{"id":254861,"date":"2021-04-09T14:11:16","date_gmt":"2021-04-09T17:11:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=254861"},"modified":"2021-04-09T14:11:16","modified_gmt":"2021-04-09T17:11:16","slug":"fora-dos-memes-e-das-baboseiras-ha-vida-no-zap-zap","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/fora-dos-memes-e-das-baboseiras-ha-vida-no-zap-zap\/","title":{"rendered":"Fora dos memes e das baboseiras, h\u00e1 vida no zap zap"},"content":{"rendered":"<p>Nesses dias de endurecimento da pandemia tenho buscado as redes sociais como forma de passar o tempo mais rapidamente. N\u00e3o \u00e9 algo que fa\u00e7o com frequ\u00eancia, porque, sinceramente, n\u00e3o me interesso pelo sof\u00e1, carro novo ou pela namorada da vez de um amigo. Tenho ojeriza a fofocas de televis\u00e3o, n\u00e3o debato Big Brother, fujo de fotos e participo de lives s\u00f3 por obriga\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o tenho e n\u00e3o quero ter Facebook, Twiter ou Instagram, comecei a depurar as centenas de mensagens di\u00e1rias via zap zap e descobri que, fora o fanatismo bolsonarista e as conversas normais e anormais de fam\u00edlia, t\u00eam coisas aproveit\u00e1veis e mais palat\u00e1veis do que as baboseiras ideol\u00f3gicas e as mulheres peladas com as quais nunca tive contato, jamais vi, verei ou terei acesso.<\/p>\n<p>Uma das grandes sacadas foi perceber que viver fora do planeta virtual tem l\u00e1 suas vantagens. Por exemplo, nunca tinha ouvido falar em Nego Di e n\u00e3o conhe\u00e7o m\u00fasica alguma de Karol Conk\u00e1. Ali\u00e1s, nem a conhecia. Meus \u00eddolos tinham recheio e discurso variado. Cor, ra\u00e7a, g\u00eanero e op\u00e7\u00e3o sexual eram temas s\u00e9rios e raramente discutidos ou apresentados em hor\u00e1rio nobre por realitys com preocupa\u00e7\u00e3o exclusivamente mercadol\u00f3gica. Havia respeito aos telespectadores e bom senso das pessoas, sobretudo as p\u00fablicas, que n\u00e3o aceitavam se expor por qualquer R$ 1,5 milh\u00e3o. Hoje, sem medo de mostrar a escava\u00e7\u00e3o do alvado, uma mocinha suburbana que se acha artista resolve, como se fosse algo normal, expor uma tatuagem em local jovem, mas de dimens\u00f5es anormais.<\/p>\n<p>Leio e, \u00e0s vezes, repasso somente o que \u00e9 fato, engra\u00e7ado e, com certeza, n\u00e3o agride. Os bons pensamentos e as piadas saud\u00e1veis \u2013 se \u00e9 que elas existem &#8211; contra esse ou aquele pol\u00edtico s\u00e3o minhas preferidas. Como a l\u00edngua \u00e9 o \u00fanico m\u00fasculo do corpo que est\u00e1 ligado apenas a uma extremidade, me permiti lampejos de mem\u00f3ria. Lembrando que sou massacrado diariamente por simpatizantes de um grupo com o qual n\u00e3o simpatizo, decidi esquecer os princ\u00edpios e responder com a mesma acidez. Um dos zaps mais recentes dizia respeito \u00e0 inten\u00e7\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica em &#8220;meter o dedo no setor el\u00e9trico&#8221;.<\/p>\n<p>Em uma enquete imagin\u00e1ria, perguntaram de que maneira o consultado gostaria que isso ocorresse. Pela ordem, as propostas eram as seguintes: descal\u00e7o, com o p\u00e9 molhado, na tomada de 220 volts ou todas as alternativas apresentadas. Essa foi a resposta vitoriosa, com 82,9%. Outro zap enviado por um amigo agn\u00f3stico revela que determinados segmentos adoram dizer que enxergam o Diabo em todo lugar. Entretanto, quando encontram um ser diferente n\u00e3o acreditam no que veem e preferem cham\u00e1-lo de mito. N\u00e3o conhe\u00e7o a autoria, mas atribu\u00edram a Chico Anysio a frase &#8220;se o v\u00edrus \u00e9 chin\u00eas e o gafanhoto paraguaio, est\u00e1 na hora de o Brasil exportar pol\u00edticos para o mundo entender o que \u00e9 praga&#8221;.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 retornos \u00e0 inf\u00e2ncia quando o meme relembra a pomada Minancora, a que curava &#8220;catinga de sovaco, dor nas juntas, nariz entupido, cara espinhenta, frieira braba, bra\u00e7o quebrado e at\u00e9 cora\u00e7\u00e3o partido&#8221;. Entre as atuais, uma merece reflex\u00e3o: &#8220;O Brasil parece o Titanic depois de bater. O capit\u00e3o n\u00e3o assume que \u00e9 um desastre, as pessoas continuam bebendo e dan\u00e7ando, enquanto tudo afunda. E estamos naquela hora que n\u00e3o h\u00e1 botes para todos&#8221;. Por isso, em tempos dif\u00edceis de pandemia, vale lembrar de Avicena, m\u00e9dico e filosofo \u00e1rabe, pai da medicina moderna, que disse: &#8220;A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 a metade da doen\u00e7a. A tranquilidade \u00e9 a metade do rem\u00e9dio. E a paci\u00eancia \u00e9 o primeiro passo para a cura&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Que a gente perca tudo: a hora, os dentes, a raz\u00e3o em alguns momentos, os sonhos, os sapatos, as roupas e o cabelo. Ao longo da vida, podemos perder qualquer coisa, menos os sonhos e a alegria de viver. N\u00e3o esque\u00e7amos que nas festas, mesmo as clandestinas, sempre cabe mais um. Nas UTIs, nem sempre.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m Junior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesses dias de endurecimento da pandemia tenho buscado as redes sociais como forma de passar o tempo mais rapidamente. 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