\/p>\n<p>Houve eleva\u00e7\u00e3o na frequ\u00eancia do consumo de pelo menos um grupo de alimentos ultraprocessados (de 77,9% para 79,6%) e de cinco ou mais grupos desses alimentos (de 8,8% para 10,9%). Exemplos de ultraprocessados s\u00e3o biscoitos e p\u00e3es industrializados, salgadinhos de pacote e refrigerantes.<\/p>\n<p>Esses produtos t\u00eam adi\u00e7\u00e3o de ingredientes como a\u00e7\u00facares, gordura hidrogenada, corantes artificiais, emulsificantes e aromatizantes. Segundo Renata Bertazzi Levy, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e pesquisadora do Estudo NutriNet Brasil, mais de 400 artigos cient\u00edficos associam esses alimentos a problemas de sa\u00fade como obesidade, diabetes, doen\u00e7as cardiovasculares, alguns tipos de c\u00e2ncer, asma em crian\u00e7as e adolescentes, c\u00f3lon irrit\u00e1vel e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>O Estudo NutriNet Brasil, que investiga desde janeiro de 2020 a rela\u00e7\u00e3o entre padr\u00f5es alimentares e o desenvolvimento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, re\u00fane atualmente mais de 93 mil participantes e pretende chegar a 200 mil at\u00e9 o fim de 2021. Para participar, basta ter acesso \u00e0 internet, ser maior de 18 anos e morar no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Ganho de peso<\/strong><br \/>\nOs brasileiros tamb\u00e9m engordaram mais do que emagreceram na pandemia. Segundo dados do Estudo NutriNet Brasil, nos primeiros seis meses de isolamento social, 19,7% dos brasileiros ganharam pelo menos dois quilos, enquanto 15,2% da popula\u00e7\u00e3o perdeu o mesmo peso.<\/p>\n<p>A escolaridade mais baixa foi fator de risco para os ponteiros da balan\u00e7a subirem. Os pesquisadores acreditam que pessoas com mais anos de estudo podem ter adotado uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel por disporem de maior tempo para preparar refei\u00e7\u00f5es e por terem acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre a import\u00e2ncia da nutri\u00e7\u00e3o na defesa contra a Covid-19.<\/p>\n<p>No entanto, a alimenta\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o ser o \u00fanico elemento que explique a oscila\u00e7\u00e3o de peso para mais ou menos. &#8220;Houve outras altera\u00e7\u00f5es de comportamento que impossibilitam que a gente fa\u00e7a essa associa\u00e7\u00e3o na pandemia&#8221;, explica Renata Bertazzi Levy. Tempo de sono, pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e fatores emocionais, que tamb\u00e9m impactam no ganho ou perda de peso, n\u00e3o foram objeto de estudo dos cientistas.<\/p>\n<p><strong>Bebida em alta<\/strong><br \/>\nN\u00e3o foi s\u00f3 o que o brasileiro come que mudou: consumo de \u00e1lcool cresceu durante o per\u00edodo de restri\u00e7\u00e3o social. Segundo uma an\u00e1lise do banco de dados &#8216;ConVid, Pesquisa de Comportamentos&#8217;, conduzido pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as maiores preval\u00eancias de ingest\u00e3o de bebida est\u00e3o entre as pessoas com 30 a 39 anos, seguidas pelas de 18 a 29 anos, com a menor incid\u00eancia entre a popula\u00e7\u00e3o idosa.<\/p>\n<p>Para a nutricionista Shauana Rodrigues, mestranda da Escola de Enfermagem de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (EERP-USP), o isolamento social provocou maior impacto no comportamento alimentar e no consumo de \u00e1lcool em pessoas com transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e compuls\u00e3o alimentar, quando comparadas \u00e0s que n\u00e3o t\u00eam esses quadros.<\/p>\n<p>Shauana est\u00e1 compilando os dados de uma pesquisa com mais de mil brasileiros sobre como a pandemia de Covid-19 afetou indiv\u00edduos com esses dist\u00farbios. Os resultados ainda n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis, mas a pesquisadora acredita que, assim como concluiu um levantamento no Reino Unido, mudan\u00e7as na rotina e na atividade f\u00edsica, al\u00e9m de dificuldades em lidar com as emo\u00e7\u00f5es e sentimentos de solid\u00e3o, podem resultar no aumento da intensidade do comer compulsivo e em pr\u00e1ticas para a perda de peso. &#8220;A exacerba\u00e7\u00e3o dos sentimentos e a experimenta\u00e7\u00e3o mais intensa de insatisfa\u00e7\u00e3o corporal e preocupa\u00e7\u00f5es alimentares podem piorar os sintomas e desfavorecer um bom progn\u00f3stico&#8221;, afirma ela.<\/p>\n<p><strong>Chefs da quarentena<\/strong><br \/>\nEm outra frente, uma pesquisa ainda n\u00e3o publicada do laborat\u00f3rio Applied Physiology &amp; Nutrition Research Group, tamb\u00e9m ligado \u00e0 USP, revelou que o h\u00e1bito de cozinhar em casa cresceu 28% entre as brasileiras. Foram entrevistadas 1.183 mulheres pela plataforma Google Forms, entre junho e setembro de 2020. A pesquisa englobou todas as regi\u00f5es brasileiras, por\u00e9m, a maioria (74,5%) das participantes era da regi\u00e3o Sudeste.<\/p>\n<p>A personal stylist Sarah Assun\u00e7\u00e3o, 38, moradora de Limeira, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma dessas novas &#8220;chefs da quarentena&#8221;. Sarah s\u00f3 sabia fazer o b\u00e1sico na cozinha, comia fora de casa ou pedia comida na maior parte das refei\u00e7\u00f5es. Com as regras do isolamento social, ela passou a ter mais tempo livre e interesse em aprender a cozinhar pela internet. Ervas, temperos e vegetais entraram no seu repert\u00f3rio gastron\u00f4mico. &#8220;Se eu ia num restaurante por quilo, optava por coxinha, pastel e mandioca frita. Nem sempre as minhas escolhas eram boas. Em casa, fa\u00e7o saladas, sopas, legumes assados e sucos naturais. A minha alimenta\u00e7\u00e3o ficou muito mais saud\u00e1vel&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>&#8220;Por muito tempo, cozinhar n\u00e3o era algo que as pessoas gostavam ou tinham interesse em aprender. A pandemia resgatou essa tradi\u00e7\u00e3o super importante para fortalecer a cultura alimentar brasileira&#8221;, afirma Renata Bertazzi Levy.<\/p>\n<p>Para quem quer se alimentar melhor durante o per\u00edodo de isolamento, Shauana indica a cartilha &#8220;Alimenta\u00e7\u00e3o e Comportamento Alimentar diante da Pandemia da Covid-19&#8221;. O material tem recomenda\u00e7\u00f5es nutricionais para incentivar a pr\u00e1tica de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel com consci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus escancarou os diferentes aspectos da desigualdade social no Brasil. Entre eles, a quest\u00e3o referente aos h\u00e1bitos alimentares. 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