{"id":254758,"date":"2021-04-07T12:44:12","date_gmt":"2021-04-07T15:44:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=254758"},"modified":"2021-04-07T12:44:12","modified_gmt":"2021-04-07T15:44:12","slug":"capitao-pantaleao-procura-terta-pra-validar-mentiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/capitao-pantaleao-procura-terta-pra-validar-mentiras\/","title":{"rendered":"Capit\u00e3o Pantale\u00e3o procura Terta pra validar mentiras"},"content":{"rendered":"<p>As palavras s\u00e3o ferramentas extremamente importantes em nossa comunica\u00e7\u00e3o. Elas t\u00eam duas vias, muita for\u00e7a e grande poder, sendo capazes de motivar, levantar, emocionar, aproximar, decepcionar, magoar, afastar e, principalmente, derrubar. A m\u00e1xima das mensagens, locu\u00e7\u00f5es ou falas est\u00e1 normalmente atrelada ao ditado popular quem fala demais d\u00e1 bom dia a cavalo. Se, por um lado, minimizar a pandemia e conclamar diariamente apoiadores como copatrocinadores de um golpe \u00e9 coisa s\u00e9ria, ser\u00edssima \u00e9 ser aconselhado (e n\u00e3o aceitar os conselhos) a respeito da letalidade da Covid-19 e sobre golpear um pa\u00eds isolado, sem empregos, doente terminal, sem vacinas e com a economia em frangalhos. Certamente os mais graduados tentaram mostrar ao chefe (da\u00ed terem sido exonerados) que semanticamente seria o mesmo que derrubar b\u00eabado.<\/p>\n<p>N\u00e3o ouviu e acabou perdido em amea\u00e7as dif\u00edceis de concretiza\u00e7\u00e3o. Perdeu-se na palavra mal aplicada. Muito mais do que manobra pessoal, de intimida\u00e7\u00e3o desconexa em busca de apoio real, atirou no que imaginou na v\u00e3 tentativa de acertar no que quer, com o que sonha dia e noite. O presidente pensou em ganhar, ao mesmo tempo, o telhado e as estrelas. Tentou perder o que n\u00e3o queria (o apoio dos generais), mas conquistar o que nunca imaginou (a for\u00e7a das pol\u00edcias estaduais). Nem tudo depende de um tempo, mas sim de uma atitude. E essa (a atitude) ficou nas palavras, que, a exemplo do tempo, s\u00e3o como os rios. Ningu\u00e9m jamais tocar\u00e1 na mesma \u00e1gua duas vezes. Sem medir gestos ou frases, a ousadia do capit\u00e3o Bolsonaro ao demitir, em um \u00fanico ato, general, almirante e brigadeiro, espantou at\u00e9 aliados. Como decis\u00e3o anormal, normal \u00e9 que a crise fosse instalada no governo e no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A principal prova de que as vozes tornadas p\u00fablicas pelo presidente n\u00e3o passaram de fal\u00e1cias eleitoreiras, demag\u00f3gicas, intimidat\u00f3rias e dissonantes da realidade \u00e9 a pandemia da Covid-19. Ap\u00f3s os horrores da gripezinha, ele permanece desacreditando a ci\u00eancia, estimulando o uso de rem\u00e9dios sem efic\u00e1cia, adiando a compra de vacinas, criticando governadores que defendem a vida e a desestimulando o uso de mecanismos capazes de conter a doen\u00e7a, entre eles a m\u00e1scara. Depois de tudo isso, insistiu em fazer pouco dos imunizantes, especialmente do chin\u00eas CoronaVac e do russo Sputnik. De repente, volta atr\u00e1s, rendendo-se ao rem\u00e9dio produzido pelo Instituto Butantan de Jo\u00e3o D\u00f3ria e anunciando que tomaria a vacina. Agora, com a sa\u00fade colapsada e bem pr\u00f3ximos dos 14 milh\u00f5es de infectados e 340 mil mortos, Bolsonaro recua mais uma vez, corre atr\u00e1s de quem tem vacina e diz que &#8220;h\u00e1 grande possibilidade&#8221; de o Brasil fabricar a Sputnik V, demonizada desde janeiro. Mais tempo e palavras levadas pelo vento da Esplanada dos Minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi assim antes de ocupar de fato e de direito os pal\u00e1cios do Planalto e da Alvorada, quando, nos palanques, jurou que privatizaria os Correios, o Serpro e a Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC), entre outras estatais. O argumento equivocado era aliviar as contas oficiais. N\u00e3o conseguiu explicar o inexplic\u00e1vel e passou a ser cobrado diariamente. Nunca soube, por exemplo, que a EBC produz e distribui a Voz do Brasil e cede para outras emissoras e sites a cobertura dos atos oficiais do presidente e do governo. Tamb\u00e9m jamais ouviu falar do sistema dos Correios e do Serpro, a maior empresa p\u00fablica de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o do mundo. Esta semana, a ex-TV Brasil de Lula, um dos bra\u00e7os da EBC, estreou a novela Os Dez Mandamentos e telejornais locais de 15 minutos no Rio, S\u00e3o Paulo e Distrito Federal. De privatiz\u00e1vel, a emissora vai pagar R$ 3,2 milh\u00f5es pelos direitos da produ\u00e7\u00e3o de 2015 da TV Record.<\/p>\n<p>\u00c9 o governo Bolsonaro revendo o discurso e transformando em meta o uso da m\u00e1quina em proveito pr\u00f3prio. A \u00faltima movimenta\u00e7\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica no sentido oposto ao das conversas com apoiadores ocorreu nessa ter\u00e7a-feira (6), quando, novamente desdizendo as palavras, pediu ajuda \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) para frear a pandemia. Justamente a OMS, cujo diretor, Tedros Ghebreyesus, s\u00f3 n\u00e3o foi chamado de bonito por ele. Para bom entendedor, meia palavra basta. \u00c9 o sufoco, o medo de ficar longe do poder. E est\u00e1 bem perto disso. Apelido daqueles que n\u00e3o acreditam em nada, que tendem a duvidar de tudo, o c\u00e9tico na verdade hesita quando faltam evid\u00eancias que sustentam uma ideia. O negacionista duvida quando as evid\u00eancias conflitam com seus interesses. Em outras palavras, n\u00e3o se pode confundir ceticismo com negacionismo, que \u00e9 a escolha de negar a realidade como forma de escapar de uma verdade desconfort\u00e1vel.<\/p>\n<p>A escolha \u00e9 sua. Todas essas linhas s\u00e3o para concluir que \u00e9 melhor se calar quando n\u00e3o h\u00e1 o que dizer. Pior \u00e9 se desdizer. Como acreditar em quem, pela manh\u00e3, promete vacinas, \u00e0 tarde pede apoio \u00e0 OMS e, \u00e0 noite, junto de sua trupe, volta a criticar o isolamento, chama de gordos quem est\u00e1 em casa e afirma que resolve o problema do v\u00edrus se pagar \u00e0 imprensa. Parece b\u00eabado tentando se equilibrar em uma navalha ensaboada. No dia em que o Brasil bateu todos os recordes em quantitativo de mortes, quem sabe o melhor caminho n\u00e3o fosse a rendi\u00e7\u00e3o. Usar a cloroquina, ivermectina e hidroxicloroquina certamente nos emburreceria. Talvez essas tuba\u00ednas nos deixem simbolicamente cegos e surdos para deixarmos de ver e ouvir tantas asneiras. Conforme o pensador Sue Brandy, &#8220;h\u00e1 mais sabedoria no sil\u00eancio do que em um amontoado de palavras v\u00e3s e sem nexo&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m Junior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As palavras s\u00e3o ferramentas extremamente importantes em nossa comunica\u00e7\u00e3o. Elas t\u00eam duas vias, muita for\u00e7a e grande poder, sendo capazes de motivar, levantar, emocionar, aproximar, decepcionar, magoar, afastar e, principalmente, derrubar. A m\u00e1xima das mensagens, locu\u00e7\u00f5es ou falas est\u00e1 normalmente atrelada ao ditado popular quem fala demais d\u00e1 bom dia a cavalo. 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